{"id":24271,"date":"2022-04-11T19:49:22","date_gmt":"2022-04-11T22:49:22","guid":{"rendered":"https:\/\/spw.fw2web.com.br\/ptbr\/2022\/04\/11\/edicao-de-sabado-como-o-aborto-virou-arma-politica-canal-meio\/"},"modified":"2024-01-26T11:01:08","modified_gmt":"2024-01-26T14:01:08","slug":"edicao-de-sabado-como-o-aborto-virou-arma-politica-canal-meio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/edicao-de-sabado-como-o-aborto-virou-arma-politica-canal-meio\/24271","title":{"rendered":"Edi\u00e7\u00e3o de S\u00e1bado: Como o aborto virou arma pol\u00edtica &#8211; Canal Meio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><em>Por Pedro Doria<\/em><\/p>\n<p>Em junho de 1967, Ronald Reagan ocupava fazia seis meses o governo da Calif\u00f3rnia, seu primeiro cargo eletivo. O m\u00eas come\u00e7ara dif\u00edcil, com um assassinato pol\u00edtico que abalou os Estados Unidos em Los Angeles, a mais populosa cidade do estado. O senador nova-iorquino Bobby Kennedy, que havia participado de um debate sobre a Guerra do Vietn\u00e3 com o governador apenas alguns dias antes, foi morto por um ativista palestino quando estava pr\u00f3ximo de ser escolhido candidato democrata \u00e0 presid\u00eancia. Reagan tinha 56 anos, usava um topete e muita goma, seu rosto ainda n\u00e3o era marcado pelas rugas que carregaria por quase toda a presid\u00eancia. Ele j\u00e1 era, por\u00e9m, a voz de um novo conservadorismo americano, que traria valores religiosos de volta para a arena pol\u00edtica ap\u00f3s muitas d\u00e9cadas em que o laicismo havia imperado em Washington. E foi naquele m\u00eas, no dia 14, que Reagan sancionou o Ato do Aborto Terap\u00eautico, tornando seu estado o terceiro no pa\u00eds a legalizar a pr\u00e1tica. Em 1967, 518 abortos foram realizados legalmente na Calif\u00f3rnia. A partir de 68, a m\u00e9dia anual saltou para a casa dos 100 mil. Reagan havia manifestado <a href=\"https:\/\/apps.canalmeio.com.br\/meio\/premium\/r\/MTE0MjE3\/NDAwNzA=\">alguma hesita\u00e7\u00e3o<\/a> a respeito da lei, mas sancionou ainda assim. A quest\u00e3o do aborto simplesmente n\u00e3o era uma que mobilizasse a direita americana.<\/p>\n<p>A lei californiana era ampla \u2014 previa que o aborto seria legal em casos de estupro, incesto ou quando amea\u00e7asse a sa\u00fade f\u00edsica ou mental da mulher. Este \u00faltimo caso, o da \u201csa\u00fade mental\u201d, em ess\u00eancia permitia a m\u00e9dicos que autorizassem quaisquer pacientes aflitas com a possibilidade de terem filhos. \u00c0quela altura, nos EUA, a tend\u00eancia j\u00e1 estava estabelecida e outros estados seguiriam o exemplo da Calif\u00f3rnia at\u00e9 que, em janeiro de 1973, a Suprema Corte definiu que a Constitui\u00e7\u00e3o do pa\u00eds protege a liberdade da mulher de escolher realizar um aborto sem que o Estado tenha o direito de interferir. A decis\u00e3o no caso Roe vs Wade tornou o procedimento legal em todo o territ\u00f3rio americano.<\/p>\n<p>Esta \u00faltima semana, em campanha pela presid\u00eancia da Rep\u00fablica aqui no Brasil, o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva argumentou que o aborto precisa ser encarado como uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica. \u201cTodo mundo deveria ter direito e n\u00e3o ter vergonha\u201d, afirmou num debate. \u201c\u00c9 uma coisa muito atrasada.\u201d Embora intimamente tanto Fernando Henrique Cardoso quanto Dilma Rousseff fossem tamb\u00e9m a favor da descriminaliza\u00e7\u00e3o, o assunto \u00e9 tabu nas campanhas eleitorais. Tanto que Lula voltou atr\u00e1s o quanto deu. \u201c<a href=\"https:\/\/apps.canalmeio.com.br\/meio\/premium\/r\/MTE0MjE4\/NDAwNzA=\">Sou contra o aborto<\/a>\u201d, se apressou a dizer no dia seguinte. \u201cFoi a \u00fanica coisa que deixei de falar.\u201d \u00c9 tabu, principalmente, por conta de um eleitorado em particular: o evang\u00e9lico, que v\u00ea no tema um dos que definem suas prioridades de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Aquilo que motiva seu voto. E esta preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 importada dos EUA, onde o pastor batista Jerry Falwell criou, em 1979, um movimento batizado de \u2018Maioria Moral\u2019, que se tornou um dos mais influentes dentro do Partido Republicano. Um movimento que definiu uma agenda conservadora no \u00e2mbito do comportamento que ressoa ainda hoje. Manifestar-se em favor do aborto deixou de ser compat\u00edvel com estar no Partido Republicano \u2014 \u00e9 perda imediata de votos.<\/p>\n<p>E, no entanto, Ronald Reagan, o pai do atual conservadorismo pol\u00edtico, amigo pessoal de Jerry Falwell, em 1967 sancionou uma lei legalizando a pr\u00e1tica. N\u00e3o s\u00f3 o fez como sua assinatura n\u00e3o provocou protestos, tampouco atraiu a censura de pastores, ou gerou qualquer grande controv\u00e9rsia.<\/p>\n<p>O aborto simplesmente n\u00e3o fazia parte da pauta da direita. Ou mesmo dos evang\u00e9licos.<\/p>\n<p><strong>Como come\u00e7ou<\/strong><\/p>\n<p>Frank Schaeffer, um diretor de filmes B em Hollywood, ainda lembra da cena. \u201cEsse <a href=\"https:\/\/apps.canalmeio.com.br\/meio\/premium\/r\/MTE0MjE5\/NDAwNzA=\">n\u00e3o \u00e9 um assunto<\/a> do qual quero tratar\u201d, ele ouviu Billy Graham dizer na virada dos anos 1970 para 80. Na \u00e9poca, junto com Falwell, Graham era um dos mais c\u00e9lebres pastores evang\u00e9licos americanos. Ainda nos anos 1950, foi um dos inventores do televangelismo, a prega\u00e7\u00e3o crist\u00e3 pela TV. Foi figura frequente na Casa Branca nos governos Eisenhower, Nixon, Reagan, Bush pai, Clinton e Bush filho. Naquele dia do qual Schaeffer se recorda, Graham se recuperava de um procedimento cir\u00fargico na Mayo Clinic, um importante hospital no estado de Minnesota. O pai do cineasta, o tamb\u00e9m pastor Francis Schaeffer, se tratava de um c\u00e2ncer na mesma cl\u00ednica e ambos passavam dias conversando, Graham e o velho Schaeffer. Eram amigos de longa data. \u201cN\u00e3o \u00e9 um assunto do qual quero tratar\u201d, explicou Graham. \u201cAcho que prejudicaria minha habilidade de pregar o amor de Jesus. N\u00e3o \u00e9 um tema nosso, isso a\u00ed \u00e9 coisa dos cat\u00f3licos.\u201d<\/p>\n<p>Mas Francis Schaeffer queria falar contra o aborto. Aos 67, o pastor, um te\u00f3logo presbiteriano, n\u00e3o era um reacion\u00e1rio. Nem mesmo conservador. Na verdade, dentro da comunidade evang\u00e9lica, era visto como um declarado progressista, amigo de estrelas do rock dos anos 1960. Usava um denso cavanhaque sem bigodes e, apesar de americano, seu cosmopolitismo o levara a fundar na Su\u00ed\u00e7a <em>L\u2019Abri<\/em>, um misto de retiro espiritual e semin\u00e1rio, tamb\u00e9m uma comuna frequentada por hippies, onde em dias lentos de medita\u00e7\u00e3o perante os Alpes se discutia temas crist\u00e3os. Schaeffer era autor de in\u00fameros livros que popularizavam temas densos de teologia, best-sellers entre evang\u00e9licos americanos. Quando vivo \u2014 ele morreu em 1984, aos 72 \u2014, era t\u00e3o conhecido quanto os grandes televangelistas, Graham, Fallwel ou Jimmy Swaggart.<\/p>\n<p>Com o objetivo de ampliar a popularidade dos temas que lhe interessavam, Schaeffer lan\u00e7ou em 1976 um grande document\u00e1rio, uma s\u00e9rie dividida em dez epis\u00f3dios, chamada <em>How Should we then Live?<\/em> (<a href=\"https:\/\/apps.canalmeio.com.br\/meio\/premium\/r\/MTE0MjIw\/NDAwNzA=\">YouTube<\/a>) \u2014 Como dever\u00edamos viver? Ao longo dos filmes de meia hora cada ele reconta a hist\u00f3ria do Ocidente atrav\u00e9s da ci\u00eancia, da filosofia, das artes e da religi\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 uma obra de ataque \u00e0 ci\u00eancia ou \u00e0 arte moderna, como boa parte do conservadorismo pol\u00edtico viria a ser d\u00e9cadas \u00e0 frente. Mas \u00e9 uma defesa de que a \u00e9tica crist\u00e3 guie decis\u00f5es. Os filmes se tornaram imensamente populares e moldaram a compreens\u00e3o religiosa de toda uma gera\u00e7\u00e3o de evang\u00e9licos, nos EUA. E foram, todos eles, dirigidos pelo jovem Frank, seu filho de 24 anos.<\/p>\n<p>Animado com o sucesso, o te\u00f3logo lan\u00e7ou em 1979 uma segunda s\u00e9rie, <em>Whatever Happened to the Human Race?<\/em> (<a href=\"https:\/\/apps.canalmeio.com.br\/meio\/premium\/r\/MTE0MjIx\/NDAwNzA=\">YouTube<\/a>) \u2014 O que aconteceu \u00e0 ra\u00e7a humana? Cuidadosamente filmada com o mesmo requinte da primeira, foi um fracasso de p\u00fablico quando lan\u00e7ada. Custou, \u00e0 fam\u00edlia, um preju\u00edzo de US$ 1,2 milh\u00f5es. Em cinco epis\u00f3dios de uma hora, Schaeffer argumentava que a pr\u00e1tica do aborto era equivalente a infantic\u00eddio e sua toler\u00e2ncia levaria \u00e0 permiss\u00e3o legal para eutan\u00e1sia. Uma clara viola\u00e7\u00e3o da santidade da vida humana, em seu ponto de vista. N\u00e3o era um pastor conservador, apenas assim compreendia a B\u00edblia.<\/p>\n<p>Naquele dia, na Mayo Clinic, quando tentou convencer o conservador Billy Graham a abra\u00e7ar a causa, Schaeffer tinha em mente o fracasso de sua nova s\u00e9rie. N\u00e3o era s\u00f3 o preju\u00edzo financeiro que o afligia. Considerava que era necess\u00e1rio convencer os evang\u00e9licos a se mobilizarem contra o aborto. Graham n\u00e3o foi o primeiro l\u00edder religioso protestante a n\u00e3o querer se misturar com o assunto. \u201cIsso \u00e9 coisa dos cat\u00f3licos\u201d \u00e9 uma frase que ambos os Schaeffers, pai te\u00f3logo e filho diretor, ouviriam ainda muito.<\/p>\n<p><strong>O lobista certo<\/strong><\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1970, <a href=\"https:\/\/apps.canalmeio.com.br\/meio\/premium\/r\/MTE0MjIy\/NDAwNzA=\">Paul Weyrich<\/a> era um importante ativista do Partido Republicano, um estrategista pol\u00edtico. Durante os anos 1960, nos governos de John Kennedy e Lyndon Johnson, uma s\u00e9rie de leis e decis\u00f5es judiciais haviam tornado a segrega\u00e7\u00e3o racial ilegal em todo o territ\u00f3rio americano. Com as escolas p\u00fablicas proibidas de recusar crian\u00e7as negras, muitas comunidades evang\u00e9licas no Sul conservador criaram escolas particulares em que s\u00f3 brancos eram aceitos. Logo, por\u00e9m, por conta da pr\u00e1tica discriminat\u00f3ria essas escolas perderam a isen\u00e7\u00e3o de impostos que teriam como institui\u00e7\u00f5es religiosas.<\/p>\n<p>A incapacidade de seguir sem pagar impostos mantendo a segrega\u00e7\u00e3o racial fez com que pastores ultraconservadores sentissem a necessidade de criar um movimento de press\u00e3o pol\u00edtica. Foi neste ambiente que Weyrich se imp\u00f4s uma miss\u00e3o dif\u00edcil \u2014 mobilizar politicamente os americanos evang\u00e9licos. Torn\u00e1-los uma grande base capaz de se impor a parlamentares e, quem sabe at\u00e9, a presidentes. O problema \u00e9 que a raz\u00e3o original, segrega\u00e7\u00e3o racial, era um tema cada vez menos popular. Al\u00e9m disso, se poderia ainda atrair evang\u00e9licos brancos do Sul, o racismo ostensivo afastava os tamb\u00e9m evang\u00e9licos de outras regi\u00f5es do pa\u00eds. Weyrich precisava de um tema, uma quest\u00e3o que tocasse emocionalmente os frequentadores de igrejas e os motivassem a agir como grupo pol\u00edtico unificado.<\/p>\n<p>\u201cTentei fazer as pessoas se interessarem por v\u00e1rios assuntos\u201d, ele lembraria. Utilizava t\u00e9cnicas de propaganda, tentava convencer pastores a falar sobre quest\u00f5es, explorou tudo que lhe ocorreu. Proibi\u00e7\u00e3o da pornografia, por exemplo. Obriga\u00e7\u00e3o da prece nas escolas. Oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 emenda constitucional que garante direitos iguais a homens e mulheres. Nenhuma das pautas colou.<\/p>\n<p>Mas em 1980, quando Ronald Reagan e o ent\u00e3o presidente Jimmy Carter se enfrentaram na disputa da Casa Branca, Weyrich descobriu um assunto que parecia dar liga nas pesquisas: uma emenda constitucional que proibisse o aborto no pa\u00eds. A s\u00e9rie de Schaeffer havia sido um fracasso apenas um ano antes, mas de alguma forma tocara quem a assistiu. Quando Reagan assumiu o compromisso p\u00fablico de tentar fazer passar a emenda, de repente o tema foi parar no debate pol\u00edtico. Os l\u00edderes evang\u00e9licos come\u00e7aram a se mexer. E a s\u00e9rie encontrou sucesso tardio.<\/p>\n<p>O trabalho de mobiliza\u00e7\u00e3o em torno da proibi\u00e7\u00e3o do aborto demoraria anos, ainda, at\u00e9 se consolidar na d\u00e9cada de 1990. Hoje, \u00e9 daqueles assuntos que divide quase que numa linha perfeita, nos Estados Unidos, direita de esquerda, republicados de democratas. N\u00e3o foi espont\u00e2neo, uma compreens\u00e3o teol\u00f3gica un\u00e2nime ou mesmo indiscut\u00edvel. Havia debate. Evang\u00e9licos, nos EUA, se tornaram contra aborto e fizeram disso ferramenta de mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica porque uma estrat\u00e9gia foi constru\u00edda. Uma estrat\u00e9gia com o objetivo de criar uma base que facilitasse a elei\u00e7\u00e3o de parlamentares e presidentes conservadores nos costumes.<\/p>\n<p>Funcionou.<\/p>\n<p>Frank Schaeffer, hoje aos 69 anos, tem quase a idade que seu pai tinha quando morreu. Tendo dirigido as duas s\u00e9ries do velho te\u00f3logo, tornou-se um ativista pr\u00f3-legaliza\u00e7\u00e3o do aborto. Circula o pa\u00eds contando a hist\u00f3ria do tempo em que evang\u00e9licos n\u00e3o se interessavam pelo assunto.<\/p>\n<p><strong>ABORTO EM PRIMEIRA PESSOA<\/strong><\/p>\n<p><em>Depoimentos a Giullia Chechia e J\u00falia Ribeiro<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Quem nunca<\/em><\/strong><em> fez conhece quem j\u00e1 tenha feito. Velado, o aborto atravessa as hist\u00f3rias de fam\u00edlia mais sombrias, os traumas das amigas pr\u00f3ximas, a parte do passado que queremos esquecer. Por tr\u00e1s do v\u00e9u do sil\u00eancio, existem nomes, hist\u00f3rias, porqu\u00eas e mulheres. Sobretudo mulheres. Nos relatos abaixo, elas rompem o sil\u00eancio e retratam em primeira pessoa suas viv\u00eancias com o aborto. Os nomes nos relatos &#8211; mudados para proteger as identidades delas &#8211; s\u00e3o Ant\u00f4nia, L\u00facia, Maria e Luana. Mas poderiam ser Ana, Cristina, Joana e Vit\u00f3ria ou quaisquer outros, j\u00e1 que essas hist\u00f3rias ainda se repetem, cotidianamente, nas <\/em><a href=\"https:\/\/apps.canalmeio.com.br\/meio\/premium\/r\/MTE0MjI2\/NDAwNzA=\"><em>cl\u00ednicas clandestinas<\/em><\/a><em>, nos rem\u00e9dios abortivos comercializados no <\/em><a href=\"https:\/\/apps.canalmeio.com.br\/meio\/premium\/r\/MTE0MjI3\/NDAwNzA=\"><em>mercado ilegal<\/em><\/a><em>, nas <\/em><a href=\"https:\/\/apps.canalmeio.com.br\/meio\/premium\/r\/MTE0MjI4\/NDAwNzA=\"><em>agulhas de tric\u00f4<\/em><\/a><em> e em todos os outros m\u00e9todos <\/em><a href=\"https:\/\/apps.canalmeio.com.br\/meio\/premium\/r\/MTE0MjI5\/NDAwNzA=\"><em>perigosos<\/em><\/a><em> procurados por aquelas que querem descontinuar uma gravidez.<\/em><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f4nia, 38 anos, publicit\u00e1ria:<\/strong> Enquanto conto minha hist\u00f3ria, estou sentada aqui na Nossa Senhora da Paz, ao lado de um grupo cheio de beb\u00eas. Eu estou bem fisicamente, acabei de sair da consulta da m\u00e9dica, est\u00e1 tudo normal. O colo do \u00fatero voltando, o procedimento deu certo. Quer dizer, est\u00e1 tudo bem fisicamente, mas tem o processo psicol\u00f3gico, n\u00e9? Eu ainda estou vivendo o luto. O luto que envolve a tomada de decis\u00e3o e as d\u00favidas que cercam a tomada de decis\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 algo simples, \u00e9 muito, muito dif\u00edcil. Em toda tomada de decis\u00e3o voc\u00ea abre m\u00e3o de alguma coisa. Ent\u00e3o, acho que \u00e9 assim: \u2018Neste momento da sua vida, o que voc\u00ea quer ou n\u00e3o quer abrir m\u00e3o?\u2019. No meu caso, eu sou m\u00e3e de duas crian\u00e7as, tenho 38 anos \u2013 quase 39, j\u00e1 passei pela experi\u00eancia da maternidade, fiquei gr\u00e1vida e, nas minhas \u00fanicas experi\u00eancias de gravidez, tive os filhos e foram experi\u00eancias maravilhosas. Ent\u00e3o, quando eu descobri essa nova gesta\u00e7\u00e3o, senti um mix enorme de emo\u00e7\u00f5es. Desde a experi\u00eancia de maternal de novo, com toda a parte da fantasia e nostalgia, \u00e0s quest\u00f5es racionais, que me fizeram entender qual percurso queria seguir. Vale lembrar que eu s\u00f3 tive essa possibilidade de escolher por conta do acolhimento profissional que eu e meu companheiro tivemos. O acolhimento profissional de um obstetra que conversou com a gente, falou claramente sobre os riscos de interromper uma gravidez e os riscos de seguir adiante com a gesta\u00e7\u00e3o em idade avan\u00e7ada. Tive acesso a uma pessoa que conversou abertamente. \u00c9 um privil\u00e9gio.<\/p>\n<p>\u201cUma vez tomada a decis\u00e3o, sobre a parte social, \u00e9 extremamente cruel a falta de acesso. Precisei ir a S\u00e3o Paulo. N\u00f3s gastamos R$ 6 mil para fazer o procedimento em uma cl\u00ednica segura, limpa, na qual eu n\u00e3o sentia que estava fazendo algo errado. Mas a gente s\u00f3 pode fazer isso porque temos dinheiro, n\u00e9? Psicologicamente e socialmente falando, algo fundamental neste processo foi entender que a tomada de decis\u00e3o come\u00e7ou muito antes da pr\u00f3pria gravidez. Come\u00e7ou quando decidimos que n\u00e3o quer\u00edamos mais filhos e optamos por usar m\u00e9todos para evitar a concep\u00e7\u00e3o. Mas todos os m\u00e9todos t\u00eam um percentual de falha, n\u00e9? O fato de o m\u00e9todo ser falho n\u00e3o pode ser determinante. As pessoas dizem: \u2018se voc\u00ea engravidou mesmo se protegendo, era pra ser assim\u2019. N\u00e3o, n\u00e3o era pra ser. Por aqui, esse processo tem sido uma provoca\u00e7\u00e3o de vida muito forte porque sou extremamente apegada \u00e0 maternidade. Decidi dedicar todo meu tempo para a maternidade durante quatro anos seguidos e at\u00e9 hoje eu divido \u2014 minha prioridade \u00e9 a maternidade, quando consigo, eu trabalho. Tomar uma decis\u00e3o nessa perspectiva \u00e9 uma provoca\u00e7\u00e3o, \u00e9 um olhar de autonomia muito grande, um resgate enorme de quem sou como pessoa. A maternidade \u00e9 parte da minha vida, nunca vai deixar de ser. Mas estou olhando para as v\u00e1rias outras partes que me comp\u00f5em enquanto ser.\u201d<\/p>\n<p><strong>L\u00facia, 63 anos, aposentada:<\/strong> \u201cDesde muito cedo comecei a ser abusada por meu pai e tio. Todos mor\u00e1vamos juntos. Eu, minha av\u00f3, meu pai, tio e tia. Minha m\u00e3e me abandonou, quem me criava era meu pai e minha av\u00f3. Os traumas que sofri foram t\u00e3o grandes que n\u00e3o me lembro da minha inf\u00e2ncia. Nossa mente coloca os traumas em caixas bem fundas no inconsciente. Aos 15 anos, colocava trancas na porta do quarto para evitar os abusos. Minhas mem\u00f3rias ficam mais claras a partir dos 17 anos. N\u00e3o sei se os abusos influenciaram, mas minha vida sexual se iniciou tarde, aos 18 anos. Logo em seguida, precisei abortar. Assim aconteceu, um atr\u00e1s do outro. No total foram oito ou nove abortos. N\u00e3o recebi nenhuma orienta\u00e7\u00e3o ou educa\u00e7\u00e3o sexual das pessoas que me criaram, na verdade, recebi agress\u00f5es. N\u00e3o sei se isso influenciou minha vida sexual. \u00c9 uma culpa muito grande, a gente passa a vida toda se achando respons\u00e1vel pelas atitudes dos homens da casa. O desejo de ser m\u00e3e sempre foi muito intenso, mas nunca se concretizava. Todo o movimento do abuso gerou em mim falta de autoestima, inseguran\u00e7a e me fez escolher parceiros ruins para criar filhos. Dei muita bobeira. Religiosamente, n\u00e3o tenho nada contra o aborto. Se acontece uma gravidez n\u00e3o esperada, indesejada por qualquer que seja o motivo, e voc\u00ea n\u00e3o se sente preparada para ter o filho naquele momento, n\u00e3o h\u00e1 problema em descontinuar uma gravidez. Em muitas ocasi\u00f5es, \u00e9 necess\u00e1rio.\u201d<\/p>\n<p><strong>Maria, 76 anos, aposentada:<\/strong> \u201cQuando eu tinha 8 anos, entrei numa cl\u00ednica com a minha m\u00e3e. Hoje sou idosa e nunca me esque\u00e7o daquele dia. Ela nasceu em 1918, casou-se cedo. Meu pai a tra\u00eda. Minha m\u00e3e chegou a pegar uma doen\u00e7a sexual grave do meu pai, que nunca a deixava em paz. Antigamente era assim. A mulher n\u00e3o podia negar sexo para o marido. Assim, ela acabou fazendo 28 abortos. Naquele dia, esperei na recep\u00e7\u00e3o da cl\u00ednica enquanto outro aborto acontecia l\u00e1 dentro. Mais tarde, soube que ela tamb\u00e9m n\u00e3o queria ter me tido. Tentou se jogar da escada para perder naturalmente, mas n\u00e3o deu certo. A culpa a acompanhou at\u00e9 o fim. Na velhice, minha m\u00e3e ficou louca. Escrevia nas paredes de casa os nomes que colocaria naquelas crian\u00e7as abortadas. A culpa a acompanhou at\u00e9 o fim \u2013 por mais que, desde aquela \u00e9poca, n\u00f3s soub\u00e9ssemos que muitas mulheres pr\u00f3ximas tamb\u00e9m abortavam \u00e0s escondidas.\u201d<\/p>\n<p><strong>Luana, 20 anos, manicure<\/strong>: \u201cEu tinha 14 anos. Trabalhava em buffet infantil, ganhava R$ 46 por festa e n\u00e3o estava nem no Ensino M\u00e9dio. Moro em Parais\u00f3polis. Acabei engravidando do meu namorado e n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00e3o nenhuma de criar aquela crian\u00e7a. Eu amo crian\u00e7as, trabalhava com recrea\u00e7\u00e3o, passava o dia estirada no ch\u00e3o com as crian\u00e7as dos outros, mas decidi tirar. Naquele m\u00eas, sangrei todos os dias, engordei muito com o incha\u00e7o e precisei ir ao posto de sa\u00fade muitas e muitas vezes. Hoje tenho 20 anos e sou m\u00e3e de um rapazinho de dois. Trabalhando como manicure, estou construindo nossa casa em cima da padaria onde meu namorado trabalha. N\u00e3o interrompi a gravidez do meu filho porque minha irm\u00e3 havia acabado de fazer um aborto, quase morreu. Minha m\u00e3e me proibiu. Besteira, n\u00e3o morri evitando este segundo aborto, mas quase morri no parto. Pari num hospital p\u00fablico, me deixaram quase dois dias em trabalho de parto \u2013 mesmo sabendo que n\u00e3o seria poss\u00edvel, na minha situa\u00e7\u00e3o, t\u00ea-lo de forma natural. Sou asm\u00e1tica e estava h\u00e1 dois dias em trabalho de parto com v\u00e1rias outras mulheres gritando em macas de ferro. Pelo menos consegui terminar o Ensino M\u00e9dio. Desta \u00faltima vez, quando engravidei, comia dois salgados de R$ 1 antes de sair da favela, trabalhava numa ag\u00eancia de turismo durante o dia e, depois do expediente, atravessava a cidade para fazer faculdade \u00e0 noite. Aos finais de semana, continuava nos buffets infantis. Sobre a faculdade, eu amava. Fui a primeira da minha fam\u00edlia a entrar no ensino superior. Cursei alguns semestres de turismo, mas precisei parar. Quem sabe um dia eu volto. Agora tenho que cuidar do meu pequeno.\u201d<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Texto originalmente publicado em Canal Meio<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400\"> em 09 de abril de 2022. Para acessar o post original <a href=\"https:\/\/www.canalmeio.com.br\/edicoes\/2022\/04\/09\/edicao-de-sabado-como-o-aborto-virou-arma-politica\/\">clique aqui<\/a>.<\/span><\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Pedro Doria Em junho de 1967, Ronald Reagan ocupava fazia seis meses o governo da Calif\u00f3rnia, seu primeiro cargo eletivo. 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