A Organização das Nações Unidas (ONU) completou 80 anos – e se prepara para eleger um novo Secretário-Geral – em meio a uma crise do multilateralismo agravada pelo segundo governo de Donald Trump. Com uma redução orçamentária resultante de um corte nas contribuições de Washington e de outras potências ocidentais, muitos desejam que a ONU volte a ter uma função restrita, como era o caso no momento de sua criação.
Por Giancarlo Summa
Publicado originalmente no portal Nueva Sociedad

Em 24 de outubro de 2025, completou-se 80 anos da entrada em vigor da Carta das Nações Unidas, cujos 111 artigos estabelecem os princípios fundamentais e as principais normas de funcionamento da Organização das Nações Unidas (ONU): algo como a Constituição de uma nação. Essa data é tradicionalmente considerada como o nascimento da organização e, em um sentido mais amplo, do sistema multilateral contemporâneo. Trata-se de um marco notável, que quase nenhuma outra organização internacional conseguiu alcançar; a antecessora direta da ONU, a Sociedade das Nações, por exemplo, durou na prática menos de 20 anos (de 1920 a 1939, embora só tenha sido oficialmente dissolvida em 1946). Mas, ao contrário dos aniversários anteriores de 50, 60 e 70 anos, desta vez o ambiente não foi festivo nem de comemoração. O secretário-geral da ONU, o português António Guterres, gravou uma mensagem de tom sombrio. “Há 80 anos trabalhamos para construir a paz, combater a pobreza e a fome, promover os direitos humanos e construir um mundo mais sustentável”, disse ele antes de acrescentar: “Olhando para o futuro, enfrentamos desafios de magnitude impressionante: conflitos crescentes, caos climático, tecnologias descontroladas e ameaças ao próprio tecido da nossa instituição”1.
Uma semana antes, Guterres tinha sido ainda mais explícito. Falando perante a Quinta Comissão da Assembleia Geral da ONU, que se ocupa da administração da organização, ele havia alertado que esta se encontrava em uma “corrida para a falência”2. Ele se referia a uma falência financeira. Ao longo de todo o ano de 2025, o congelamento das contribuições dos Estados Unidos, determinado após o retorno de Donald Trump à Casa Branca, e o atraso nos pagamentos por parte de outros grandes países, como China e Rússia, criaram uma falta de fundos dramática e sem precedentes em todo o chamado Sistema das Nações Unidas, o conjunto de cerca de 50 agências, fundos, programas e escritórios especializados que ao longo das décadas surgiram em torno da Secretaria (a estrutura central, com sede em Nova York, que abriga o secretário-geral, a Assembleia Geral e seus órgãos, o Conselho de Segurança e os vários departamentos responsáveis por assuntos políticos e econômicos, missões de paz, comunicação, etc.). No entanto, a crise mais grave da ONU é sobretudo política e, neste caso, a falência parece ser a de sua legitimidade, hoje abertamente questionada pelos EUA, a superpotência mundial que há 80 anos impulsionou com mais força sua criação.
Os EUA começaram a planejar uma nova organização internacional já no final de 1939, quando a Segunda Guerra Mundial havia acabado de começar e o país ainda estava longe de entrar no conflito. O presidente Franklin D. Roosevelt autorizou o então secretário de Estado, Cordell Hull, a iniciar estudos secretos dentro do Departamento de Estado, com o objetivo de projetar um novo sistema de segurança internacional após o fim da guerra. Jornalista e economista nascido no antigo Império Russo em uma família judia anticzarista que emigrou para os EUA no início do século XX, Leo Pasvolsky foi o principal responsável pelo projeto secreto e quem redigiu o rascunho da Carta fundacional. O nascimento da ONU, em 1945, foi um “ato de criação” deliberado por parte de um pequeno grupo de políticos americanos e aliados que aprenderam com o fracasso da Sociedade das Nações e projetaram uma instituição que equilibrasse os privilégios das potências vencedoras com uma participação mais ampla e formalmente igualitária dos demais países3. A Carta das Nações Unidas, aprovada na Conferência de São Francisco (abril-junho de 1945), resultou assim de uma mistura de idealismo (“preservar as gerações futuras do flagelo da guerra”, afirmar os “direitos humanos fundamentais” e reconhecer a “autodeterminação dos povos”, o que facilitaria o caminho para os processos de descolonização) e realismo duro (principalmente, através do direito de veto garantido aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança: EUA, União Soviética, Reino Unido, França e China).
Na visão original de Roosevelt, após a vitória contra o nazifascismo, a paz seria garantida pela ação de “quatro policiais” globais, cada um dos quais manteria a ordem em sua respectiva zona de influência (o Reino Unido em suas colônias e na Europa Ocidental, a URSS na Europa Oriental e na massa continental eurasiana central, a China na Ásia Oriental e no Pacífico Ocidental, e os EUA no hemisfério ocidental). Mas quando o conflito mundial terminou (e Harry Truman assumiu a presidência dos EUA após a morte de Roosevelt, em abril de 1945), a realidade já era outra: anunciava-se a Guerra Fria entre os EUA e a URSS, o Reino Unido estava economicamente de joelhos e a China era sacudida pela guerra civil, que culminaria com a vitória da revolução comunista4. Assim, em seus primórdios, a ONU era, na verdade, pouco mais do que uma ferramenta da política externa de Washington. Dos 51 países fundadores (entre os quais havia 20 latino-americanos e caribenhos), 42 eram aliados dos EUA, que, por sua vez, garantiam pouco menos de 40% do financiamento da organização (a porcentagem caiu para 33% em 1955, para 25% em 1974 e, finalmente, para 22% a partir de 2001).
A situação mudou gradualmente com o processo de descolonização na África e na Ásia. Em 1965, os Estados-membros da ONU já eram 117 e a organização havia se tornado um campo de confronto geopolítico entre o bloco ocidental e seus aliados, o bloco soviético e seus satélites, e um número crescente de países não alinhados. A campanha contra o regime do apartheid na África do Sul, por exemplo, foi levada adiante pela Assembleia Geral da ONU desde a década de 1960, apesar da proteção política que o Reino Unido e os EUA ofereciam no Conselho de Segurança5.
Com o aumento constante do número de países membros (que chegou a 193 em 2011), a dinâmica de funcionamento da Assembleia Geral (na qual cada país tem um voto, independentemente de sua população e PIB) e a crescente influência da sociedade civil global, a ONU desenvolveu progressivamente uma relativa independência dos países individuais, incluindo os membros permanentes do Conselho de Segurança (os chamados P5). O âmbito de intervenção da ONU tem se ampliado gradualmente, passando de um mandato inicial focado exclusivamente na prevenção de conflitos para uma agenda centrada no desenvolvimento sustentável, na proteção dos direitos humanos, na luta contra a crise climática e na redução das desigualdades econômicas, sociais e de gênero. Trata-se de uma agenda essencialmente progressista e cosmopolita que tem colocado a ONU cada vez mais em confronto com os EUA e com todos os governos autoritários e de extrema direita6.
O governo do presidente Jimmy Carter (1977-1981) foi o último a pagar integralmente e dentro do prazo estabelecido as quotas de financiamento devidas à ONU. O governo de Ronald Reagan (1981-1989), promotor da exportação da contrarrevolução neoliberal em escala mundial, foi muito influenciado por think tanks conservadores como a Heritage Foundation, que considerava a ONU um braço propagandístico da URSS, hostil ao capitalismo e trampolim para o radicalismo do Terceiro Mundo. A Heritage Foundation propôs que os EUA reafirmassem seu controle sobre a organização, condicionando o pagamento de suas contribuições à realização de certas “reformas” em seu funcionamento, ou simplesmente recusando-se a pagar por programas que considerava questionáveis7. No final do mandato de Reagan, Washington devia à ONU contribuições atrasadas no valor total de 495 milhões de dólares, equivalentes a cerca de 1,2 bilhão de dólares atuais.
Depois de Reagan, nenhum governo americano, nem democrata nem republicano, pagou integralmente as quotas em atraso, e as relações com a ONU continuam complicadas e tendencialmente conflituosas. Antes dos confrontos com Trump, um dos momentos de maior atrito ocorreu durante a presidência do democrata Bill Clinton, que em 1996 determinou o veto à reeleição para um segundo mandato do então secretário-geral, o diplomata egípcio Boutros Boutros-Ghali. Os funcionários americanos justificaram a decisão alegando uma “perda de confiança” na capacidade de Boutros-Ghali de reformar a ONU, apontando os desacordos sobre as missões dos Capacetes Azuis na Bósnia, Somália e Ruanda, e sua pressão sobre Washington pelo pagamento de mais de US$ 1 bilhão em contribuições atrasadas. Oito anos depois, em 2004, sob o mandato de George W. Bush, o presidente, o Congresso e a mídia conservadora dos EUA lançaram uma violenta campanha de difamação contra o então secretário-geral, Kofi Annan, um dos chefes mais brilhantes e respeitados em toda a história da ONU, pedindo sua destituição após acusá-lo de ter encobrido um escândalo de corrupção no programa Petróleo por Alimentos no Iraque. Na verdade, Annan pagou o preço por se opor à invasão americana do Iraque em 2003, definindo-a como ilegal por não ter sido aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU.
No entanto, apesar dos conflitos e tensões, durante um quarto de século, entre o fim da Guerra Fria e meados da década de 2010, os EUA e seus aliados europeus continuaram a considerar o sistema multilateral construído em torno da ONU como um instrumento útil para alcançar objetivos diplomáticos globais. Em 2005, em uma cúpula mundial convocada por ocasião do 60º aniversário da organização, a Assembleia Geral aprovou a histórica Resolução 60/01, que atualizou a missão da ONU em relação ao seu mandato original, afirmando que “a paz e a segurança, o desenvolvimento e os direitos humanos são os pilares do sistema das Nações Unidas e os fundamentos da segurança coletiva e do bem-estar” e que “o desenvolvimento, a paz e a segurança e os direitos humanos estão inter-relacionados e se reforçam mutuamente”. A resolução também criou o Conselho de Direitos Humanos e sancionou o princípio da “responsabilidade de proteger as populações do genocídio, crimes de guerra, limpeza étnica e crimes contra a humanidade”⁸.
Dez anos depois, no final de 2015, em seu 70º aniversário, a ONU conseguiu a aprovação unânime de dois marcos históricos: a Agenda 2030 (um plano global para orientar o desenvolvimento sustentável até 2030 por meio de 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e 169 metas que integram as dimensões econômica, social e ambiental, com o objetivo de erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir prosperidade e paz para todas as pessoas) e o Acordo de Paris, com o objetivo de tentar limitar as emissões de gases de efeito estufa e o consequente aquecimento global. Este foi, possivelmente, o canto do cisne do multilateralismo que surgiu da Segunda Guerra Mundial.
Em 2016, dois acontecimentos eleitorais – o referendo no Reino Unido que decidiu a saída da União Europeia (Brexit) e a eleição de Trump – marcariam o início de uma fase histórica de “interregno”, no sentido sugerido por Antonio Gramsci: a crise consiste no fato de que o velho morre e o novo ainda não pode nascer; nesse intervalo, ocorrem os mais variados fenômenos mórbidos. Este foi também o ano do golpe parlamentar contra Dilma Rousseff no Brasil, que abriu caminho para a eleição de Jair Bolsonaro dois anos depois e, de fato, encerrou a fase ascendente da “maré rosa” dos governos progressistas na América Latina.
A nova fase histórica está sendo caracterizada pelo crescente peso da extrema direita no cenário mundial, pela crise das democracias liberais nos países ocidentais, pela degradação generalizada dos direitos humanos, pelo colapso da globalização comercial, pela explosão da desigualdade econômica e da influência política dos multimilionários, pelo agravamento da emergência climática, o grande crescimento dos fluxos migratórios e a deterioração progressiva da segurança internacional, com a multiplicação de conflitos e violações constantes do direito internacional, muitas vezes por parte dos próprios membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. O uso (ou a ameaça de uso) da força bruta do poder militar voltou a ser o principal instrumento das relações internacionais. Do diálogo e da negociação, ferramentas-chave do multilateralismo, voltou-se ao unilateralismo da ação militar9. Não se trata apenas do sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro em uma ação militar dos EUA, da agressão russa contra a Ucrânia ou da aniquilação de Gaza e seus habitantes por parte de Israel, com a proteção e ajuda dos EUA e da Europa Ocidental, embora essas crises tenham evidenciado a marginalização política da ONU e a impotência do Conselho de Segurança, paralisado pelos vetos cruzados dos países com direito a veto. De acordo com um estudo do Programa de Dados sobre Conflitos da Universidade de Uppsala (ucdp), em 2024 ocorreu o maior número de conflitos com participação de atores estatais desde 1946: foram registrados 61 conflitos, que afetaram 36 países diferentes10.
O primeiro governo de Trump (2017-2021) promoveu uma política abertamente hostil à ONU e ao multilateralismo. Rompeu com o Acordo de Paris sobre as alterações climáticas e retirou-se do Conselho de Direitos Humanos, alegando parcialidade “anti-israelita” e falta de reformas. Reduziu ou bloqueou fundos destinados a entidades como a Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA), responsável pela ajuda aos refugiados palestinos, e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), especializado em direitos reprodutivos e sexuais, utilizando o financiamento como instrumento de pressão política. Anunciou a retirada dos EUA da Organização Mundial da Saúde (OMS) em pleno auge da pandemia da COVID-19, questionando a credibilidade do sistema multilateral de saúde. Retomou a linha dura histórica contra a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e amplificou o discurso de que as organizações internacionais corroem a soberania dos EUA. Na Assembleia Geral e no Conselho de Segurança, a retórica “America First” [EUA primeiro] subordinou a cooperação multilateral a objetivos bilaterais transacionais. O resultado foi um aumento significativo dos atrasos financeiros dos EUA com a ONU e um enfraquecimento deliberado das normas e fóruns multilaterais, especialmente em direitos humanos, clima e migração.
Após o hiato de Joe Biden, o segundo mandato de Trump está sendo muito mais agressivo do que o primeiro em relação ao sistema multilateral. Como na época de Reagan, o plano de ataque contra a ONU foi elaborado pela Heritage Foundation: neste caso, o Projeto de Transição Presidencial 2025, um volume de mais de 800 páginas que expõe planos detalhados para ampliar os poderes do Executivo em detrimento dos outros poderes, reestruturar e reduzir as agências federais e implementar uma agenda política unilateralista e de extrema direita. As instituições multilaterais são descritas como cenários em que atores “autoritários” e “globalistas” se apropriam das normas e, por isso, a Heritage Foundation sugere que toda participação dos EUA seja explicitamente transacional: o financiamento e a cooperação devem estar subordinados ao alinhamento com as prioridades de Washington, especialmente no que diz respeito a Israel, migração, “soberania” e questões sociais11.
No mesmo dia da posse, em 20 de janeiro de 2025, Trump assinou 26 ordens executivas que, entre outras decisões, determinavam novamente a retirada dos EUA do Acordo de Paris e da OMS, mas também um congelamento imediato e sem precedentes dos fundos de assistência humanitária e cooperação internacional. Nas duas semanas seguintes, foi anunciado o desmantelamento da Agência para o Desenvolvimento Internacional (USAID), a gigantesca estrutura de ajuda bilateral criada em 1961 pelo presidente John F. Kennedy — e que serviu com grande eficácia ao soft power americano —, bem como a saída do país, pela segunda vez, da UNRWA, do Conselho de Direitos Humanos da ONU e, mais uma vez, da UNESCO. A Casa Branca também anunciou que imporia sanções contra o Tribunal Penal Internacional, acusando-o de hostilidade contra os EUA e seus aliados, como Israel.
Outra ordem executiva, emitida em 4 de fevereiro de 2025, acusava algumas agências e órgãos da ONU de se afastarem de sua missão fundacional de paz e segurança, propagarem o antissemitismo e agirem “contra os interesses dos EUA”. Nesse contexto, foi iniciada uma revisão da participação e das contribuições dos EUA em todas as organizações internacionais, com o objetivo de determinar se estavam alinhadas com os interesses nacionais. Com quatro meses de atraso, em 7 de janeiro de 2026, foi anunciado que, como resultado da revisão, os EUA se retirariam de 35 organizações e tratados internacionais e de 31 departamentos e organismos especializados da ONU12.
Do ponto de vista prático, o governo Trump suspendeu o pagamento das contribuições financeiras atrasadas de 2024 para a ONU e de todas as contribuições de 2025, além de interromper quase toda a ajuda humanitária. Incluindo todos os capítulos de despesas (Secretaria, operações de manutenção da paz, tribunais internacionais), estima-se que, no final de 2025, a dívida dos EUA com a ONU totalize cerca de US$ 3 bilhões.
A reação do secretário-geral à renovada ofensiva de Trump foi lançar, em março de 2025, um plano de redução generalizada de pessoal e atividades, batizado de ONU80, em referência às oito décadas desde a criação da organização. Nos meses seguintes, todo o sistema da ONU começou a cortar seu quadro de funcionários e suas operações no terreno. De acordo com algumas estimativas, o orçamento total do sistema da ONU deve ser reduzido em 25% até o final de 2026, ou seja, passar de US$ 66 bilhões em 2024 para US$ 50 bilhões em 202613; descontada a inflação, trata-se de uma redução real de cerca de 35% em relação ao orçamento do sistema em 2016. Em relação aos funcionários, a redução deveria ser, em média, entre 18% e 20% dos 131.000 postos contabilizados em 202414: no total, entre 23.000 e 26.000 postos a menos, sem levar em conta o corte de milhares de contratos de consultores, voluntários, bolsistas e estagiários.
Trata-se de valores quase insignificantes em termos de orçamentos públicos. Só a cidade de Nova Iorque tinha, em 2024, 281.000 funcionários e um orçamento de 115.000 bilhões de dólares. Ainda assim, os EUA têm pressionado para reduzir os salários dos funcionários da ONU. Enquanto isso, no Palácio das Nações, sede da ONU em Genebra, as escadas rolantes e os elevadores deixaram de ser utilizados, a temperatura do aquecimento no inverno foi reduzida e a limpeza dos banheiros é feita apenas alguns dias por semana. Em Nova York, também foi anunciado que não haverá mais toalhas de papel nos banheiros15.
De todas as áreas de atividade da ONU, a assistência humanitária foi especialmente afetada, o que aprofundou uma tendência que, na verdade, havia começado antes da eleição de Trump. As contribuições dos países para a assistência humanitária caíram 53% em dois anos, passando de US$ 43,3 bilhões em 2022 para US$ 20,3 bilhões em 2025. Os EUA reduziram sua contribuição de US$ 14,1 bilhões para US$ 3,06 bilhões, e nenhum país ou bloco de doadores está em condições ou disposto a suprir o que foi perdido. Para algumas agências especializadas, os cortes foram especialmente duros.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), por exemplo, recebeu em 2025 US$ 3,9 bilhões em contribuições, ou seja, US$ 1,3 bilhão a menos do que em 2024, e teve que demitir 30% de seu pessoal e reduzir suas operações em escala mundial16. O ACNUR voltou assim ao nível de financiamento de 2015, quando o número total de refugiados, pessoas deslocadas à força, requerentes de asilo e outras pessoas que precisavam de ajuda internacional era metade do atual: 60 milhões em 2015 contra 118 milhões em 2024. Sempre comedido em suas declarações, o italiano Filippo Grandi, um dos mais experientes altos funcionários da ONU, pouco antes de deixar o cargo de Alto Comissário para os Refugiados, não escondeu sua frustração com os países ocidentais. “Quantas vezes fui à Bruxelas e outras capitais europeias para dizer: ‘Somos muito dependentes do financiamento dos EUA. Vocês têm que nos ajudar’. Meu erro foi não ter sido mais insistente. Não fizemos o suficiente para sair dessa dependência pela qual estamos pagando um preço alto agora”, admitiu. “Muitos países europeus que estão cortando [ajuda humanitária] ou se retirando também dizem: ‘Oh, temos refugiados demais’. Claro! Vocês estão cortando no Chade, no Sudão, no Sahel. Por que estão surpreendidos? Não sejamos ridículos. Estou furioso com os europeus por causa desta questão”.18
Os países mais ricos também reduziram significativamente a ajuda bilateral aos países em desenvolvimento. De acordo com estimativas da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne 38 dos principais países industrializados, a ajuda oficial ao desenvolvimento (AOD) deve registrar uma queda total entre 9% e 17% em 2025, somando-se à redução de 9% observada em 2024. A AOD inclui subsídios e empréstimos concedidos por Estados, grandes ONGs internacionais e organismos multilaterais ao setor público de países de baixa e média renda ou em contextos de crise, e constitui uma fonte central de financiamento para essas economias. Essa queda se deve essencialmente às reduções anunciadas pelos quatro maiores doadores mundiais: EUA, Alemanha, França e Reino Unido. É a primeira vez em 30 anos que os quatro países reduzem simultaneamente sua AOD. Em 2025, os países mais pobres sofrerão uma redução entre 13% e 25% da AOD bilateral líquida. Essa redução poderá atingir entre 16% e 28% para os países da África Subsaariana, os mais pobres do mundo19. Um estudo do Instituto de Saúde Global de Barcelona estima que, se a redução da AOD se mantiver até 2030, a reversão na redução das mortes por HIV, malária e outras doenças tropicais poderá causar mais de 22,6 milhões de mortes adicionais20, o que equivale a quase metade da população da Argentina21. Se essa projeção se confirmar, o impacto letal seria três vezes superior ao da pandemia da COVID-19, que, segundo a OMS, foi responsável por cerca de 7,1 milhões de mortes em todo o mundo. 22.
Outras áreas muito afetadas pelos cortes de verbas foram os Direitos Humanos e as operações de manutenção da paz. No âmbito da iniciativa ONU80, foi proposta uma redução de cerca de 15% no orçamento do Alto Comissariado para os Direitos Humanos (OHCHR, na sigla em inglês) a partir de 2026, que se soma ao congelamento de parte dos fundos alocados para 2025 e à brusca diminuição das contribuições voluntárias. No total, o sistema de Direitos Humanos da ONU sofrerá uma redução de cerca de 27% dos seus recursos em relação a 2023-2024. Como consequência, entre outras medidas, o órgão teve que cortar mais de um terço das missões no terreno, reduzir as equipes que investigam as violações dos direitos humanos (no Sudão, Ucrânia, Palestina, etc.) e diminuir o número de sessões do Conselho de Direitos Humanos. O ataque aos recursos financeiros do ACNUDH representa uma aliança de fato entre os EUA de Trump, a Rússia e a China. Enquanto os EUA suspenderam seus pagamentos, a Rússia e a China vêm atuando há anos para bloquear ou reduzir os fundos do Alto Comissariado nos órgãos responsáveis pela alocação de recursos, como a Quinta Comissão da Assembleia Geral e o Comitê Consultivo para Assuntos Administrativos e Orçamentários (ACABQ, na sigla em inglês)23.
No que diz respeito às missões de manutenção da paz, em outubro de 2025, Guterres anunciou que havia solicitado às nove missões em curso uma redução de 15% nas despesas e que, nos meses seguintes, seria repatriado “25% do pessoal uniformizado e seu equipamento”: o número total de capacetes azuis que poderiam sofrer um corte é de 13.000 a 14.000 efetivos. No início do ciclo orçamentário das operações de manutenção da paz, em 1º de julho de 2025, os atrasos nos pagamentos somavam US$ 2,1 bilhões.
Para o cargo estratégico de embaixador na ONU, Trump nomeou em seu segundo mandato um congressista republicano da Flórida, o tenente-coronel (da reserva) das forças especiais do exército Mike Waltz, conhecido por suas posições ultraconservadoras na política internacional e contra o direito ao aborto. Waltz assumiu o cargo no final de setembro de 2025 e, de forma reveladora, escolheu o site de notícias de extrema direita Breitbart para anunciar as prioridades do governo Trump em relação à ONU. Ele justificou a participação dos EUA na organização em termos de interesses comerciais (“Queremos usar a presença da ONU em todo o mundo para reduzir as barreiras de entrada para as empresas americanas”); destacou o papel da ONU na definição de normas globais para telecomunicações, espaço e órbitas de satélites, transporte marítimo e aéreo (“Se não estivermos presentes, a China, a Rússia, os europeus e outros estarão lá estabelecendo essas normas que, então, nos afetarão”); reivindicou o mérito dos cortes previstos no plano ONU80 (“É a primeira vez que um secretário-geral propõe, a nosso pedido, reduzir este lugar”); e prometeu tornar a organização mais eficiente, removendo “burocratas e funcionários do caminho” e reduzindo o número de agências, possivelmente com a ajuda da China (“[os chineses] estão analisando a burocracia aqui e, de fato, trabalhando conosco para reduzi-la um pouco”). Para Waltz, “Make the UN Great Again” significa voltar ao conceito inicial da ONU de 1945, ou seja, concentrar-se exclusivamente em questões de paz e segurança (“voltar à visão original pós-Segunda Guerra Mundial”), ignorando os outros pilares estabelecidos na resolução 60/1 20 anos antes. Na longa entrevista, Waltz não fez nenhuma referência ao trabalho da ONU em matéria de assistência humanitária, direitos humanos ou desenvolvimento sustentável. No entanto, ele afirmou: “Vamos tratar a ONU com rigor. Acredito que vamos salvá-la de si mesma”24.
A visão de Waltz reflete a dualidade expressa pelo próprio Trump, que costuma atacar a ONU, mas também afirmou que a apoia “totalmente” “porque o potencial para a paz desta instituição é enorme”25. Os EUA parecem dispostos a manter um certo nível de compromisso com as Nações Unidas, mas apenas na medida em que esta organização seja funcional ou instrumental aos seus interesses unilaterais. Nos fóruns multilaterais que não podem controlar, os EUA de Trump preferem simplesmente não participar. Foi o caso tanto da COP30, a cúpula anual da ONU sobre a redução das emissões de gases de efeito estufa, realizada em Belém do Pará (Brasil) de 10 a 21 de novembro de 2025, quanto da Cúpula Presidencial do G-20, o grupo de países mais industrializados, que se reuniu nos dias 22 e 23 de novembro de 2025 na cidade sul-africana de Joanesburgo. Pela primeira vez na história da COP e do G-20, o governo dos EUA não enviou nenhum representante.
Em resumo, o multilateralismo do governo Trump é declaradamente à la carte: um instrumento que é utilizado quando considerado útil, mas nunca um método que possa impor algum limite ao isolacionismo reacionário que caracteriza a visão de mundo Maga. Como afirmou o próprio Trump no documento Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, divulgado no início de dezembro de 2025: “Em tudo o que fazemos, estamos colocando os EUA em primeiro lugar”. O texto deixa claro que a hostilidade não se limita à ONU, mas se estende à “União Europeia e outros organismos transnacionais que minam a liberdade política e a soberania”, através de “políticas migratórias que (…) criam conflitos, censuram a liberdade de expressão e reprimem a oposição política, provocam uma queda acentuada nas taxas de natalidade e a perda das identidades nacionais e da autoconfiança”26.
A ONU do século XXI é muito diferente da organização dominada por um grupo restrito de potências que Roosevelt, Hull e Pasvolsky conceberam com as melhores intenções. Apesar de todos os problemas e disfuncionalidades, a Assembleia Geral, com sua cacofonia de línguas, trajes tradicionais, demandas, contradições e características físicas dos habitantes dos 193 diferentes países membros, finalmente se assemelha ao “parlamento da humanidade” evocado em um poema de Alfred Tennyson há quase 200 anos. Os EUA estão quase sempre em extrema minoria nas votações da Assembleia Geral sobre temas politicamente sensíveis, como Gaza, o Tribunal Penal Internacional ou o embargo contra Cuba: Washington conta apenas com o apoio sistemático de um pequeno grupo de países aliados (principalmente Israel, Hungria, Fiji, Micronésia, Palau, Papua Nova Guiné, Nauru e Macedônia do Norte). Na América Latina, hoje os aliados incondicionais de Trump são Argentina, Paraguai e El Salvador; ainda não está claro qual será a atitude do Chile após a posse de José Antonio Kast.
O problema do interregno gramsciano é que a alta burocracia da ONU e as chancelarias dos países ocidentais ainda não parecem capazes de imaginar um sistema multilateral que, para o bem ou para o mal, deixe de girar em torno de Washington. A questão central para o futuro, antes mesmo das dificuldades financeiras, é imaginar qual pode ser o papel da ONU em um mundo que se tornou efetivamente multipolar, onde a China disputa palmo a palmo a hegemonia econômica e diplomática (embora ainda não no plano militar) com os EUA, a Europa está se tornando politicamente marginal e o Sul global não pode mais ser ignorado27. Desde 2000, a China vem aumentando sua contribuição para o orçamento da Secretaria-Geral da ONU, passando de 1% para 20% do total; como os EUA congelaram seus pagamentos, Pequim é hoje o principal financiador. No mesmo período, a França reduziu sua contribuição de 6,5% para 3,8% e o Reino Unido, de 5% para 3,9%. Mesmo assim, o peso político das antigas potências coloniais europeias na ONU continua sendo superior ao da China e da Rússia ou de qualquer país do Sul global. No entanto, o plano ONU80 proposto por Guterres não aborda nenhuma questão estrutural, limitando-se a uma lista de cortes que responde às exigências dos EUA e de outros países ocidentais, que decidiram retirar recursos do sistema multilateral para aumentar os gastos militares. O secretário-geral, que em suas intervenções públicas parece cada vez mais cansado e abatido, já não tem capital político para gastar. Seu mandato terminará no final de 2026 e o processo de seleção de seu sucessor – ou sucessora – já está em andamento.
De acordo com a regra informal de rotação geográfica, caberia que o próximo secretário-geral fosse latino-americano28. Pela primeira vez na história da ONU, poderia ser uma mulher. As candidaturas oficiais são as de Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica e atual secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD, na sigla em inglês), e Michelle Bachelet, duas vezes presidente do Chile e ex-alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Outra candidatura considerada forte nos corredores da ONU é a do argentino Rafael Grossi, atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU responsável por prevenir a proliferação de armas nucleares. Outras candidaturas poderão ser lançadas. Seja quem for o eleito ou a eleita, evitando vetos cruzados dos membros permanentes do Conselho de Segurança, herdará uma situação extremamente difícil, com fundos e pessoal insuficientes dentro da organização e um panorama político global em rápida evolução.
O plano ONU80 ignora totalmente as demandas do Sul global para reduzir as assimetrias de poder no funcionamento da ONU. Segundo o cientista político alemão Ronny Patz, que há meses analisa minuciosamente os debates orçamentários da organização, “essa reforma é a última grande batalha travada pelos EUA para moldar a organização de acordo com seus interesses, antes que os interesses da China ganhem maior importância e, com o auge chinês, o Sul global possa se tornar uma verdadeira potência na política mundial”. O próximo secretário-geral terá a difícil tarefa de guiar a ONU para o novo mundo pós-americano.
_________________________
1.
“Mensagem do Secretário-Geral por ocasião do Dia das Nações Unidas”, declaração, 24/10/2025.
2.
Vibhu Mishra: “ONU enfrenta ‘corrida à falência’ com Guterres revelando orçamento drasticamente reduzido para 2026”, em ONU Notícias, 17/10/2025.
3.
Uma excelente reconstrução do processo de nascimento das Nações Unidas pode ser encontrada no livro de Stephen C. Schlesinger: Act of Creation: The Founding of the United Nations, Westview Press, Boulder, 2003.
4.
Em 1949, com a vitória do Partido Comunista e a proclamação da República Popular da China, o governo nacionalista retirou-se para Taiwan. O lugar da China no Conselho de Segurança só foi transferido para a República Popular em 1971, com uma votação da Assembleia Geral, quando, no âmbito da política de abertura promovida pelo governo de Richard Nixon, os EUA deixaram de bloquear o acesso de Pequim.
5.
Em 1965, o número de membros não permanentes (e sem direito a veto) do Conselho de Segurança foi ampliado de seis para dez, a única reforma desse tipo aprovada nos 80 anos de funcionamento da ONU.
6.
Monica Herz e G. Summa: “A extrema direita como ameaça à governança mundial” em Nueva Sociedad n.º 315, 1-2/2025, disponível em nuso.org.
7.
Em 1983, o governo Reagan anunciou a retirada dos EUA da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Um dos principais motivos para a ruptura foi o relatório “Many Voices, One World” [Muitas vozes, um só mundo] da Comissão MacBride (1980), que propunha uma nova ordem mundial da informação, criticava o domínio da mídia ocidental e exigia normas para reequilibrar os fluxos globais de informação. A agenda da “Nova Ordem Mundial da Informação e Comunicação” (NWICO, na sigla em inglês) tornou-se um dos símbolos da “agenda antiocidental” atribuída à Unesco. Os EUA retornaram em 2003, durante a presidência de George W. Bush. Em 2011, o governo de Barack Obama suspendeu o pagamento de suas contribuições, para manifestar sua oposição à admissão da Palestina como membro da organização. Durante a primeira presidência de Trump, foi anunciada novamente a saída dos EUA da UNESCO em 2017. Em 2023, o país voltou a aderir formalmente sob a presidência de Joe Biden e pagou uma parte substancial das quotas em atraso. Após o regresso de Trump à Casa Branca, Washington anunciou uma nova retirada (a terceira), que entrará em vigor no final de 2026.
8.
Nações Unidas: “Resolução aprovada pela Assembleia Geral em 16 de setembro de 2005 [sem remessa prévia a uma Comissão Principal (A/60/L.1)] 60/1. Documento Final da Cúpula Mundial de 2005”, 24/10/2005.
9.
M. Herz e G. Summa: “América Latina e a caixa de Pandora do unilateralismo das grandes potências”, em Nueva Sociedad n.º 305, 5-6/2023, disponível em nuso.org.
10.
Siri Aas Rustad: “Conflict Trends: A Global Overview, 1946–2024”, PRIO, Oslo, 2025.
11.
Paul Dans e Steven Groves (eds.): Mandate for Leadership: The Conservative Promise, The Heritage Foundation, Washington, DC, 2024.
12.
A lista inclui agências especializadas (como o Fundo de População das Nações Unidas [UNFPA] e a ONU Mulheres), mas também uma série de departamentos e organismos que são componentes estatutários da organização, estabelecidos pela Carta das Nações Unidas ou por decisão da Assembleia Geral, como, entre outros, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais (DESA) da Secretaria da ONU (não por acaso, dirigido por um diplomata de carreira chinês, Li Junhua), o Conselho Econômico e Social da Assembleia Geral (ECOSOC) e a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). O anúncio parece mais simbólico do que prático, porque seria impossível para os EUA sair desses organismos sem deixar a ONU como um todo.
13.
Guy Ryder, subsecretário-geral de Políticas da ONU e presidente do Grupo de Trabalho ONU80, apresentou essa estimativa em uma sessão informativa informal para os países membros em 14 de novembro de 2025. O vídeo da sessão informativa está disponível em https://webtv.un.org/en/asset/k1j/k1jax5ye21.
14.
Os dados sobre o quadro de funcionários do sistema das Nações Unidas estão disponíveis em https://unsceb.org/hr-organization.
15.
Damilola Banjo: “No More Paper Towels for Some UNHQ Restrooms in Latest Austerity Step” em PassBlue, 11/12/2025.
16.
Thomas Byrnes: “Grandi’s Final Briefing: The Numbers that Confirm System Collapse”, documento de trabalho, 2025.
17.
ACNUR: “Tendências globais: Pessoas deslocadas à força no mundo (2015-2024)”, 6/2025, disponível em No More Paper Towels for Some unhq Restrooms in Latest Austerity Step.
18.
Lola Hierro: “Filippo Grandi, alto comissário do ACNUR: ‘Escreva assim: estou furioso com os europeus por cortarem a ajuda aos refugiados e depois exigirem resultados’” em El País, 10/12/2025.
19.
OCDE: “Reduções da ajuda pública ao desenvolvimento. Projeções da OCDE para 2025 e a curto prazo”, nota de síntese, OCDE, 2025.
20.
Andréa Ferreira da Silva e Rodrigo Volmir Anderle: “O impacto de duas décadas de assistência humanitária e ao desenvolvimento e as consequências projetadas para a mortalidade do atual corte de financiamento até 2030: Avaliação Retrospectiva e Análise de Previsão”, Universidade Federal da Bahia, 2025, disponível em https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=5765121.
21.
Uma das medidas de reorganização previstas no plano ONU80 é o fim da UNAIDS, a agência especializada na prevenção da propagação do vírus HIV e na assistência às pessoas portadoras do vírus, que foi gravemente afetada pelos cortes nas contribuições voluntárias dos EUA. As funções da UNAIDS serão assumidas por outras entidades da ONU, mas vários especialistas alertaram que o fim da agência pode piorar ainda mais as condições de sobrevivência de milhões de portadores do HIV nos países mais pobres da África.
22.
V. dados na OMS: “WHO covid-19 Dashboard”, disponível em https://data.who.int/dashboards/covid19/deaths.
23.
Angeli Datt: Budget Battles at the UN: How States Try to Defund Human Rights, International Service for Human Rights, 2025.
24.
Matthew Boyle: “‘MUNGA’: Ambassador Waltz Unveils Trump’s Plan to ‘Make the un Great Again’” em Breitbart, 3/11/2025.
25.
“Trump Tells Guterres He Supports un despite Disagreements” em PBS, 23/9/2025.
26.
Casa Branca: Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos da América 2025, 11/2025, disponível em www.whitehouse.gov/wp-content/uploads/2025/12/2025-National-Security-Strategy.pdf.
27.
De acordo com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) de 2024, 10 das 20 economias mais importantes do mundo são países do Sul global. Em ordem decrescente de PIB, os países são: China, Índia, Brasil, Rússia, Coreia do Sul, México, Indonésia, Arábia Saudita, Turquia e Argentina. Juntos, representam cerca de 40% do PIB mundial.
28.
Até agora, a ONU teve nove secretários-gerais: quatro europeus, dois africanos, dois asiáticos e apenas um latino-americano, o peruano Javier Pérez de Cuéllar (1982-1991).