
Por Dandara Leite Carvalho
As ofensivas antitrans que varrem o Brasil também estão presentes no estado do Piauí. Embora antecedentes possam ser verificados em períodos anteriores, foi a partir de janeiro de 2026 que esse cenário se intensificou no estado, em consonância com o que ocorre no restante do país. Este texto descreve e analisa, de maneira concisa, estes últimos eventos, evidenciando que, além das dinâmicas locais, eles revelam intercambio e articulação com atores de abrangência nacional, e mesmo internacional, que hoje lideram essas ofensivas.
O contexto político piauiense
A estrutura política do Piauí é historicamente marcada pela persistência de poderes oligárquicos e dinâmicas clientelistas, que consolidaram uma cultura institucional profundamente conservadora. Com a eleição de Wellington Dias[1] (PT) em 2002, o estado vivenciou um “giro ao petismo” que reconfigurou o cenário eleitoral, mas que não representou uma ruptura com as elites tradicionais. A hegemonia do Partido dos Trabalhadores no Piauí se estabeleceu por meio do pragmatismo que atraiu as antigas lideranças conservadoras para a base governista.
Esse modelo é mais um exemplo da governabilidade lulista, caracterizada por um reformismo de conciliação que evita o tensionamento direto com os setores dominantes. No contexto piauiense, essa articulação forjou a conciliação com setores evangélicos e conservadores. O governo estadual, liderado por Dias, sucessivos mandatos, manteve um discurso de centro-esquerda voltado à assistência social e ao combate à pobreza. No entanto, evita confrontar ideologicamente os setores conservadores em temas como gênero, sexualidade e aborto, ou seja escanteando pautas progressistas que possam ameaçar a estabilidade da sua gestão.
A primeira ofensiva
Parnaíba é a segunda maior cidade do estado, menor apenas do que Teresina, situada em um pequeno trecho de litoral ao norte do estado. A economia municipal gira em torno do turismo, do comércio e dos serviços.
Em 29 de janeiro de 2026, Dia Nacional da Visibilidade Trans, a Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar) trocou as placas dos banheiros de seu campus. Os banheiros continuaram divididos em feminino e masculino, mas as placas passaram a informar que os banheiros masculinos poderiam ser usados por homens cis, homens trans e pessoas não binárias, e o mesmo se aplicava aos banheiros femininos. A postagem no Instagram sobre o ato simbólico em comemoração ao Dia Nacional da Visibilidade Trans recebeu uma enxurrada de comentários transfóbicos partindo de egressos da universidade, de outras vozes do município e de todo o estado. Em linhas gerais, comentários afirmavam que a segurança das mulheres cis do campus estava ameaçada pela presença de travestis e mulheres trans nos banheiros femininos. Um desses comentários veio da MATRIA, que sem base empírica nenhuma, usou o lançamento das placas para afirmar que travestis e mulheres trans são um perigo a mulheres cis.
O fato repercutiu amplamente. Diversas reportagens abriram espaço para posicionamentos contrários aos cartazes foram publicadas em portais de notícias do Piauí, e vídeos sobre o ocorrido viralizaram, com grande parte do público das redes se posicionando contra a nova sinalização nos banheiros da UFDPar. Um post publicado no perfil de Luciano Hang (conhecido como Véio da Havan), atingiu (na última checagem, em 06/07) 100 mil curtidas e 1,7 milhão de visualizações.
A sinalização dos banheiros tinha antecedentes. Em outubro de 2025, a UFDPar se aproximou dos movimentos trans locais, convidando os coletivos Acolhe Trans e IBRAT-PI para uma reunião com o reitor da Universidade, a Ouvidoria e a Comissão de Enfrentamento à Violência, para discutir o combate à transfobia no campus. Como resultado do encontro, foi acordado que era necessário promover a formação em gênero e sexualidade das/dos funcionárias/os da universidade. Assim como instalar placas e cartazes em todo o campus alertando sobre a LGBTfobia e informando sobre o direito de acesso das pessoas travestis e trans aos banheiros correspondentes à sua identidade de gênero. Também foi solicitada a melhoria dos banheiros masculinos, pois homens trans e transmasculinos precisam de cabines com portas que garantam sua privacidade e segurança.
Essas medidas foram adotadas como ação preventiva da UFDPar, tendo em vista que, em 2026, as cotas trans seriam inseridas no SISU e, provavelmente, um número maior de estudantes travestis e trans ingressaria na universidade. Apesar desse diálogo, ocorrido apenas alguns meses antes, a UFDPar não se posicionou publicamente sobre o acontecido em janeiro de 2026, nem tentou limitar os comentários transfóbicos no post oficial que informava sobre as placas dos banheiros.
Dois meses depois, no dia 24/03, três estudantes de medicina, homens cisgêneros, denunciaram outro aluno, também de medicina, por importunação sexual num banheiro masculino, onde o suspeito teria exibido sua genitália. Nesse caso, a Universidade se pronunciou no mesmo dia, repudiando qualquer assédio e importunação sexual ocorridos no campus e garantindo que o caso seria investigado. O aluno suspeito foi afastado das atividades do campus, inicialmente, por 20 e, posteriormente, por outros 20 dias.
O episódio não tinha nenhuma relação com travestis e pessoas trans. Entretanto, a mídia digital de Parnaíba publicouconteúdos alegando que a causa da importunação eram as placas colocadas nas portas dos banheiros, dois meses antes. A universidade também foi questionada pelo portal local de notícias OitoMeia sobre a existência dos banheiros unissex. Isso foi prontamente negado, o vice-reitor, Vicente Borges, declarou à Rede Clube – rede de televisão afiliada da Globo no Piauí – que o aluno suspeito de importunação sexual era um homem cisgênero e que o caso não tinha nenhuma relação com as novas placas.
Apesar disso, o delegado de polícia da cidade, Rodrigo Luna postou um vídeo em seu Instagram reiterando a relação entre a importunação sexual e as placas e afirmando que a universidade não estaria preocupada com a segurança das mulheres do campus. Que essa narrativa tenha sido emitida por uma autoridade policial diz muito sobre a difusão e penetração institucional de discursos transexcludentes que se justificam com base na proteção das mulheres. Já o fato concreto da importunação sexual entre homens cisgêneros foi obliterado, jogando, uma vez mais, o problema da violência sexual contra meninos e homens para baixo do tapete.
Não é difícil perceber que a imprensa piauiense e, em específico, a imprensa parnaibana, instigaram sentimentos antitrans entre suas audiências, criando um ambiente de pânico moral. Nos comentários dos posts já mencionados, discursos sobre a população travesti e trans como ameaças à integridade física de mulheres cisgêneras foram amplamente difundidos, inclusive por mulheres cis explicitamente contrárias ao acesso de travestis e mulheres trans aos banheiros femininos. Há três coletivos feministas atuantes em Parnaíba, mas somente um, a Coletiva Feminista Dionísia, se posicionou sobre a mobilização dos discursos antitrans diante do caso de importunação sexual. O grupo circulou uma nota técnica sobre o acesso de travestis e pessoas trans aos banheiros das universidades como garantia de respeito pela dignidade humana.
Esses fatos, vale dizer, ocorreram exatamente quando a deputada Erika Hilton estava sendo atacada após assumir a presidência da Comissão dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Ou seja, num ambiente nacional em que proliferavam discursos antitrans, não casualmente, um caso de importunação que não envolvia nenhuma pessoa travesti e trans se converteu em pretexto para uma onda de desinformação e instrumentalização da pauta da proteção das mulheres, incitando posicionamentos antigênero e atitudes transfóbicas, que mais tarde geraram movimentações políticas em torno da ideia qual seria “o lugar da mulher”.
Um pouco mais tarde, entre os dias 30/03 e 09/04, ataques virtuais foram direcionados à pesquisadora e assistente social Jessyka Rodrigues, após sua participação no programa local Luana Tvê, um talk-show que propõe discutir temas de relevância social. Trechos de sua entrevista que contestavam o mito da “ideologia de gênero” nas escolas e discutiam a eleição de Erika Hilton para a Comissão das Mulheres, foram postados no Instagram, fazendo de Jessyka um alvo de cometários transfóbicos, a maioria num tom ultrareligioso. Em resposta, notas de solidariedade à Jessyka publicadas tanto por coletivos e movimentos travestis e trans quanto por grupos feministas locais e acadêmicos.
O caso de Oeiras
A cidade de Oeiras fica no interior do Piauí, ao sul do estado. Trata-se de uma cidade pequena, com cerca de 38.000 habitantes, mas de grande importância histórica e econômica, pois foi a primeira capital do estado. Em maio, também ocorreu um caso de transfobia envolvendo uma mulher trans. Leia Silva foi expulsa do banheiro feminino do terminal rodoviário da cidade por um vigilante. Mas, ao contrário do que aconteceu em Parnaíba, o caso teve pouquíssima visibilidade e escassas informações sobre o ocorrido.
Leia registrou boletim de ocorrência em 09/05, na Segunda Delegacia Seccional de Oeiras, relatando que foi abordada por um vigilante enquanto estava no banheiro feminino. Ele questionou sua presença no local, alegando que o banheiro adequado para ela seria o masculino. Quando ela apresentou os documentos retificados para justificar seu direito de utilizar o local, o vigilante nomeou sua genitália afirmando, de forma rude: “mesmo assim, seu banheiro é o masculino”.
Segundo Leia, o vigilante, que tinha um cassetete na mão e cheirava a álcool, segurou seu braço durante a discussão. Para se defender da acusação, o vigilante postou um vídeo nas redes sociais negando ter solicitado a Leia que saísse do banheiro por ser mulher trans. Alegou que tinha feito isso porque uma senhora a teria visto usando drogas ilícitas. Embora refutasse a transfobia, no vídeo o vigilante afirmou que Leia não é uma mulher e a tratou com pronomes masculinos. E adicionou que as mulheres (cis) ficariam desconfortáveis em usar o banheiro com Leia, pois “ela é um homem”. O caso ainda está sendo investigado, mas a postagem do vigilante teve um amplo apoio.
A ofensiva antitrans na esfera legislativa
No início de maio, na capital do estado, o vereador Petrus Evelyn (PP) protocolou o projeto de lei de criação da Política Municipal de Proteção da Mulher de Teresina. O texto do projeto propunha instituir o “sexo biológico” como critério para o uso de banheiros femininos e vetar patrocínios públicos a eventos esportivos cujas modalidades não sejam exclusivas de mulheres cis. O PL, em questão, replicava, quase na totalidade, a Lei Municipal nº 7.615/2026, de Campo Grande (MS),que instituiu uma “Política de Proteção às Mulheres”. A única diferença entre os textos é que, na lei de Campo Grande, o artigo barrando travestis e mulheres trans em esportes femininos e testes físicos de concursos, foi vetado pela prefeita Adriane Lopes. [2]
A travesti Kamilly Boneca, filiada ao PT, reagiu ao projeto de lei protestando no gabinete do vereador. No vídeo do protesto que circulou nas redes, Kamilly argumenta que obrigar travestis e mulheres trans a usarem banheiros masculinos as coloca em risco de sofrer violência sexual. Petrus respondeu com uma postagem no Instagram referindo-se à Kamilly com pronomes masculinos e afirmando: “ela é um travesti, ou seja , um homem travestido de mulher”. A postagem também alegava que o Partido dos Trabalhadores (PT) diz se importar com as mulheres, mas, de fato, defende a ideia de que “qualquer pessoa pode ser uma mulher”. O episódio foi objeto de matérias em diversos jornais de Teresina e do estado, suscitando uma nova avalanche de comentários transfóbicos.
No dia 19/05, quando o PL estava tramitando na Comissão de Legislação e Justiça (CCJ) da Câmara Municipal de Teresina (CMT), os movimentos Correnteza, União da Juventude e Rebelião (UJR), juntamente com o Coletivo 086 e outros coletivos de pessoas trans do Piauí, fizeram um protesto na sala. Na sessão, um trecho da entrevista de Celine Albuquerque, travesti e coordenadora Estadual do Movimento Correnteza e da UJR, foi criticado no O Piauiense, site administrado pelo vereador Petrus Evelyn nos seguintes termos: “Há milhares de mulheres que concordam e apoiam meu projeto de lei, mas a opinião dessas mulheres, que são as verdadeiras interessadas e quem realmente se sente constrangida, não vale nada para essa turma” (sic). Entre os comentários transfóbicos feitos ao post havia ataques transmisóginos à aparência de Celine.
Antes da aprovação do projeto na CCJ, que aconteceria no dia 26/05, as associadas ao PL Mulher Piauí se mobilizaram para apoiar a lei e difundir narrativas antigênero. Chamaram uma Marcha Pelo Lugar da Mulher em Teresina, nos moldes da manifestação que aconteceria na Avenida Paulista, a qual por falta de adesão local não se materializou. No entanto, em preparação para a marcha que não houve, Liamara Alencar, pré-candidata a Deputada Federal, postou vídeos com várias mulheres cis perguntando o que pensavam do projeto de lei. A maioria delas se colocou a favor, sugerindo a criação de um “terceiro” banheiro para travestis e mulheres trans.
Apesar das contestações, a lei foi aprovada
Na data em que o PL seria votado na CCJ, os movimentos de pessoas travestis e trans de Teresina, em parceria com o movimento estudantil, organizaram uma manifestação na Câmara Municipal. Na sessão, a vereadora Samantha Cavalca (PP), se referiu às mulheres trans e travestis como “um bocado de marmanjo barbado de peruca” e de “cosplay de Erika Hilton”. Liamara Alencar e Socorro Medeiros, liderança do PL Mulher em Várzea Grande, município do interior piauiense, que estavam presentes entraram em confronto com os participantes. Apesar do tumulto, o texto foi aprovado na Comissão.
Em reação a essa mobilização contra o PL, Petrus, Samantha e Liamara convocaram uma manifestação a favor do projeto de lei em sua sessão de votação, que aconteceria no dia 09/06. Os convites se estenderam principalmente a mulheres, porém homens também foram chamados a se manifestar a favor do projeto. Outra ação voltada a pressionar os vereadores foi uma campanha digital, puxada pela professora antifeminista Gleyce Mesquita, em colaboração com o perfil @frenteamplaprotecão, para clamar pela exclusão de travestis e mulheres trans de espaços exclusivos para mulheres. Celina Lazzari, diretora da Matria, participou da ação através de seu perfil pessoal, e o post foi publicado nos stories da organização incentivando as seguidoras a se juntarem à mobilização. A @frenteamplaproteção também atacou os vereadores do PT que haviam votado contra o PL na Comissão.
No dia da votação da lei pelo plenário (09/06), um grupo de mulheres trazia uma faixa com a inscrição “O QUE VOCÊ ACREDITA QUE É NÃO MUDA A PERCEPÇÃO DA REALIDADE DOS OUTROS”. No desenrolar da sessão, o projeto foi retirado de votação por um pedido de vista do vereador João Pereira (PT), que havia dialogado com o movimento trans sobre o problema da lei. Embasado nas decisões emitidas por tribunais de justiça de outros estados – como a decisão recente do TJMA que suspendeu a lei que restringia o uso de banheiros femininos por travestis e mulheres trans – o vereador argumentou que o conteúdo da lei era inconstitucional.
Contudo, quando submetido a primeira votação no dia 17/06, o PL foi aprovado em primeira instância com 12 votos a favor e 4 contra. No debate, o pedido de arquivamento apresentado pelo vereador João Pereira foi rejeitado, mas o parlamentar reiterou sua oposição à lei, sublinhando, mais uma vez, que o PL é inconstitucional. Na votação em segunda instância, o projeto foi aprovado com 13 votos a favor e 5 contra. O projeto foi sancionado pelo Prefeito Silvio Mendes (UNIÃO), em 30 de julho, sendo agora a Lei municipal nº 6.389.
Conexões nacionais e transnacionais
A ofensiva legislativa antitrans iniciada por Petrus apresenta particularidades locais. Mas deve ser lida como parte do conjunto de outros projetos de lei e até mesmo de políticas de executivos locais que buscam restringir o acesso de travestis e pessoas trans a esportes e banheiros, além de proibir o uso de linguagem neutra e conteúdos sobre identidade de gênero na educação.. Um estudo publicado na Folha em janeiro de 2024 revelou 77 leis antitrans em vigor no Brasil, quando as leis de Campo Grande e Teresina ainda não haviam sido aprovadas. Com isso, é possível entender que a avalanche de políticas antitrans aprovadas em 2026 – como a lei municipal em São Luís – MA (já derrubada pelo TJMA) e a estadual recentemente sancionada no Pará, fazem parte de um contexto maior.
Além disso, essa intensa movimentação legislativa é impactada por dinâmicas transnacionais. Há, por exemplo, uma forte convergência entre as propostas legislativas que estão pipocando no Brasil e as ordens executivas adotadas por Trump desde o primeiro dia de governo em janeiro de 2025. Como tem analisado sistematicamente a blogueira trans Erin Reed esses decretos visam “desmantelar o reconhecimento legal e social das pessoas transgênero nos Estados Unidos”.
Essa conjuntura política nacional e global – na qual deve ser contabilizado o intervencionismo estadunidense na política e na economia latino-americanas – impõe enormes desafios ao movimento brasileiro de defesa dos direitos trans. Esse cenário exige de nós uma grande capacidade de diálogo e articulação com outros movimentos sociais cujas demandas de direitos também são afetadas por essas dinâmicas políticas, como, por exemplo, os feminismos e os movimentos antirracistas. Mas esse diálogo também deve se estender a representantes políticos, às universidades e às organizações democráticas da sociedade civil.
Diálogo e solidariedade: lições aprendidas
No complicado contexto que assistimos no Piauí desde janeiro de 2026, a importância da ação articulada, do diálogo e da solidariedade ficou evidente.
Quando o vereador Petrus gravou o vídeo nas dependências da UFDPar, relacionando o caso de importunação sexual à nova sinalização dos banheiros da instituição, foi o diálogo entre a universidade e os movimentos sociais que levou à publicação da nota de repúdio às declarações do vereador. No caso da lei municipal de Teresina — além das articulações e conversas no processo de votação —, a lei está sendo contestada agora por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no Tribunal de Justiça do Piauí.
Essa iniciativa jurídica foi deflagrada pelo FONTRANS[3] quando a rede de academias Simplifit proibiu a entrada de mulheres trans e travestis nos banheiros femininos de suas unidades, alegando que estava obedecendo à nova lei de Teresina. A notícia da ação judicial deu visibilidade à segregação promovida pela Simplifit e suscitou críticas e repúdio à regra da academia, levando, inclusive, muitas pessoas que a frequentavam a cancelar suas matrículas.
O FONATRANS também lançou uma campanha mobilização social contra a transfobia, convidando em postagem no Instagram estabelecimentos comerciais e outras entidades, públicas e privadas, a adotarem um modelo de placa para os banheiros femininos indicando que o espaço pode ser frequentado por mulheres cis, travestis e trans. As placas incluem uma observação de que a lei pode se descumprida porque é inconstitucional. O Segundo’s Bar, um dos mais frequentados da cidade, aceitou o convite, ampliando a visibilidade da campanha contra a transfobia e as políticas antitrans em Teresina.
Essas experiências recentes, em situações de polarização e conflito, revelam haver espaço e oportunidade para ativar a solidariedade e formas variadas de mobilização contra as ofensivas ao reconhecimento legal e social da população travesti e trans. Precisamos que mais pessoas se tornem sensíveis e solidárias a essa forma de existência, e que mais pessoas fiquem atentas à ameaça global às nossas vidas.
Resistiremos!
[1] Welligton, apesar de suas confluências com o campo evangélico, é católico. Ao ser perguntado recentemente sobre sua religião, ele afirmou que essa pergunta causaria uma “confusão”, pois, apesar de ser católico, a esposa e os filhos são evangélicos.
[2] Essa medida foi instrumental, visou impedir que o Ministério Público derrubasse a lei por legislar indevidamente sobre concursos e esportes.
[3] Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros