{"id":27876,"date":"2025-10-14T16:20:05","date_gmt":"2025-10-14T19:20:05","guid":{"rendered":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/?p=27876"},"modified":"2025-10-14T16:21:47","modified_gmt":"2025-10-14T19:21:47","slug":"a-hidra-do-dr-frankenstein-contornos-significados-e-efeitos-das-politicas-antigenero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/artigos\/a-hidra-do-dr-frankenstein-contornos-significados-e-efeitos-das-politicas-antigenero\/27876","title":{"rendered":"A hidra do Dr. Frankenstein: Contornos, significados e efeitos das pol\u00edticas antig\u00eanero"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>por <em>Sonia Corr\u00eaa, David Paternotte e Claire House<\/em><\/strong><br><em>Este texto \u00e9 um cap\u00edtulo e publicado no Routledge Handbook of Sexuality, Gender, <\/em><br><em>Health and Rights (Manual Routledge sobre Sexualidade, G\u00eanero, Sa\u00fade e Direitos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, um novo termo se infiltrou na linguagem cotidiana de acad\u00eamicos, profissionais e formuladores de pol\u00edticas que trabalham na \u00e1rea de g\u00eanero, sexualidade e direitos humanos: &#8220;antig\u00eanero&#8221;. Este termo foi sugerido por diversos acad\u00eamicos para dar sentido ao que eles consideravam ser uma nova onda de rea\u00e7\u00e3o conservadora contra a igualdade de g\u00eanero e LGBTI (ver, por exemplo, Kov\u00e1ts e P\u00f5im 2015; Kuhar e Paternotte 2017). Embora essa rea\u00e7\u00e3o tenha se tornado evidente inicialmente no contexto do catolicismo e ainda envolva muitos atores cat\u00f3licos, a maioria desses pesquisadores concordou que n\u00e3o se tratava de uma situa\u00e7\u00e3o como a de sempre, mas de um novo tipo de empreendimento, especificamente concebido para desafiar o que era retratado como a &#8220;ideologia de g\u00eanero&#8221;. Transnacional desde o in\u00edcio, essa onda come\u00e7ou na Europa em meados dos anos 2000, floresceu na d\u00e9cada de 2010 na Europa e na Am\u00e9rica Latina e se expandiu cada vez mais para outras regi\u00f5es do mundo a partir de meados da d\u00e9cada de 2010 (Kuhar e Paternotte 2017; Corr\u00eaa 2020; House 2022). Fundamentalmente, ela visa os feminismos e os direitos das mulheres e das pessoas LGBTI, com os direitos trans se tornando um alvo cada vez mais importante nos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>A novidade dessas campanhas \u00e9 atestada pela heterogeneidade dos atores envolvidos; pelo enquadramento discursivo transformado da resposta; por suas estrat\u00e9gias pol\u00edticas e modos de a\u00e7\u00e3o, bem como por uma mudan\u00e7a geracional entre os participantes; e pelo maior investimento em treinamento e pela crescente transnacionaliza\u00e7\u00e3o. Esta \u00faltima \u00e9 confirmada pela circula\u00e7\u00e3o transfronteiri\u00e7a de um repert\u00f3rio comum de enquadramentos, estrat\u00e9gias e modos de a\u00e7\u00e3o, e pela cria\u00e7\u00e3o gradual de uma densa infraestrutura transnacional de resposta (Datta e Paternotte 2023). Desde o in\u00edcio, muitos acad\u00eamicos preferiram os termos &#8220;campanhas&#8221; e &#8220;pol\u00edtica&#8221; para descrever essas mobiliza\u00e7\u00f5es, porque o termo &#8220;movimentos&#8221;, frequentemente usado para descrever essas forma\u00e7\u00f5es, transmite erroneamente a impress\u00e3o de que a pol\u00edtica antig\u00eanero se restringe a movimentos sociais e atores da sociedade civil. Em vez disso, a resposta atual em curso inclui uma ampla variedade de atores institucionais, incluindo pol\u00edticos, funcion\u00e1rios do Estado e autoridades religiosas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em conson\u00e2ncia com uma abordagem \u00eamica (Avanza 2018), acad\u00eamicos rotularam esses atores conservadores de &#8220;antig\u00eanero&#8221; porque, apesar da diversidade de alvos, consideram a &#8220;ideologia de g\u00eanero&#8221; como a matriz intelectual das reivindica\u00e7\u00f5es \u00e9ticas, legais e pol\u00edticas \u00e0s quais se op\u00f5em ferozmente. \u00c9 importante ressaltar que esses atores n\u00e3o se apresentam como antig\u00eanero, mas se autodefinem como &#8220;pr\u00f3-vida&#8221;, &#8220;pr\u00f3-fam\u00edlia&#8221;, &#8220;pr\u00f3-liberdade religiosa&#8221;, &#8220;bons cidad\u00e3os&#8221;, &#8220;patriotas&#8221;, &#8220;pais preocupados&#8221; ou, cada vez mais, &#8220;cr\u00edticos de g\u00eanero&#8221;. Portanto, &#8220;antig\u00eanero&#8221; \u00e9 um r\u00f3tulo descritivo que n\u00e3o assume uma postura pol\u00edtica ou ideol\u00f3gica singular em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s ideias ou \u00e0 posi\u00e7\u00e3o dos atores envolvidos, mas busca se aproximar o m\u00e1ximo poss\u00edvel de suas categorias de compreens\u00e3o. Isso ajuda acad\u00eamicos e ativistas a ler o que os move sem julgar sua posi\u00e7\u00e3o normativa ou localiz\u00e1-los em rela\u00e7\u00e3o a movimentos sociais mais progressistas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 crucial distinguir as pol\u00edticas antig\u00eanero daquilo que elas n\u00e3o s\u00e3o. De fato, na \u00faltima d\u00e9cada, essa express\u00e3o tem sido cada vez mais usada para designar qualquer forma de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 igualdade de g\u00eanero ou aos direitos LGBTI. Como resultado, ela abrange situa\u00e7\u00f5es extremamente diversas, em diferentes per\u00edodos e em partes muito distintas do mundo. Esse desafio ser\u00e1 discutido mais detalhadamente neste cap\u00edtulo, mas \u00e9 importante evitar a expans\u00e3o conceitual se quisermos manter esse conceito significativo. Como discutido acima, o termo &#8220;antig\u00eanero&#8221; visa descrever uma onda espec\u00edfica de ativismo conservador e, portanto, n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de antifeminismo, misoginia ou supremacia masculina, antidireitos LGBTI ou direita global. As articula\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00f5es antig\u00eanero com projetos mais amplos ou outros e correntes pol\u00edticas subjacentes n\u00e3o devem ser presumidas ou tidas como certas, mas sim examinadas e discutidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Este cap\u00edtulo come\u00e7a com um olhar retrospectivo sobre a hist\u00f3ria desse fen\u00f4meno e discute suas principais caracter\u00edsticas. Em seguida, aborda os debates te\u00f3ricos atuais sobre a defini\u00e7\u00e3o e o funcionamento dessas campanhas, discutindo sua diversidade constitutiva e sua natureza metam\u00f3rfica por meio das met\u00e1foras de Frankenstein e da hidra. Em seguida, abordaremos os debates em torno das pol\u00edticas antig\u00eanero e os conceitos de rea\u00e7\u00e3o. O cap\u00edtulo ser\u00e1 encerrado com uma discuss\u00e3o sobre o papel desempenhado pelo g\u00eanero nessas mobiliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um olhar mais atento \u00e0s pol\u00edticas antig\u00eanero<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Quatro ondas de pol\u00edticas antig\u00eanero<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise hist\u00f3rica frequentemente data o surgimento da ret\u00f3rica sobre &#8220;ideologia de g\u00eanero&#8221; aos acontecimentos do in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990 na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). Durante a Confer\u00eancia Internacional sobre Popula\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento, realizada no Cairo em 1994, o conceito de &#8220;g\u00eanero&#8221; foi introduzido no n\u00edvel de pol\u00edticas intergovernamentais em associa\u00e7\u00e3o com o reconhecimento de v\u00e1rias formas de fam\u00edlia, direitos sexuais e reprodutivos e a defini\u00e7\u00e3o do aborto como um grande problema de sa\u00fade p\u00fablica. Em Cairo, embora muitas das outras quest\u00f5es tenham sido objeto de debate acirrado, o termo &#8220;g\u00eanero&#8221; n\u00e3o causou nenhuma controv\u00e9rsia. Seis meses depois, em prepara\u00e7\u00e3o para a Quarta Confer\u00eancia Mundial sobre a Mulher em Pequim, a Santa S\u00e9, em colabora\u00e7\u00e3o com Estados aliados e ONGs de direita crist\u00e3 estadunidenses, come\u00e7ou a contestar ferozmente o termo &#8220;g\u00eanero&#8221; (Girard 2007; Corr\u00eaa 2022a).<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de meados da d\u00e9cada de 1990, a hierarquia cat\u00f3lica, liderada pelo Papa Jo\u00e3o Paulo II, pelo Cardeal Ratzinger e por v\u00e1rios pensadores cat\u00f3licos, tentou compreender melhor o que havia acontecido na ONU. Baseando-se nas ideias da acad\u00eamica da direita estadunidense Christina Hoff Sommers, a jornalista cat\u00f3lica Dale O&#8217;Leary come\u00e7ou a culpar as &#8220;feministas de g\u00eanero&#8221; pelo desastre de Pequim, alegando que a substitui\u00e7\u00e3o da palavra &#8220;sexo&#8221; pela palavra &#8220;g\u00eanero&#8221;, introduzida secretamente pelas chamadas feministas radicais, abriu caminho para reformas sociais e pol\u00edticas profundamente problem\u00e1ticas relacionadas aos direitos das mulheres. Por meio desse processo, a &#8220;ideologia de g\u00eanero&#8221; tornou-se uma estrutura interpretativa para explicar as derrotas da Santa S\u00e9 na ONU. Essa estrutura \u00e9 frequentemente simbolizada como um submarino, um iceberg ou um cavalo de Troia: uma agenda pol\u00edtica disfar\u00e7ada de compromisso com a igualdade entre mulheres e homens, mas cujo verdadeiro objetivo \u00e9 destruir a ordem social. Esse discurso foi rapidamente retomado e reelaborado pela Confer\u00eancia Episcopal Peruana e por v\u00e1rios pensadores cat\u00f3licos pr\u00f3ximos ao Vaticano (em particular, T. Anatrella, J. Burggraf, G. Kuby, A. Ordo\u00f1ez, M. Peeters, J. Scala e M. Schooyans). Esses autores ajudaram a disseminar o discurso da &#8220;ideologia de g\u00eanero&#8221; pelo mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse discurso tornou-se mais do que uma estrutura interpretativa porque ajudou a sustentar uma contraestrat\u00e9gia feroz. Inspirados por uma leitura atenta do fil\u00f3sofo comunista Antonio Gramsci, os criadores de campanhas antig\u00eanero esvaziaram o termo &#8220;g\u00eanero&#8221; de seu significado original para preencher esse espa\u00e7o vazio com conte\u00fados derivados da doutrina social e sexual cat\u00f3lica. Em v\u00e1rias dessas reconfigura\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas, a &#8220;ideologia de g\u00eanero&#8221; tornou-se regularmente associada ao marxismo ou ao neomarxismo.\u00b9 Em meados dos anos 2000, tanto a estrutura interpretativa quanto a contraestrat\u00e9gia discursiva estavam prontas para ampla circula\u00e7\u00e3o, como confirmado pela publica\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios documentos oficiais pelos dicast\u00e9rios do Vaticano.\u00b2<\/p>\n\n\n\n<p>Uma segunda fase, iniciada em meados dos anos 2000, sucedeu ao per\u00edodo de inven\u00e7\u00e3o da ret\u00f3rica da &#8220;ideologia de g\u00eanero&#8221;. Envolveu, por um lado, a dissemina\u00e7\u00e3o global dessas ideias por meio de uma mir\u00edade de publica\u00e7\u00f5es, palestras e eventos inicialmente realizados dentro das estruturas e redes da Igreja Cat\u00f3lica. Por outro lado, tamb\u00e9m se traduziu nas primeiras mobiliza\u00e7\u00f5es sociais que ocorreram na segunda metade dos anos 2000 na Europa: na Espanha (2004-2005), Cro\u00e1cia (2006), It\u00e1lia (2007) e Eslov\u00eania (2009). Na Am\u00e9rica Latina, embora n\u00e3o tenha havido mobiliza\u00e7\u00f5es antig\u00eanero claras at\u00e9 2013, a Confer\u00eancia Episcopal dos Bispos Latino-Americanos (CELAM) lan\u00e7ou, a partir de 2007, uma campanha contra a &#8220;ideologia de g\u00eanero&#8221; que facilitou a difus\u00e3o regional da terminologia. Esses esfor\u00e7os serviram como experimentos de laborat\u00f3rio: ativistas come\u00e7aram a usar elementos da ret\u00f3rica antig\u00eanero, e as mobiliza\u00e7\u00f5es assumiram formas que prefiguravam campanhas futuras. Em muitos casos, essas t\u00e9cnicas e estrat\u00e9gias foram inspiradas por a\u00e7\u00f5es empreendidas pela direita crist\u00e3 dos EUA desde a d\u00e9cada de 1970.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa explos\u00e3o de contesta\u00e7\u00e3o antig\u00eanero na Europa e na Am\u00e9rica Latina inaugurou uma terceira fase, e o ano de 2013 \u00e9 frequentemente considerado um ponto de virada. Na Europa, marca tanto o auge das mobiliza\u00e7\u00f5es na Fran\u00e7a contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo quanto uma vit\u00f3ria conservadora no referendo croata sobre a defini\u00e7\u00e3o constitucional do casamento. Em n\u00edvel regional, coincide com o desenvolvimento de uma infraestrutura multifacetada para influenciar as sociedades europeias a longo prazo. A primeira reuni\u00e3o da rede de lobby <em>Agenda Europe<\/em> e a cria\u00e7\u00e3o da plataforma de campanha CitizenGo, sediada em Madri, tamb\u00e9m ocorreram em 2013. O projeto de relat\u00f3rio do Parlamento Europeu sobre Sa\u00fade e Direitos Sexuais e Reprodutivos (conhecido como Relat\u00f3rio Estrela) tamb\u00e9m foi rejeitado no mesmo ano. Na Federa\u00e7\u00e3o Russa, uma lei que pro\u00edbe a &#8220;propaganda gay&#8221; como parte de um esfor\u00e7o para defender &#8220;valores tradicionais&#8221; foi adotada em 2013. Na Am\u00e9rica Latina, v\u00e1rios eventos cruciais ocorreram durante os mesmos anos. Elas abrangeram uma campanha feroz invocando &#8220;g\u00eanero&#8221; e &#8220;ideologia&#8221; contra o Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o do Brasil, ataques ao g\u00eanero na educa\u00e7\u00e3o no Paraguai, os primeiros ataques conservadores \u00e0 Resolu\u00e7\u00e3o de 2011 sobre Direitos Humanos, Orienta\u00e7\u00e3o Sexual e Identidade de G\u00eanero na Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA) e a condena\u00e7\u00e3o do presidente equatoriano Rafael Correa \u00e0 &#8220;ideologia de g\u00eanero&#8221; em um de seus discursos semanais na televis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Duas mudan\u00e7as importantes ocorreram durante esse per\u00edodo. Primeiro, outros atores crist\u00e3os come\u00e7aram a se mobilizar contra a &#8220;ideologia de g\u00eanero&#8221;, abrindo uma frente ecum\u00eanica que inclu\u00eda inimigos hist\u00f3ricos do Papado. Na Europa Central e Oriental, as igrejas ortodoxas emergiram como for\u00e7as cruciais nessa luta, tanto na R\u00fassia quanto em outros pa\u00edses da regi\u00e3o (por exemplo, Bulg\u00e1ria, Ge\u00f3rgia, Rom\u00eania e Ucr\u00e2nia). Na Am\u00e9rica Latina, igrejas evang\u00e9licas fundamentalistas rapidamente se tornaram as principais impulsionadoras de mobiliza\u00e7\u00f5es antig\u00eanero. Outras denomina\u00e7\u00f5es protestantes tamb\u00e9m se envolveram cada vez mais em coaliz\u00f5es em todos os lugares, desde os v\u00e1rios componentes da direita crist\u00e3 nos EUA at\u00e9 os protestantes tradicionalistas na Holanda.<\/p>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, este per\u00edodo \u00e9 caracterizado pelo crescente envolvimento de uma s\u00e9rie de atores pol\u00edticos. Discursos e mobiliza\u00e7\u00f5es antig\u00eanero se cruzaram cada vez mais com a pol\u00edtica eleitoral, abrindo caminho para que l\u00edderes ou for\u00e7as populistas de direita alcan\u00e7assem o poder estatal, como aconteceu no Brasil, It\u00e1lia e Espanha. Ao mesmo tempo, atores pol\u00edticos e estatais formais (partidos pol\u00edticos e funcion\u00e1rios do governo) j\u00e1 no poder tamb\u00e9m se interessaram pela resist\u00eancia \u00e0 &#8220;ideologia de g\u00eanero&#8221; em uma variedade de cen\u00e1rios. Embora a maioria desses atores estivesse associada \u00e0 pol\u00edtica populista e \u00e0 extrema direita, membros de partidos conservadores de esquerda e tradicionais na Europa e na Am\u00e9rica Latina tamb\u00e9m adotaram posi\u00e7\u00f5es antig\u00eanero. Esses atores n\u00e3o se juntaram apenas porque buscavam promover suas ideias politicamente, ou por causa de suas cren\u00e7as religiosas, mas tamb\u00e9m porque viam oportunidades de se diferenciar e diferenciar seus partidos de seus concorrentes, diversificar seu discurso e aumentar sua tra\u00e7\u00e3o eleitoral. Por exemplo, alguns usaram agendas elaboradas por for\u00e7as religiosas conservadoras, especialmente em quest\u00f5es familiares, para revigorar os apelos \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o e \u00e0 na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, estamos em uma quarta fase de resposta, em que a globaliza\u00e7\u00e3o das campanhas antig\u00eanero se intensificou e os atores envolvidos nas coaliz\u00f5es que elas sustentam se diversificaram significativamente. Hoje em dia, poucos pa\u00edses na Europa e na Am\u00e9rica Latina n\u00e3o fazem parte das campanhas, os dois epicentros da onda antig\u00eanero, e novas mobiliza\u00e7\u00f5es surgiram na Austr\u00e1lia, no Canad\u00e1 e nos EUA<sup>3<\/sup>. Campanhas tamb\u00e9m come\u00e7aram a surgir, embora em formas parcialmente distintas, na \u00c1frica Subsaariana (Gana, Qu\u00eania, Senegal, \u00c1frica do Sul, Z\u00e2mbia), no Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica (Egito, Israel, Tun\u00edsia, Turquia) e tamb\u00e9m na \u00c1sia e no Pac\u00edfico (Nova Zel\u00e2ndia, Coreia do Sul, Taiwan). Na Europa e nas Am\u00e9ricas, o labirinto pol\u00edtico constru\u00eddo em torno da ideologia antig\u00eanero frequentemente une antigos concorrentes religiosos e, mais recentemente, tem favorecido alian\u00e7as antitrans entre feministas &#8220;cr\u00edticas ao g\u00eanero&#8221;, conservadores sociais, populistas de direita e for\u00e7as de extrema direita.<\/p>\n\n\n\n<p>Como resultado, essas campanhas n\u00e3o se limitam mais a pa\u00edses historicamente crist\u00e3os, e n\u00e3o podemos presumir que sejam espec\u00edficas de certos pa\u00edses devido \u00e0 sua hist\u00f3ria ou cultura pol\u00edtica distintas. Da mesma forma, as campanhas n\u00e3o s\u00e3o impulsionadas por um conjunto claro de atores, consistentes em todos os contextos. Os atores envolvidos s\u00e3o cada vez mais diversos e, em v\u00e1rios contextos, incluem os pr\u00f3prios regimes estatais. Governos, como os liderados por Jair Bolsonaro no Brasil, Victor Orb\u00e1n na Hungria e Vladimir Putin na R\u00fassia, compreenderam como as campanhas antig\u00eanero podem refor\u00e7ar seu controle sobre o poder, transformando o projeto antig\u00eanero em um pilar central do &#8220;iliberalismo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Uma diversidade de alvos<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante reconhecer, no entanto, que a contesta\u00e7\u00e3o antig\u00eanero n\u00e3o segue uma sequ\u00eancia espec\u00edfica. Ela n\u00e3o acontece em todos os lugares da mesma maneira, e os atores antig\u00eanero se envolvem em \u00e1reas espec\u00edficas de disputa, levando em considera\u00e7\u00e3o as especificidades culturais de um pa\u00eds e as possibilidades e aberturas para o ativismo pol\u00edtico. Alvos espec\u00edficos s\u00e3o frequentemente selecionados por serem priorit\u00e1rios na agenda pol\u00edtica ou por serem f\u00e1ceis de tornar controversos para uma gama de p\u00fablicos espec\u00edficos, que variam ao longo do tempo e do espa\u00e7o. Isso ajuda a explicar por que, por exemplo, as principais arenas de disputa podem incluir a Conven\u00e7\u00e3o de Istambul (ou seja, a Conven\u00e7\u00e3o do Conselho da Europa para a Preven\u00e7\u00e3o e o Combate \u00e0 Viol\u00eancia contra as Mulheres e \u00e0 Viol\u00eancia Dom\u00e9stica) em v\u00e1rios pa\u00edses europeus a partir de meados da d\u00e9cada de 2010, em compara\u00e7\u00e3o com a mobiliza\u00e7\u00e3o contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo em 2012 na Fran\u00e7a, ou os direitos trans no Reino Unido e nos EUA a partir de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, uma crescente literatura comparativa permitiu a identifica\u00e7\u00e3o de cinco conjuntos de quest\u00f5es que os atores antig\u00eanero provavelmente visam: 1) direitos sexuais e reprodutivos (por exemplo, o direito ao div\u00f3rcio e ao aborto legal e seguro, acesso \u00e0 contracep\u00e7\u00e3o e o direito de usar tecnologias reprodutivas espec\u00edficas, como reprodu\u00e7\u00e3o assistida); 2) direitos LGBTI (por exemplo, casamento entre pessoas do mesmo sexo e uni\u00f5es civis, acesso \u00e0 ado\u00e7\u00e3o e direitos familiares, direitos trans); 3) direitos das crian\u00e7as (por exemplo, oposi\u00e7\u00e3o a programas contra estere\u00f3tipos de g\u00eanero e educa\u00e7\u00e3o sexual abrangente, ou campanhas em favor da educa\u00e7\u00e3o domiciliar); 4) g\u00eanero (por exemplo, leis e pol\u00edticas sobre viol\u00eancia de g\u00eanero e\/ou viol\u00eancia contra mulheres, como a Conven\u00e7\u00e3o de Istambul, ferramentas e mecanismos de integra\u00e7\u00e3o de g\u00eanero e igualdade de g\u00eanero, programas de estudos de g\u00eanero e, em alguns casos, qualquer coisa que contenha a palavra &#8220;g\u00eanero&#8221;), e 5) leis e pol\u00edticas contra discurso de \u00f3dio e discrimina\u00e7\u00e3o, em nome da liberdade de express\u00e3o e liberdade religiosa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Labirintos discursivos<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como indica este breve hist\u00f3rico, os inventores da ideologia de g\u00eanero sequestraram o termo g\u00eanero \u2013 que possui diferentes significados e interpreta\u00e7\u00f5es em distintos campos de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento \u2013 e esvaziaram-no desses conte\u00fados e preencheram o espa\u00e7o vazio com sua pr\u00f3pria interpreta\u00e7\u00e3o. Nessa interpreta\u00e7\u00e3o, a &#8220;ideologia&#8221; \u00e9 vilipendiada, o g\u00eanero \u00e9 equiparado a uma vasta gama de amea\u00e7as e te\u00f3ricos e praticantes de g\u00eanero s\u00e3o acusados de serem &#8220;ide\u00f3logos&#8221; (enquanto aqueles que inventam esse fantasma s\u00e3o considerados isentos de vieses ideol\u00f3gicos). Consequentemente, v\u00e1rios estudiosos descreveram a ideologia de g\u00eanero como um significante vazio ou flutuante (Mayer e Sauer 2017) ou um recept\u00e1culo simb\u00f3lico (Madrigal-Borloz 2021).<\/p>\n\n\n\n<p>De forma mais ampla, a ret\u00f3rica antig\u00eanero \u00e9 atraente para muitos porque significa muito e pouco ao mesmo tempo e pode facilmente absorver enquadramentos e narrativas pr\u00e9-existentes. Sua coer\u00eancia interna, que pode parecer fr\u00e1gil para acad\u00eamicos e observadores, funciona como um ponto forte, pois sua ret\u00f3rica desperta diferentes medos e ansiedades e pode ser adaptada a diferentes contextos. Diferentes atores podem mold\u00e1-la de diferentes maneiras, de acordo com projetos pol\u00edticos distintos, sem o \u00f4nus de ter que construir uma narrativa consistente e unificada.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, a ret\u00f3rica antig\u00eanero original, tal como concebida por pensadores cat\u00f3licos, foi alterada de v\u00e1rias maneiras nos \u00faltimos anos para se encaixar em diferentes projetos. Sua recente elis\u00e3o com a chamada tese da &#8220;Grande Substitui\u00e7\u00e3o&#8221; oferece um exemplo claro, pois serve para enfatizar os perigos da ideologia de g\u00eanero como ve\u00edculo para a promo\u00e7\u00e3o do aborto, da contracep\u00e7\u00e3o e das rela\u00e7\u00f5es entre pessoas do mesmo sexo (especialmente pela ONU), pois todos contribuem para o decl\u00ednio das taxas de natalidade. A Grande Substitui\u00e7\u00e3o, tal como inventada pelo escritor franc\u00eas de extrema direita e te\u00f3rico da conspira\u00e7\u00e3o Renaud Camus, articula &#8220;ansiedades&#8221; de que atores supostamente poderosos tenham unido for\u00e7as para destruir a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental. Alguns pol\u00edticos, como Matteo Salvini e Victor Orb\u00e1n, compreenderam os benef\u00edcios que surgem da uni\u00e3o dessas duas teorias, com a ideologia de g\u00eanero, entendida como a causa raiz do decl\u00ednio demogr\u00e1fico, sendo vista como contribuinte para a chamada islamiza\u00e7\u00e3o da Europa (Datta 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>Articula\u00e7\u00f5es discursivas semelhantes ocorreram em outros campos, como a ecologia. Durante seus pontificados, o Papa Bento XVI e o Papa Francisco desenvolveram um discurso cat\u00f3lico sobre os desafios ambientais, denominado &#8220;ecologia humana&#8221; e, posteriormente, &#8220;ecologia integral&#8221;. Assim, tanto o aborto quanto o acesso de pessoas trans \u00e0 transi\u00e7\u00e3o m\u00e9dica s\u00e3o vistos como interven\u00e7\u00f5es humanas problem\u00e1ticas no des\u00edgnio de Deus, que Bento XVI colocou no mesmo n\u00edvel da destrui\u00e7\u00e3o das florestas tropicais. Para o falecido Papa, defender o meio ambiente implicava a defesa do ser humano contra si mesmo. O Papa Francisco tamb\u00e9m reviveu uma rejei\u00e7\u00e3o p\u00f3s-colonial da ideologia de g\u00eanero, que ele enquadra como &#8220;coloniza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica&#8221;. Essa ret\u00f3rica ressoa com cr\u00edticas ao controle de natalidade e ao planejamento familiar no Sul Global, com ideias de que os direitos LGBTI est\u00e3o sendo impostos pelo Norte Global e de que atores poderosos se uniram para abolir tradi\u00e7\u00f5es locais. Tamb\u00e9m se cruza com debates sobre a condicionalidade da ajuda, agora enquadrada como uma interven\u00e7\u00e3o estrangeira por financiadores ocidentais ricos, pa\u00edses doadores e institui\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal discurso tamb\u00e9m pode ser lido como um ataque \u00e0s institui\u00e7\u00f5es supranacionais em nome da soberania nacional. Embora a ONU tenha sido um alvo principal, tamb\u00e9m o foram a Uni\u00e3o Europeia (UE), o Conselho da Europa e o Sistema Interamericano. Como observado por Agnieszka Graff e El\u017cbieta Korolczuk (2018), na Europa Oriental, o g\u00eanero \u00e9 frequentemente apresentado por atores antig\u00eanero como &#8220;Ebola de Bruxelas&#8221; e se torna um tropo-chave em oposi\u00e7\u00e3o ao intervencionismo europeu, frequentemente enquadrado como um novo colonialismo, na regi\u00e3o. Por meio da ideia de &#8220;valores tradicionais&#8221;, a R\u00fassia tamb\u00e9m usa refer\u00eancias a g\u00eanero e direitos LGBTI para se distinguir da Europa e simbolizar seu projeto civilizacional alternativo. Na Am\u00e9rica Latina, desde 2013, o fantasma do g\u00eanero como uma imposi\u00e7\u00e3o estrangeira da OEA tamb\u00e9m tem sido mobilizado como uma amea\u00e7a persistente.<\/p>\n\n\n\n<p>Atores antig\u00eanero v\u00eam utilizando h\u00e1 algum tempo a linguagem e os argumentos do discurso dos direitos humanos, juntamente com apelos ao secularismo, \u00e0 ci\u00eancia e \u00e0 liberdade de escolha. Enquadramentos baseados em direitos humanos, em particular, s\u00e3o cruciais para que esses atores se envolvam em lit\u00edgios p\u00fablicos de alto n\u00edvel com as Supremas Cortes, bem como com os sistemas humanos regionais e internacionais. Isso tamb\u00e9m abre muitos caminhos para coaliz\u00f5es com vozes e atores &#8220;de base&#8221; familiarizados com a linguagem e a defesa dos direitos humanos em diversos dom\u00ednios, incluindo os direitos das mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, \u00e0 medida que as constela\u00e7\u00f5es antig\u00eanero de for\u00e7as e atores se tornam cada vez mais diversas e exercem maior influ\u00eancia sobre o Estado e a sociedade, as lutas antig\u00eanero adentraram novas \u00e1reas de contesta\u00e7\u00e3o. O conte\u00fado e a fun\u00e7\u00e3o da ideologia de g\u00eanero foram, portanto, transportados para muitos outros ve\u00edculos simb\u00f3licos, como &#8220;ideologia transg\u00eanero&#8221;, &#8220;teoria queer&#8221;, &#8220;woke&#8221;, &#8220;teoria cr\u00edtica da ra\u00e7a&#8221;, &#8220;pol\u00edtica identit\u00e1ria&#8221; e &#8220;interseccionalidade&#8221; (House 2022). A transmuta\u00e7\u00e3o da ideologia de g\u00eanero em &#8220;ideologia transg\u00eanero&#8221;, em particular, favoreceu a presen\u00e7a crescente de feministas antig\u00eanero e de grupos l\u00e9sbicos, gays e bissexuais antig\u00eanero nas paisagens mut\u00e1veis criadas pelas for\u00e7as antig\u00eanero. Da mesma forma, durante a pandemia da COVID-19, forma\u00e7\u00f5es antig\u00eanero colaboraram com coaliz\u00f5es antivacina e anticonfinamento. Enquanto isso, a pandemia foi usada por regimes cada vez mais autorit\u00e1rios na Hungria ou na Pol\u00f4nia para promover novas medidas pol\u00edticas antig\u00eanero. Por fim, as lutas pela chamada &#8220;liberdade de express\u00e3o&#8221; em ambientes universit\u00e1rios s\u00e3o frequentemente alinhadas a ataques ao &#8220;marxismo cultural&#8221;, aos estudos de g\u00eanero, \u00e0 teoria cr\u00edtica da ra\u00e7a (TRC) e aos estudos decoloniais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A hidra do Dr. Frankenstein<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em outro lugar, David Paternotte (2023) utilizou o romance de Frankenstein para descrever o estado atual das campanhas antig\u00eanero. Por meio dessa met\u00e1fora, ele n\u00e3o busca analisar a monstruosidade das campanhas antig\u00eanero, mas sim explorar sua diversidade constitutiva. Essa met\u00e1fora prop\u00f5e tr\u00eas ideias. Primeiro, relatos populares sobre o romance de Mary Shelley frequentemente confundem o criador com sua cria\u00e7\u00e3o e presumem que Frankenstein \u00e9 o nome do monstro, que na realidade n\u00e3o tem nome. Da mesma forma, as campanhas antig\u00eanero \u2013 isto \u00e9, a criatura \u2013 s\u00e3o frequentemente confundidas com seu criador, a Igreja Cat\u00f3lica, embora o Vaticano n\u00e3o seja mais o principal engenheiro por tr\u00e1s delas. Em segundo lugar, a criatura do Dr. Frankenstein n\u00e3o \u00e9 um animal antigo que escapou de uma \u00e1rea remota, mas uma cria\u00e7\u00e3o moderna (na verdade, bastante antinatural) nascida da ci\u00eancia de seu criador. Da mesma forma, campanhas antig\u00eanero devem ser lidas n\u00e3o como resultado da ignor\u00e2ncia, mas como consequ\u00eancia de esfor\u00e7os intelectuais coordenados e de uma defesa bem pensada. Em terceiro lugar, apesar de muitas tentativas, Victor Frankenstein n\u00e3o consegue recolocar sua criatura sob controle. Da mesma forma, campanhas antig\u00eanero n\u00e3o est\u00e3o mais exclusivamente nas m\u00e3os da Igreja Cat\u00f3lica. Hoje, diversos atores adotaram essa ret\u00f3rica, incluindo aqueles que se op\u00f5em a elementos da mensagem cat\u00f3lica antig\u00eanero original ou com quem a Igreja mant\u00e9m rela\u00e7\u00f5es conflituosas. Como resultado, o desenvolvimento sem precedentes de campanhas antig\u00eanero \u00e9 um sucesso paradoxal para a Igreja Cat\u00f3lica. Assim como a criatura de Victor Frankenstein, essas campanhas agora assumiram sua pr\u00f3pria vida aut\u00f4noma; escaparam, se espalharam e evolu\u00edram, para longe do laborat\u00f3rio de onde surgiram.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outro texto, Sonia Corr\u00eaa sugeriu a met\u00e1fora da hidra para compreender o estado atual das campanhas antig\u00eanero. Segundo Corr\u00eaa, a hidra \u00e9 &#8220;uma criatura com muitas cabe\u00e7as m\u00f3veis que se movem em dire\u00e7\u00f5es muito diferentes, operando independentemente umas das outras e, muitas vezes, alimentando-se de fontes ideol\u00f3gicas contradit\u00f3rias&#8221; (2021, p. 3247). Os contornos dessa criatura s\u00e3o confusos e &#8220;suas origens, formas e inten\u00e7\u00f5es s\u00e3o dif\u00edceis de apreender e interpretar&#8221; (Corr\u00eaa 2022a, p. 108). Corr\u00eaa (2022b, p. 3247) explica que &#8220;\u00e0s vezes uma cabe\u00e7a \u00e9 maior, a outra grita mais que a outra, e outras cabe\u00e7as est\u00e3o em sil\u00eancio ou at\u00e9 dormindo&#8221;. No entanto, &#8216;estejam eles competindo por aten\u00e7\u00e3o ou temporariamente adormecidos, eles s\u00e3o parte do mesmo animal que, como um todo, se move na mesma dire\u00e7\u00e3o e \u00e9 altamente adapt\u00e1vel ao contexto e \u00e0s circunst\u00e2ncias&#8217; (Corr\u00eaa 2022b, p.3247).<\/p>\n\n\n\n<p>Essas duas met\u00e1foras nos convidam a ir al\u00e9m de abordagens que pressup\u00f5em uma agenda ideol\u00f3gica e pol\u00edtica comum em favor de uma an\u00e1lise de campanhas antig\u00eanero como fen\u00f4menos multifacetados, e insistem na diversidade constitutiva das campanhas antig\u00eanero. De fato, como demonstrou o breve panorama hist\u00f3rico, essas campanhas re\u00fanem um conjunto amplo e diverso de atores, desde membros da hierarquia cat\u00f3lica at\u00e9 pol\u00edticos e funcion\u00e1rios p\u00fablicos, que atuam atualmente em diferentes \u00e1reas. Com base em observa\u00e7\u00f5es semelhantes, essas met\u00e1foras sugerem que as pol\u00edticas antig\u00eanero s\u00e3o um fen\u00f4meno complexo que desafia a explica\u00e7\u00e3o monocausal e as pretens\u00f5es de universalidade te\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ambas as met\u00e1foras tamb\u00e9m insistem na plasticidade e na adaptabilidade das pol\u00edticas antig\u00eanero. Essas s\u00e3o duas caracter\u00edsticas cruciais para compreender sua dissemina\u00e7\u00e3o e sucesso. Tal como a criatura de Frankenstein, as mobiliza\u00e7\u00f5es vivem e desenvolvem-se independentemente dos seus criadores, interagindo e evoluindo em resposta a diversos intervenientes e ambientes, que elas \u2013 por sua vez \u2013 tamb\u00e9m influenciam, informam e transformam. Vistas dessa forma, as mobiliza\u00e7\u00f5es antig\u00eanero n\u00e3o est\u00e3o estritamente delimitadas das ecologias com as quais interagem. Juntamente com seus diferentes ambientes, elas comp\u00f5em um conjunto cada vez mais fluido e complexo de ecossistemas que apoiam o transporte de repert\u00f3rios de conten\u00e7\u00e3o, aprendizado e enquadramentos de um ambiente para outro em escala e velocidade, em uma mir\u00edade de ambientes, de in\u00fameras maneiras. Esses complexos conjuntos de din\u00e2micas s\u00e3o bem capturados por Cesarino (2023) ao analisar a pol\u00edtica da ultradireita no Brasil ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o presidencial de 2022. Seu argumento \u00e9 que, em momentos-chave, os movimentos dessas for\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o facilmente rastre\u00e1veis \u00e0s rela\u00e7\u00f5es entre atores e institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas discretas, mas seguem o ritmo do sistema coemergente ou da ecologia que, juntos, esses atores formam.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Al\u00e9m da rea\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As pol\u00edticas antig\u00eanero atuais s\u00e3o muito diferentes dos ataques passados \u00e0s estruturas legais e pol\u00edticas relacionadas a g\u00eanero e sexualidade. Diante de algo novo, acad\u00eamicos e observadores rapidamente fizeram suposi\u00e7\u00f5es sobre a natureza do fen\u00f4meno e seu funcionamento. Duas leituras de campanhas antig\u00eanero coexistem na literatura, insistindo na natureza reativa ou produtiva desse fen\u00f4meno. A primeira leitura apresenta as campanhas antig\u00eanero como uma tentativa de conter o avan\u00e7o dos direitos das mulheres e LGBTI, buscando retroceder, empurrando as mulheres de volta para a cozinha e as pessoas LGBTI para o arm\u00e1rio. Frequentemente capturada pela no\u00e7\u00e3o de rea\u00e7\u00e3o, essa perspectiva se baseia na suposi\u00e7\u00e3o de que o imp\u00e9rio heteropatriarcal sempre contra-ataca. Definindo as campanhas antig\u00eanero por seu car\u00e1ter oposicionista, ela interpreta esses ataques como uma resposta a reivindica\u00e7\u00f5es ativistas, ao progresso jur\u00eddico e ao desenvolvimento de pol\u00edticas nas \u00e1reas de g\u00eanero e sexualidade. Essa abordagem, por vezes, levou autores a interpretar qualquer forma de oposi\u00e7\u00e3o conservadora \u00e0 igualdade de g\u00eanero e sexual como antig\u00eanero e a insistir em uma converg\u00eancia entre ataques sexistas, homof\u00f3bicos, nacionalistas e racistas sob a bandeira de agendas de direita.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa abordagem tem sido criticada por diversas raz\u00f5es. Conceitualmente, ela se baseia em uma compreens\u00e3o bastante mec\u00e2nica da hist\u00f3ria e em uma compreens\u00e3o das pol\u00edticas feministas e LGBTI como privil\u00e9gios necessariamente amea\u00e7adores. Frequentemente, ecoa concep\u00e7\u00f5es teleol\u00f3gicas e lineares da no\u00e7\u00e3o de progresso, que colocam os oponentes na escurid\u00e3o do passado e ignoram a diversidade interna de ambos os lados, refor\u00e7ando uma oposi\u00e7\u00e3o bin\u00e1ria entre &#8220;n\u00f3s&#8221; e &#8220;eles&#8221;. Empiricamente, ela contraria a diversidade das campanhas antig\u00eanero em campo. Baseia-se excessivamente em mecanismos causais que pressup\u00f5em a ideia de que a a\u00e7\u00e3o progressista necessariamente precede e desencadeia a rea\u00e7\u00e3o conservadora, ignorando a natureza potencialmente preventiva dos ataques conservadores. Por fim, pode impedir que os atores enxerguem o panorama geral e construam alian\u00e7as mais amplas, al\u00e9m de levar a formas de autocensura. Por exemplo, algumas atrizes feministas sugeriram o abandono do termo &#8220;g\u00eanero&#8221; para diminuir a oposi\u00e7\u00e3o, por exemplo, em rela\u00e7\u00e3o aos ataques \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o de Istambul.<\/p>\n\n\n\n<p>Contra essa compreens\u00e3o, diversos autores t\u00eam insistido na dimens\u00e3o criativa ou produtiva das a\u00e7\u00f5es e campanhas antig\u00eanero. Eles acreditam que a narrativa da rea\u00e7\u00e3o leva acad\u00eamicos, observadores e profissionais a estudar o que est\u00e1 sob ataque e n\u00e3o lhes permite enxergar que os ataques aos direitos das mulheres ou LGBTI fazem parte de um projeto mais amplo, que busca estabelecer uma nova ordem pol\u00edtica \u2013 menos liberal e menos democr\u00e1tica. Em outras palavras, esses ataques n\u00e3o visam apenas ou principalmente destruir ou desmantelar leis e pol\u00edticas progressistas nas \u00e1reas de g\u00eanero e sexualidade, mas tamb\u00e9m construir algo novo. O projeto por tr\u00e1s dessas mobiliza\u00e7\u00f5es vai muito al\u00e9m das rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, que s\u00e3o apenas um dos pilares dessa nova ordem. Em suma, essas batalhas cont\u00ednuas transformam o &#8220;g\u00eanero&#8221; em um s\u00edmbolo crucial e em um campo de batalha.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O papel do g\u00eanero<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para concluir, a natureza produtiva ou criativa das campanhas antig\u00eanero requer uma reflex\u00e3o mais aprofundada sobre o lugar e o significado do g\u00eanero nessas iniciativas pol\u00edticas. Uma das primeiras respostas foi oferecida com o conceito de \u201ccola simb\u00f3lica\u201d (Kov\u00e1ts e P\u00f5im 2015). Esse conceito enfatiza que o discurso antig\u00eanero re\u00fane sob um \u00fanico termo uma variedade de quest\u00f5es diferentes atribu\u00eddas \u00e0 agenda liberal. Al\u00e9m disso, afirma que a ret\u00f3rica antig\u00eanero cria antagonismo pol\u00edtico para os atores que buscam um projeto contra-hegem\u00f4nico e constr\u00f3i um novo senso comum. Em terceiro lugar, a estrutura da cola simb\u00f3lica permite a articula\u00e7\u00e3o de uma grande coaliz\u00e3o de atores heterog\u00eaneos, em particular, alimentando discursos e sentimentos antiliberais (Grzebalska e Pet\u0151 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Outros relatos foram apresentados pelos cientistas sociais Fernando Serrano Amaya, na Col\u00f4mbia, e Eva Fodor, na Hungria. Amaya (2017) utiliza a no\u00e7\u00e3o de &#8220;tempestade perfeita&#8221; para explicar o crescimento acelerado e o sucesso inesperado das campanhas antig\u00eanero em seu pa\u00eds. A ideia aqui \u00e9 que, isoladamente, combina\u00e7\u00f5es espec\u00edficas e conjunturais de fen\u00f4menos seriam administr\u00e1veis, mas que, quando combinadas em condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis, produzem efeitos inesperados. Serrano Amaya aplica esse modelo ao acordo de paz colombiano de 2016 para mostrar como a ret\u00f3rica da ideologia de g\u00eanero permitiu que atores espec\u00edficos articulassem grupos distintos e constru\u00edssem um novo p\u00fablico para a pol\u00edtica conservadora. Mais recentemente, em um estudo sobre o novo regime de g\u00eanero h\u00fangaro, Eva Fodor demonstra que a discuss\u00e3o p\u00fablica sobre g\u00eanero na Hungria lida menos com pol\u00edticas para as mulheres ou rela\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres do que com quest\u00f5es como migra\u00e7\u00e3o, Uni\u00e3o Europeia, sexualidade ou George Soros (Fodor, 2022, pp. 17-19). Essa observa\u00e7\u00e3o a leva a argumentar que o g\u00eanero foi transformado &#8220;em um grito de guerra pol\u00edtico fren\u00e9tico&#8221; (Fodor 2022, p. 16) e que a ret\u00f3rica antig\u00eanero opera primeiro como uma estrat\u00e9gia para construir um inimigo e se mobilizar contra ele, e depois como um ve\u00edculo para o avan\u00e7o de ideias antiliberais mais amplas.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos esses exemplos demonstram que as campanhas antig\u00eanero n\u00e3o s\u00e3o apenas uma rea\u00e7\u00e3o contra certas reivindica\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas, mas tamb\u00e9m uma utiliza\u00e7\u00e3o do conceito de g\u00eanero para atingir outros objetivos. Longe de ser apenas um elemento de liga\u00e7\u00e3o, &#8220;g\u00eanero&#8221; tamb\u00e9m pode ser visto como um sinal de alerta para mobilizar diferentes grupos e alcan\u00e7ar novos p\u00fablicos, e como uma palavra-c\u00f3digo que leigos identificam, compreendem e associam automaticamente a debates e quest\u00f5es mais amplas. Tudo isso nos remete \u00e0 dupla natureza do g\u00eanero, como apontada por Joan W. Scott h\u00e1 mais de 30 anos. Segundo a historiadora feminista, g\u00eanero n\u00e3o \u00e9 apenas &#8220;um elemento constitutivo das rela\u00e7\u00f5es sociais baseadas nas diferen\u00e7as percebidas entre os sexos&#8221;, mas tamb\u00e9m &#8220;uma forma prim\u00e1ria de significar rela\u00e7\u00f5es de poder&#8221; (Scott 1986, p. 1067), bem como &#8220;um campo prim\u00e1rio dentro do qual ou por meio do qual o poder \u00e9 articulado&#8221; (Scott 1986, p. 1069). Isso levou v\u00e1rios autores, incluindo a pr\u00f3pria Scott (2022), a postular que um discurso sobre g\u00eanero n\u00e3o se refere apenas ao g\u00eanero, mas tamb\u00e9m a rela\u00e7\u00f5es mais amplas de poder, incluindo ra\u00e7a, religi\u00e3o, classe e nacionalidade, bem como um discurso sobre autoridade e democracia (Viveros Vigoya 2017; Paternotte 2023).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>1&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O uso e o impacto desse link variam entre os contextos, mas continuam sendo relevantes, de diferentes maneiras, em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, na Espanha, nos EUA e em v\u00e1rios estados p\u00f3s-socialistas da Europa Central e Oriental.<\/p>\n\n\n\n<p>2&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por exemplo, as <em>Considera\u00e7\u00f5es sobre as propostas para dar reconhecimento legal \u00e0s uni\u00f5es entre pessoas homossexuais<\/em> (2003) e <em>a Carta aos Bispos sobre a colabora\u00e7\u00e3o do homem e da mulher na Igreja e no mundo<\/em> (2004), emitidas pela Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, e o <em>L\u00e9xico: termos amb\u00edguos e discut\u00edveis sobre a vida familiar e quest\u00f5es \u00e9ticas<\/em> (2003), publicado pela primeira vez em italiano pelo Pontif\u00edcio Conselho para a Fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>3&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Atores dos EUA t\u00eam exportado a guerra antig\u00eanero desde o in\u00edcio, mas este pa\u00eds, at\u00e9 muito recentemente, n\u00e3o tinha experimentado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este texto \u00e9 um cap\u00edtulo e publicado no Routledge Handbook of Sexuality, Gender,<br \/>\nHealth and Rights (Manual Routledge sobre Sexualidade, G\u00eanero, Sa\u00fade e 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