Triunfos eleitorais da ultradireita na Colômbia e Alemanha e seus efeitos
Esse mini boletim, publicado na semana de 12 de outubro, quando o Brasil caminha para o segundo turno de uma eleição presidencial decisiva, cujos resultados vão determinar os destinos da democracia no país, fala do primeiro turno da votação. Mas também oferece conteúdos para situá-lo em relação a outros dois contextos. Um deles é vizinho, a Colômbia que teve eleições presidenciais em junho; o outro, longínquo, as eleições estaduais alemãs que transcorreram em setembro. Essa escolha editorial busca sublinhar uma vez mais que o que se passa no Brasil, embora possa ter singularidades, não é exatamente excepcional.
O que significam os sucessos da AfD nas recentes eleições estaduais na Alemanha
As recentes eleições estaduais na Alemanha confirmaram uma transformação profunda do sistema partidário do país: a Alternative für Deutschland (AfD) deixou de ser uma força política marginal e se consolidou como um dos principais veículos eleitorais da direita radical alemã. Por Alrik Schubotz.
Onde esteve o “gênero” no primeiro turno das eleições de 2026
Gênero & Urnas é uma plataforma coletiva de estudantes, pesquisadoras e pesquisadores de diferentes regiões do país, interessados em compreender como o gênero “aparece” no tempo eleitoral de 2026: nos planos de governo das candidaturas, na propaganda e nas narrativas e outros conteúdos circulando nas redes, em entrevistas, debates e embates das campanhas e no próprio pleito. Também vamos observar e analisar o que vem em seguida, no período pós-eleitoral imediato.
Diversidade de sexo e gênero à direita e ultradireita ? – As candidaturas LGBT + D
A presença de pessoas LGBT+ nas disputas eleitorais é mais antiga do que a jovem democracia formal brasileira e quase tão longeva quanto a controvérsia sobre o sentido dessa presença. Desde as primeiras organizações ativistas, perguntava-se se as experiências, as demandas e as propostas dessa população encontrariam abrigo nos partidos políticos, mesmo nos que pareciam mais abertos à diversidade sexual e de gênero. Essa pergunta nunca foi respondida de forma consensual. Hoje ela retorna com outra cara: o que significa representação LGBT+ quando se desagarra da pauta dos direitos democráticos? O que devemos ler nas candidaturas LGBTQIA+ à direita, em todas as suas variantes? Elas não são numericamente expressivas, não são publicamente conhecidas, não têm lastro histórico, mas existem e estão enquadradas num projeto político antidemocrático.
Gênero eleitoral: do “kit gay” à violência de gênero e a política “mano dura”
Pesquisadoras e pesquisadores que acompanham as ofensivas antigênero registradas na política brasileira há mais de uma década têm sido questionados sobre qual seria o “kit gay” da campanha eleitoral de 2026. O “kit gay” evoca o furor da eleição de 2018, quando a campanha de Bolsonaro usou o termo para propagar acusações contra um suposto projeto de doutrinação homossexual nas escolas, implementado por Fernando Haddad quando ministro da educação. Circularam, então, inúmeras versões do maléfico “kit gay”: havia tanto supostos livros didáticos quanto imagens pornográficas, além das “mamadeiras de piroca”.
Quem diz proteger a infância deveria não querer que crianças engravidassem
No Brasil, um estupro acontece a cada seis minutos, tempo de leitura deste artigo. A maioria das vítimas é menor de 14 anos (77,3%). São crianças violentadas, na maioria dos casos, por pessoas conhecidas e que deveriam zelar por elas. Em 2025, quase 12 mil crianças tornaram-se mães como fruto dessas violações, alterando radicalmente o curso de suas vidas.
A presença do gênero na campanha presidencial de 2026
Desde ao menos 2010, quando a então candidata Dilma Rousseff afirmou, pressionada por setores religiosos, que seu governo não tomaria nenhuma ação pela legalização do aborto, temas de gênero têm sido centrais nas corridas presidenciais brasileiras. Por Nana Soares e Natália Assunção.
Princípios de Yogyakarta
Os Princípios de Yogyakarta, co-coordenado por Sonia Corrêa (SPW), tratam de um amplo espectro de normas de direitos humanos e de sua aplicação a questões de orientação sexual e identidade de gênero.
O retorno dos testes genéticos de sexo obrigatórios: uma catástrofe em andamento para o esporte feminino e o que a Humans of Sport e o International Sex Testing in Sport (STS) estão fazendo a respeito
A política provavelmente afetará um grande número de mulheres e meninas em todo o mundo: o COI recomenda a realização da triagem “no início da carreira esportiva”, expondo até mesmo atletas em fase de desenvolvimento a resultados de testes genéticos potencialmente devastadores. Dado o número de modalidades esportivas e de países nos quais a política será implementada — atualmente, há 43 modalidades no programa olímpico combinado de verão e inverno e mais de 200 Comitês Olímpicos Nacionais (CONs) —, é provável que a implementação da política seja bastante variada, expondo mulheres e meninas a uma ampla gama de possíveis danos.
Política sexual de abril a julho de 2026
Para essa edição, entrevistamos uma vez mais Fabeni, para ouvi-lo sobre a complexa geopolítica do novo papado — em particular o confronto aberto com Trump —, perspectivas quanto as direções possíveis da política do Vaticano para os direitos LGBTIQ+. A entrevista pode ser lida aqui. Além da entrevista, esse número também oferece análise sobre duas outras tendências relevantes na política sexual atual. Analisa retrocessos em curso no campo dos direitos LGBTQIA+, oferecendo uma visão geral sobre a sucessão de leis draconianas contra a comunidade LGBTQIA+ aprovadas na África Ocidental e uma análise concisa da reforma altamente restritiva da lei da identidade de gênero aprovada em Portugal (março de 2026).






