{"id":28038,"date":"2026-01-16T17:27:44","date_gmt":"2026-01-16T20:27:44","guid":{"rendered":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/?p=28038"},"modified":"2026-01-16T21:09:08","modified_gmt":"2026-01-17T00:09:08","slug":"a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038","title":{"rendered":"A transexualidade aos olhos da Genspect"},"content":{"rendered":"\n<p>Esse informe \u00e9 resultado de uma virtuosa parceria entre o SPW e o site portugu\u00eas BUALA, editado por Marta Lan\u00e7a. Agradecemos a Marta e a Mariana Moniz pela parceria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">***<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVem para a confer\u00eancia sobre sa\u00fade mental?\u201d, questionou-me o seguran\u00e7a quando cheguei ao Altis Grand Hotel. Hesitei na minha resposta. N\u00e3o, n\u00e3o ia para uma confer\u00eancia sobre sa\u00fade mental, apesar de ter sido por esse t\u00edtulo que o evento se fez anunciar. Respondi que \u2018sim\u2019, a medo, pois havia a possibilidade de n\u00e3o me deixarem&nbsp;entrar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 dentro do espa\u00e7o, olhei ao meu redor para observar a imensid\u00e3o de riqueza que um hotel de cinco estrelas, localizado em Lisboa, emana habitualmente (e n\u00e3o estou s\u00f3 a falar do mobili\u00e1rio). Desci as primeiras escadas que encontrei em dire\u00e7\u00e3o a uma das amplas salas panor\u00e2micas de que o hotel disp\u00f5e para a realiza\u00e7\u00e3o de&nbsp;eventos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2018Sa\u00fade Mental \u2013 Sala Europa\u2019, dizia o letreiro que me indicava que deveria virar \u00e0 esquerda. Alguns passos e deparei-me com uma mulher que me recebeu \u00e0 porta com um sorriso no rosto. Atr\u00e1s dela, estavam v\u00e1rias mesas brancas e outros seguran\u00e7as com a mesma vestimenta que&nbsp;ela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 a sua primeira vez?\u201d, perguntou-me em ingl\u00eas. Disse que sim, uma vez que estava a assistir apenas ao segundo dia da confer\u00eancia. \u201cVou pedir-lhe que entregue a mala ao meu colega para que a possamos revistar\u201d. Mais uma vez, hesitei. N\u00e3o percebia o porqu\u00ea de terem de me revistar a mala para um evento daquela natureza. Disse-lhes que era jornalista, mas responderam-me apenas com mais sorrisos. Entreguei a mala \u2013 que tinha apenas o meu bloco de notas, umas bolachas e a minha carteira \u2013 e ela rapidamente me foi&nbsp;devolvida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Percebi que aquele era o primeiro passo para conseguir entrar dentro da sala onde estava prestes a come\u00e7ar o debate das 11h15, intitulado: \u2018Painel de discuss\u00e3o \u2013 os limites da&nbsp;psicoterapia\u2019.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O passo n\u00famero dois foi mostrar o convite que me tinham enviado por email para marcar presen\u00e7a nesta confer\u00eancia. Perguntaram-me, mais uma vez, se era o meu primeiro dia e entregaram-me uma pulseira de silicone azul. Nela estava inscrito o verdadeiro nome da confer\u00eancia &#8211; \u2018The Bigger Picture Conference. Reframing the Future\u2019 \u2013 organizada pela&nbsp;<a href=\"https:\/\/genspect.org\/\">Genspect<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cNingu\u00e9m nasce no corpo&nbsp;errado\u201d?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Genspect foi fundada em 2021 pela psicoterapeuta irlandesa, Stella O\u2019Malley. Como se ir\u00e1 perceber adiante, baseia-se numa ideologia conservadora. Insidiosamente, desrespeita a comunidade transg\u00e9nero e p\u00f5e em causa os seus direitos \u2013 nomeadamente o de realizar a transi\u00e7\u00e3o de g\u00e9nero de forma medicamente assistida \u2013 o que est\u00e1 em clara disson\u00e2ncia com os valores atuais de integra\u00e7\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o deste&nbsp;grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o re\u00fane v\u00e1rios especialistas da \u00e1rea da medicina que t\u00eam como objetivo, alegadamente, \u201calertar para os perigos da chamada abordagem afirmativa, assente na administra\u00e7\u00e3o de hormonas e cirurgias de redesigna\u00e7\u00e3o de sexo para quem sofre de disforia de&nbsp;g\u00e9nero\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas vamos por partes. Numa altura em que todos os dias ouvimos os termos \u2018identidade\u2019 ou \u2018ideologia\u2019 de g\u00e9nero \u2013 habitual e erradamente para designar o mesmo &#8211; importa esclarecer que estes dois conceitos t\u00eam conota\u00e7\u00f5es diferentes associadas e que o correto \u00e9 \u2018identidade de g\u00e9nero\u2019. Este, de acordo com o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.cig.gov.pt\/bases-de-dados\/glossario\/\">gloss\u00e1rio da Comiss\u00e3o para a Cidadania e a Igualdade de G\u00e9nero<\/a>, refere-se ao \u201cautorreconhecimento pessoal e profundo enquanto homem ou mulher, enquanto ambos, ou enquanto pessoa trans e\/ou n\u00e3o&nbsp;bin\u00e1ria\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"590\" height=\"280\" src=\"https:\/\/www.buala.org\/sites\/default\/files\/imagecache\/full\/2024\/11\/panel-lisbon.jpeg\" alt=\"Genspect em Lisboa\"><br>Genspect em&nbsp;Lisboa<\/p>\n\n\n\n<p>A identidade de g\u00e9nero n\u00e3o coincide necessariamente com o \u2018sexo\u2019, que se distingue de \u2018g\u00e9nero\u2019. Enquanto o primeiro se refere \u00e0s caracter\u00edsticas biol\u00f3gicas que definem os seres humanos como feminino ou masculino, o segundo diz respeito \u00e0s constru\u00e7\u00f5es sociais, pap\u00e9is, comportamentos e expectativas do que a sociedade considera \u201cadequado\u201d para homens ou mulheres numa determinada&nbsp;cultura.<\/p>\n\n\n\n<p>De uma forma mais clara, como se pode ler nas&nbsp;<a href=\"https:\/\/unesdoc.unesco.org\/in\/documentViewer.xhtml?v=2.1.196&amp;id=p::usmarcdef_0000369308&amp;file=\/in\/rest\/annotationSVC\/DownloadWatermarkedAttachment\/attach_import_c8f60111-c183-4084-8a5c-fd097b5e5369?_=369308por.pdf&amp;updateUrl=updateUrl2496&amp;ark=\/ark:\/48223\/pf0000369308\/PDF\/369308por.pdf.multi&amp;fullScreen=true&amp;locale=en#%255B%257B%2522num%2522%253A306%252C%2522gen%2522%253A0%257D%252C%257B%2522name%2522%253A%2522XYZ%2522%257D%252C0%252C842%252Cnull%255D\">Orienta\u00e7\u00f5es T\u00e9cnicas Internacionais sobre Educa\u00e7\u00e3o em Sexualidade<\/a>&nbsp;\u2013 um documento produzido pela ONU e pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade &#8211; o sexo s\u00e3o as \u201ccaracter\u00edsticas biol\u00f3gicas e fisiol\u00f3gicas (gen\u00e9ticas, end\u00f3crinas e anat\u00f3micas) utilizadas para categorizar as pessoas como sendo integrantes da popula\u00e7\u00e3o masculina ou&nbsp;feminina\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas esta \u00e9 apenas uma parte da identidade de um ser humano. \u00c9 a parte f\u00edsica e\/ou biol\u00f3gica do indiv\u00edduo. J\u00e1 o g\u00e9nero, por sua vez, \u00e9 determinado pela maneira como o mesmo se sente e se perceciona, assim como a forma como este deseja ser reconhecido pelas outras&nbsp;pessoas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O termo \u00e9 muitas vezes confundido pela chamada \u201cideologia de g\u00e9nero\u201d, frequentemente utilizada de forma controversa para descrever quest\u00f5es de g\u00e9nero que divergem das vis\u00f5es tradicionais ou&nbsp;conservadoras.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com um&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/se\/a\/Ns5kmRtMcSXDY78j9L8fMFL\/?format=pdf&amp;lang=pt\">artigo<\/a>&nbsp;dos investigadores Richard Miskolci e Maximiliano Campana, publicado em 2017 na revista&nbsp;<em>Sociedade e Estado<\/em>, o termo \u201cideologia de g\u00e9nero\u201d surgiu inicialmente em textos doutrin\u00e1rios da Igreja Cat\u00f3lica em 1997, escritos pelo ent\u00e3o cardeal, e futuro Papa Bento XVI, Joseph&nbsp;Ratzinger.<\/p>\n\n\n\n<p>Miskolci e Campana defenderam que esses textos constitu\u00edam \u201cuma pe\u00e7a-chave para se come\u00e7ar a desenhar uma contraofensiva pol\u00edtico-discursiva poderosa contra o feminismo\u201d e contra \u201cos direitos sexuais e reprodutivos da&nbsp;mulher\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o mesmo artigo, a discuss\u00e3o adensou-se na Am\u00e9rica Latina, em 2007, com o relat\u00f3rio da V Confer\u00eancia Geral do Celam &#8211; o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.dhnet.org.br\/direitos\/cjp\/a_pdf\/cnbb_2007_documento_de_aparecida.pdf\">Documento de Aparecida<\/a>. Neste, pode ler-se que \u201ca ideologia de g\u00e9nero n\u00e3o considera as diferen\u00e7as dadas pela natureza e tem provocado modifica\u00e7\u00f5es legais que ferem gravemente a dignidade do matrim\u00f3nio, o respeito ao direito \u00e0 vida e a identidade da&nbsp;fam\u00edlia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, a \u2018ideologia de g\u00e9nero\u2019 tem sido usada como express\u00e3o depreciativa por grupos conservadores contr\u00e1rios \u00e0s discuss\u00f5es relacionadas com o feminismo, a sexualidade e a diversidade. Por detr\u00e1s deste uso pejorativo est\u00e1 a cren\u00e7a de que a \u201cideologia\u201d faz parte de um plano para destruir a fam\u00edlia crist\u00e3 tradicional e a heterossexualidade. No entanto, este n\u00e3o \u00e9 um termo reconhecido pelos acad\u00e9micos que utilizam antes \u2018identidade de&nbsp;g\u00e9nero\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas cuja identidade de g\u00e9nero n\u00e3o corresponde ao sexo que lhes foi atribu\u00eddo e registado no assento de nascimento denominam-se transexuais. Por exemplo, um homem transexual tem uma identidade de g\u00e9nero masculina, por\u00e9m o sexo atribu\u00eddo \u00e0 nascen\u00e7a foi o feminino. Como se pode ler no panfleto da&nbsp;<a href=\"https:\/\/ilga-portugal.pt\/\">Associa\u00e7\u00e3o ILGA<\/a>&nbsp;&#8211;&nbsp;<a href=\"https:\/\/ilga-portugal.pt\/ficheiros\/pdfs\/souumapessoa.pdf\">\u2018Sou uma pessoa. Pelo direito \u00e0 identidade de g\u00e9nero\u2019<\/a>&nbsp;&#8211; \u201cexiste uma enorme diversidade de pessoas transexuais: de todas as idades, g\u00e9neros, profiss\u00f5es, estados civis, etc. O que ainda falta s\u00e3o representa\u00e7\u00f5es sociais e medi\u00e1ticas que reflitam essa diversidade e esse \u00e9, ali\u00e1s, um grande obst\u00e1culo \u00e0 integra\u00e7\u00e3o familiar, escolar, profissional e social das pessoas&nbsp;transexuais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta convic\u00e7\u00e3o profunda e persistente de que a identidade de g\u00e9nero (a autoidentifica\u00e7\u00e3o como mulher ou homem) n\u00e3o est\u00e1 de acordo com a apar\u00eancia f\u00edsica e\/ou anatomia (fen\u00f3tipo f\u00edsico), completa ou parcialmente, \u00e9 conhecida por disforia de g\u00e9nero ou perturba\u00e7\u00e3o da identidade de g\u00e9nero. A transexualidade \u00e9 uma forma de disforia de g\u00e9nero, em que as pessoas se identificam persistentemente como membros do sexo oposto ao que lhes foi atribu\u00eddo ao nascimento e necessitam de adaptar a sua apar\u00eancia f\u00edsica \u00e0 sua identidade de g\u00e9nero atrav\u00e9s de terapias hormonais e\/ou procedimentos cir\u00fargicos que n\u00e3o se limitam \u00e0 cirurgia&nbsp;genital.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a associa\u00e7\u00e3o suprarreferida, \u201calgumas pessoas sentem esta incompatibilidade entre identidade e corpo desde a inf\u00e2ncia (transexualidade prim\u00e1ria ou cl\u00e1ssica), enquanto que outras sentem-na mais tarde (transexualidade secund\u00e1ria). Quando a identifica\u00e7\u00e3o com o sexo oposto ao que foi atribu\u00eddo ao nascimento \u00e9 cont\u00ednua, \u00e9 improv\u00e1vel que ela desapare\u00e7a, mas podem passar anos at\u00e9 que a pessoa aceda, por v\u00e1rios motivos, ao processo transicional &#8211; conhecido como transi\u00e7\u00e3o &#8211; partindo do sexo atribu\u00eddo ao nascimento para o que est\u00e1 de acordo com a sua identidade de&nbsp;g\u00e9nero\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Salienta-se ainda que, atualmente, existem dois termos que podem ser distinguidos neste amplo espectro da identidade de g\u00e9nero: \u2018transexual\u2019 e \u2018transg\u00e9nero\u2019. O primeiro engloba as pessoas que n\u00e3o se identificam com o g\u00e9nero atribu\u00eddo \u00e0 nascen\u00e7a e que se identificam inteiramente com o g\u00e9nero \u201coposto\u201d, e assim desejam viver. Frequentemente, sentem desconforto em rela\u00e7\u00e3o a aspetos da sua anatomia e procuram apoio hormonal e\/ou cir\u00fargico para a sua transi\u00e7\u00e3o de g\u00e9nero. O segundo \u00e9 um termo inclusivo que engloba todas as identidades e\/ou express\u00f5es de g\u00e9nero que n\u00e3o coincidem com o sexo atribu\u00eddo \u00e0 nascen\u00e7a. Inclui pessoas que se identificam como transexuais, transg\u00e9nero, de g\u00e9nero fluido, n\u00e3o bin\u00e1rias, entre outras. Por norma, estas n\u00e3o desejam submeter-se \u00e0 cirurgia genital, tamb\u00e9m conhecida como cirurgia de reatribui\u00e7\u00e3o de&nbsp;sexo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E s\u00e3o precisamente estas quest\u00f5es m\u00e9dicas que a Genspect desaprova. Eis o que se pode ler no website da&nbsp;organiza\u00e7\u00e3o:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cProcuramos uma abordagem saud\u00e1vel no que diz respeito ao sexo e ao g\u00e9nero [\u2026]. Analisamos cautelosamente os males que os tratamentos m\u00e9dicos podem causar [\u2026]. Reconhecemos que crian\u00e7as e jovens que questionam o seu g\u00e9nero, tendem a desenvolver doen\u00e7as como transtorno de d\u00e9fice de aten\u00e7\u00e3o e hiperatividade ou especto do autismo. Tamb\u00e9m estamos preocupados com os n\u00fameros desproporcionais de crian\u00e7as e jovens que se sentem atra\u00eddos por pessoas do mesmo sexo ou que ir\u00e3o identificar-se como \u2018pr\u00e9-gays\u2019 entre outras crian\u00e7as e jovens que escolhem medicar a sua identidade ao inv\u00e9s de permitirem que a sua sexualidade se desenvolva. Neste contexto, defendemos uma abordagem n\u00e3o medicada da disforia de g\u00e9nero, sustentada por uma base de evid\u00eancias de&nbsp;qualidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>E&nbsp;ainda:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQueremos ajudar a criar uma sociedade que apoia a n\u00e3o-conformidade com o g\u00e9nero \u2013 uma que n\u00e3o exija o pesado fardo que \u00e9 o tratamento m\u00e9dico. Reconhecemos que os jovens gays, l\u00e9sbicas e bissexuais n\u00e3o est\u00e3o, frequentemente, em conformidade com o seu g\u00e9nero. Ao inv\u00e9s de suprimir os impulsos hormonais com medicamentos, apoiamos uma abordagem que permita que os adolescentes explorem a sua sexualidade com liberdade e&nbsp;aceita\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A \u2018eterna guerra\u2019 entre a WPATH e a&nbsp;Genspect<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No dia 17 de outubro, Stella O\u2019Malley escreveu um&nbsp;<a href=\"https:\/\/genspect.org\/reflections-on-lisbon\/\">artigo<\/a>&nbsp;sobre as confer\u00eancias que a Genspect organiza, destacando dois dos seus principais prop\u00f3sitos: \u201ciluminar as quest\u00f5es significativas criadas pela abordagem da World Professional Association of Transgender Health (<a href=\"https:\/\/www.wpath.org\/\">WPATH<\/a>) para tratar a disforia de g\u00e9nero e promover uma compreens\u00e3o mais ampla e precisa das complexidades que cercam essa&nbsp;quest\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Pode dizer-se que a&nbsp;Genspect&nbsp;\u00e9 a grande opositora da&nbsp;WPATH. Anteriormente conhecida como Harry Benjamin International Gender Dysphoria Association (HBIGDA), \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o interdisciplinar, sem fins lucrativos, que se dedica \u00e0 sa\u00fade transg\u00e9nero, estando a favor do apoio hormonal e\/ou cir\u00fargico para a&nbsp;transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa re\u00fane membros profissionais, de apoio e estudantes que se envolvem em \u201cpesquisas acad\u00e9micas para desenvolver uma medicina baseada em evid\u00eancias e se esfor\u00e7am para promover uma alta qualidade de atendimento para indiv\u00edduos transexuais, transg\u00e9nero ou que n\u00e3o est\u00e3o em conformidade com o seu g\u00e9nero&nbsp;internacionalmente\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A sua miss\u00e3o \u00e9 promover cuidados baseados em evid\u00eancias, educa\u00e7\u00e3o, pesquisa, pol\u00edticas p\u00fablicas e respeito pela sa\u00fade transg\u00e9nero. Al\u00e9m disso, a WPATH procura atingir melhores tratamentos para a disforia de g\u00e9nero atrav\u00e9s de profissionais da \u00e1rea da medicina, psicologia, direito, psicoterapia, estudos familiares, sexologia, entre outros campos&nbsp;relacionados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Posto isto, oferece a oportunidade para que os profissionais destas diversas especialidades comuniquem entre si no contexto da pesquisa e procurem tratamentos para as pessoas com&nbsp;<em>disforia de g\u00e9nero<\/em>, incluindo atrav\u00e9s da organiza\u00e7\u00e3o de confer\u00eancias cient\u00edficas&nbsp;bienais.<\/p>\n\n\n\n<p>E s\u00e3o precisamente estes simp\u00f3sios que motivam a Genspect a propagar a sua pr\u00f3pria miss\u00e3o. Sempre que a WPATH se re\u00fane num determinado pa\u00eds ou cidade, a Genspect organiza um evento, nessa mesma regi\u00e3o, com o objetivo de contra-argumentar o que foi dito anteriormente pela WPATH.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No&nbsp;<a href=\"https:\/\/genspect.org\/reflections-on-lisbon\/\">artigo<\/a>&nbsp;anteriormente mencionado, a psicoterapeuta assume que, na vis\u00e3o da Genspect, \u201ca disforia de g\u00e9nero, ainda que pouco investigada, n\u00e3o \u00e9 mais incomum do que qualquer outra manifesta\u00e7\u00e3o de sofrimento \u00e0 qual n\u00f3s, humanos, recorremos quando tentamos dar sentido ao mundo. A WPATH complicou o significado do \u2018g\u00e9nero\u2019 e o seu trabalho de p\u00e9ssima qualidade foi completamente desacreditado [\u2026]. Claro que existe uma escassez de conhecimento neste campo, no entanto, ficou claro para n\u00f3s que a posi\u00e7\u00e3o da WPATH n\u00e3o \u00e9 \u00fatil, pois conspira com o indiv\u00edduo que sofre de disforia de g\u00e9nero, fazendo-o acreditar que ele, de facto, se pode tornar outra pessoa, com um novo corpo e uma nova identidade. A WPATH promove o enfraquecimento de corpos saud\u00e1veis atrav\u00e9s de interven\u00e7\u00f5es desnecess\u00e1rias, radicais e&nbsp;imprudentes\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 ficou claro que a Genspect \u00e9 antag\u00f3nica \u00e0 posi\u00e7\u00e3o da WPATH, defendendo antes que a disforia de g\u00e9nero se trata de uma condi\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica que deve ser curada atrav\u00e9s de terapia, ao inv\u00e9s de se procederem a tratamentos&nbsp;m\u00e9dico-cir\u00fargicos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o acreditamos que a modifica\u00e7\u00e3o corporal extrema seja um caminho de tratamento apropriado para uma condi\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica. Ao inv\u00e9s disso, promovemos uma abordagem n\u00e3o medicada para a disforia de g\u00e9nero que defende um modelo de tratamento menos invasivo primeiro\u201d, pode ler-se no artigo de Stella. \u201cSe a WPATH estivesse disposta a ouvir os muitos especialistas que destacaram problemas na sua abordagem, a Genspect n\u00e3o precisaria de os seguir ao redor do mundo, defendendo continuamente op\u00e7\u00f5es de tratamento mais realistas para a disforia de g\u00e9nero\u201d, assumiu a&nbsp;terapeuta.<\/p>\n\n\n\n<p>Face a estas acusa\u00e7\u00f5es por parte da Genspect, contactei a WPATH para obter uma rea\u00e7\u00e3o sua. Esta foi a resposta que obtive: \u201cPor norma, n\u00e3o comentamos sobre outras organiza\u00e7\u00f5es, dada a necessidade de nos concentrarmos na nossa miss\u00e3o &#8211; promovermos cuidados de g\u00e9nero saud\u00e1veis &#8211; e nos padr\u00f5es de cuidados que constituem a base das nossas recomenda\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, que s\u00e3o baseadas em&nbsp;evid\u00eancias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A confer\u00eancia que pretendeu \u201creformular o&nbsp;futuro\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tinha enviado um email para a organiza\u00e7\u00e3o da Genspect no dia 20 de setembro a pedir uma credencial jornal\u00edstica de forma a atender \u00e0 \u2018The Bigger Picture Conference. Reframing the Future\u2019, a decorrer nos dias 27, 28 e 29 do mesmo m\u00eas, em&nbsp;Lisboa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Rapidamente responderam que \u201cteriam todo o gosto em receber-me\u201d. Contudo, a acrescentar no email, liam-se as seguintes informa\u00e7\u00f5es: \u201cO evento ter\u00e1 lugar no bairro de S\u00e3o Mamede, em Lisboa, a poucos passos do Jardim Bot\u00e2nico de Lisboa. Para minimizar a chance de perturba\u00e7\u00f5es disruptivas, o local n\u00e3o ser\u00e1 indexado no nosso site e s\u00f3 ser\u00e1 partilhado com os portadores de ingressos 48 horas antes do evento. Compreendemos que isto possa dificultar o planeamento para os participantes, mas esta abordagem conseguiu evitar a desordem nos nossos eventos presenciais&nbsp;anteriores\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Como previsto, dois dias antes do come\u00e7o do evento, voltaram a enviar-me um email com a respetiva morada \u2013 o Altis Grand Hotel \u2013 e um pedido: \u201cPara evitar poss\u00edveis perturba\u00e7\u00f5es no evento, pedimos que n\u00e3o partilhe esta informa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, tenha em conta que, por motivos de discri\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a, o nome do evento na sinaliza\u00e7\u00e3o do local ser\u00e1 \u2018Semin\u00e1rio de Sa\u00fade Mental\u2019 em vez de&nbsp;Genspect\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Cheguei ao segundo dia da confer\u00eancia por volta das 11h00. Tinha perdido os quatro primeiros debates. Depois de passar pelos v\u00e1rios seguran\u00e7as da organiza\u00e7\u00e3o, entrei para dentro da grande sala ampla. Centenas de pessoas percorriam o espa\u00e7o, comiam e bebericavam enquanto conversavam. Ao que me pareceu, eu era a \u00fanica portuguesa. Surpreendi-me com a quantidade de pessoas que me rodeavam, at\u00e9 porque os bilhetes para esta confer\u00eancia custavam \u00e0 volta de 500 euros, podendo chegar a 2000, os de grupo.&nbsp;Mais tarde, vim a saber que a grande maioria se encontrava ali por seguir o trabalho da Genspect ou dos oradores&nbsp;convidados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de me sentar para ouvir o debate que iria come\u00e7ar \u00e0s 11h15, dei uma volta pelo espa\u00e7o. Logo na mesa \u00e0 entrada, estavam v\u00e1rios autocolantes brancos que pod\u00edamos usar, caso quis\u00e9ssemos mostrar o nosso nome. Ao autocolante, pod\u00edamos adicionar um c\u00edrculo que identificasse o grupo ao qual pertenc\u00edamos: amarelo para os pais ou familiares; verde para os media; laranja para investigadores ou especialistas da \u00e1rea cient\u00edfica; e azul para as pessoas que estavam em processo de destransi\u00e7\u00e3o. Pelas outras mesas da sala, estavam espalhados livros, panfletos, brochuras e at\u00e9 meros&nbsp;pap\u00e9is.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, foi o conte\u00fado dos mesmos que me chamou a aten\u00e7\u00e3o.&nbsp;Havia autocolantes a serem distribu\u00eddos gratuitamente com a inscri\u00e7\u00e3o: \u201cNo one is born in the wrong body\u201d [Ningu\u00e9m nasce no corpo errado, em tradu\u00e7\u00e3o livre]. Havia livros, com o custo de 30 euros para cima, que indicavam ser a ajuda que os pais precisavam para \u201csalvarem\u201d os seus filhos da disforia de g\u00e9nero. Havia panfletos de propaganda a igrejas que \u201cprovidenciam um lugar seguro e pass\u00edvel de reflex\u00e3o sobre o que significa ser gay, l\u00e9sbica, bissexual e crist\u00e3o, atrav\u00e9s de reuni\u00f5es, rezas, retiros e&nbsp;confer\u00eancias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o primeiro painel de discuss\u00e3o subiram ao palco Stella O\u2019Malley e os psiquiatras Susan e Marcus Evans. Ao ouvir as explica\u00e7\u00f5es destes tr\u00eas membros, rapidamente percebi que a confer\u00eancia era dedicada aos \u201cpais que procuraram ajuda para os seus&nbsp;filhos\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cH\u00e1 muito tempo que me orgulho de ser um profissional de sa\u00fade mental. \u00c9 o meu amor e o meu trabalho. Mas, na verdade, esta tem sido uma jornada terr\u00edvel. Os pais foram realmente tra\u00eddos pelos servi\u00e7os de sa\u00fade mental\u201d, afirmou Marcus Evans. \u201cA pr\u00e1tica da sa\u00fade mental deve-se aos nossos limites. E estando nesta \u00e1rea h\u00e1 tanto tempo, percebi que, de vez em quando, os limites do nosso of\u00edcio nos empurram para uma ideia man\u00edaca de que temos a solu\u00e7\u00e3o para tudo. A psiquiatria tem um historial de solu\u00e7\u00f5es desesperadas, sem provas e, muitas vezes, com uma ideia sobrevalorizada do que a psiquiatria pode fazer. Estamos limitados, o que faz com que esta seja uma situa\u00e7\u00e3o dolorosa para os pais, que se veem confrontados com uma esp\u00e9cie de sentimento de&nbsp;trai\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.buala.org\/sites\/default\/files\/imagecache\/full\/2024\/11\/image_processing20200201-29235-199l9dn.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Seguiram-se palmas e quest\u00f5es por parte do p\u00fablico. O microfone andou de m\u00e3o em m\u00e3o at\u00e9 chegar \u00e0 de uma m\u00e3e, claramente&nbsp;emocionada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAntes de mais, tenho de agradecer \u00e0 Stella. Mudou a minha vida e ajudou-me a salvar a minha filha\u201d, come\u00e7ou por dizer, referindo-se \u00e0 disforia de g\u00e9nero da mesma. \u201cEstou muito grata por me ter aconselhado o trabalho da Susan e do Marcus, porque voc\u00eas s\u00e3o fabulosos. Sinto que fomos aben\u00e7oados por um excelente terapeuta e, acreditem ou n\u00e3o, quero partilhar isto com toda a gente, uma das melhores coisas que o nosso terapeuta fez foi dizer \u00e0 minha filha para ter rela\u00e7\u00f5es&nbsp;sexuais\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com o avan\u00e7ar dos debates, comecei a perceber que a abordagem era sempre a mesma: recorrer a uma linguagem m\u00e9dica e cient\u00edfica para, no fundo, classificar a transexualidade como uma doen\u00e7a mental, apelidando-a de disforia de&nbsp;g\u00e9nero.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Oradores como o psic\u00f3logo cl\u00ednico Jaco Van Zyl passaram a mensagem de que o ambiente no qual a crian\u00e7a cresce pode fazer com que a mesma \u201cdesenvolva certas frustra\u00e7\u00f5es, tornando-a mais vulner\u00e1vel \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o e a experienciar disforia de&nbsp;g\u00e9nero\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Posso afirmar que cada pessoa ao meu redor sentia quase que uma liga\u00e7\u00e3o para com os oradores. Alguns dos psiquiatras contaram hist\u00f3rias de \u201cmeninas de 15 anos que iniciaram o tratamento hormonal para a mudan\u00e7a de g\u00e9nero\u201d. Sempre que se ouvia um testemunho destes, o olhar das m\u00e3es, dos pais, dos convidados ali presentes fechava-se em jeito de desaprova\u00e7\u00e3o&nbsp;ac\u00e9fala.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Depois do almo\u00e7o, reunimo-nos novamente na sala para a segunda parte da confer\u00eancia. A oradora era Sarah Phillimore, uma advogada especialista em direitos das crian\u00e7as. Mas antes desta subir ao palco, Stella O\u2019Malley aproveitou a apresenta\u00e7\u00e3o para fazer uma pergunta ao p\u00fablico: \u201cQuantos dos aqui presentes v\u00e3o votar em Donald Trump?\u201d. A esmagadora maioria levantou o bra\u00e7o, marcando a sua posi\u00e7\u00e3o. \u201cE quantos v\u00e3o votar na Kamala?\u201d, perguntou ironicamente. Duas ou tr\u00eas pessoas manifestaram-se. Mais uma vez, ficou clara a posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos&nbsp;presentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Estive na confer\u00eancia durante sete horas. No final, fui ter com a Stella O\u2019Malley na esperan\u00e7a de que me desse um pequeno depoimento. A psicoterapeuta e diretora da Genspect aceitou sem qualquer&nbsp;problema.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Comecei por lhe perguntar qual a import\u00e2ncia deste evento acontecer na capital do nosso pa\u00eds, ao qual ela me respondeu: \u201cAch\u00e1mos que era muito importante promover uma abordagem n\u00e3o medicada da disforia de g\u00e9nero. A WPATH esteve aqui, em Lisboa, e promoveram a sua miss\u00e3o numa outra confer\u00eancia. N\u00f3s consideramos que uma abordagem n\u00e3o medicada causa menos danos. Damos prioridade \u00e0 sa\u00fade f\u00edsica e&nbsp;mental\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>E acrescentou ainda: \u201cAcreditamos que existem muitas formas de as pessoas sofrerem de disforia de g\u00e9nero e que h\u00e1 muitas formas de a aliviar, de a atenuar. \u00c9 por isso que estamos aqui e temos oradores de todo o mundo. E penso que \u00e9 muito importante que um grupo internacional com este tipo de experi\u00eancia se junte para chamar a aten\u00e7\u00e3o para os danos que uma determinada forma de pensar est\u00e1 a promover. As pessoas t\u00eam de ouvir. E quero dizer, especificamente, que Portugal pode aprender com os erros do passado. Existem outros pa\u00edses que j\u00e1 estiveram neste caminho, mas que se retiraram dele e agora j\u00e1 n\u00e3o promovem essa abordagem de cuidados de&nbsp;g\u00e9nero\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Questionei a psicoterapeuta sobre o porqu\u00ea da Genspect retratar a disforia de g\u00e9nero como uma doen\u00e7a mental. Stella comparou-a a outras perturba\u00e7\u00f5es, como a anorexia. \u201cEu sou psicoterapeuta. Tal como acontece com o transtorno obsessivo-compulsivo, com a anorexia, a ansiedade ou a depress\u00e3o, existem muitas formas de fazermos as pessoas se sentirem melhor. O g\u00e9nero funciona da mesma maneira. N\u00e3o \u00e9 diferente de qualquer outra manifesta\u00e7\u00e3o de ang\u00fastia. Sim, claro que se pode medicar, mas h\u00e1 outras formas, como a psicoterapia. Ou talvez melhores compet\u00eancias sociais, rela\u00e7\u00f5es de qualidade mais profundas, amizades de qualidade mais&nbsp;profundas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, mencionei as quest\u00f5es abordadas por Jaco Van Zyl, que falou das crian\u00e7as que crescem em ambientes familiares t\u00f3xicos e que, segundo ele, podem experienciar disforia de g\u00e9nero por essa raz\u00e3o. A minha d\u00favida era, no caso de dois irm\u00e3os que vivam no mesmo ambiente, por que motivo um pode querer mudar de g\u00e9nero e outro n\u00e3o. Por\u00e9m, senti que a psicoterapeuta se desviou um pouco do assunto. Eis a sua&nbsp;resposta:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO cont\u00e1gio social \u00e9 um fen\u00f3meno muito bem estabelecido. Assim, por exemplo, a anorexia \u00e9 muito afetada pelo ambiente, tal como o suic\u00eddio. Se houver anorexia numa escola, h\u00e1 muita mais probabilidade de outros alunos desenvolverem anorexia. O mesmo se aplica \u00e0 automutila\u00e7\u00e3o. O comportamento auto lesivo provoca mais comportamentos auto lesivos, especialmente entre as raparigas adolescentes. Este \u00e9 o grupo de maior cont\u00e1gio e isso deve-se a v\u00e1rias raz\u00f5es&nbsp;psicol\u00f3gicas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>De forma a contra-argumentar esta tese, contactei, via email, o poeta e ativista transg\u00e9nero Andr\u00e9&nbsp;Tecedeiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo um homem trans, comecei por lhe perguntar como se sentia ao ver que existem psic\u00f3logos, psiquiatras e outros profissionais que caracterizam a transexualidade como uma doen\u00e7a mental. \u201cAcho que \u00e9 lament\u00e1vel que existam pessoas que dediquem o seu tempo e recursos financeiros a alimentar o \u00f3dio contra as pessoas trans [\u2026].&nbsp;Eu n\u00e3o dou credibilidade a psic\u00f3logos, psiquiatras e outros profissionais que caracterizem a transexualidade como uma doen\u00e7a mental, pois ela deixou de ser considerada um transtorno mental em 2018 pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). Um profissional de sa\u00fade que est\u00e1 desatualizado seis anos n\u00e3o pode ser um grande especialista sobre esse assunto. A homossexualidade e a masturba\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foram em tempos consideradas doen\u00e7as mentais e isso hoje parece-nos&nbsp;bizarro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Tecedeiro, \u00e9 urgente desmistificar a ideia de que a transgeneridade \u00e9 uma escolha. \u201cNingu\u00e9m escolhe ser transg\u00e9nero\u201d, rematou o ativista, explicando ainda que \u201cas estat\u00edsticas dizem que a maior parte das pessoas transg\u00e9nero sabem o seu g\u00e9nero com a mesma idade que as pessoas cisg\u00e9nero &#8211; por volta dos tr\u00eas anos. Mas, ao contr\u00e1rio do que acontece com as outras crian\u00e7as, os adultos n\u00e3o acreditam no que elas dizem, porque n\u00e3o vai ao encontro das suas&nbsp;expectativas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Andr\u00e9 revelou que nunca se sentiu uma rapariga, mas que acabou por ser socializado como tal. \u201cAos 37 anos fiz a minha afirma\u00e7\u00e3o de g\u00e9nero e pude realmente come\u00e7ar a viver. Muitas pessoas n\u00e3o reagiram bem. Ali\u00e1s, no in\u00edcio s\u00f3 tr\u00eas ou quatro reagiram com naturalidade\u201d. Perguntei-lhe se, tal como afirmaram Stella O\u2019Malley e Jaco Van Zyl, existem fatores externos e\/ou ambientais que podem levar a que algu\u00e9m experiencie disforia de g\u00e9nero. A resposta do ativista foi clara: \u201cN\u00e3o h\u00e1 um \u00fanico estudo que confirme essa&nbsp;hip\u00f3tese\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, e de acordo com Catarina Lucas, psic\u00f3loga e diretora do Centro Catarina Lucas, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) e outras organiza\u00e7\u00f5es de sa\u00fade reconhecem a disforia de g\u00e9nero como uma quest\u00e3o de sa\u00fade que requer aten\u00e7\u00e3o e cuidados espec\u00edficos, mas n\u00e3o a consideram uma doen\u00e7a&nbsp;mental.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante entender que a disforia de g\u00e9nero n\u00e3o \u00e9 causada por um dist\u00farbio mental, mas sim pela incongru\u00eancia entre o sexo de nascen\u00e7a e a identidade de g\u00e9nero de uma pessoa. \u00c9 considerada uma condi\u00e7\u00e3o m\u00e9dica ou psicol\u00f3gica, porque pode causar ang\u00fastia significativa e impactar a sa\u00fade mental e o bem-estar emocional das pessoas que a&nbsp;experimentam.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal como conclui Andr\u00e9 Tecedeiro: \u201cUma pessoa transg\u00e9nero pode optar por fazer muitas cirurgias ou nenhuma. Depende da pessoa, do grau de sofrimento que tem com o seu corpo, das possibilidades financeiras e do acesso a cuidados de sa\u00fade. Infelizmente, poucas pessoas trans t\u00eam recursos que lhes cheguem para sobreviver, j\u00e1 que enfrentam mais dificuldades no acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, trabalho e&nbsp;bem-estar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui chegadas, imp\u00f5e-se constatar que a Genspect \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o com posi\u00e7\u00f5es sobre a transexualidade manifestamente conservadoras e, face a tudo o que se sabe atualmente sobre o assunto, claramente desfasadas da realidade. A OMS determinou que a transexualidade n\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a mental. As pessoas transg\u00e9nero n\u00e3o s\u00e3o doentes mentais. Defender que o s\u00e3o \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o chocante e grave, mas que infelizmente se propaga, acima de tudo entre os conservadores de direita, e um pouco por todo o&nbsp;mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.buala.org\/pt\/autor\/mariana-moniz\">Mariana Moniz<\/a><br>Fonte:<a href=\"https:\/\/www.buala.org\/pt\/a-ler\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\"> BUALA<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esse informe \u00e9 resultado de uma virtuosa parceria entre o SPW e o site portugu\u00eas BUALA, editado por Marta Lan\u00e7a. Agradecemos a Marta e a Mariana Moniz pela parceria.<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":28039,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[43,109,139,147,472],"class_list":{"0":"post-28038","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-publicacoes","8":"tag-antigenero","9":"tag-direitos-trans","10":"tag-feminismos","11":"tag-genero","12":"tag-medicina"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.1.1 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>A transexualidade aos olhos da Genspect - Sexuality Policy Watch [PTBR]<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A transexualidade aos olhos da Genspect - Sexuality Policy Watch [PTBR]\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Esse informe \u00e9 resultado de uma virtuosa parceria entre o SPW e o site portugu\u00eas BUALA, editado por Marta Lan\u00e7a. Agradecemos a Marta e a Mariana Moniz pela parceria.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Sexuality Policy Watch [PTBR]\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2026-01-16T20:27:44+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2026-01-17T00:09:08+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2026\/01\/panel-lisbon.jpeg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"590\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"280\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"SPW\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"SPW\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"24 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038\"},\"author\":{\"name\":\"SPW\",\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#\/schema\/person\/c19e8f16a900e3afaf000a0630e5ed2c\"},\"headline\":\"A transexualidade aos olhos da Genspect\",\"datePublished\":\"2026-01-16T20:27:44+00:00\",\"dateModified\":\"2026-01-17T00:09:08+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038\"},\"wordCount\":4793,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2026\/01\/panel-lisbon.jpeg\",\"keywords\":[\"antig\u00eanero\",\"direitos trans\",\"Feminismos\",\"g\u00eanero\",\"Medicina\"],\"articleSection\":[\"Publica\u00e7\u00f5es\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038\",\"url\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038\",\"name\":\"A transexualidade aos olhos da Genspect - Sexuality Policy Watch [PTBR]\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2026\/01\/panel-lisbon.jpeg\",\"datePublished\":\"2026-01-16T20:27:44+00:00\",\"dateModified\":\"2026-01-17T00:09:08+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038#primaryimage\",\"url\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2026\/01\/panel-lisbon.jpeg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2026\/01\/panel-lisbon.jpeg\",\"width\":590,\"height\":280},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"A transexualidade aos olhos da Genspect\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#website\",\"url\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/\",\"name\":\"Sexuality Policy Watch [PTBR]\",\"description\":\"Um f\u00f3rum global composto por pesquisadores e ativistas de uma ampla gama de pa\u00edses e regi\u00f5es do mundo sites\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#organization\",\"name\":\"Sexuality Policy Watch [PTBR]\",\"url\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/logo-site-1.png\",\"contentUrl\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/logo-site-1.png\",\"width\":4628,\"height\":1306,\"caption\":\"Sexuality Policy Watch [PTBR]\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#\/schema\/logo\/image\/\"}},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#\/schema\/person\/c19e8f16a900e3afaf000a0630e5ed2c\",\"name\":\"SPW\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#\/schema\/person\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/5c20e28abc5a0cea3ce1737232d0dbff91638e672b6915ded85a617183e5e3b8?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/5c20e28abc5a0cea3ce1737232d0dbff91638e672b6915ded85a617183e5e3b8?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"SPW\"},\"url\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/author\/sxpolitics\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"A transexualidade aos olhos da Genspect - Sexuality Policy Watch [PTBR]","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"A transexualidade aos olhos da Genspect - Sexuality Policy Watch [PTBR]","og_description":"Esse informe \u00e9 resultado de uma virtuosa parceria entre o SPW e o site portugu\u00eas BUALA, editado por Marta Lan\u00e7a. Agradecemos a Marta e a Mariana Moniz pela parceria.","og_url":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038","og_site_name":"Sexuality Policy Watch [PTBR]","article_published_time":"2026-01-16T20:27:44+00:00","article_modified_time":"2026-01-17T00:09:08+00:00","og_image":[{"width":590,"height":280,"url":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2026\/01\/panel-lisbon.jpeg","type":"image\/jpeg"}],"author":"SPW","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"SPW","Est. tempo de leitura":"24 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038"},"author":{"name":"SPW","@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#\/schema\/person\/c19e8f16a900e3afaf000a0630e5ed2c"},"headline":"A transexualidade aos olhos da Genspect","datePublished":"2026-01-16T20:27:44+00:00","dateModified":"2026-01-17T00:09:08+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038"},"wordCount":4793,"publisher":{"@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2026\/01\/panel-lisbon.jpeg","keywords":["antig\u00eanero","direitos trans","Feminismos","g\u00eanero","Medicina"],"articleSection":["Publica\u00e7\u00f5es"],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038","url":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038","name":"A transexualidade aos olhos da Genspect - Sexuality Policy Watch [PTBR]","isPartOf":{"@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2026\/01\/panel-lisbon.jpeg","datePublished":"2026-01-16T20:27:44+00:00","dateModified":"2026-01-17T00:09:08+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038#primaryimage","url":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2026\/01\/panel-lisbon.jpeg","contentUrl":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2026\/01\/panel-lisbon.jpeg","width":590,"height":280},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/publicacoes\/a-transexualidade-aos-olhos-da-genspect\/28038#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"A transexualidade aos olhos da Genspect"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#website","url":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/","name":"Sexuality Policy Watch [PTBR]","description":"Um f\u00f3rum global composto por pesquisadores e ativistas de uma ampla gama de pa\u00edses e regi\u00f5es do mundo sites","publisher":{"@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#organization","name":"Sexuality Policy Watch [PTBR]","url":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/logo-site-1.png","contentUrl":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/logo-site-1.png","width":4628,"height":1306,"caption":"Sexuality Policy Watch [PTBR]"},"image":{"@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#\/schema\/logo\/image\/"}},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#\/schema\/person\/c19e8f16a900e3afaf000a0630e5ed2c","name":"SPW","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#\/schema\/person\/image\/","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/5c20e28abc5a0cea3ce1737232d0dbff91638e672b6915ded85a617183e5e3b8?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/5c20e28abc5a0cea3ce1737232d0dbff91638e672b6915ded85a617183e5e3b8?s=96&d=mm&r=g","caption":"SPW"},"url":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/author\/sxpolitics"}]}},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2026\/01\/panel-lisbon.jpeg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28038","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28038"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28038\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28838,"href":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28038\/revisions\/28838"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28039"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28038"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28038"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28038"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}