{"id":24315,"date":"2022-11-02T21:31:33","date_gmt":"2022-11-03T00:31:33","guid":{"rendered":"https:\/\/spw.fw2web.com.br\/ptbr\/2022\/11\/02\/breves-notas-sobre-as-eleicoes-brasileiras-de-2022-para-quem-nao-vive-no-brasil\/"},"modified":"2025-07-10T15:18:51","modified_gmt":"2025-07-10T18:18:51","slug":"breves-notas-sobre-as-eleicoes-brasileiras-de-2022-para-quem-nao-vive-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/artigos\/breves-notas-sobre-as-eleicoes-brasileiras-de-2022-para-quem-nao-vive-no-brasil\/24315","title":{"rendered":"Breves notas sobre as elei\u00e7\u00f5es brasileiras de 2022 (para quem n\u00e3o vive no Brasil)  \u00a0"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/20220404_155320-scaled.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-12787 size-large aligncenter\" src=\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/01\/20220404_155320-1024x473-1.jpeg\" alt=\"\" width=\"656\" height=\"303\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Por Sonia Corr\u00eaa<\/em><\/p>\n<p>Essas notas sobre o fim do governo Bolsonaro s\u00e3o breves e muito preliminares. Foram escritas num momento em que eu estava me acostumando com as novas condi\u00e7\u00f5es do tempo que se abriu no domingo. Para ser mais precisa, ontem \u00e0 noite quando ficou claro que, a despeito de uma declara\u00e7\u00e3o covarde e deplor\u00e1vel e das tentativas golpistas de \u00faltimo momento, iniciamos um novo ciclo pol\u00edtico. Vou come\u00e7ar pelo sentimento e n\u00e3o pelas informa\u00e7\u00f5es objetivas. Escrevo com um sentimento diferente do que me tomou, em 2018, quando, na sequ\u00eancia do espantoso resultado eleitoral que elegeu Bolsonaro \u00e0 Presid\u00eancia, eu fui arrastada por uma c\u00f3lera produtiva que me fez, imediatamente, sentar e escrever um ensaio a que, inspirada pelo articulista Celso Rocha Barros, dei o t\u00edtulo de \u201c<a href=\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/artigos\/eleicoes-presidenciais-brasileiras-em-2018-a-catastrofe-perfeita\/22608\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Elei\u00e7\u00f5es Brasileiras: Cat\u00e1strofe Perfeita?<\/a>\u201d. Hoje meu sentimento n\u00e3o \u00e9 o da compuls\u00e3o reflexiva, mas sim de relaxar para me reacostumar a um estado de coisas em que j\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1 preciso acordar a cada manh\u00e3 preparada para uma nova crise, uma nova cat\u00e1strofe, um novo absurdo.<\/p>\n<p>Foi assim que vivemos os \u00faltimos quatro anos no Brasil. Condi\u00e7\u00f5es pessoais e pol\u00edticas moduladas pelo ritmo do neofascismo: uma sensa\u00e7\u00e3o quase f\u00edsica e constante de que a qualquer momento o pior pode acontecer. Um estado de guerra pol\u00edtica permanente como j\u00e1 apontava o fil\u00f3sofo Marcos Nobre em 2019, quando o governo que se vai mal havia come\u00e7ado. Dois dias atr\u00e1s, portanto, eu come\u00e7ava a me acostumar de novo \u00e0 n\u00e3o estar sempre preparada para o pior. Mas, evidentemente, n\u00e3o era assim t\u00e3o simples. Passadas quase 48 horas do resultado sacramentado pela Justi\u00e7a Eleitoral, est\u00e1vamos de novo paralisadas\/os, frente \u00e0s telas, esperando por algo de novo ins\u00f3lito. A lastim\u00e1vel figura que acabava de ser derrotada eleitoralmente deixou o pa\u00eds ref\u00e9m durante mais de uma hora aguardando por uma <a href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/politica\/derrotado-bolsonaro-quebra-o-silencio-sem-reconhecer-abertamente-o-resultado-da-eleicao\/\">declara\u00e7\u00e3o p\u00edfia<\/a> em que sua derrota n\u00e3o foi reconhecida e em que, de maneira retorcida, a a\u00e7\u00e3o de seus apoiadores \u2013\u00a0 que, desde a noite anterior, bloqueavam mais de 300 estradas \u2013 foi legitimada. Um ato de afronta, mas tamb\u00e9m de covardia. Felizmente, desde ent\u00e3o tem ficado mais n\u00edtido que os contornos do rep\u00fadio \u00e0 autocracia extrapolam o eleitorado que votou em Lula e as barreiras impostas pelo Judici\u00e1rio \u00e0s amea\u00e7as ao regime democr\u00e1tico. O estado persistente de ang\u00fastia e incerteza inaugurado em 2018 est\u00e1 chegando ao fim, mesmo quando as hostes bolsonaristas continuam bloqueando estradas e fazendo manifesta\u00e7\u00f5es pelo pa\u00eds afora pedindo interven\u00e7\u00e3o militar.<\/p>\n<p>Contra esse pano de fundo, vou compartilhar alguns elementos marcantes dos resultados eleitorais que nos trouxeram at\u00e9 aqui. O primeiro deles \u00e9 que, como bem apontou Jos\u00e9 Roberto de Toledo, os n\u00fameros de 2022 n\u00e3o s\u00e3o muito diferentes do que se viu em 2018. Bolsonaro teve mais ou menos os mesmos 59 milh\u00f5es de votos e o padr\u00e3o de distribui\u00e7\u00e3o do seu eleitorado \u00e9 mais ou menos o mesmo. Uma vez mais, o Nordeste (que deu a Lula em torno de 70 % dos votos) e parte da regi\u00e3o Norte (que deu um pouco menos) votaram massivamente por Lula.\u00a0 No Sul e Sudeste, as regi\u00f5es mais industrializadas e ricas do pa\u00eds, assim como no Centro-Oeste, onde predomina a economia do agroneg\u00f3cio, Bolsonaro venceu (com uma margem maior em alguns lugares, como, por exemplo, no Rio de Janeiro). Os votos de Lula vieram fundamentalmente das mulheres, da popula\u00e7\u00e3o negra, da popula\u00e7\u00e3o jovem, dos ind\u00edgenas, das pessoas LGBTTI, da maioria dos cat\u00f3licos e, sobretudo, dos mais pobres, ou seja, das pessoas que vivem com menos de dois sal\u00e1rios m\u00ednimos por m\u00eas (em torno de 500$). E tudo indica que foi a maior vota\u00e7\u00e3o dessa popula\u00e7\u00e3o mais pobre do Sudeste que determinou o resultado final, com uma margem de vantagem de apenas 2,1 milh\u00f5es de votos para Lula. Por outro lado, votaram predominantemente em Bolsonaro os que recebem mais de dois sal\u00e1rios m\u00ednimos e, sobretudo, os muito ricos, os brancos, os homens e 70% dos evang\u00e9licos. Dito isso, a elei\u00e7\u00e3o de 2022 tamb\u00e9m deixou muito mais flagrante a ades\u00e3o crescente, mesmo que minorit\u00e1ria, de mulheres, negros e pessoas LGBTTI \u00e0 pol\u00edtica da ultradireita.<\/p>\n<p>Essa cartografia \u00e9 muito significativa, pois nos diz que foi a combina\u00e7\u00e3o ou interse\u00e7\u00e3o entre as aspira\u00e7\u00f5es dos setores mais pobres e as demandas dos sujeitos potencialmente portadores das pautas nomeadas (e desqualificadas) como identit\u00e1rias que assegurou a derrota do neofascismo, abrindo espa\u00e7o para a reconstru\u00e7\u00e3o da democracia brasileira (<a href=\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/o-levantedas-minorias-contra-bolsonaro-nasurnas-por-flavia-oliveira-o-globo\/24318\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ver Fl\u00e1via Oliveira<\/a>). A partir de agora, um enorme desafio para aquelas e aqueles engajados com as lutas em torno de g\u00eanero, sexualidade e direitos humanos no Brasil ser\u00e1 exatamente refletir sobre as implica\u00e7\u00f5es dessa interse\u00e7\u00e3o e desenhar caminhos para que ela seja cada vez mais org\u00e2nica e n\u00e3o simplesmente eleitoral. Uma pauta de articula\u00e7\u00e3o entre supera\u00e7\u00e3o da precariedade e o reconhecimento da diferen\u00e7a e\u00a0 vice-versa.<\/p>\n<p>Se esse \u00e9 o lado luminoso da cena que emerge da disputa eleitoral, h\u00e1 tamb\u00e9m sombras.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o se inquietar frente \u00e0 proximidade entre os n\u00fameros de 2018 e 2022 que, se lidos de maneira crua sem refer\u00eancia ao contexto, sugerem que n\u00e3o aconteceu no pa\u00eds tudo o que, de fato, aconteceu ao longo dos \u00faltimos quatro anos. Ou seja, a guerra permanente, a cont\u00ednua eros\u00e3o democr\u00e1tica, uma gest\u00e3o desastrosa da pol\u00edtica econ\u00f4mica e o infind\u00e1vel desmantelamento das pol\u00edticas p\u00fablicas na \u00e1rea ambiental, na educa\u00e7\u00e3o, na cultura, em direitos humanos, na pol\u00edtica externa e tamb\u00e9m na sa\u00fade. Vale dizer que a pol\u00edtica nacional de sa\u00fade s\u00f3 n\u00e3o foi inteiramente destru\u00edda porque o Sistema \u00danico de Sa\u00fade est\u00e1 ancorado em defini\u00e7\u00f5es constitucionais e, desde os anos 1990, viu sua estrutura de funcionamento consolidada. De outro modo, a resposta \u00e0 COVID-19 teria sido ainda mais catastr\u00f3fica do que foi sob a pol\u00edtica neo-darwinista promovida pelo governo federal que promoveu deliberadamente uma suposta imunidade do rebanho, deixando em seu rastro quase 700.000 mortes, das quais um quarto, ao menos, poderiam ter sido evitadas.<\/p>\n<p>Os resultados de 2022, tristemente, informam que n\u00e3o h\u00e1 correla\u00e7\u00e3o entre essa trag\u00e9dia e o comportamento eleitoral. Cidades onde a mortalidade por COVID-19 foi colossal, como \u00e9 o caso de Manaus \u2013 onde se viveu a pior crise de epidemia no Brasil \u2013 ou Boa Vista \u2013 onde mais de 50% das mulheres gr\u00e1vidas infectadas pelos v\u00edrus morreram \u2013 votaram massivamente em Bolsonaro. Essa perturbadora realidade nos coloca frente a um segundo desafio: investigar e refletir sobre o que est\u00e1 subjacente a essas escolhas. Por que as perdas de vidas e o luto da pandemia que nos deixaram paralisados por dois anos n\u00e3o se converteram em repulsa pelo governante que conduziu essa pol\u00edtica genocida?<\/p>\n<p>Por outro lado, sabemos que boa parte dos votos obtidos por Jair Bolsonaro no primeiro e segundo turno das elei\u00e7\u00f5es de 2022 se explicam pela efic\u00e1cia da m\u00e1quina clientelista e fisiol\u00f3gica armada por seus aliados do chamado Centr\u00e3o com vistas a assegurar sua reelei\u00e7\u00e3o. M\u00e1quina irrigada por uma emenda constitucional esp\u00faria, que ofereceu benef\u00edcios de v\u00e1rias ordens \u00e0 popula\u00e7\u00e3o no \u201ctiming certo\u201d: uma popula\u00e7\u00e3o cuja renda e poupan\u00e7a havia sido depauperada pela pandemia. Ao mesmo tempo em que o \u201cor\u00e7amento secreto\u201d criado pelo atual presidente da C\u00e2mara enchia as burras de prefeitos e vereadores. Ou seja, o clientelismo e o fisiologismo pol\u00edtico estruturais, que n\u00e3o foram debelados em quatro d\u00e9cadas de democracia, desde o ano passado, passaram a servir aos des\u00edgnios da desdemocratiza\u00e7\u00e3o. Essa lament\u00e1vel realidade torna a vit\u00f3ria de Lula ainda mais admir\u00e1vel e pujante. Mas, a escala e <a href=\"https:\/\/twitter.com\/jnascim\/status\/1587641589093974017?s=20&amp;t=BMzKOoLOWdKtFo8Ba9yKgQ\">efeitos eleitoreiros dessa m\u00e1quina<\/a> tamb\u00e9m colocam sobre a mesa a urg\u00eancia de debater e equacionar essa perene distor\u00e7\u00e3o do sistema democr\u00e1tico e da cultura pol\u00edtica brasileira.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, uma vez mais, e como era previs\u00edvel, a ultradireita acionou fantasmagorias nas redes sociais e mundos submersos do WhatsApp e Telegram para demonizar Lula e o Petismo. Em 2022, essa estrat\u00e9gia esteve menos centrada no espantalho da \u201cideologia de g\u00eanero\u201d do que no seu reverso, ou seja, a amea\u00e7a do comunismo. E, na passagem ao segundo turno, quando a amea\u00e7a comunista mostrou n\u00e3o ter tido o efeito necess\u00e1rio, para al\u00e9m de certas fronteiras, a campanha de Bolsonaro passou a associar abertamente Lula \u00e0 criminalidade, uma amea\u00e7a mais concreta e palp\u00e1vel na vida cotidiana das e dos eleitores. Tamb\u00e9m fez amplo recurso \u00e0 mentira de que Lula ia fechar igrejas se leito presidente. N\u00e3o que \u201cideologia de g\u00eanero\u201d tenha estado completamente ausente, apareceu em den\u00fancias de que o PT iria instalar banheiros unissex em todas as escolas do pa\u00eds e novas reitera\u00e7\u00f5es acerca da promo\u00e7\u00e3o da \u201cideologia de g\u00eanero na educa\u00e7\u00e3o\u201d.\u00a0 Mas j\u00e1 n\u00e3o foi o ciclone antig\u00eanero que tomou o espa\u00e7o eleitoral em\u00a0 2018.<\/p>\n<p>Por outro lado, um alvo principal, e perda flagrante, no conflagrado processo eleitoral \u00a0de 2022 foi o direito ao aborto. Esse t\u00f3pico \u201cdif\u00edcil\u201d a surgiu no processo pr\u00e9-eleitoral, em abril, quando Lula disse que num debate que o aborto \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica. A rea\u00e7\u00e3o na m\u00eddia e nas redes n\u00e3o foi exatamente negativa mas, desde ent\u00e3o, o fantasma de Lula \u201cabortista\u201d \u00a0come\u00e7ou a inundar as redes submersas da guerra eleitoral. Em resposta, quando a campanha come\u00e7ou, Lula declarou in\u00fameras vezes ser contr\u00e1rio ao aborto, inclusive na <a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/eleicoes\/2022\/10\/19\/lula-assina-carta-aos-evangelicos-leia-a-integra.htm\">carta de inten\u00e7\u00f5es<\/a> dirigida \u00e0s e aos evang\u00e9licos e no \u00faltimo debate eleitoral na TV, na sexta-feira dia 28 de outubro. Al\u00e9m dessas declara\u00e7\u00f5es perempt\u00f3rias, no segundo turno, a campanha Petista acusou Bolsonaro de j\u00e1 ter se manifestado a favor do aborto no passado, gerando uma avalanche de posicionamentos \u00e0 esquerda do espectro pol\u00edtico que arrastaram mais \u00e1gua para o moinho da demoniza\u00e7\u00e3o do que, na verdade, n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o um grave problema de sa\u00fade p\u00fablica. Sem d\u00favida, num contexto eleitoral t\u00e3o acirrado, a campanha de Lula precisava se posicionar de modo a desinflar a fantasmagoria. Mas poderia ter feito isso num outro diapas\u00e3o sem amplificar obst\u00e1culos simb\u00f3licos e ideol\u00f3gicos que v\u00e3o dificultar a retomada dessa pauta a partir de agora. Vale dizer que nem por isso o aborto ilegal e inseguro deixou ser um \u00f3bice na vida de mulheres e, sobretudo de meninas, ou tema inegoci\u00e1vel da democracia que come\u00e7aremos a reconstruir.<\/p>\n<p>Finalmente, mas n\u00e3o menos importante, no ciclo que agora se inicia tamb\u00e9m \u00e9 salutar fazer um balan\u00e7o s\u00f3brio e firme do que fomos capazes, mas tamb\u00e9m de onde falhamos na resist\u00eancia \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o do neofascismo no Brasil. Como escreveu <a href=\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/Janio-de-Freitas-30_10_22.pdf\">Janio Freitas<\/a>, o que se passou no pa\u00eds nos \u00faltimos quatro anos foi humilhante e indigno. Contudo as institui\u00e7\u00f5es e a sociedade demoraram muito para responder a contento \u00e0s amea\u00e7as que s\u00f3 faziam crescer desde 2019. Penso, por exemplo, nas centenas de pedidos de <em>impeachment<\/em> paralisados no Congresso com base numa l\u00f3gica que reduz a pol\u00edtica ao c\u00e1lculo e minimiza o significado da pol\u00edtica como resist\u00eancia. Em seguida, a partir de 2021, qualquer contesta\u00e7\u00e3o dos malfeitos presidenciais foi sepultada pelos conluios entre o Planalto e o Centr\u00e3o.<\/p>\n<p>Tampouco fomos efetivamente capazes de sedimentar h\u00e1 mais tempo uma ampla coaliz\u00e3o pr\u00f3-democracia e antifascista. A alian\u00e7a ampla e plural que se formou na \u00faltima etapa do ciclo eleitoral foi crucial para a vit\u00f3ria de Lula. Esse arco, por\u00e9m, poderia ter sido tecido h\u00e1 mais tempo e, caso isso tivesse acontecido, ter\u00edamos chegado \u00e0s duras trincheiras de outubro de 2022 com mais energia e robustez para enfrentar e conter a avalanche produzida pela m\u00e1quina eleitoreira do governo e as novas ondas de fantasmagorias, falsidades e viol\u00eancia pol\u00edtica. Dito isso, o tecido pol\u00edtico plural que emerge com a vit\u00f3ria de Lula \u00e9, ao meu ver, um ativo que pode nos ajudar a reconstruir as ru\u00ednas deixadas pelo desgoverno. Tamb\u00e9m \u00e9 uma oportunidade de aprendizagem. Como escreveu <a href=\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/o-valor-da-promessa-que-une-diferencas-pela-democracia-por-marina-silva\/24314\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marina Silva num belo artigo<\/a> para O Globo, a bricolagem dessa alian\u00e7a recente n\u00e3o deve ser lida como fraqueza ou possibilidade de fracasso, mas sim como:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">&#8220;Algo que nos leve, daqui pra frente, a diverg\u00eancias n\u00e3o destrutivas e a converg\u00eancias pol\u00edticas e program\u00e1ticas que gerem consensos progressivos e projetos compartilhados, \u00fanica forma de assegurar a manuten\u00e7\u00e3o e a amplia\u00e7\u00e3o de nossa democracia num ecossistema pol\u00edtico diversificado, vacinado contra o poder pol\u00edtico exclusivo e excludente&#8221;.<\/p>\n<p>Essa pol\u00edtica interseccional e de alian\u00e7as ser\u00e1, entre outras coisas, crucial para conter e eventualmente dirimir os efeitos das for\u00e7as da ultradireita que n\u00e3o v\u00e3o se desvanecer com a derrota de seu l\u00edder. Na verdade, poder\u00e3o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/monicabergamo\/2022\/11\/atos-bolsonaristas-serao-constantes-e-reacao-inteligente-e-crucial-para-evitar-radicalizacao-diz-ex-cidh.shtml\">se tornar mais aguerridas<\/a> e virulentas.<\/p>\n<p>______<\/p>\n<p>Imagem: fragmento da obra Leading Races of Man de\u00a0 Malala Andrialavizana, Funda\u00e7\u00e3o Gulbekian, Lisboa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Sonia Corr\u00eaa. Essas notas sobre o fim do governo Bolsonaro s\u00e3o breves e muito preliminares. Foram escritas num momento em que eu estava me acostumando com as novas condi\u00e7\u00f5es do tempo que se abriu no domingo. Para ser mais precisa, ontem \u00e0 noite quando ficou claro que, a despeito de uma declara\u00e7\u00e3o covarde e deplor\u00e1vel e das tentativas golpistas de \u00faltimo momento, iniciamos um novo ciclo pol\u00edtico. Vou come\u00e7ar pelo sentimento e n\u00e3o pelas informa\u00e7\u00f5es objetivas. Escrevo com um sentimento diferente do que me tomou, em 2018, quando, na sequ\u00eancia do espantoso resultado eleitoral que elegeu Bolsonaro \u00e0 Presid\u00eancia, eu fui arrastada por uma c\u00f3lera produtiva que me fez, imediatamente, sentar e escrever um ensaio a que, inspirada pelo articulista Celso Rocha Barros, dei o t\u00edtulo de \u201cElei\u00e7\u00f5es Brasileiras: Cat\u00e1strofe Perfeita?\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":24317,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[283],"tags":[38,60,333,327,330,319],"class_list":{"0":"post-24315","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-artigos","8":"tag-america-latina","9":"tag-brasil","10":"tag-democracia","11":"tag-desdemocratizacao","12":"tag-macropolitica","13":"tag-ultradireita"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.1.1 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Breves notas sobre as elei\u00e7\u00f5es brasileiras de 2022 (para quem n\u00e3o vive no Brasil) \u00a0 - Sexuality Policy Watch [PTBR]<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/artigos\/breves-notas-sobre-as-eleicoes-brasileiras-de-2022-para-quem-nao-vive-no-brasil\/24315\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Breves notas sobre as elei\u00e7\u00f5es brasileiras de 2022 (para quem n\u00e3o vive no Brasil) \u00a0 - Sexuality Policy Watch [PTBR]\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Por Sonia Corr\u00eaa. 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