{"id":22597,"date":"2018-10-05T19:22:07","date_gmt":"2018-10-05T22:22:07","guid":{"rendered":"https:\/\/spw.fw2web.com.br\/ptbr\/2018\/10\/05\/pinkwashing-a-terra-prometida-do-arco-iris\/"},"modified":"2024-01-31T16:03:26","modified_gmt":"2024-01-31T19:03:26","slug":"pinkwashing-a-terra-prometida-do-arco-iris","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/artigos\/pinkwashing-a-terra-prometida-do-arco-iris\/22597","title":{"rendered":"Pinkwashing: a terra prometida do arco-\u00edris"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/20180611131841.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8882 aligncenter\" src=\"http:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/20180611131841.jpg\" alt=\"\" width=\"569\" height=\"380\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><strong>por Berenice Bento (UnB)<\/strong><\/p>\n<p>Nada \u00e9 mais estranho, inicialmente, para um\/uma ativista dos direitos humanos da popula\u00e7\u00e3o LGBTTI (l\u00e9sbica, gay, bissexual, transexual, travesti, intersexo) em ver outros\/as ativistas implicados\/as na mesma causa, aderindo \u00e0 campanha de boicote \u00e0 Parada do Orgulho em Tel Aviv\/Israel. \u00a0Afinal, se sup\u00f5e que ali, como em tantos outros lugares do mundo, esta popula\u00e7\u00e3o viva imersa numa luta constante para terem seus direitos respeitados. Ent\u00e3o, por que artistas vinculados \u00e0 luta dos direitos humanos tem recusado convites para participar do Festival Internacional de Cinema de Tel Aviv (TLVFest), evento vinculado \u00e0 Parada do Orgulho?<\/p>\n<p>H\u00e1 outras perguntas: seria Israel, de fato, uma democracia para a popula\u00e7\u00e3o LGBTTI? Se a resposta for sim, fica mais sem sentido o chamado globalizado pelo boicote, uma vez que a Parada seria o momento de celebrar as conquistas e avan\u00e7ar nas lutas. Se a resposta for n\u00e3o, o boicote assumiria plenamente seu car\u00e1ter no sense: \u00e9 nosso dever apoiar a luta dos que sofrem opress\u00e3o e a Parada do Orgulho, embora com seu car\u00e1ter festivo, ainda se caracterizaria como um espa\u00e7o no qual uma popula\u00e7\u00e3o desrespeitada teria visibilidade. \u00a0H\u00e1, no entanto, uma aus\u00eancia nessas duas hip\u00f3teses sobre a rela\u00e7\u00e3o entre liberdade para popula\u00e7\u00e3o GLBTTI e democracia israelense que precisa ser nomeada para que esse ensaio possa continua: a Palestina.<\/p>\n<p>Qual a rela\u00e7\u00e3o entre a pol\u00edtica do Estado de Israel para a popula\u00e7\u00e3o LGBTTI e a Palestina? Nada, absolutamente nada, do que se teorize sobre o Estado de Israel pode ser desvinculado da situa\u00e7\u00e3o do povo palestino. E foi com surpresa que escutei um importante brasilianista gay criticar a incoer\u00eancia de se boicotar a Parada do Orgulho de Tel Aviv sem mencionar a rela\u00e7\u00e3o entre o Estado de Israel e suas pol\u00edticas de morte dirigidas ao povo palestino.\u00a0 No seu silenciamento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o dos\/as palestinos\/as, ele usou um dos mais violentos instrumentos de guerra contra o povo palestino: fazer de conta que este povo n\u00e3o existe ou tentar desvincular \u201ca sociedade israelense\u201d da Nakba (cat\u00e1sfrofe) palestina. Israel est\u00e1 condenado \u00e0 Palestina.<\/p>\n<p>Organizei minhas ideias por pontos: primeiro vou tentar responder \u00e0 quest\u00e3o se Israel \u00e9 o que afirma ser: uma democracia. Depois discutirei a rela\u00e7\u00e3o entre democracia e a popula\u00e7\u00e3o LGBTTI. Por fim, retomarei a discuss\u00e3o sobre o boicote a Israel a partir do debate sobre antissemitismo\/antissionismo e a crescente ades\u00e3o ao movimento globalizado que clama pelo boicote, desinvestimento e san\u00e7\u00f5es (BDS) a Israel.<\/p>\n<p><strong>Israel \u00e9 uma democracia?<\/strong><\/p>\n<p>Em agosto deste ano, o Knesset (parlamento israelense) aprovou uma lei que define Israel como Estado-na\u00e7\u00e3o do povo judeu<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Com esta nova legisla\u00e7\u00e3o, mais de 20% da popula\u00e7\u00e3o israelense, formada por palestinos-israelenses ter\u00e3o status de cidad\u00e3os\/cidad\u00e3s de segunda categoria. Esta lei, vale ressaltar, n\u00e3o inaugura o apartheid em rela\u00e7\u00e3o aos palestinos que conseguiram sobreviver \u00e0 limpeza \u00e9tnica que teve in\u00edcio em 1948 por que permaneceram em suas cidades de origem<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. A lei deu forma final e car\u00e1ter legal-democr\u00e1tico (foi votado no parlamento) a um sistema de organiza\u00e7\u00e3o da vida no Estado de Israel em que ser palestino \u00e9 a marca que define limites ao acesso aos direitos. Ent\u00e3o, como \u00e9 poss\u00edvel imaginar que um gay\/l\u00e9sbica\/trans palestino-israelense seja respeitado em sua identidade sexual e de g\u00eanero se a sua identidade palestina o joga imediatamente para um lugar inferior nas hierarquias sociais? Outros tra\u00e7os institucionais nos permitem problematizar o mito de Israel como pa\u00eds democr\u00e1tico: n\u00e3o existe uma constitui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 casamento civil e o reconhecimento do direito ao div\u00f3rcio \u00e9 um atributo de rabinos.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 outra dimens\u00e3o na quest\u00e3o da democracia. \u00c9 poss\u00edvel que haja uma lei que assegure direitos a todos\/as os\/as cidad\u00e3os\/cidad\u00e3s (o que n\u00e3o \u00e9 o caso de Israel) e, no entanto, nas rela\u00e7\u00f5es sociais mais difusas, estes direitos sejam constantemente amea\u00e7ados porque a lei n\u00e3o foi interiorizada como um marco orientador e regulador das condutas. Ou seja, aqui estamos no terreno do descompasso entre a norma jur\u00eddica e a vida social.\u00a0 Sabemos que o mundo das leis n\u00e3o anda de m\u00e3os dadas com o mundo da vida. E nesse v\u00e3o se abre um espa\u00e7o tenso de luta por reconhecimento. Num esfor\u00e7o de imagina\u00e7\u00e3o construamos uma Israel em que todos s\u00e3o iguais perante a lei (conforme dito antes Israel \u00e9 hoje um Estado segregacionista). Isto significaria que os direitos LGBTTI seriam respeitados?<\/p>\n<p>No livro Mirage gay \u00e0 Tel-Aviv<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, Jean Stern afirma que Israel continua sendo um pa\u00eds profundamente homof\u00f3bico, no qual 47% da popula\u00e7\u00e3o considera que a homossexualidade \u00e9 uma doen\u00e7a. Nas Paradas do Orgulho de Jerusal\u00e9m nos anos de 2009 e 2015<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> aconteceram atentados cometidos por judeus contra manifestantes. Uma das manifestantes ferida, em 2015, morreu. \u00a0Esses dados nos permitem compreender que Israel n\u00e3o \u00e9 uma democracia legal plena e que a popula\u00e7\u00e3o LGBTTI n\u00e3o vive no para\u00edso, na Terra Prometida do Arco-\u00cdris, pois no mundo da vida persiste uma avers\u00e3o profunda \u00e0 popula\u00e7\u00e3o LGBTTI. Desta forma, se poderia argumentar que essas s\u00e3o \u00f3timas raz\u00f5es para incentivar a participa\u00e7\u00e3o na Parada do Orgulho e esvaziar o chamado boicote, conforme apontou o brasilianista.<\/p>\n<p><strong>A Parada de Tel Aviv: evento oficial do Estado de Israel<\/strong><\/p>\n<p>Qual a import\u00e2ncia que a Parada do Orgulho assume para o Estado de Israel? A Parada faz parte do calend\u00e1rio oficial.\u00a0 O Estado assume a tarefa de produzir uma verdade (pa\u00eds que respeita os direitos LGBTTI) e transform\u00e1-la (supostamente) em uma marca diferenciadora em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses vizinhos que n\u00e3o respeitariam os mesmos direitos. Vimos que na vida real isto n\u00e3o acontece. A pregunta que fica \u00e9, portanto, por que o Estado investe tanto para vender globalmente &#8212; como um de seus principais produtos de exporta\u00e7\u00e3o &#8212; a imagem de pa\u00eds democr\u00e1tico, habitado por pessoas que respeitam as m\u00faltiplas express\u00f5es de sexualidade e de g\u00eanero?<\/p>\n<p>Todo e qualquer Estado precisa ter legitimidade para existir. Essa legitimidade requer um quantum de credibilidade de suas pol\u00edticas s\u00e3o consistentes com determinados valores considerados fundamentais. O Estado de Israel construiu uma estrat\u00e9gia discursiva para convencer o Ocidente, principalmente os Estados Unidos, de que ali os valores ocidente (o valor da liberdade\/autonomia individual) s\u00e3o o tutano de suas pol\u00edticas estatais. Nesse marco, a quest\u00e3o dos direitos LGBTTI passou a ocupar um lugar central na agenda oficial de propaganda israelense.<\/p>\n<p>Em 2005 ap\u00f3s a violenta repress\u00e3o \u00e0 segunda Intifada (movimento palestino de resist\u00eancia) teve in\u00edcio a campanha \u201cBrand Israel\u201d (Marca Israel). A ministra de Assuntos Estrangeiros da \u00e9poca, Tzipi Livni (ex-agente do Servi\u00e7o Secreto Israelense) foi uma das protagonistas no projeto que criou um modelo de cidade gay para ser vendida. Desde ent\u00e3o, jornalistas ocidentais s\u00e3o convidados oficiais do Estado para visitar a cidade. O n\u00famero de turistas na Parada Gay de Tel Aviv passou de 7 mil em 2006 para\u00a0 35 mil em 2017. Em 2018 este n\u00famero chegou a 250 mil pessoas. Ainda segundo Jean Stern, a Parada Gay \u00e9 um truque pol\u00edtico fabricado, organizado, e financiado pelo Estado. O centro gay de Tel Aviv \u00e9 um Centro Municipal em que os sal\u00e1rios s\u00e3o pagos pela prefeitura. Os publicit\u00e1rios que fazem as campanhas anuais da Parada tamb\u00e9m s\u00e3o pagos pela prefeitura de Tel Aviv. Tudo \u00e9 absolutamente oficial.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em 2005 foi criada uma c\u00e9lula para controlar a comercializa\u00e7\u00e3o da imagem do pa\u00eds nomeada Equipe de Gest\u00e3o da Marca Israel que \u00e9 gerenciada por Saatchi &amp; Saatchi, importante ag\u00eancia internacional de neg\u00f3cios. A primeira medida tomada por Marca Israel foi substituir o velho slogan &#8220;The Jewish Heritage&#8221; (A Heran\u00e7a Judaica), considerado brega, por &#8220;Innovation for Life&#8221; (Inova\u00e7\u00e3o para a Vida) como tra\u00e7o que caracteriza o pa\u00eds. A Equipe de Gest\u00e3o da Marca Israel tamb\u00e9m fortaleceu a capacidade operativa dos postos de turismo na Europa e nos Estados Unidos e multiplicou campanhas de publicidade em todo o mundo que projetam imagens de um pa\u00eds pacificado, divertido e criativo, apartado de qualquer ideia de Ocupa\u00e7\u00e3o de Territ\u00f3rios ou coloniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Numa r\u00e1pida pesquisa no google com os descritivos \u201cParada gay+Tel Aviv\u201d apareceram\u00a0 dezenas de imagens como esta:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/israel.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-8881 aligncenter\" src=\"http:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/israel.jpg\" alt=\"\" width=\"630\" height=\"419\" \/><\/a><\/p>\n<p>Nas dezenas de fotos que examinei n\u00e3o h\u00e1 nada, nem uma \u00fanica imagem que remeta \u00e0 situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de desrespeito em que, de fato, vivem os LGBTTI em Israel que convivem, conforme apontei, com n\u00edveis de profunda viol\u00eancia homof\u00f3bica. Tampouco h\u00e1 qualquer men\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o do povo palestino, mesmo quando, exatamente no dia da Parada do Orgulho de 2018 em Tel Aviv, tr\u00eas adolescentes palestinos tenham sido assassinados em Gaza e mais de 500 civis feridos pelo Ex\u00e9rcito de Israel. A aparente espontaneidade dos corpos livres dan\u00e7ando que essas imagens projetam tem como objetivo esconder o car\u00e1ter fabricado e controlado da mensagem que deve ser interiorizada por estrangeiros e visitantes: Israel \u00e9 um pa\u00eds livre e feliz.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as manifesta\u00e7\u00f5es organizadas por grupos dos direitos humanos LGBTTI contr\u00e1rios \u00e0 Ocupa\u00e7\u00e3o e \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o da Palestina s\u00e3o violentamente reprimidas<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> e n\u00e3o aparecem em nenhum ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o. Enquanto as imagens de corpos festejando s\u00e3o consumidas, o que est\u00e1 em curso \u00e9, de fato, uma Guerra de Ocupa\u00e7\u00e3o Midi\u00e1tica. Ou, nos termos do document\u00e1rio The Occupation of the American Mind<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>, um controle absoluto do fluxo de not\u00edcias que se referem a qualquer quest\u00e3o vinculada a Israel. A magia da hasbara (propaganda) faz desaparecer o uniforme do\/a soldado\/a que horas antes de ir para as ruas de Tel Aviv cantar e dan\u00e7ar em um trio el\u00e9trico, estava prendendo alguma crian\u00e7a palestina pelo suposto crime de jogar pedras nos soldados de Israel. Oculta os atos da soldada que entra sistematicamente nas casas de fam\u00edlias palestinas para encarcerar algum de seus membros. Ali na Parada, a mesma soldada \u00e9 uma l\u00e9sbica feliz. Esta outra identidade que habita sua pele faz o milagre de transform\u00e1-la de opressora em figura exemplar da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental.<\/p>\n<p>Carl von Clausewitz afirmou que a guerra \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica. Michel Foucault inverteu este aforismo ao afirmar que a pol\u00edtica \u00e9 a guerra continuada por outros meios. E aqui, na cidade mais Ocidental do Oriente M\u00e9dio, acontece outra invers\u00e3o. A festa \u00e9 uma forma continuada da guerra. A festa, neste contexto, n\u00e3o \u00e9 um evento extracotidiano. Est\u00e1, ao contr\u00e1rio, em linha de continuidade com a pol\u00edtica global implementada pelo Estado para fazer desaparecer as necropol\u00edticas (conceito de Achille Mbmbe) que governam o povo palestino. N\u00e3o muito distante das ruas tomadas pelo festival, continuam a existir v\u00e1rios campos de refugiados habitados por palestinos que, certamente, tiveram suas casas expropriadas pelo Estado de Israel para construir as ruas que, no calor do ver\u00e3o do Mediterr\u00e2neo, recebe turistas que celebram a beleza da liberdade.<\/p>\n<p>Agora a pergunta deve ser invertida: Como \u00e9 poss\u00edvel que n\u00e3o se denuncie a estrat\u00e9gia do Estado de Israel em se apropriar de bandeiras de ativistas LGBTTI como instrumento de manuten\u00e7\u00e3o de poder colonial e da segrega\u00e7\u00e3o? Como \u00e9 poss\u00edvel desfrutar da cor azul turquesa do Mediterr\u00e2neo sem viver um dilema \u00e9tico por saber que os\/as palestinos n\u00e3o podem ascender aos mesmos espa\u00e7os e mais ainda que, muito possivelmente, o esbelto corpo do gay israelense que desfila portava, horas antes, pesada muni\u00e7\u00e3o que foi completamente descarregada na execu\u00e7\u00e3o de um jovem palestino que o amea\u00e7ou com uma fa\u00e7a em uma das in\u00fameras barreiras militares (checkpoint) israelenses?<\/p>\n<p>Estas considera\u00e7\u00f5es certamente n\u00e3o fazem nenhum sentido para aqueles\/as que reduzem ou leem o mundo a partir de uma \u00f3tica exclusivamente identit\u00e1ria e elegem uma \u00fanica dimens\u00e3o de sua exist\u00eancia como sendo englobante e \u00fanica refer\u00eancia de suas a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. A luta identit\u00e1ria quando n\u00e3o est\u00e1 conectada a outras lutas por reconhecimento e por justi\u00e7a social, facilmente pode ser cooptada pela l\u00f3gica da domina\u00e7\u00e3o. Em tempos de \u201cneoliberalismo progressista\u201d, nos termos de Nancy Fraser<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>, movimentos identit\u00e1rios podem alijar-se das lutas por transforma\u00e7\u00e3o social e serem colonizadas pelo liberalismo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, nesta perspectiva, pouco importa se a l\u00e9sbica que est\u00e1 ali performatizando sua orienta\u00e7\u00e3o sexual, seja uma soldada de um ex\u00e9rcito que tem sistematicamente cometido crimes contra a humanidade denunciados em Cortes Internacionais<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>. Sua \u00a0participa\u00e7\u00e3o na Parada, de fato, \u00a0n\u00e3o interrompe suas atividades militares. Ao contr\u00e1rio, estar na Parada do Orgulho \u00e9 uma tarefa c\u00edvica t\u00e3o importante quanto controlar milimetricamente a vida do povo palestino. N\u00e3o h\u00e1 qualquer disjun\u00e7\u00e3o entre as duas tarefas: festejar e matar.\u00a0 Na Parada ela da continuidade \u00e0 guerra de elimina\u00e7\u00e3o de um povo. \u00c9 este o sentido do pinkwashing<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>,<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>.<\/p>\n<p>Em artigo publicado no\u00a0New York Times, em 2011, Sarah Schulman cunhou este termo hoje amplamente citado. O que o Estado de Israel faz \u00e9\u00a0pinkwashing. A palavra \u201ccal\u201d (tinta que utilizamos para pintar paredes) chama-se\u00a0whitewashing. A express\u00e3o\u00a0pinkwashing\u00a0(lavagem rosa) significa, portanto, um conjunto de discursos que utiliza a suposta liberdade LGBTTI para limpar, esconder os crimes contra a humanidade cometidos pelo Estado de Israel. No artigo<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a> A Documentary Guide to Pinkwashing, publicado em 2016, a mesma Sarah Schulman historiciza o pinkwashing e aponta seus desdobramentos.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 meu objetivo neste ensaio apresentar outras estrat\u00e9gias discursivas acionadas pelo Estado de Israel para sanear sua imagem de pa\u00eds que sistematicamente tem violado as leis e acordos internacionais. S\u00e3o muitos os \u201cwashings\u201d, as faxinas da imagem, entre eles: o veganwashing<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>, o art-washing<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a> e tamb\u00e9m o redwashing<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>, conceito que propus para definir os discursos de sionistas ditos de esquerda que insistem na posi\u00e7\u00e3o de \u201cescutar\u201d os dois lados, como se a Palestina e Israel estivessem em situa\u00e7\u00f5es sim\u00e9tricas. Estas \u201cfaxinas\u201d discursivas t\u00eam como tra\u00e7o comum \u00a0a reprodu\u00e7\u00e3o e venda de Israel como um pa\u00eds cosmopolita, emancipat\u00f3rio e moralmente superior em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses \u00e1rabes porque respeita a autonomia dos indiv\u00edduos. H\u00e1 algum tempo os \u201cintelectuais org\u00e2nicos\u201d do Estado de Israel descobriram que uma guerra n\u00e3o se ganha apenas com armas altamente sofisticadas. Depois de cada massacre contra o povo palestino \u00e9 crucial apagar da mem\u00f3ria do mundo essas cenas de horror. Essa \u00e9 fun\u00e7\u00e3o das faxinas (\u201cwashing\u201d) midi\u00e1ticas. Frente ao pinkwashing do Estado de Israal, como devem atuar os ativistas LGBTTI \u00a0vinculados a uma perspectiva interseccional de justi\u00e7a e transforma\u00e7\u00e3o social? \u00a0N\u00e3o resta d\u00favida: nossa tarefa e desafio \u00e9 mobilizar-nos, globalmente, pelo boicote \u00e0 Parada e a todas as atividades a ela vinculada.<\/p>\n<p><strong>Boicote e antissemitismo\/antissionismo<\/strong><\/p>\n<p>Meus argumentos centrais at\u00e9 aqui foram tr\u00eas. Israel n\u00e3o \u00e9 uma democracia nem em termos legais, nem em termos substantivos. A cultura de Israel n\u00e3o se caracteriza, fundamentalmente, pelo respeito \u00e0s diferen\u00e7as sexuais e de g\u00eanero. A Parada do Orgulho de Tel Aviv \u00e9 um instrumento de guerra mobilizado pelo Estado de Israel. A quarta e \u00faltima quest\u00e3o que quero abordar diz respeito \u00e0 rela\u00e7\u00e3o triangular entre o movimento de Boicote, Desinvestimentos e San\u00e7\u00f5es (BDS)\/ antissionismo\/ antissemitismo. Seria o BDS<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a> uma forma contempor\u00e2nea de antissemitismo? E o chamado do movimento pelo boicote \u00e0 Parada do Orgulho esconderia, na verdade, o antissemitismo como sua verdadeira face?<\/p>\n<p>Assistimos uma ofensiva, nunca antes vista, por parte do Estado de Israel no sentido de fazer coincidir antissemitismo e antissionismo como estrat\u00e9gia para atacar e debilitar o BDS. A l\u00f3gica que informa a ofensiva \u00e9 induzir \u00e0 equival\u00eancia simples. Ou seja, os termos s\u00e3o intercambi\u00e1veis: quem faz uma cr\u00edtica ao sionista \u00e9 automaticamente qualificado como antissemita, principalmente se pronuncia a sigla BDS, considerada abjeta pelo Estado de Israel.<\/p>\n<p>Em v\u00e1rias partes do mundo ativistas dos direitos humanos e defensores da autodetermina\u00e7\u00e3o do povo palestino t\u00eam sido ferozmente atacados.\u00a0 Na Inglaterra o l\u00edder do Partido Trabalhista, Corbyn Jeremy<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a>, e in\u00fameros outros membros que denunciam os crimes de Israel e que endossam o BDS vem sendo duramente perseguidos com a acusa\u00e7\u00e3o de antissemitismo. No Brasil, o ex-deputado federal Milton Temer<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>, reconhecido como uma das vozes mais comprometidas com a justi\u00e7a social no Brasil e por seus v\u00ednculos com a solidariedade ao povo palestino, tamb\u00e9m tem sofrido difama\u00e7\u00f5es constantes por parte de sionistas.<\/p>\n<p>Um dos livros de maior f\u00f4lego que se dedica a separar juda\u00edsmo e sionismo \u00e9 Caminhos Divergentes: judaicidade e cr\u00edtica do sionismo<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a> \u00a0da fil\u00f3sofa judia Judith Butler, ela mesma v\u00edtima permanente de difama\u00e7\u00f5es sobre seu suposto antissemitismo. Nas reflex\u00f5es desenvolvidas no livro, Butler dir\u00e1 que a tradi\u00e7\u00e3o \u00e9tica da judaicidade (termo que ela resgata de Hanna Arendt, outra fil\u00f3sofa judia), tem elementos estruturantes que n\u00e3o autorizam o sionismo a figurar como representante dos valores judaicos.\u00a0 Nas primeiras p\u00e1ginas do livro ela afirma:<\/p>\n<p>\u201cSe eu conseguir mostrar que existem recursos judaicos para a cr\u00edtica da viol\u00eancia de Estado, da subjuga\u00e7\u00e3o colonial das popula\u00e7\u00f5es, da expuls\u00e3o e da despossess\u00e3o, terei conseguido mostrar que uma cr\u00edtica judaica da viol\u00eancia de Estado israelense \u00e9, pelo menos poss\u00edvel &#8211;\u00a0 e talvez at\u00e9 eticamente obrigat\u00f3ria. Se eu mostrar, al\u00e9m disso, que alguns valores judaicos de coabita\u00e7\u00e3o com os n\u00e3o judeus s\u00e3o parte da pr\u00f3pria subst\u00e2ncia \u00e9tica da judaicidade diasp\u00f3rica, ser\u00e1 poss\u00edvel concluir que os compromissos com a igualdade social e justi\u00e7a social t\u00eam sido parte fundamental das tradi\u00e7\u00f5es judaicas seculares, socialistas e religiosas.\u201d\u00a0 (p.11)<\/p>\n<p>Mas muito antes desse livro, Butler tratou da complexa rela\u00e7\u00e3o entre antissemitismo e antissionismo. Em Vida prec\u00e1ria: el poder del duelo y la viol\u00eancia<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a> \u00a0j\u00e1 havia feito a seguinte elabora\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<blockquote><p>\u201c(&#8230;) se pensarmos que criticar a viol\u00eancia de Israel ou demandar t\u00e1ticas espec\u00edficas que pressionem economicamente o Estado de Israel para que modifique sua pol\u00edtica equivale a formar parte de um \u201cantissemitismo\u201d, de fato deixaremos de expressar nossa oposi\u00e7\u00e3o por medo de ser identificado\u00a0 como parte de a\u00e7\u00e3o antissemita.\u201d (p.136).<\/p><\/blockquote>\n<p>Entre outros valores da judaicidade, a fil\u00f3sofa destaca o princ\u00edpio da coexist\u00eancia. Os\/as judeus\/judias viveram e seguem vivendo em diversos pa\u00edses e tiveram que conviver ao longo dos s\u00e9culos com diferen\u00e7as culturais e lutar para manter seus pr\u00f3prios valores. Inevitavelmente, no entanto, foram afetados pelos encontros com outros valores, resultando da\u00ed a pr\u00f3pria impossibilidade de pensar que o\/a judeu\/judia \u00e9 um sujeito blindado, universal, n\u00e3o afet\u00e1vel pelos contextos culturais espec\u00edficos que o cerca. Embora haja uma tradi\u00e7\u00e3o cristalizada nos livros sagrados, elas entram em contato com os contextos locais. O resultado dessa experi\u00eancia \u00e9 uma releitura (ou tradu\u00e7\u00e3o cultural) do \u201cser\u201d judeu\/judia. Os tra\u00e7os fortes da judaicidade estariam na capacidade de conviver, coabitar, traduzir culturalmente, caracter\u00edsticas completamente estranhas \u00e0 ideologia racista do sionismo. Onde a judaicidade diz \u201ccoabita\u00e7\u00e3o\u201d, os sionistas implementam limpeza \u00e9tica. \u00a0Talvez o movimento globalizado de judeus\/judias \u201cN\u00e3o em meu nome\u201d<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a> seja uma das express\u00f5es pol\u00edticas mais contundentes conectadas com as formula\u00e7\u00f5es de Butler. S\u00e3o judeus\/judias que n\u00e3o abrem m\u00e3o de se identificarem com a tradi\u00e7\u00e3o judaica, mas recusam qualquer identifica\u00e7\u00e3o com o sionismo. Mais do que uma recusa passiva, passam a constituir ativismos que denunciam o sionismo como uma das express\u00f5es mais tacanhas do racismo contempor\u00e2neo. Tentam assim, salvar o juda\u00edsmo do sionismo.<\/p>\n<p>Vozes difusas contra a segrega\u00e7\u00e3o dos palestinos-israelenses e contra a coloniza\u00e7\u00e3o israelense na Palestina, antes dispersas em grupos espalhados pelo mundo, agora tem como ponto de unidade o movimento de solidariedade internacional ao povo palestino que clama por Boicote, Desinvestimento e San\u00e7\u00f5es (BDS) ao Estado de Israel. \u00a0Este \u00e9 o fantasma que atormenta a pol\u00edtica do Brand Israel. E a resposta toma forma de um insulto de antissemitismo, \u00a0como uma tentativa de controle dos discursos que circulam na esfera p\u00fablica, mediante o terrorismo de acusa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O BDS tem como inspira\u00e7\u00e3o \u00e0 luta do povo da \u00c1frica do Sul contra o apartheid. \u00c9 um chamado global (n\u00e3o-violento) da sociedade civil palestina que tem como princ\u00edpio o \u201cesp\u00edrito da solidariedade internacional, da coer\u00eancia moral e da resist\u00eancia \u00e0 injusti\u00e7a e \u00e0 opress\u00e3o\u201d (Manifesto do BDS). O objetivo \u00e9 impor boicotes e implementar iniciativas de desinvestimento contra Israel semelhantes \u00e0s aplicadas \u00e0 \u00c1frica do Sul no tempo do apartheid.\u00a0 Estas medidas t\u00eam como objetivo obrigar Israel a cumprir a sua obriga\u00e7\u00e3o de reconhecer o direito inalien\u00e1vel do povo Palestino \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o e cumpra plenamente com os preceitos do Direito Internacional e com os princ\u00edpios universais dos Direitos Humanos.<\/p>\n<p>O BDS tornou-se o alvo principal do Estado de Israel. Em v\u00e1rios pa\u00edses o lobby sionista tenta aprovar leis que passam a definir os ativistas do BDS como antissemitas<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a>. \u00c9 neste contexto de guerra ao BDS, que o Estado de Israel tem aumentado os investimentos em um de seus principais eventos, a Parada do Orgulho. Por outro lado, observa-se a ofensiva violenta contra artistas que aderem ao BDS mediante persegui\u00e7\u00e3o sob a acusa\u00e7\u00e3o de antissemitismo. Em Israel, o BDS est\u00e1 criminalizado.<\/p>\n<p>O aeroporto de Tel Aviv, por exemplo, \u00e9 palco de constantes deporta\u00e7\u00f5es de ativistas dos direitos humanos que s\u00e3o identificados como pertencentes ao BDS. Em outro artigo apontei as estrat\u00e9gias que tive que adotar para n\u00e3o ser deportada quando cheguei ao aeroporto Ben Gurion<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a>, em Tel Aviv. \u00a0As crescentes deporta\u00e7\u00f5es, sintoma de um Estado paranoico<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a>, \u00a0faz-me lembrar a m\u00e1xima da Ditadura Militar no Brasil: \u201cAme-o ou deixe-o\u201d. Em Israel, contudo, essa m\u00e1xima foi invertida: \u201cAme-o ou n\u00e3o ouse entrar\u201d.<\/p>\n<p>Para concluir, retomo as reflex\u00f5es de Haneen Maikey, ativista queer palestina: \u201cn\u00e3o haver\u00e1 paz duradoura ou justa at\u00e9 que os palestinos que vivem dentro de Israel, na Cisjord\u00e2nia ocupada e em Gaza recebam total igualdade em sua p\u00e1tria e os refugiados palestinos tenham garantido o seu direito legal de retornar.\u201d<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a> O que podemos fazer n\u00f3s ativistas feministas, queer e LGBTI do Brasil e, mais amplamente, da Am\u00e9rica Latina, de modo a contribuir para que a paz e justi\u00e7a social se efetivem na Palestina?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Para uma discuss\u00e3o sobre a Lei B\u00e1sica do Estado-na\u00e7\u00e3o israelense, ver <a href=\"http:\/\/justificando.cartacapital.com.br\/2018\/08\/15\/lei-do-apartheid-sionista-nao-rendera-jerusalem\/\">aqui<\/a> e <a href=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/analise\/49692\/estado-nacao-israelense-nova-etapa-do-apartheid-colonialista\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Para uma discuss\u00e3o sobre a quest\u00e3o ver: Ilan Papp\u00e9, A limpeza \u00c9tnica da Palestina, Editora Sundermann, 2017.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Jean Stern, Mirage gay \u00e0 Tel-Aviv, Les \u00e9ditions Libertalia, Paris, 2017.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>\u00a0Ver <a href=\"https:\/\/forum.outerspace.com.br\/index.php?threads\/toler%C3%A2ncia-news-judeu-ortodoxo-esfaqueia-seis-pessoas-durante-parada-gay-de-jerusal%C3%A9m.428465\/\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>\u00a0Ver <a href=\"http:\/\/www.palestinechronicle.com\/lgbt-activists-block-tel-aviv-pride-march-with-pro-palestinian-protest\/\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> <em>The\u00a0 occupation of the American Mind<\/em>,\u00a0 produzido por The media education foundation, 2016. 84 min.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a>\u00a0Ver <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/destaques\/uma-feminista-propoe-repensar-a-esquerda\/\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a>\u00a0Leia <a href=\"https:\/\/www.haaretz.com\/opinion\/.premium-the-idf-committed-4-war-crimes-in-recent-weeks-but-who-cares-1.5883568\">aqui<\/a> em ingl\u00eas.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a>\u00a0Leia a<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2011\/11\/23\/opinion\/pinkwashing-and-israels-use-of-gays-as-a-messaging-tool.html\">qui<\/a> em ingl\u00eas.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Para uma aproxima\u00e7\u00e3o com as atividades da Comiss\u00e3o BDS Pinkwashing, ver <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/BDSComisionPinkwatching\/\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a>\u00a0Leia <a href=\"https:\/\/www.huffingtonpost.com\/sarah-schulman\/israel-pinkwashing_b_1132369.html\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a>\u00a0Leia <a href=\"http:\/\/warwickglobalist.com\/2016\/03\/17\/a-cruelty-free-nation-veganwashing-in-israel\/\">aqui<\/a> em ingl\u00eas.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a>\u00a0Leia <a href=\"https:\/\/www.thenational.ae\/opinion\/comment\/the-art-of-art-washing-how-israel-s-propaganda-machine-swings-into-action-every-time-an-artist-boycotts-the-country-1.724531\">aqui<\/a> em ingl\u00eas.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a>\u00a0Leia <a href=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/opiniao\/46262\/redwashing-discursos-de-esquerda-para-limpar-os-crimes-do-estado-de-israel\">aqui<\/a> em ingl\u00eas.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a>\u00a0Ver a p\u00e1gina <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/BDS-Brasil-124030557668192\/\">BDS Brasil<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/BDSNationalCommittee\/\">BDS Internacional<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Ver <a href=\"https:\/\/www.esquerda.net\/artigo\/jeremy-corbyn-o-povo-palestiniano-e-o-antissemitismo\/56743\">aqui<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.haaretz.com\/world-news\/europe\/jeremy-corbyn-endorses-bds-movement-in-2015-footage-1.6389090\">aqui<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2018\/03\/29\/opinion\/jeremy-corbyn-anti-semite.html\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Ver <a href=\"https:\/\/theintercept.com\/2018\/05\/13\/leia-o-post-censurado-judicialmente-do-jornalista-milton-temer-criticando-a-vereadora-tucana-teresa-bergher-sobre-israel\/\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> Judith Butler, <em>Caminhos Divergentes: judaicidade e cr\u00edtica do sionismo<\/em>, S\u00e3o Paulo: Boitempo editorial, 2017<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Judith Butler,\u00a0 <em>Vida prec\u00e1ria: el poder del duelo y la viol\u00eancia<\/em>, Barcelona, Buenos Aires, M\u00e9xico: Paid\u00f3s, 2006.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a>\u00a0Acesse a p\u00e1gina\u00a0<a href=\"https:\/\/jewssayno.org\/about\/\">Jews Say No<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a>\u00a0Ver <a href=\"http:\/\/www.morasha.com.br\/antissemitismo\/o-novo-antissemitismo.html\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a>\u00a0Ver <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/posts\/israel-sem-mascaras-por-uma-feminista-brasileira\/\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a>\u00a0Ver <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/mundo\/noticia\/israel-impede-entrada-de-ativista-americana-judia-que-apoia-boicote.ghtml\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> Ver <a href=\"http:\/\/old.operamundi.com.br\/blog\/samuel\/quebrandomuros\/haneen-maikey-porque-devemos-boicotar-o-orgulho-gay-em-tel-aviv\/\">aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; por Berenice Bento (UnB) Nada \u00e9 mais estranho, inicialmente, para um\/uma ativista dos direitos humanos da popula\u00e7\u00e3o LGBTTI (l\u00e9sbica, gay, bissexual, transexual, travesti, 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