Sexuality Policy Watch [PTBR]

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Esse mini boletim, publicado na semana de 12 de outubro, quando o Brasil caminha para o segundo turno de uma eleição presidencial decisiva, cujos resultados vão determinar os destinos da democracia no país, fala do primeiro turno da votação. Mas também oferece conteúdos para situá-lo em relação a outros dois contextos. Um deles é vizinho, a Colômbia que teve eleições presidenciais em junho; o outro, longínquo, as eleições estaduais alemãs que transcorreram em setembro. Essa escolha editorial busca sublinhar uma vez mais que o que se passa no Brasil, embora possa ter singularidades, não é exatamente excepcional.

As recentes eleições estaduais na Alemanha confirmaram uma transformação profunda do sistema partidário do país: a Alternative für Deutschland (AfD) deixou de ser uma força política marginal e se consolidou como um dos principais veículos eleitorais da direita radical alemã. Por Alrik Schubotz.

O candidato de ultradireita Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), terminou o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT): 47,03% contra 45,16% dos votos válidos. Os dois voltam às urnas em 25 de outubro. O PL sai com as maiores bancadas da Câmara e do Senado, e quem vencer governará com um Congresso com dominância da ultradireita. A disputa pelo Supremo Tribunal Federal também está em jogo, já que o próximo mandatário indicará quatro ministros à Corte.

Gênero & Urnas é uma plataforma coletiva de estudantes, pesquisadoras e pesquisadores de diferentes regiões do país, interessados em compreender como o gênero “aparece”  no tempo eleitoral de 2026: nos planos de governo das candidaturas, na propaganda e nas narrativas e outros conteúdos circulando nas redes, em entrevistas, debates e embates das campanhas e no próprio pleito. Também vamos observar e analisar o que vem em seguida, no período pós-eleitoral imediato.

A presença de pessoas LGBT+ nas disputas eleitorais é mais antiga do que a jovem democracia formal brasileira e quase tão longeva quanto a controvérsia sobre o sentido dessa presença. Desde as primeiras organizações ativistas, perguntava-se se as experiências, as demandas e as propostas dessa população encontrariam abrigo nos partidos políticos, mesmo nos que pareciam mais abertos à diversidade sexual e de gênero. Essa pergunta nunca foi respondida de forma consensual. Hoje ela retorna com outra cara: o que significa representação LGBT+ quando se desagarra da pauta dos direitos democráticos? O que devemos ler nas candidaturas LGBTQIA+ à direita, em todas as suas variantes? Elas não são numericamente expressivas, não são publicamente conhecidas, não têm lastro histórico, mas existem e estão enquadradas num projeto político antidemocrático.

Pesquisadoras e pesquisadores que acompanham as ofensivas antigênero registradas na política brasileira há mais de uma década têm sido questionados sobre qual seria o “kit gay” da campanha eleitoral de 2026. O “kit gay” evoca o furor da eleição de 2018, quando a campanha de Bolsonaro usou o termo para propagar acusações contra um suposto projeto de doutrinação homossexual nas escolas, implementado por Fernando Haddad quando ministro da educação. Circularam, então, inúmeras versões do maléfico “kit gay”: havia tanto supostos livros didáticos quanto imagens pornográficas, além das “mamadeiras de piroca”.

Desde ao menos 2010, quando a então candidata Dilma Rousseff afirmou, pressionada por setores religiosos, que seu governo não tomaria nenhuma ação pela legalização do aborto, temas de gênero têm sido centrais nas corridas presidenciais brasileiras. Por Nana Soares e Natália Assunção.

“Meu balanço é que estamos diante de um governo que semeia o medo todos os dias e que busca transformar os limites do que consideramos aceitável em uma democracia”. Leia a entrevista completa.

As ofensivas antitrans que varrem o Brasil também estão presentes no estado do Piauí. Embora antecedentes possam ser verificados em períodos anteriores, foi a partir de janeiro de 2026 que esse cenário se intensificou no estado, em consonância com o que ocorre no restante do país. Este texto descreve e analisa, de maneira concisa, estes últimos eventos, evidenciando que, além das dinâmicas locais, eles revelam intercambio e articulação com atores de abrangência nacional, e mesmo internacional, que hoje lideram essas ofensivas. Por Dandara Leite Carvalho

Por Bruna Quinsan Camargo. Há uma disputa particularmente simbólica acontecendo nas eleições para deputado federal em São Paulo. De um lado, Erika Hilton, uma mulher trans, deputada federal e candidata à reeleição. Do outro, Lucas Pavanato, vereador da capital e candidato a deputado federal.

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