{"id":27265,"date":"2024-10-31T16:41:51","date_gmt":"2024-10-31T19:41:51","guid":{"rendered":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/?p=27265"},"modified":"2025-07-17T11:22:40","modified_gmt":"2025-07-17T14:22:40","slug":"serie-termos-ambiguos-3-racismo-reverso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/multimidia\/serie-termos-ambiguos-3-racismo-reverso\/27265","title":{"rendered":"S\u00e9rie Termos Amb\u00edguos \u2013 #3 \u2013 Racismo Reverso"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1080\" height=\"1080\" src=\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/07\/capa-racismo-reverso.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-27256\" srcset=\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/07\/capa-racismo-reverso.jpeg 1080w, https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/07\/capa-racismo-reverso-800x800.jpeg 800w, https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/07\/capa-racismo-reverso-500x500.jpeg 500w, https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/07\/capa-racismo-reverso-768x768.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\"><strong><a href=\"https:\/\/www.oxigenio.comciencia.br\/serie-termos-ambiguos-3-racismo-reverso\/\">Ou\u00e7a aqui<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 o terceiro epis\u00f3dio da s\u00e9rie Termos Amb\u00edguos, baseada na publica\u00e7\u00e3o \u201cTermos amb\u00edguos do debate pol\u00edtico atual: pequeno dicion\u00e1rio que voc\u00ea n\u00e3o sabia que existia\u201d. O termo tratado neste epis\u00f3dio \u00e9 Racismo Reverso. A partir do que a professora da UFRJ F\u00e1tima Lima escreveu no dicion\u00e1rio, e de entrevistas realizadas com a diretora executiva da ONG Koinonia, Ana Gualberto, da jornalista, diretora da consultoria Ser Antirracista, Paula Batista e do advogado Thiago Amparo, este podcast traz a resposta \u00e0 pergunta: Racismo Reverso existe?<\/p>\n\n\n\n<p>_____________________<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Daniel Faria<\/strong>: Em janeiro deste ano, no estado de Alagoas, um homem negro virou r\u00e9u em a\u00e7\u00e3o de inj\u00faria racial movida por um cidad\u00e3o italiano branco. O italiano prestou queixa-crime ap\u00f3s ser chamado de, entre aspas, cabe\u00e7a europeia e escravagista, pelo r\u00e9u, e teve a den\u00fancia aceita pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico daquele estado, com base na lei N\u00b0 14.532, de 2023, que tipifica o crime racial. Por\u00e9m, no artigo de n\u00famero 20 desta lei consta que o juiz deve considerar como discriminat\u00f3ria qualquer atitude ou tratamento dado \u00e0 pessoa ou a grupos minorit\u00e1rios que causem constrangimento, humilha\u00e7\u00e3o, vergonha, medo ou exposi\u00e7\u00e3o indevida, e que usualmente n\u00e3o se dispensaria a outros grupos em raz\u00e3o da cor, etnia, religi\u00e3o ou proced\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tatiane Amaral<\/strong>: Essa nota foi publicada no portal de not\u00edcias antirrascista Not\u00edcia Preta. Os coment\u00e1rios que seguem a nota s\u00e3o bastante indignados, como n\u00e3o poderia deixar de ser. Um disse: \u201cs\u00f3 faltou o italiano ser minoria para a den\u00fancia ter sentido, n\u00e9?\u201d. Outra pessoa afirmou: \u201cNada a ver o uso dessa lei para defender colonizador\u201d. Segundo a defesa do homem negro, \u201cAo usar a lei para punir um homem negro de suposto racismo cometido contra um homem branco, de origem europeia, a a\u00e7\u00e3o admite a exist\u00eancia do \u2018racismo reverso\u2019. Isso representa uma verdadeira aberra\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, nas palavras do advogado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Daniel<\/strong>: Ta\u00ed, a gente chegou ao tema deste epis\u00f3dio: Racismo reverso. Mas, ser\u00e1 que isso existe? Faz sentido essa express\u00e3o cada vez mais propagada por vozes racistas ou de extrema direita no Brasil e em outros pa\u00edses? Eu sou o Daniel Faria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tatiane<\/strong>: E eu sou a Tatiane Amaral. E esta \u00e9 a s\u00e9rie Termos Amb\u00edguos, que traz a cada epis\u00f3dio a explica\u00e7\u00e3o de uma categoria das muitas popularizadas pelos discursos da extrema direita em anos recentes. Essas categorias s\u00e3o analisadas nos verbetes da publica\u00e7\u00e3o \u201cTermos amb\u00edguos do debate pol\u00edtico atual: pequeno dicion\u00e1rio que voc\u00ea n\u00e3o sabia que existia\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Daniel<\/strong>: Esta s\u00e9rie \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o do Observat\u00f3rio de Pol\u00edtica e Sexualidade, da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira Interdisciplinar de Aids, e do podcast Oxig\u00eanio, do Laborat\u00f3rio de Estudos Avan\u00e7ados em Jornalismo, da Unicamp.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos falar sobre racismo reverso, mas n\u00e3o d\u00e1 pra falar desse assunto sem antes falar de RACISMO, que o dicion\u00e1rio Aur\u00e9lio define como preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o direcionados a algu\u00e9m em raz\u00e3o de sua origem \u00e9tnico-racial. Embora essa defini\u00e7\u00e3o seja aparentemente neutra, ela se refere \u00e0 opress\u00e3o e \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o que resultam da ideologia ou cren\u00e7a na superioridade da ra\u00e7a branca sobre as demais. Ou pr\u00e1ticas de subordina\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o baseadas na cor da pele ou origem \u00e9tnica das pessoas \u201cn\u00e3o brancas\u201d. Ou seja, o questionamento do racismo \u00e9 o questionamento de uma longa hist\u00f3ria de opress\u00e3o, desigualdade e injusti\u00e7as s\u00f3cio-raciais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tatiane:&nbsp;<\/strong>H\u00e1 muito tempo as pessoas negras e de outras etnias t\u00eam interrogado de frente as teses da superioridade branca que est\u00e1 na origem da escravid\u00e3o moderna. O combate ao racismo \u00e9 antigo, e parece n\u00e3o ter fim, porque o racismo parece n\u00e3o ter fim. Desde o s\u00e9culo 18, pelo menos, a cr\u00edtica ao racismo elaborada por autores e autoras negras tem sido fundamental para nutrir a luta antirracista em todo mundo. S\u00e3o exemplos o ex escravizado&nbsp;Olaudah Equiano que lutou pela aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o na Gr\u00e3 Bretanha, no s\u00e9culo 18, assim como Frederick Douglas e Luis Gama, intelectuais abolicionistas do s\u00e9culo 19, nos EUA e no Brasil.&nbsp; Mais perto de n\u00f3s, temos&nbsp;o movimento Black Power e os Panteras Negras, nos Estados Unidos, mas tamb\u00e9m o Movimento Negro Unificado no Brasil, cujas vozes intelectuais mais conhecidas foram Abdias do Nascimento e Lelia Gonz\u00e1lez. N\u00e3o fossem essas lutas, estar\u00edamos ainda mais longe de alcan\u00e7ar a igualdade racial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Daniel<\/strong>: \u00c9 Tati, mas nem todos compartilham a ideia de que pessoas negras&nbsp; \u2013 ou de outras etnias tenham os mesmos direitos que as pessoas brancas. Isso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma\u00e7\u00e3o escolar, emprego, moradia, bens, acesso \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o superior e tudo o mais que tem sido garantido \u00e0s pessoas brancas desde sempre. Na verdade, foi quando se anunciaram medidas do estado e de outras institui\u00e7\u00f5es para promover a igualdade racial que surgiu essa acusa\u00e7\u00e3o de Racismo Reverso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tatiane<\/strong>: Conversamos com Ana Gualberto, que \u00e9&nbsp;mestra em Cultura e Sociedade pela Universidade Federal da Bahia e Hist\u00f3ria pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Ela tamb\u00e9m \u00e9 diretora Executiva de Koinonia, organiza\u00e7\u00e3o cuja miss\u00e3o \u00e9 mobilizar a solidariedade ecum\u00eanica e prestar servi\u00e7os a grupos hist\u00f3rica e culturalmente vulner\u00e1veis e pessoas em processo de emancipa\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica. Segundo ela:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ana Gualberto<\/strong>:&nbsp;Racismo reverso n\u00e3o existe \u00e9 uma grande fal\u00e1cia quando a gente come\u00e7a a pensar num racismo, numa possibilidade de aplicar a condi\u00e7\u00e3o do racismo de uma forma inversa para pessoas que n\u00e3o sejam negras ou de povos origin\u00e1rios. A gente vai pensar que o racismo \u00e9 um sistema de controle e de diminui\u00e7\u00e3o da humanidade de pessoas n\u00e3o brancas, ent\u00e3o a gente t\u00e1 partindo de um pressuposto que existe o ser humano e existem uns n\u00e3o humanos. Ent\u00e3o como que a gente vai aplicar isso de forma reversa? S\u00f3 se a gente ser\u00e1 se a humanidade e voltar a todos os processos para que os povos negros os povos origin\u00e1rios se sentissem num processo de superioridade com rela\u00e7\u00e3o aos caucasianos e isso n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de acontecer. N\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es da gente aplicar com pessoas brancas, n\u00e9, com essa parcela da sociedade, tudo que aconteceu historicamente, socialmente com essas popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o brancas. \u00c9 imposs\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tatiane<\/strong>: A professora F\u00e1tima Lima \u00e9 antrop\u00f3loga e professora associada do Centro Multidisciplinar da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Centro Federal de Educa\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica, tamb\u00e9m do Rio. Ela foi a autora do verbete Racismo Reverso no Dicion\u00e1rio de Termos Amb\u00edguos, no qual contou&nbsp; a hist\u00f3ria dessa categoria, mostrando que de fato surgiu no \u00e2mbito dos movimento anti racistas norte americanos, para depois ser desfigurada por setores da sociedade que se opunham a demandas por direitos civis e justi\u00e7a racial. Vamos ouvir esse trecho do texto na voz de Simone Pallone.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Simone Pallone:<\/strong>&nbsp;\u201cNo in\u00edcio dos anos 1960, o termo racismo negro foi usado quase que exclusivamente pela comunidade negra para nomear quest\u00f5es internas ao movimento negro envolvido na luta por direitos civis. Por exemplo, discuss\u00f5es sobre se a comunidade negra deveria sempre votar num candidato negro, ou se ser negra ou negro era condi\u00e7\u00e3o imprescind\u00edvel para que uma pessoa merecesse o voto da comunidade. A pergunta que se fazia era: n\u00e3o ser\u00e1 isso uma outra forma de racismo?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No final dos anos de 1960 e in\u00edcio dos anos de 1970, por\u00e9m, houve uma virada no uso do termo. Isso aconteceu por conta da intensifica\u00e7\u00e3o das revoltas contra o racismo. Essas mobiliza\u00e7\u00f5es j\u00e1 come\u00e7avam a alterar as rela\u00e7\u00f5es de poder entre pessoas brancas e negras. A partir desse momento, tanto nas rela\u00e7\u00f5es cotidianas quanto na m\u00eddia, o termo \u201cracismo reverso\u201d passou a ser usado por pessoas brancas contra militantes negras e negros, principalmente do movimento black power\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Daniel<\/strong>: No Brasil, esse termo apareceu mais tarde, em parte motivado pelas primeiras pol\u00edticas de repara\u00e7\u00e3o racial. A Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, por exemplo, aprovada no ano em que a aboli\u00e7\u00e3o formal da escravid\u00e3o completava 100 anos, adotou princ\u00edpios de igualdade e n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o, assim como o direito da popula\u00e7\u00e3o quilombola \u00e0s terras que ocupavam. Mais tarde,em 2003, foi criado o Dia Nacional da Consci\u00eancia Negra, em 2010 foi aprovado o Estatuto da Igualdade Racial e, em 2012, foi sancionada a Lei de Cotas para o Ensino Superior.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tatiane<\/strong>: A partir dessas transforma\u00e7\u00f5es, pessoas brancas passam a recorrer \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o de \u201cracismo reverso\u201d sempre que seus privil\u00e9gios se veem questionados ou diminu\u00eddos. Um caso recente que teve grande visibilidade foi o ataque ao programa de&nbsp;<em>trainees<\/em>&nbsp;da rede de lojas Magazine Lu\u00edza, criado em 2021 para capacitar pessoas negras. A iniciativa gerou cr\u00edticas e debates na m\u00eddia, nas redes sociais e at\u00e9 mesmo no \u00e2mbito jur\u00eddico, tendo sido qualificada por v\u00e1rias vozes como racismo reverso. Ou seja, um programa que seria discriminat\u00f3rio das pessoas brancas. Houve at\u00e9 quem defendesse que poderia ser considerado anticonstitucional por supostamente violar o artigo Quinto da Constitui\u00e7\u00e3o, que trata de viola\u00e7\u00f5es aos direitos e liberdades fundamentais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Daniel<\/strong>: O programa&nbsp;da Magalu foi denunciado ao Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho. Nas den\u00fancias, alegava-se que as pessoas brancas haviam sido discriminadas pelo edital do programa. A Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o, que&nbsp; naquele momento era dirigida por uma pessoa indicada pelo ent\u00e3o presidente Bolsonaro, abriu uma a\u00e7\u00e3o contra a empresa, acusando-a de&nbsp;estar fazendo \u201cmarketing de lacra\u00e7\u00e3o\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tatiane<\/strong>: \u00c9, mas apesar do desgaste, prevaleceu a raz\u00e3o, ou seja o princ\u00edpio de que o racismo est\u00e1 sempre associado a privil\u00e9gios. Em reportagem publicada no site Conjur, a advogada&nbsp;Christiany Pegorari&nbsp;Conte,&nbsp; professora de Direito e Processo Penal da PUC-Campinas, argumentou que o Programa Magalu n\u00e3o tinha como objetivo impedir outras ra\u00e7as ou etnias de serem contratadas, mas sim, de corrigir a desigualdade racial de acesso \u00e0 oportunidades de trabalho. Desde ent\u00e3o, outras empresas t\u00eam oferecido programas semelhantes voltados 100% para pessoas negras ou com parte das vagas para pretos e pardos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Daniel<\/strong>:&nbsp;Mesmo que as a\u00e7\u00f5es ou pol\u00edticas afirmativas sejam fundamentais, justas e urgentes, h\u00e1 gente que n\u00e3o concorda com elas. O caso da Magalu \u00e9 um exemplo disso, provocando, inclusive,&nbsp; uma busca intensa pelo termo Racismo Reverso nas plataformas da internet. A gente sabe que h\u00e1 muitos casos em que pessoas negras s\u00e3o preteridas em vagas de emprego, mas ningu\u00e9m se escandaliza. E quando surge um programa de repara\u00e7\u00e3o dessa injusti\u00e7a, as den\u00fancias explodem. \u00c9 muito dif\u00edcil aceitar isso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tatiane<\/strong>: Outra situa\u00e7\u00e3o mais ou menos recente aconteceu numa edi\u00e7\u00e3o do Programa Big Brother Brasil, da Rede Globo. Uma&nbsp; participante negra foi acusada de praticar RACISMO REVERSO porque chamou a colega de casa de \u201cdesbotada e sem melanina\u201d. Esse caso, assim como o da Magalu, s\u00e3o citados no verbete do Dicion\u00e1rio de Termos Amb\u00edguos.<\/p>\n\n\n\n<p>E a\u00ed eu me pergunto: \u00e9 importante saber o que diz a Legisla\u00e7\u00e3o sobre Racismo? O crime de racismo previsto na Lei 7.716, de 1989 pode ser aplicado a uma pessoa negra? Como essa quest\u00e3o legal \u00e9 tratada no Dicion\u00e1rio de Termos Amb\u00edguos, Daniel?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Daniel<\/strong>: O dicion\u00e1rio relembra que a partir dos anos 1980 a ideologia da democracia racial come\u00e7ou a ser contestada mais sistematicamente pelos movimentos negros no Brasil. Expostas as realidades do racismo no pa\u00eds, o passo seguinte foi consolidar leis e pol\u00edticas p\u00fablicas de reconhecimento, repara\u00e7\u00e3o e restitui\u00e7\u00e3o \u00e0s comunidades negras e seus descendentes. S\u00e3o exemplos a Lei 7.716, de 1989, conhecida como a Lei Ca\u00f3, e a Lei 9.459, de 2013. Essas duas leis ampliaram as defini\u00e7\u00f5es de outra j\u00e1 existente desde 1951, que era a Lei Afonso Arinos, que tratava dos crimes resultantes de preconceito de ra\u00e7a ou de cor. Entre um momento e outro, foi aprovado o Estatuto da Igualdade Racial, que \u00e9 a Lei 12.288, de 2010. Ao contr\u00e1rio dos dispositivos legais anteriores, o Estatuto Racial n\u00e3o \u00e9 punitivo, mas reconhece a desigualdade racial como estruturante e estabelece diretrizes de pol\u00edticas para sua corre\u00e7\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o \u00e0s comunidades negras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tatiane<\/strong>: O fato \u00e9 que o Brasil \u00e9 bem amparado legalmente. Mas como observa Ana Gualberto, existe um abismo entre ter a lei e aplic\u00e1-la:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ana<\/strong>: Do mesmo jeito que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds maravilhoso em confec\u00e7\u00e3o de leis, em constru\u00e7\u00e3o de leis, ele \u00e9 absurdamente do n\u00e3o cumprimento das leis. A gente n\u00e3o tem pessoas cumprindo senten\u00e7a de crime de racismo. A gente n\u00e3o tem uma lei que, inclusive foi ampliada agora a lei ca\u00f4, n\u00e9 para inj\u00faria racial, mas essa lei, ela n\u00e3o \u00e9 aplicada e a gente n\u00e3o consegue aplicabilidade da legisla\u00e7\u00e3o desde a sua base, quando a gente chega nas delegacias para fazer o registro de um crime de racismo, um crime de inj\u00faria racial, no crime de intoler\u00e2ncia religiosa, de \u00f3dio religioso. A gente j\u00e1 tem ali uma barreira para o registro disso, ent\u00e3o o processo de judicializa\u00e7\u00e3o, ele praticamente inexistente no Brasil com rela\u00e7\u00e3o a isso. O que muitas vezes a gente vai conseguir quando s\u00e3o casos que envolvem comunidades \u00e9 uma recomenda\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico \u00e9 uma entrega de cesta b\u00e1sica, s\u00f3 que isso n\u00e3o resolve. Na organiza\u00e7\u00e3o onde eu trabalho a gente monitora crime de intoler\u00e2ncia e \u00f3dio religioso. A gente faz esse monitoramento desses casos e a gente v\u00ea, ou n\u00e3o, a n\u00e3o judicializa\u00e7\u00e3o desses casos, como isso n\u00e3o avan\u00e7a no processo, ent\u00e3o o que que voc\u00ea denuncia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Daniel<\/strong>: \u00c9 incr\u00edvel ouvir essa fala da Ana porque certamente n\u00e3o adianta ter uma legisla\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 implementada, fiscalizada, e que n\u00e3o exige alguma repara\u00e7\u00e3o a quem pratica o crime de racismo. Esse processo s\u00f3 dificulta o combate ao racismo. Mas temos que vislumbrar alguma possibilidade de mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ana Gualberto<\/strong>: E a\u00ed, pensando na quest\u00e3o da lei de cotas, quando a lei de cotas \u00e9 criada, ela \u00e9 criada numa perspectiva transit\u00f3ria. Perspectiva da implementa\u00e7\u00e3o da lei de cotas \u00e9 que haja uma melhora na qualidade de ensino p\u00fablico e no processo de desigualdades raciais dentro do pa\u00eds para que a gente ofere\u00e7a as mesmas condi\u00e7\u00f5es e que a gente vire de um momento e fale que realmente n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias cotas porque a gente tem as mesmas oportunidades, s\u00f3 que isso n\u00e3o avan\u00e7a. Enquanto isso n\u00e3o avan\u00e7ar. Vai ser necess\u00e1rio a gente ter cota sim vai ser necess\u00e1rio e a gente precisava ampliar, inclusive \u00e9 muito complexo no Brasil&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Daniel<\/strong>: Ana lembra por exemplo que, muitas vezes, pessoas brancas usam as cotas de concursos p\u00fablicos dentro das Universidades de forma fraudulenta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tatiane<\/strong>: Apesar dos poss\u00edveis desvios do objetivo, e de pessoas fraudarem o sistema de cotas, as pol\u00edticas afirmativas s\u00e3o necess\u00e1rias para come\u00e7armos a corrigir essa distor\u00e7\u00e3o de direitos na nossa sociedade. A popula\u00e7\u00e3o negra no pa\u00eds \u00e9 de 55%. S\u00e3o pessoas que se auto identificam como pretas ou pardas. E essa identifica\u00e7\u00e3o \u00e9, por sua vez, fruto dos movimentos de valoriza\u00e7\u00e3o da cultura ancestral afrodescendente, das pol\u00edticas p\u00fablicas de repara\u00e7\u00e3o, das leis contra o racismo e do conhecimento produzido nas universidades sobre negritude. A sociedade cada vez mais valoriza a cultura negra como uma cultura plural, diversa e que acolhe outras. Vemos mais pessoas negras fazendo sucesso, ocupando cargos importantes, se formando nas universidades, e essas conquistas fazem toda a diferen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Daniel<\/strong>: Tamb\u00e9m conversamos com a jornalista Paula Batista, mestra em Divulga\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica e Cultural, coordenadora de um projeto muito interessante: a SerAntirracista, uma consultoria sobre a qual ela nos contou muitas coisas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Paula Batista:&nbsp;<\/strong>Bom, a Ser antirracista \u00e9 uma consultoria de diversidade, equidade e inclus\u00e3o racial com foco no letramento racial e na educa\u00e7\u00e3o antiracista e voltado pra a\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o todas as nossas iniciativas buscam fazer com que a pessoa possa refletir sobre os temas e, a partir disso, tamb\u00e9m agir no seu cotidiano, aonde est\u00e1, contra o racismo. N\u00f3s atendemos escolas, empresas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Daniel<\/strong>: A Paula nos disse que a consultoria tamb\u00e9m \u00e9 certificadora do Pacto de Promo\u00e7\u00e3o da Equidade Racial, iniciativa de uma associa\u00e7\u00e3o do mesmo nome que se prop\u00f5e a implementar um Protocolo ESG Racial para o Brasil. ESG pra quem n\u00e3o sabe, n\u00e3o conhece, \u00e9 a sigla em ingl\u00eas para Ambiente, Social e Governan\u00e7a, um modelo a ser aplicado pelas empresas privadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Paula<\/strong>: \u201cEnt\u00e3o o pacto, ele nasceu no ano de 2022, e chama pacto de promo\u00e7\u00e3o da equidade racial. Ele vai olhar tanto para os n\u00edveis de diretoria, ger\u00eancia e lideran\u00e7a. E a partir da\u00ed ent\u00e3o o trabalho da certificadora \u00e9 verificar se esses dados que foram inseridos na plataforma s\u00e3o reais mesmo. A gente tamb\u00e9m calcula as a\u00e7\u00f5es que essa empresa est\u00e1 realizando, tanto de a\u00e7\u00f5es afirmativas internas quanto de investimento social privado para a comunidade, e para que acelere essa equidade racial dentro da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tatiane<\/strong>: Como diz a Paula, sem essa iniciativa a probabilidade de se ter uma equidade racial dentro dos n\u00edveis hier\u00e1rquicos das empresas no Brasil era de 100 anos, e com o pacto h\u00e1 a expectativa de alcan\u00e7ar esse objetivo em 20 anos nas empresas. O que j\u00e1 \u00e9 um avan\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Daniel<\/strong>: A Paula destaca que o pacto tamb\u00e9m est\u00e1 criando um \u00edndice focado nas mulheres negras dentro das empresas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Paula<\/strong>: A gente sabe que existe uma interseccionalidade entre ra\u00e7a e g\u00eanero. \u00c9 poss\u00edvel identificar que as mulheres negras sempre est\u00e3o em desvantagem, os piores sal\u00e1rios e piores n\u00edveis hier\u00e1rquicos, n\u00e9? Ent\u00e3o, a gente tem mulheres brancas com maior n\u00famero de forma\u00e7\u00f5es nas universidades e em seguida v\u00eam as mulheres negras. Ent\u00e3o, j\u00e1 foi o tempo em que se acreditava que n\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos forma\u00e7\u00e3o para ocupar esses cargos. Hoje, n\u00f3s j\u00e1 temos forma\u00e7\u00e3o, mas as empresas precisam amadurecer esse olhar e refletir para que haja a contrata\u00e7\u00e3o dessas mulheres nos cargos, principalmente de lideran\u00e7a.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tatiane<\/strong>: E essa experi\u00eancia do pacto leva a outras a\u00e7\u00f5es, serve de est\u00edmulo. Como comenta nossa entrevistada, ver empresas privadas de sucesso adotando a\u00e7\u00f5es para a promo\u00e7\u00e3o da equidade racial estimula a popula\u00e7\u00e3o negra a estudar, se formar e lutar por posi\u00e7\u00f5es melhores. Tamb\u00e9m mobiliza a cobran\u00e7a de outras institui\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Paula<\/strong>: Ent\u00e3o, tem alguns movimentos de analisar a quest\u00e3o das cotas no servi\u00e7o p\u00fablico. Alguns estados j\u00e1 t\u00eam isso implementado. O que eu digo \u00e9 que \u00e9 um caminho sem volta. Ent\u00e3o voc\u00ea j\u00e1 tem esse movimento criado, j\u00e1 tem essas a\u00e7\u00f5es que j\u00e1 est\u00e3o sendo feitas, eu acredito que cada vez mais isso vai sendo amadurecido e, sim, as empresas que j\u00e1 t\u00eam esse compromisso social, de responsabilidade social, vai cobrar tamb\u00e9m das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas esse compromisso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Daniel<\/strong>: A educa\u00e7\u00e3o antirracista e a luta antirracista s\u00e3o modos de dar visibilidade \u00e0 brutalidade do racismo e nos fazem entender que n\u00e3o d\u00e1 pra dizer que n\u00e3o tem racismo no pa\u00eds. J\u00e1 o racismo reverso, voltando ao ponto principal do epis\u00f3dio, n\u00e3o tem como existir. Aqui ouvimos a Paula de novo:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Paula<\/strong>: \u00c9&nbsp;imposs\u00edvel que a gente possa conceber uma ideia como essa porque, para que o racismo fosse, vamos dizer, reverso, a gente precisaria mudar totalmente a nossa hist\u00f3ria. Ent\u00e3o, os africanos escravizassem os europeus e trouxessem para c\u00e1. E a\u00ed se os europeus brancos fossem escravizados e fosse feita toda a barbaridade que foi feita e toda a viol\u00eancia que foi feita. E a\u00ed, a liberta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, da forma como foi feita, sem nenhum direito, sem nenhuma garantia de vida e trabalho, sem nenhum Direito Civil garantido para essa popula\u00e7\u00e3o. E nenhuma repara\u00e7\u00e3o humana feita pra essas pessoas. E a\u00ed essas pessoas assim vivenciariam uma sociedade em que elas s\u00e3o exclu\u00eddas. Isso seria um cen\u00e1rio de racismo reverso. Ent\u00e3o, a gente teria que voltar na hist\u00f3ria para que existisse isso, por que o que a gente fala isso? Porque as pessoas entendem o racismo como uma discrimina\u00e7\u00e3o simples, e o racismo n\u00e3o \u00e9 isso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tatiane<\/strong>: Ana Gualberto complementa falando do papel dos meios de comunica\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o da sociedade e na luta por espa\u00e7os iguais para todes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ana<\/strong>:&nbsp;Eu sou uma pessoa muito otimista, t\u00e1? Eu acredito que eu n\u00e3o vou alcan\u00e7ar isso, mas espero que outras gera\u00e7\u00f5es alcancem, mas eu quero trazer uma quest\u00e3o que eu acho que a gente tem que estar muito atento, n\u00e9? Eu tenho 47 anos e eu lutei muito. Eu queria muito ser Paquita, mas eu n\u00e3o podia ser paquita, n\u00e9? Nunca fui paquita. Vamos pensar o que a gente tem visto hoje. Quando a gente abre a televis\u00e3o, os meios de comunica\u00e7\u00e3o, a gente vai ver pessoas negras, gays, e isso \u00e9 um avan\u00e7o, porque a gente lutou muito para isso.<br>Mas isso \u00e9 longe da gente destruir a estrutura racista. Isso ainda t\u00e1 muito longe e eu acho de verdade que para que a gente consiga reverter esse quadro, a gente precisa que os meios de comunica\u00e7\u00e3o, eles t\u00eam uma participa\u00e7\u00e3o das grandes empresas de comunica\u00e7\u00e3o que det\u00eam a comunica\u00e7\u00e3o de massa que a gente tem no Brasil, que s\u00e3o as pessoas que constroem um senso comum. S\u00e3o essas pessoas que seguem construindo o senso comum. A gente vai ver as concess\u00f5es da comunica\u00e7\u00e3o de televis\u00e3o e de r\u00e1dio. T\u00e3o todas na m\u00e3o dessas igrejas com discurso extremamente fundamentalista, com discurso racista, com discurso mis\u00f3gino, com discurso homof\u00f3bico. Infelizmente s\u00e3o essas pessoas que constroem o senso comum. Se a gente conseguir alcan\u00e7ar esses meios de comunica\u00e7\u00e3o, eu acho que a gente consegue avan\u00e7ar bastante sobre isso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tatiane<\/strong>: Nossas entrevistadas deixaram claro que o racismo nunca est\u00e1 dissociado das estruturas de poder, ou seja a uma suposta hierarquia racial, na qual a ra\u00e7a, entre aspas, superior tem privil\u00e9gios e as demais n\u00e3o t\u00eam direitos. \u00c9 por isso que a acusa\u00e7\u00e3o de \u201cRacismo Reverso\u201d \u00e9 usada tamb\u00e9m contra os povos ind\u00edgenas do Brasil. Por exemplo, na discuss\u00e3o sobre o Marco Temporal, em que s\u00e3o acusados de quererem ou usufru\u00edrem de \u201cprivil\u00e9gios\u201d territoriais. Uma acusa\u00e7\u00e3o que apaga os s\u00e9culos de massacres e viol\u00eancia contra esses povos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Daniel<\/strong>: E pra gente encerrar esse epis\u00f3dio, \u00e9 interessante voltar a reflex\u00f5es da&nbsp; Paula ainda sobre a fal\u00e1cia do racismo reverso pois ela se relaciona com as cr\u00edticas e propostas da Ana sobre papel da comunica\u00e7\u00e3o nos processos de luta contra racismo nas suas v\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Paula<\/strong>: N\u00e3o h\u00e1 possibilidade de existir na nossa sociedade. Ent\u00e3o eu falo que \u00e9 uma desonestidade&nbsp;quem traz&nbsp;esse tipo de informa\u00e7\u00e3o,&nbsp;e&nbsp;as pessoas acabam aceitando isso por conta da desinforma\u00e7\u00e3o. Mas tamb\u00e9m de uma ideia dentro da nossa sociedade que \u00e9 o medo das pessoas de perderem o espa\u00e7o. A gente observa, n\u00e9, nas din\u00e2micas do racismo que as pessoas temem que elas percam espa\u00e7o. Ent\u00e3o elas querem sempre e verem melhores do que outras. As pessoas negras terem os mesmos direitos que elas, n\u00e3o s\u00e3o regalias, s\u00e3o os mesmos direitos que as pessoas brancas, ela come\u00e7a a se sentir amea\u00e7ada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Daniel:<\/strong>&nbsp;Ou seja, a express\u00e3o racismo reverso \u00e9 mesmo uma inven\u00e7\u00e3o perversa. Quando ouvir esse termo, ou melhor dizendo, essa acusa\u00e7\u00e3o, pare e pense: De onde ele vem? Para que que serve? A quem beneficia?&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tatiane<\/strong>: E antes de terminar, temos que fazer uma atualiza\u00e7\u00e3o sobre o caso tratado como inj\u00faria racial que apresentamos no in\u00edcio desse epis\u00f3dio. S\u00f3 pra lembrar, um homem negro foi acusado de praticar racismo reverso ao chamar, por uma plataforma de mensagem, um italiano branco de \u201ccabe\u00e7a branca, europeia e escravagista\u201d. O caso ainda est\u00e1 em julgamento, mas pedimos professor da FGV SP Thiago Amparo, um esclarecimento sobre o tema. Antes dele tratar especificamente do caso, ele refor\u00e7ou o que j\u00e1 comentamos aqui sobre o racismo reverso.&nbsp; Vamos ouvir.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Thiago Amparo<\/strong>: Quando a gente fala sobre racismo, a gente tem que, primeiro, ter em mente a ideia principal do racismo&nbsp;que&nbsp;\u00e9 fundamentado em teorias hierarquizadas de poder, ou seja, que alguns grupos em raz\u00e3o de sua ra\u00e7a, cor, etnia, seriam melhores em algum sentido, mais evolu\u00eddos, mais desenvolvidos&nbsp;ou algo parecido, do que outros grupos.&nbsp;Quando a gente tem uma hist\u00f3ria de s\u00e9culos de escravid\u00e3o, voc\u00ea tem hist\u00f3ria de s\u00e9culos de desigualdade racializada, desde viol\u00eancia policial at\u00e9 outras desigualdades que comp\u00f5em esse sistema de racismo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o quando a gente fala que n\u00e3o existe racismo reverso, o que a gente est\u00e1 falando \u00e9 o seguinte: que n\u00e3o existe racismo reverso nesses dois sentidos ou seja,&nbsp; n\u00e3o existem teorias que coloquem pessoas brancas historicamente como subalternas, como menores, como inferiores, n\u00e9? E tamb\u00e9m n\u00e3o existe uma hist\u00f3ria onde voc\u00ea tenha, sistematicamente, pessoas que&nbsp;hoje,&nbsp;em raz\u00e3o de sua ra\u00e7a e cor, s\u00e3o consideradas privilegiadas em algum sentido. N\u00e3o existe uma hist\u00f3ria de opress\u00e3o sistem\u00e1tica contra pessoas brancas, n\u00e9?, como a gente tem com rela\u00e7\u00e3o a pessoas negras e outros grupos. Ent\u00e3o quando a gente fala que n\u00e3o existe racismo reverso, t\u00e1 falando que n\u00e3o existem essas duas coisas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Daniel<\/strong>: Pois \u00e9, mas quando uma acusa\u00e7\u00e3o de racismo reverso chega a um tribunal, como mostramos no in\u00edcio deste epis\u00f3dio, como pode ou deve ser tratada, Thiago?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Thiago<\/strong>: Quando a gente fala de crimes como inj\u00faria racial, como o pr\u00f3prio crime de racismo,&nbsp; a gente tem, pela lei, a ideia de que vai punir a ofensa \u00e0 honra, seja de uma pessoa espec\u00edfica ou de um grupo como um todo. Ent\u00e3o, quando eu xingo uma pessoa negra com um insulto racista, que que eu t\u00f4 fazendo? Eu t\u00f4 xingando aquela pessoa espec\u00edfica e tamb\u00e9m posso estar ofendendo um grupo como todo, n\u00e9? Ent\u00e3o, muitas vezes, grupos mais conservadores tentam se valer dessa legisla\u00e7\u00e3o de inj\u00faria racial e de racismo para dizer o seguinte: \u201cOlha, pessoas brancas tamb\u00e9m podem sofrer racismo\u201d. E a\u00ed seria o racismo reverso, porque a sua honra poderia ser violada em raz\u00e3o de sua ra\u00e7a e cor.&nbsp;E a\u00ed os tribunais muitas vezes tem se discutido, olha, ser\u00e1 que seria plaus\u00edvel, juridicamente, voc\u00ea dizer que h\u00e1 um caso, por exemplo, de inj\u00faria racial quando uma pessoa branca \u00e9 xingada por uma pessoa negra? E a\u00ed essa pergunta fica no ar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tatiane<\/strong>: \u00c9 de uma situa\u00e7\u00e3o como essa que estamos tratando, de um homem negro proferir palavras que ofenderam um homem branco. O professor&nbsp;Thiago continua os esclarecimentos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Thiago<\/strong>: O caso que t\u00e1 pendente agora e que vai ser decidido pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a,&nbsp;\u00e9 um pedido de habeas corpus, onde um homem negro \u00e9 que \u00e9 acusado de inj\u00faria racial, n\u00e3o contra ele, mas contra o homem branco, e ele t\u00e1 dizendo: \u201colha eu n\u00e3o cometi nenhum crime aqui, n\u00e9?\u201d.&nbsp;E a\u00ed a gente pode entender de dois jeitos. De um lado que, n\u00e3o, vale para todo mundo, no sentido de que se \u00e9 racismo, seria esse inj\u00faria racial e o crime de racismo seria tamb\u00e9m possivelmente feito por pessoas negras, quanto por pessoas brancas, porque isso significaria simplesmente uma discrimina\u00e7\u00e3o de um grupo em rela\u00e7\u00e3o a outro, n\u00e3o importa a hist\u00f3ria desses grupos. Ou a gente pode dizer n\u00e3o, n\u00e3o d\u00e1, porque racismo reverso no sentido de que essa legisla\u00e7\u00e3o foi justamente pensada para proteger grupos historicamente marginalizados, foi justamente pensada para coibir esse tipo de teoria que eu falei que teorias de superioridade de um grupo em rela\u00e7\u00e3o ao outro, que n\u00e3o existe em rela\u00e7\u00e3o a pessoas brancas, n\u00e3o t\u00eam teorias que v\u00e3o inferiorizar pessoas brancas de forma sistem\u00e1tica como h\u00e1 e houve na hist\u00f3ria contra as pessoas negras e tamb\u00e9m voc\u00ea pode dizer, essa lei s\u00f3 faz sentido se a gente aplica para proteger grupos historicamente discriminados, porque justamente \u00e9 para remediar essa hist\u00f3ria de discrimina\u00e7\u00e3o, n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p>E a\u00ed pode-se tem especialmente juristas negras, sempre enfatizado que quando a gente fala de inj\u00faria racial quando a gente fala de crime de racismo, a gente est\u00e1 falando que n\u00e3o \u00e9 um crime que ele existe no v\u00e1cuo hist\u00f3rico, n\u00e9? S\u00e3o&nbsp;crimes&nbsp;que na verdade existem dentro de um contexto e o contexto \u00e9 de uma hist\u00f3rica discrimina\u00e7\u00e3o para pessoas negras e o contexto de teorias que imp\u00f5em essa superioridade pessoas brancas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas negras, \u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o daria para a gente aplicar como se fosse dois lados da mesma moeda. De um lado crimes praticados por pessoas negras por pessoas brancas e o inverso de pessoas brancas pessoas negras, porque o que a gente t\u00e1 tentando coibir aqui \u00e9 que esse sistema de poder racializado se perpetue. E a\u00ed esse caso agora, pendente no Superior Tribunal de Justi\u00e7a \u00e9 crucial para poder dizer, olha que se a inj\u00faria racial e o crime de racismo, que hoje a inj\u00faria racial&nbsp; tamb\u00e9m \u00e9 um tipo de crime de racismo, se esses crimes eles protegem grupos historicamente discriminados, ou eles tamb\u00e9m v\u00e3o proteger inclusive pessoas brancas contra cr\u00edticas, n\u00e9? Porque voc\u00ea pode tamb\u00e9m, em alguma medida se expandir o conceito&nbsp; dos crimes de inj\u00faria racial racismo, toda vez, por exemplo, que algu\u00e9m escreve uma coluna de jornal criticando pessoas brancas e privil\u00e9gio branco, sei l\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia policial, pode ser objeto de uma a\u00e7\u00e3o judicial, n\u00e9? Ent\u00e3o justamente isso pode servir como uma arma para que seja utilizado para silenciar pessoas negras, uma legisla\u00e7\u00e3o que originalmente tinha como ideia central coibir justamente o racismo no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tatiane<\/strong>: Este foi o terceiro epis\u00f3dio da s\u00e9rie Termos Amb\u00edguos, realizada em parceria com o Oxig\u00eanio, a partir do material do&nbsp;<em>Termos Amb\u00edguos do debate pol\u00edtico atual: Pequeno Dicion\u00e1rio que voc\u00ea n\u00e3o sabia que existia<\/em>, coordenado pela Sonia Corr\u00eaa. Esse \u00e9 um projeto do Observat\u00f3rio de Sexualidade e Pol\u00edtica (SPW) e do Programa Interdisciplinar de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Lingu\u00edstica Aplicada da UFRJ e contou com v\u00e1rios autores na produ\u00e7\u00e3o dos verbetes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Daniel<\/strong>: A apresenta\u00e7\u00e3o do epis\u00f3dio foi feita pela Tatiane Amaral, doutoranda&nbsp;pelo Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais San Tiago Dantas e da equipe de Comunica\u00e7\u00e3o e Pesquisa SPW, e por mim,&nbsp;Daniel Faria, estudante do curso de comunica\u00e7\u00e3o social \u2013 Midialogia, na Unicamp, produtor e editor do \u00e1udio deste podcast. Tivemos tamb\u00e9m a colabora\u00e7\u00e3o de Simone Pallone, na leitura de um trecho do Dicion\u00e1rio. As entrevistas e o roteiro foram feitos pelo Rafael Revadam, jornalista e doutorando em Pol\u00edtica Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica e pela Simone Pallone, pesquisadora do Labjor e coordenadora do Oxig\u00eanio. A revis\u00e3o do roteiro foi feita pela Tatiane Amaral, pela Nana Soares, que \u00e9 jornalista e mestre em G\u00eanero e Desenvolvimento da equipe de Comunica\u00e7\u00e3o e Pesquisa SPW, e pela Sonia Corr\u00eaa, coordenadora do projeto Termos Amb\u00edguos, Pesquisadora Associada da ABIA e Co-Coordenadora do SPW.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tatiane<\/strong>: Voc\u00ea pode nos seguir pra conhecer os pr\u00f3ximos verbetes. E se quiser, mande seus coment\u00e1rios para&nbsp;<a href=\"mailto:observatoriospw@gmail.com\">observatoriospw@gmail.com<\/a>. O Oxig\u00eanio \u00e9 um podcast de jornalismo cient\u00edfico produzido por estudantes e colaboradores do Laborat\u00f3rio de Estudos Avan\u00e7ados em Jornalismo da Unicamp. Estamos em todas as plataformas de podcast e nas redes sociais.&nbsp;Basta procurar por Oxig\u00eanio Podcast.&nbsp;Se voc\u00ea gostou deste conte\u00fado, compartilhe com seus amigues.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.oxigenio.comciencia.br\/serie-termos-ambiguos-3-racismo-reverso\/\">Oxig\u00eanio<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ou\u00e7a aqui Este \u00e9 o terceiro epis\u00f3dio da s\u00e9rie Termos Amb\u00edguos, baseada na publica\u00e7\u00e3o \u201cTermos amb\u00edguos do debate pol\u00edtico atual: pequeno dicion\u00e1rio que voc\u00ea n\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":27256,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[416,353,238],"class_list":{"0":"post-27265","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-multimidia","8":"tag-pequeno-dicionario","9":"tag-raca-etnia","10":"tag-racismo"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.1.1 - 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