Triunfos eleitorais da ultradireita na Colômbia e Alemanha e seus efeitos
Esse mini boletim, publicado na semana de 12 de outubro, quando o Brasil caminha para o segundo turno de uma eleição presidencial decisiva, cujos resultados vão determinar os destinos da democracia no país, fala do primeiro turno da votação. Mas também oferece conteúdos para situá-lo em relação a outros dois contextos. Um deles é vizinho, a Colômbia que teve eleições presidenciais em junho; o outro, longínquo, as eleições estaduais alemãs que transcorreram em setembro. Essa escolha editorial busca sublinhar uma vez mais que o que se passa no Brasil, embora possa ter singularidades, não é exatamente excepcional.
Eleições Brasil 2026: compilação de análises pós-1º turno
O candidato de ultradireita Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), terminou o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT): 47,03% contra 45,16% dos votos válidos. Os dois voltam às urnas em 25 de outubro. O PL sai com as maiores bancadas da Câmara e do Senado, e quem vencer governará com um Congresso com dominância da ultradireita. A disputa pelo Supremo Tribunal Federal também está em jogo, já que o próximo mandatário indicará quatro ministros à Corte.
Onde esteve o “gênero” no primeiro turno das eleições de 2026
Gênero & Urnas é uma plataforma coletiva de estudantes, pesquisadoras e pesquisadores de diferentes regiões do país, interessados em compreender como o gênero “aparece” no tempo eleitoral de 2026: nos planos de governo das candidaturas, na propaganda e nas narrativas e outros conteúdos circulando nas redes, em entrevistas, debates e embates das campanhas e no próprio pleito. Também vamos observar e analisar o que vem em seguida, no período pós-eleitoral imediato.
Quem diz proteger a infância deveria não querer que crianças engravidassem
No Brasil, um estupro acontece a cada seis minutos, tempo de leitura deste artigo. A maioria das vítimas é menor de 14 anos (77,3%). São crianças violentadas, na maioria dos casos, por pessoas conhecidas e que deveriam zelar por elas. Em 2025, quase 12 mil crianças tornaram-se mães como fruto dessas violações, alterando radicalmente o curso de suas vidas.
A presença do gênero na campanha presidencial de 2026
Desde ao menos 2010, quando a então candidata Dilma Rousseff afirmou, pressionada por setores religiosos, que seu governo não tomaria nenhuma ação pela legalização do aborto, temas de gênero têm sido centrais nas corridas presidenciais brasileiras. Por Nana Soares e Natália Assunção.
Ofensivas antitrans no Piauí em 2026
As ofensivas antitrans que varrem o Brasil também estão presentes no estado do Piauí. Embora antecedentes possam ser verificados em períodos anteriores, foi a partir de janeiro de 2026 que esse cenário se intensificou no estado, em consonância com o que ocorre no restante do país. Este texto descreve e analisa, de maneira concisa, estes últimos eventos, evidenciando que, além das dinâmicas locais, eles revelam intercambio e articulação com atores de abrangência nacional, e mesmo internacional, que hoje lideram essas ofensivas. Por Dandara Leite Carvalho
Uma mulher trans e a transfobia disputam a maior votação de São Paulo
Por Bruna Quinsan Camargo. Há uma disputa particularmente simbólica acontecendo nas eleições para deputado federal em São Paulo. De um lado, Erika Hilton, uma mulher trans, deputada federal e candidata à reeleição. Do outro, Lucas Pavanato, vereador da capital e candidato a deputado federal.
Política sexual de abril a julho de 2026
Para essa edição, entrevistamos uma vez mais Fabeni, para ouvi-lo sobre a complexa geopolítica do novo papado — em particular o confronto aberto com Trump —, perspectivas quanto as direções possíveis da política do Vaticano para os direitos LGBTIQ+. A entrevista pode ser lida aqui. Além da entrevista, esse número também oferece análise sobre duas outras tendências relevantes na política sexual atual. Analisa retrocessos em curso no campo dos direitos LGBTQIA+, oferecendo uma visão geral sobre a sucessão de leis draconianas contra a comunidade LGBTQIA+ aprovadas na África Ocidental e uma análise concisa da reforma altamente restritiva da lei da identidade de gênero aprovada em Portugal (março de 2026).
Bastidores da aprovação do PDL 3 pelo Senado e incidências pelo direito ao aborto – entrevista com Laura Molinari
Para comentar o processo que levou à aprovação do PDL 3, bem como fazer um balanço político pós-votação e dos desafios futuros para o movimento pelo direito ao aborto no Brasil, entrevistamos Laura Molinari, co-coordenadora da Campanha Nem Presa Nem Morta. A entrevista, conduzida por Nana Soares, narra os desafios desde a aprovação da Resolução 258, em 2024, intensificados não só pela composição ultraconservadora do Congresso e do Senado como pela omissão dos aliados no campo institucional.
Nota sobre resolução do CFM sobre pessoas intersexo
As professoras Paula Sandrine e Amanda Schiavon, membros do Grupo de Pesquisa Intersexualidades e reconhecimento de sujeitos de direito: uma abordagem interdisciplinar, compartilharam, em nota, argumentos contra a Resolução n. 2.455 do Conselho Federal de Medicina, de 26 de fevereiro de 2026. A resolução dispõe sobre normas técnicas para avaliação, tratamento e seguimento de pacientes com “distúrbios do desenvolvimento sexual”. Na nota, as autoras apontam retrocessos e violações aos direitos das pessoas intersexo, destacando o descompasso com o debate médico-científico internacional.






