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Eleições Brasil 2026: compilação de análises pós-1º turno

Imagem: Congresso em Foco

O candidato de ultradireita Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), terminou o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT): 47,03% contra 45,16% dos votos válidos. Os dois voltam às urnas em 25 de outubro. O PL sai com as maiores bancadas da Câmara e do Senado, e quem vencer governará com um Congresso com dominância da ultradireita. A disputa pelo Supremo Tribunal Federal também está em jogo, já que o próximo mandatário indicará quatro ministros à Corte.

O que as urnas disseram

Com 100% das urnas apuradas, Flávio teve 56,1 milhões de votos e Lula, 53,9 milhões. A diferença foi de 2,2 milhões, ou 1,87 pontos percentuais. Brancos e nulos somaram 4,8%. A abstenção chegou a 21%, cerca de 33,5 milhões de pessoas. Os quatro candidatos seguintes somaram 7,6% e estão todos à direita de Lula: Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Os outros seis ficaram, juntos, com 0,2%. É a primeira vez desde 1998 que Lula termina um primeiro turno em segundo lugar. Em 2022, ele superou Jair Bolsonaro por 5,23 pontos. Lula perdeu cerca de 3,4 milhões de votos em relação àquele primeiro turno.

Resultados nos estados

O mapa geográfico da distribuição de votos é bastante nítido. Flávio venceu em todos os estados do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste, no Distrito Federal e em quatro estados do Norte. Lula venceu nos nove estados do Nordeste e no Pará, no Amazonas e no Amapá. Minas, que costuma acompanhar o resultado nacional, deu 48,25% a Flávio e 43,31% a Lula.

                                                          Fonte: G1

Os governadores

O PL foi o partido com mais governadores eleitos no primeiro turno:  seis (Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima e Santa Catarina). Além disso, partidos aliados à sigla levaram outros cinco estados no primeiro turno (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, São Paulo, Pará). O PT conseguiu apenas três estados (Ceará, Bahia e Piauí), e seus aliados enfrentarão segundo turno em quatro estados.

O Congresso

A eleição definiu 54 das 81 cadeiras do Senado. O PL deve começar a legislatura, em fevereiro de 2027, com 28 senadores, um terço da Casa. Segundo a Agência Senado, é a maior bancada de um partido no início de uma legislatura desde 1988. Na Câmara, a projeção da própria Casa dá ao PL 121 das 513 cadeiras, contra 99 em A federação de PT, PCdoB e PV fica em segundo, com 82. Aliados de Lula sofreram derrotas simbólicas. As ex-ministras Gleisi Hoffmann, no Paraná, e Simone Tebet e Marina Silva, em São Paulo, não se elegeram ao Senado. Renan Calheiros não se reelegeu em Alagoas. Do outro lado, Michelle Bolsonaro foi a mais votada no Distrito Federal, e Nikolas Ferreira voltou a ser o deputado mais votado do país, com 3,1 milhões de votos.

 Efeitos previsíveis

Como esses números na Câmara  e no Senado  a ultradireita ganhou espaço para negociando com o chamado Centro propor e aprovar emendas constitucionais. Já o aumento do seu número de senadores abre espaço para mudanças das regras do Supremo Tribunal federal e impeachment de juízes. Se Lula vencer, terá portanto oposição do Congresso e dos governadores de quatro grandes estados do Centro-Sul. Se Flávio vencer, terá maioria congressual, apoio desses governadores mas oposição de governadores do PT no Nordeste.

Por que as pesquisas erraram

Na véspera, a maioria dos institutos mostrava empate técnico, com Lula numericamente à frente na maioria das sondagens. Só o Gerp dava vantagem a Flávio. O Datafolha de 03/10 acertou o percentual de votos de Lula e errou o de Flávio em cerca de cinco pontos. Essa pesquisa ,com 4.006 de entrevistas e margem de erro de 2 pontos, não apontava o encolhimento expressivo dos candidatos Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema que, juntos, perderam 3,4 pontos entre a pesquisa e a urna. Essa diferença explica mais da metade do erro.  

Mas tampouco pesquisas que saíram nas semanas prévias ao pleito indicavam a discrepância: a sondagem BTG/Nexus, divulgada uma semana antes, apontava Lula com 42% e Flávio com 37%. Há duas explicações para o que se passou, e uma não exclui a outra. A primeira é o voto útil de última hora: eleitores da direita migraram para Flávio depois de dias de campanha pela vitória já no primeiro turno. A segunda é erro de medição, com eleitores de direita que não respondem às pesquisas. Só estudos feitos depois da eleição poderão separar uma coisa da outra.

Compilação de análises

Português

Análise dos dados

Direita incluiu mulheres em projeto de poder, mas não produziu onda de eleitas, dizem pesquisadoras – Folha de São Paulo

Congresso amplia presença feminina, mas vê avanço antifeminista – Folha de São Paulo

Bancada feminina bate recorde e é mais de esquerda que total da Câmara – Folha de São Paulo

Número de pessoas LGBT+ eleitas neste ano dobra em relação a 2022 – Carta Capital

Quem são as pessoas LGBTQIA+ eleitas em 2026 – Agência Diadorim

Quem é Thabatta Pimenta, primeira deputada federal trans do Nordeste – Folha de São Paulo

Jovens de direita e extrema-direita são maioria entre eleitos em 2026 – O Globo

Ascensão de bolsonaristas evangélicos leva candidatos da Universal e da Assembleia de Deus a perderem votos e mandato – O Globo

Malafaia sobrevive a avalanche eleitoral que vitimou lideranças religiosas e ‘elege’ 27 – Folha de São Paulo

Bancada evangélica perde 4 de 5 presidentes, e urnas desgastam velha guarda – Folha de São Paulo

Análise dos resultados

Podcast explica como bolsonarismo se organizou para obter domínio no 1º turno: entrevista com Marcos Nobre – Podcast Café da Manhã

Vladimir Safatle e Jamil Chade comentam o resultado do 1º turno | Direto da Redação – Carta Capital

Para além da desolação – Revista Piauí

Esquerda que ri de ‘CEO de MEI’ não entende os sonhos do novo trabalhador, diz antropóloga – BBC Brasil

Rita Almeida – Facebook 

Flávio Bolsonaro na frente de Lula: o que isso diz de um povo? – Sumauma

A síndrome do segundo mandato – Folha de São Paulo

Espanhol

Lula contra un tsunami conservador – Nuso

Brasil y el problema que las izquierdas todavía no quieren mirar – Marco Fonseca (Substack)

Elecciones en Brasil: breve manifiesto contra la desolación – Nuso

¿Qué representa el nombre Bolsonaro? – Le Monde Diplomatique

Flávio o el mito de un «Bolsonaro moderado» – Nuso

La ola conservadora de América Latina llega a Brasil – El País

La ultraderecha mundial celebró el triunfo de Flavio Bolsonaro en Brasil – Página 12

La celebración de los votantes de Bolsonaro: “Dios está en estas elecciones” – El País

El clan Bolsonaro, un presidenciable, cuatro nuevos parlamentarios y un sinfín de tensiones internas – El País

Erika Hilton, la diputada más votada de Brasil: la voz de la resistencia al bolsonarismo es una mujer trans – El País

Inglês

Flávio Bolsonaro announces he wants to ‘reform the Constitution to redemocratize’ Brazil – El País

Brazil: The Future of the Far Right – Equator 

Far right on the march and Lula’s failures: key drivers of Flávio Bolsonaro’s Brazil surge – The Guardian

Brazil’s Election Debacle Is Lula’s Fault – Project Syndicate

Brazil’s Voters Have Moved – Project Syndicate

Flávio’s surprise first-round election win highlights rapid rise of Brazil’s House of Bolsonaro – The Guardian

A Bolsonaro Win Would Nearly Complete Trump’s Latin America Map – NY Times



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