{"id":22588,"date":"2018-09-10T18:56:05","date_gmt":"2018-09-10T21:56:05","guid":{"rendered":"https:\/\/spw.fw2web.com.br\/ptbr\/2018\/09\/10\/8799-2\/"},"modified":"2025-07-17T13:26:05","modified_gmt":"2025-07-17T16:26:05","slug":"8799-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/biblioteca-spw\/entrevistas\/8799-2\/22588","title":{"rendered":"QueerMuseu: em defesa da diferen\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/Queermuseu.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-8803 aligncenter\" src=\"http:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/Queermuseu.jpg\" alt=\"\" width=\"631\" height=\"338\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>O SPW traduziu a <a href=\"http:\/\/artememoria.org\/#in-defense-of-difference\">entrevista<\/a> do curador do Queermuseu, Gaud\u00eancio Fidelis, ao portal Artememoria sobre o fechamento da exposi\u00e7\u00e3o por press\u00e3o da extrema-direita.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/59b6bfe38f35d-59b6c013997de-480x640-1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-8802 aligncenter\" src=\"http:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/59b6bfe38f35d-59b6c013997de-480x640-1.jpg\" alt=\"\" width=\"419\" height=\"559\" \/><\/a><\/p>\n<p>S\u00c9RIE DE ENTREVISTA: SOBRE A CENSURA<\/p>\n<p>Uma exposi\u00e7\u00e3o de arte visual se tornou o foco da polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Brasil no outono passado. A exposi\u00e7\u00e3o, chamada Queermuseu: Cartografias da Diferen\u00e7a na Arte Brasileira, estreou no Santander Cultural, em Porto Alegre, em agosto de 2017. No in\u00edcio de setembro, um pequeno grupo de manifestantes de extrema-direita gravou v\u00eddeos para atacar. a exposi\u00e7\u00e3o direcionada ao conte\u00fado de certas obras, alegando que ela fez apologia \u00e0 pedofilia, \u00e0 bestialidade e ao rebaixamento de imagens religiosas. De repente, o Santander divulgou um post em sua p\u00e1gina no Facebook que encerrou a exposi\u00e7\u00e3o um m\u00eas antes do previsto.<\/p>\n<p>O que se seguiu foi uma resposta viral online a favor e contra a exposi\u00e7\u00e3o. Alguns grupos, incluindo pol\u00edticos conservadores e a organiza\u00e7\u00e3o de direita Movimento Brasil Livre, ou MBL, continuaram a acusar a exposi\u00e7\u00e3o de conte\u00fado impr\u00f3prio. No entanto, de acordo com um estudo realizado pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas sobre Tweets relacionados \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o, os bots geraram quase 13% das cr\u00edticas sobre a exposi\u00e7\u00e3o, indicando que a rea\u00e7\u00e3o negativa ao Queermuseum n\u00e3o foi t\u00e3o generalizada quanto parecia originalmente. Enquanto isso, a comunidade de arte e outros denunciaram o fechamento prematuro da exposi\u00e7\u00e3o como censura. Nos meses que se passaram desde que o Queermuseum foi encerrado, Gaud\u00eancio Fidelis, o curador da exposi\u00e7\u00e3o, tornou-se um defensor da liberdade de express\u00e3o art\u00edstica. Ele fala com Artememoria sobre sua exposi\u00e7\u00e3o, seu fechamento e as implica\u00e7\u00f5es desses eventos na democracia brasileira.<\/p>\n<p><em>Artememoria: Queermuseum veio de um longo processo de reflex\u00e3o cr\u00edtica, que voc\u00ea desenvolveu atrav\u00e9s das v\u00e1rias exposi\u00e7\u00f5es que voc\u00ea curou ao longo dos anos. Nesse contexto, voc\u00ea poderia resumir a ideia por tr\u00e1s dessa exposi\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Gaud\u00eancio Fidelis: A ideia dessa plataforma partiu da perspectiva de criar um espa\u00e7o de di\u00e1logo e debate aberto a quest\u00f5es de express\u00e3o, identidade, g\u00eanero e diferen\u00e7a. Diversidade e diferen\u00e7a se tornaram termos gen\u00e9ricos, mas eu os usei de uma maneira muito espec\u00edfica. A diversidade inclui a ideia de diferen\u00e7a, perspectivas pol\u00edticas sobre a diferen\u00e7a e inclui aqui, mas n\u00e3o se limita \u00e0 diversidade da forma. Na exposi\u00e7\u00e3o, podemos pensar em uma variedade de quest\u00f5es que se relacionam especificamente \u00e0 arte, mas, como sempre, meu objetivo era essencialmente criar uma plataforma para o debate. Embora a exposi\u00e7\u00e3o, como plataforma de debate, tenha sido abruptamente interrompida, vi uma parte consider\u00e1vel da sociedade brasileira reabrir a discuss\u00e3o de maneira surpreendente. Ela persiste e se amplia. Nesse sentido, a exposi\u00e7\u00e3o atingiu seu objetivo original.<\/p>\n<p>\u00c9 importante destacar mais um aspecto do Queermuseum, que o diferencia de outras exposi\u00e7\u00f5es. Ao tratar de quest\u00f5es de diversidade e diferen\u00e7a, a exposi\u00e7\u00e3o inicia uma conversa muito naturalmente, uma vez que esses t\u00f3picos se relacionam com um debate j\u00e1 presente na sociedade brasileira. S\u00e3o tamb\u00e9m quest\u00f5es transnacionais, pois muitos pa\u00edses est\u00e3o promovendo o debate sobre quest\u00f5es de express\u00e3o e identidade de g\u00eanero. Eu n\u00e3o uso muito o termo &#8220;g\u00eanero&#8221; na exposi\u00e7\u00e3o, porque na minha cabe\u00e7a isso denota uma oposi\u00e7\u00e3o bin\u00e1ria. Eu queria ser mais espec\u00edfico do que isso. Sempre que me referi \u00e0 express\u00e3o e identidade de g\u00eanero, abordei todo o campo de quest\u00f5es envolvendo g\u00eanero.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m envolveu algumas quest\u00f5es conceituais espec\u00edficas. O espet\u00e1culo foi concebido como um museu metaf\u00f3rico e provis\u00f3rio, que permitia ao p\u00fablico entrar e ser mais do que apenas um visitante ou observador contemplativo. Eu uso a palavra audi\u00eancia muito conscientemente aqui porque o p\u00fablico \u00e9 uma esp\u00e9cie de participante naquele cen\u00e1rio. Ao longo dos anos, comecei a posicionar o trabalho art\u00edstico um pouco abaixo do normal, criando uma linha de vis\u00e3o horizontal mais acess\u00edvel ao visitante. \u00c9 uma exposi\u00e7\u00e3o amig\u00e1vel. Eu trabalho com essas quest\u00f5es relacionadas \u00e0 recep\u00e7\u00e3o e como essas ferramentas de percep\u00e7\u00e3o afetam as pessoas no espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Uma coisa muito vis\u00edvel foi a seguran\u00e7a e o conforto da exposi\u00e7\u00e3o. Membros da equipe educacional, que estavam experimentando a exposi\u00e7\u00e3o ao lado dos visitantes, tamb\u00e9m apontaram isso. O museu criou uma esp\u00e9cie de espa\u00e7o seguro onde as pessoas poderiam interagir ao lado de obras de arte lidando com essas quest\u00f5es de g\u00eanero e sexualidade. A exposi\u00e7\u00e3o tornou-se um museu amistoso que carece da intimida\u00e7\u00e3o do museu tradicional, cujos aparatos costumam impor rituais de interpreta\u00e7\u00e3o sobre o trabalho. Afastar-se disso era definitivamente um objetivo da exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/72045222.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-8801 aligncenter\" src=\"http:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/72045222.jpg\" alt=\"\" width=\"492\" height=\"498\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Artememoria: Voc<\/em><em>\u00ea acha que haveria uma rea\u00e7\u00e3o controversa quando voc\u00ea abrisse a exposi\u00e7\u00e3o ou demorasse para que a rea\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria crescesse?<\/em><\/p>\n<p>Fidelis: Eu estava sempre ciente do que essa exposi\u00e7\u00e3o significava e da for\u00e7a art\u00edstica que ela tinha. Mas em termos de recep\u00e7\u00e3o, o mais surpreendente e extraordin\u00e1rio foi que as pessoas adoraram a exposi\u00e7\u00e3o durante os vinte e seis dias em que esteve aberta. Houve um consenso sobre seu m\u00e9rito art\u00edstico e ningu\u00e9m o considerou moral ou difamat\u00f3rio. Esse consenso cresceu at\u00e9 que os ataques de direita come\u00e7aram e se intensificaram \u00e0 medida que se moviam para as m\u00eddias sociais. Extremistas se aproximaram das pessoas no museu e fizeram agressivos ataques verbais.<\/p>\n<p><em>Artememoria: Deve ter sido muito chocante experimentar agress\u00e3o no contexto de um espa\u00e7o amig\u00e1vel, como voc\u00ea diz.<\/em><\/p>\n<p>Fidelis: Havia casais LGBTQ andando de m\u00e3os dadas, ao lado de pessoas com oitenta ou noventa anos de idade, de uma gera\u00e7\u00e3o totalmente diferente. Casais heterossexuais de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m estavam l\u00e1, junto com adolescentes e crian\u00e7as. Foi um espa\u00e7o de conviv\u00eancia. Um espa\u00e7o seguro, no sentido mais amplo do termo. Esse ambiente sofreu ataques e violentos dist\u00farbios do Movimento Brasil Livre (MBL). Eles s\u00e3o conhecidos por usar t\u00e1ticas de mil\u00edcia. Eu n\u00e3o digo isso casualmente. Estrat\u00e9gias de mil\u00edcia envolvem intimida\u00e7\u00e3o e coer\u00e7\u00e3o, e essas mesmas estrat\u00e9gias foram muito eficazes em atacar a exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Artememoria: Voc\u00ea se lembra de um momento espec\u00edfico durante a semana antes do encerramento da exposi\u00e7\u00e3o, ou logo depois, que ilustra esse tipo de coer\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Fidelis: Eu me lembro de muitos. Eles atacariam verbalmente as pessoas e gravariam v\u00eddeos em seus celulares e c\u00e2meras. Eles iriam confrontar os membros da plat\u00e9ia colocando seus celulares no rosto das pessoas e dizendo, \u201colha, isso \u00e9 algu\u00e9m que est\u00e1 na exposi\u00e7\u00e3o, que gosta de pornografia, que est\u00e1 aqui olhando pornografia\u201d, e todos os tipos de coment\u00e1rios depreciativos. .<\/p>\n<p>Um caso que eu n\u00e3o testemunhei pessoalmente, mas que a equipe educacional relatou para mim, aconteceu na quarta-feira, 6 de setembro. Um grupo desses indiv\u00edduos abordou um grupo de pr\u00e9-adolescentes com uma c\u00e2mera na m\u00e3o, dizendo: \u201csua fam\u00edlia gosta de pedofilia? Sua fam\u00edlia gosta de pornografia? \u00c9 isso que voc\u00ea est\u00e1 vendo aqui, pedofilia e pornografia? Eles filmaram tudo, com suas c\u00e2meras nos rostos das pessoas. E ent\u00e3o o professor que acompanhava esses alunos e a equipe educacional ajudou a proteger os pr\u00e9-adolescentes e a deixar a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu tamb\u00e9m tive experi\u00eancias em primeira m\u00e3o. Por exemplo, Felipe Diehl, um conhecido extremista de direita, veio at\u00e9 mim quando eu estava na exposi\u00e7\u00e3o e me fez uma s\u00e9rie de perguntas muito agressivas. Eu n\u00e3o respondi e, como ele n\u00e3o estava feliz, ele come\u00e7ou a narrar o que estava acontecendo e lan\u00e7ou uma linguagem extremamente vulgar contra mim at\u00e9 que a seguran\u00e7a o tirou do espa\u00e7o. Ent\u00e3o ele come\u00e7ou a bater na porta e filmou a si mesmo, alegando que ele havia sido atacado, e postou o v\u00eddeo que ele havia gravado online. Tais incidentes ocorreram v\u00e1rias vezes durante esses dois dias e meio, com cada vez mais frequ\u00eancia. O Santander deveria ter lidado com esses ataques de uma maneira diferente. Eles poderiam ter argumentado que isso era exagerado, mesmo afirmando que isso resultou em danos pessoais em um n\u00edvel legal, j\u00e1 que tudo isso estava limitado ao espa\u00e7o da exposi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o estava na m\u00eddia, naquele momento. O Santander argumentaria mais tarde que eles fecharam a exposi\u00e7\u00e3o porque houve um clamor geral contra a exposi\u00e7\u00e3o nas m\u00eddias sociais, mas a verdade \u00e9 que o clamor na verdade s\u00f3 aconteceu nos dias ap\u00f3s o fechamento da exposi\u00e7\u00e3o pelo Santander.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 importante entender a linha do tempo dos eventos. No domingo, 10 de setembro, o Santander fechou a exposi\u00e7\u00e3o. \u00c0s segundas-feiras, o Santander est\u00e1 sempre fechado e, na ter\u00e7a-feira, um enorme protesto aconteceu em frente ao Santander. Em apenas vinte e quatro horas, v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es convocaram o protesto e mais de tr\u00eas mil pessoas compareceram. Como a rea\u00e7\u00e3o do p\u00fablico continuou a crescer, a exposi\u00e7\u00e3o foi amplamente abordada na imprensa formal e tamb\u00e9m ganhou notoriedade, tanto positiva quanto negativa, nas m\u00eddias sociais. Havia v\u00eddeos difamat\u00f3rios, mas a exposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m entrou no reino da m\u00eddia popular, com cr\u00edticas \u00e0 censura em programas populares de com\u00e9dia, como Zorra Total, e mensagens de apoio projetadas nas paredes de pr\u00e9dios em v\u00e1rios pa\u00edses.<\/p>\n<p>Em outras palavras, foi depois que a exposi\u00e7\u00e3o fechou que todos esses fundamentalistas fan\u00e1ticos e fascistas de direita entraram online e come\u00e7aram a atacar o Santander porque viram que a institui\u00e7\u00e3o era fraca. A comunidade de arte que foi a favor do Santander logo ap\u00f3s os ataques iniciados se voltou contra o banco depois que a exposi\u00e7\u00e3o foi fechada. O encerramento da exposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m permitiu que os fundamentalistas e a MBL lan\u00e7assem um ataque maci\u00e7o contra a empresa. A estrat\u00e9gia do Santander foi um grande erro nesse sentido, uma vez que a agress\u00e3o de apenas algumas pessoas fechou a exposi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o havia apelo popular para encerr\u00e1-lo, e isso teve imensas conseq\u00fc\u00eancias para a comunidade art\u00edstica e para a democracia em geral.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/obra-deusa-das-aguas-de-bia-leite-que-esta-na-queermuseu-no-rio-1534447213637_v2_300x300.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-8800 aligncenter\" src=\"http:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/obra-deusa-das-aguas-de-bia-leite-que-esta-na-queermuseu-no-rio-1534447213637_v2_300x300.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Artememoria: A nota que o Santander lan\u00e7ou inclu\u00eda uma declara\u00e7\u00e3o abstrata sobre arte, em vez de uma explica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica do porqu\u00ea da exposi\u00e7\u00e3o ter que ser encerrada. Havia uma cita\u00e7\u00e3o em particular que eu queria ouvir sua opini\u00e3o: \u201cquando a arte n\u00e3o \u00e9 capaz de inspirar inclus\u00e3o e reflex\u00e3o positiva, ela perde seu prop\u00f3sito central, que \u00e9 elevar a condi\u00e7\u00e3o humana\u201d. O que voc\u00ea acha disso?<\/em><\/p>\n<p>Fidelis: A declara\u00e7\u00e3o do Santander \u00e9 infeliz e mal escrita. Tem frases que nem fazem sentido, e \u00e9 cheio de contradi\u00e7\u00f5es. Eles fecharam uma exposi\u00e7\u00e3o sobre diversidade, mas na nota dizem que ap\u00f3iam a diversidade. A nota condena moralmente e pede desculpas por exibir as obras de arte. E ent\u00e3o a quest\u00e3o da inclus\u00e3o n\u00e3o faz sentido, n\u00e3o apenas em termos de conte\u00fado, mas tamb\u00e9m em termos de estrat\u00e9gia. Eles fecharam a exposi\u00e7\u00e3o e imediatamente liberaram a nota no Facebook. Eles n\u00e3o ligaram para uma confer\u00eancia de imprensa para explicar a situa\u00e7\u00e3o, por exemplo. Vale lembrar que o Santander n\u00e3o entrou em contato comigo, o curador, e tomou uma decis\u00e3o completamente unilateral.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s o encerramento da exposi\u00e7\u00e3o, os prefeitos de Porto Alegre, Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo anunciaram imediatamente seu apoio ao fechamento. Como este processo difamat\u00f3rio come\u00e7ou, tamb\u00e9m surgiu um problema muito s\u00e9rio. Ningu\u00e9m podia confirmar o que era verdade e o que era falso no que as pessoas estavam dizendo enquanto a falsa narrativa crescia. A exposi\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava encerrada, impossibilitando verificar o que era preciso e o que era calunioso.<\/p>\n<p><em>Artememoria: Em termos do rescaldo da exposi\u00e7\u00e3o, voc\u00ea fez mais de 160 entrevistas e discuss\u00f5es sobre o Queermuseum. Voc\u00ea realmente luta para discutir o que aconteceu. Isso teve um custo pessoal? Quanto o fechamento desta exposi\u00e7\u00e3o afetou voc\u00ea?<\/em><\/p>\n<p>Fidelis: Foi muito assustador, mas tamb\u00e9m surpreendente, porque descobri que estava preparado para lidar com isso e reagir muito bem. Os efeitos f\u00edsicos e psicol\u00f3gicos foram extraordin\u00e1rios. Eu mal dormi por tr\u00eas meses, e a situa\u00e7\u00e3o exigia clareza, precis\u00e3o e equil\u00edbrio sobre-humano. Eu nunca poderia descansar, porque eu estava sempre fazendo uma entrevista ou escrevendo um artigo. No final do dia, eu n\u00e3o ia justificar a exposi\u00e7\u00e3o em termos de m\u00e9rito art\u00edstico, pois defendi o m\u00e9rito da exposi\u00e7\u00e3o desde o dia da inaugura\u00e7\u00e3o. Uma vez encerrada a exposi\u00e7\u00e3o, usei toda a minha energia para defender os princ\u00edpios da democracia, para atacar a censura, para mostrar a gravidade do que aconteceu. Esse foi o meu contra-ataque para combater a narrativa difamat\u00f3ria e falsa que foi constru\u00edda sobre a exposi\u00e7\u00e3o. Eu sabia que tinha que usar toda a minha energia para esclarecer o que havia acontecido para o p\u00fablico, para desenvolver minha narrativa com clareza para que as pessoas pudessem entender o que realmente estava acontecendo e as implica\u00e7\u00f5es dos eventos.<\/p>\n<p>No ac\u00famulo das muitas entrevistas que fiz e dos artigos que publiquei, mostrei que esse era um processo extenso de censura. Eu acho que as pessoas ainda tinham uma vis\u00e3o da censura no Brasil como limitadas a algo que o governo fez durante a ditadura, mas isso n\u00e3o acontece mais. Como sabemos, a censura continua acontecendo em todo o mundo, e esse foi um caso muito grave por causa da escala. Para fechar uma exposi\u00e7\u00e3o que incluiu 263 obras de arte de 85 artistas, muitos deles conhecidos em todo o mundo, em uma exposi\u00e7\u00e3o que foi uma exposi\u00e7\u00e3o muito importante da arte brasileira, \u00e9 algo que n\u00e3o deve ser tomado de \u00e2nimo leve.<\/p>\n<p>Cada vez mais, partes do p\u00fablico brasileiro come\u00e7aram a entender a hist\u00f3ria real, mas isso exigiu um enorme esfor\u00e7o pessoal. Eu o vi como parte da minha responsabilidade profissional como curador. Estou quase surpresa por ter ficado fisicamente, mas o apoio de muitas pessoas me ajudou ao longo desses meses. \u00c9 quase imposs\u00edvel levar uma vida normal quando voc\u00ea \u00e9 jogado em uma situa\u00e7\u00e3o como essa. Eu tive que lidar com as demandas da imprensa, para as quais eu n\u00e3o estava logisticamente preparado, e houve at\u00e9 mudan\u00e7as quando se trata de seguran\u00e7a pessoal. Por causa das amea\u00e7as de morte, eu tive que tomar precau\u00e7\u00f5es. Eu era muito vis\u00edvel e n\u00e3o podia andar pela rua como antes. As pessoas me reconheceriam facilmente.<\/p>\n<p><em>Artememoria: Voc\u00ea poderia elaborar as amea\u00e7as de morte? Como voc\u00ea os recebeu?<\/em><\/p>\n<p>Fidelis: No protesto que aconteceu no Santander, alguns amigos me acompanharam para garantir minha seguran\u00e7a pessoal. Mesmo que a maioria das pessoas no protesto estivesse l\u00e1 em apoio \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o, o MBL tamb\u00e9m estava l\u00e1. \u00c0s vezes, eles se aproximavam das pessoas e os atormentavam ou se envolviam em brigas. Isso aconteceu comigo naquele dia, mas houve apenas dois ou tr\u00eas incidentes menores. Eventualmente eles desistiram, simplesmente porque estavam em menor n\u00famero.<\/p>\n<p>Mais tarde, comecei a receber muitas amea\u00e7as de morte na Internet. Essas amea\u00e7as n\u00e3o vieram diretamente de membros bem conhecidos do MBL, que s\u00e3o figuras p\u00fablicas, mas de fan\u00e1ticos que agem em seu nome e<\/p>\n<p>quem seguiu o que aconteceu. Eles estavam totalmente fora de controle. Eu tive que tomar precau\u00e7\u00f5es para que eles n\u00e3o pudessem descobrir meu endere\u00e7o. Felizmente, eu havia me mudado recentemente, ent\u00e3o poucas pessoas sabiam onde eu morava. Ainda assim, esse tipo de informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil de encontrar. O perigo diminuiu \u00e0 medida que eu me tornava mais vis\u00edvel, mas as pessoas pr\u00f3ximas a mim, e outras que apoiavam a exposi\u00e7\u00e3o e a defendiam publicamente, ainda recebiam amea\u00e7as e eram implacavelmente assediadas na internet.<\/p>\n<p><em>Artememoria: Voc\u00ea acha que existem outros exemplos de censura nas artes no Brasil? O que eles s\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Fidelis: Logo ap\u00f3s a exposi\u00e7\u00e3o ser encerrada, uma s\u00e9rie de incidentes aconteceu em todo o pa\u00eds. Por exemplo, pol\u00edticos fundamentalistas denunciaram uma obra de arte de Alessandra Cunha no Museu de Arte Contempor\u00e2nea de Mato Grosso do Sul. A pedido de um pol\u00edtico de direita, a pol\u00edcia retirou a obra e o artista foi acusado de pedofilia. Mas a pe\u00e7a de Alessandra Cunha, chamada Pedofilia, estava denunciando crimes sexuais contra crian\u00e7as. As acusa\u00e7\u00f5es foram finalmente abandonadas e o trabalho voltou ao museu. Tamb\u00e9m em setembro, ap\u00f3s protestos de grupos religiosos, uma ordem judicial em Jundia\u00ed cancelou uma pe\u00e7a, O evangelho segundo Jesus, na qual uma atriz trans representava Jesus. Incont\u00e1veis \u200b\u200bincidentes de censura aconteceram depois disso e ainda est\u00e3o acontecendo.<\/p>\n<p>Agora, vemos um n\u00famero crescente de congressistas federais e estaduais propondo projetos de lei para estabelecer classifica\u00e7\u00f5es parentais para a arte. Existem duas leis no Congresso, uma na C\u00e2mara dos Deputados e outra no Senado, e v\u00e1rias em casas legislativas em todo o pa\u00eds. Na C\u00e2mara dos Deputados temos o PL PL 8740\/2017, escrito pelo Representante Delegado Francischini do Solidariedade Party (SD), e no Senado temos o projeto de lei 506\/2017, escrito pelo senador Magno Malta, um conhecido fundamentalista do Partido da Rep\u00fablica (PR). Essas leis buscam estabelecer limites de idade que indiquem quem pode ver exposi\u00e7\u00f5es, o que \u00e9 inconstitucional no Brasil porque afeta a liberdade de express\u00e3o de acordo com a constitui\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a lei federal atualmente declara que n\u00e3o h\u00e1 limiares de idade para visitar exposi\u00e7\u00f5es de arte. Essas novas leis afetariam o conte\u00fado das exposi\u00e7\u00f5es, o que tamb\u00e9m limita a liberdade de express\u00e3o. Eles afirmam, por exemplo, que voc\u00ea n\u00e3o pode exibir imagens com nudez ou erotismo, obras de arte que, segundo eles, incitam \u00e0 pedofilia, como se fosse poss\u00edvel fazer isso, ou pe\u00e7as que atacam s\u00edmbolos religiosos. Tudo isso \u00e9 inconstitucional, mas nas legislativas municipais os legisladores ainda conseguiram aprovar tais leis.<\/p>\n<p><em>Artememoria: Quais s\u00e3o as principais semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as entre a atual censura e a censura sob a ditadura militar?<\/em><\/p>\n<p>Fidelis: Em termos desses ataques \u00e0 liberdade de express\u00e3o nos museus e da recente virada para a censura, acho que precisamos estabelecer algumas diferen\u00e7as. Durante a ditadura, sabia-se quem era o inimigo. A censura era um procedimento estatal, que \u00e9 muito mais objetivo do que o tipo de censura que circula agora. Hoje, a censura vem de diferentes fontes, cada uma com seus pr\u00f3prios interesses e agendas, mas elas convergem com um objetivo compartilhado.<\/p>\n<p>Eu tamb\u00e9m acho que a regra da lei no Brasil est\u00e1 diminuindo. Dependendo de como a sociedade brasileira reaja, acho que pode chegar a um est\u00e1gio mais s\u00e9rio. Neste momento, as coisas s\u00e3o sutis. As pessoas v\u00eaem os sinais do que est\u00e1 acontecendo, com a criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais e a criminaliza\u00e7\u00e3o da arte. Este \u00faltimo \u00e9 mais simb\u00f3lico do que concreto, mas \u00e0 medida que a criminaliza\u00e7\u00e3o se torna oficialmente estabelecida dentro da lei, ela se torna real.<\/p>\n<p><em>Artememoria: \u00c9 interessante que voc\u00ea mencione a criminaliza\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica da arte. Por que imagens e s\u00edmbolos s\u00e3o importantes no atual momento pol\u00edtico?<\/em><\/p>\n<p>Fidelis: Porque as imagens podem entrar facilmente no imagin\u00e1rio social. Queermuseum tinha 263 obras de arte, e o MBL basicamente escolheu cinco para construir uma narrativa depreciativa e justificar a censura da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Havia, por exemplo, representa\u00e7\u00f5es de corpos nus na exposi\u00e7\u00e3o e nem uma \u00fanica apareceu na narrativa que criaram para atacar a exposi\u00e7\u00e3o. Apenas uma pequena subse\u00e7\u00e3o do Queermuseum envolveu sexualidade ou imagens mais expl\u00edcitas, j\u00e1 que o programa n\u00e3o era sobre sexualidade. Mas essas cinco imagens escolhidas funcionaram eficientemente para construir uma narrativa para o p\u00fablico. Tomemos, por exemplo, a pintura do Cristo, Cruzando Jesus Cristo Deusa Schiva. Aqueles que eram desinformados e ignorantes sobre a arte estavam indignados com isso, mas na exposi\u00e7\u00e3o foi uma das pe\u00e7as mais c\u00e9lebres. Surpreendentemente, pessoas de v\u00e1rias religi\u00f5es que visitaram a exposi\u00e7\u00e3o at\u00e9 oraram em frente a esse trabalho. Mas combinar essas imagens espec\u00edficas, retiradas do contexto, com uma narrativa negativa foi muito eficaz. \u00c9 incr\u00edvel que apenas cinco imagens tenham feito isso acontecer.<\/p>\n<p><em>Artememoria: Quando e onde a exposi\u00e7\u00e3o reabrir\u00e1?<\/em><\/p>\n<p>Fidelis: Ainda n\u00e3o h\u00e1 data exata, mas achamos que ser\u00e1\u00a0ou no final de maio do in\u00edcio de junho no Rio de Janeiro, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Com a reabertura, a exposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas voltar\u00e1 a discutir seu m\u00e9rito art\u00edstico, mas tamb\u00e9m continuar\u00e1 levando a import\u00e2ncia pol\u00edtica de tudo o que aconteceu atrav\u00e9s de uma extensa s\u00e9rie de debates e palestras que far\u00e3o parte desta nova apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>Gaud\u00eancio Fidelis \u00e9 um curador brasileiro. Antes de curar o Queermuseum, dirigiu o Instituto Estadual de Artes Visuais do Rio Grande do Sul (IEAVI) e fundou o Museu de Arte Contempor\u00e2nea do Rio Grande do Sul (MAC-RS). Foi tamb\u00e9m diretor do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) e organizou uma s\u00e9rie de exposi\u00e7\u00f5es como curador do Ciclo de Arte Brasileira Contempor\u00e2nea no Instituto Estadual de Artes Visuais do Rio Grande do Sul. \u00c9 tamb\u00e9m um grande pensador no mundo da arte contempor\u00e2nea brasileira, Fidelis tem um diploma de mestrado pela NYU e doutorado em hist\u00f3ria da arte pela SUNY-Binghamton, al\u00e9m de j\u00e1 ter publicado v\u00e1rios livros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O SPW traduziu a entrevista do curador do Queermuseu, Gaud\u00eancio Fidelis, ao portal Artememoria sobre o fechamento da exposi\u00e7\u00e3o por press\u00e3o da extrema-direita. 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