{"id":22356,"date":"2016-12-12T20:52:37","date_gmt":"2016-12-12T22:52:37","guid":{"rendered":"https:\/\/spw.fw2web.com.br\/ptbr\/2016\/12\/12\/revista-sur-mulheres-mobilizacoes-conquistas-e-entraves\/"},"modified":"2025-07-23T17:02:06","modified_gmt":"2025-07-23T20:02:06","slug":"revista-sur-mulheres-mobilizacoes-conquistas-e-entraves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/artigos-academicos\/revista-sur-mulheres-mobilizacoes-conquistas-e-entraves\/22356","title":{"rendered":"Revista SUR &#8211; Mulheres: Mobiliza\u00e7\u00f5es, conquistas e entraves"},"content":{"rendered":"\n<p><a href=\"http:\/\/sur.conectas.org\/sur-24-carta-aos-leitores\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Publicado originalmente no site da Conectas Direitos Humanos<\/em><\/a><\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: right\"><strong>Albertina de Oliveira Costa<\/strong><br \/><em>editora convidada<\/em><\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, ocorreram mudan\u00e7as dr\u00e1sticas no estatuto social das mulheres. A partir da segunda metade do s\u00e9culo 20, elas emergiram como uma das maiores for\u00e7as coletivas do mundo contempor\u00e2neo. A entrada em massa das mulheres na for\u00e7a de trabalho do mundo industrial revolucionou os la\u00e7os sociais tradicionais; o not\u00e1vel incremento da escolaridade feminina, a oferta de anticoncepcionais mais eficazes e o decl\u00ednio da fecundidade propiciaram a emerg\u00eancia de mobiliza\u00e7\u00f5es por mais autonomia e mais direitos, em parte bem sucedidas, alcan\u00e7ando mudan\u00e7as no ordenamento jur\u00eddico que possibilitaram que as mulheres se desvencilhassem de in\u00fameras tutelas legais que as relegavam a um lugar de menoridade civil.<\/p>\n<p>Mas, apesar das demandas atendidas, das in\u00fameras conquistas e das mobiliza\u00e7\u00f5es vitoriosas, perduram enormes discrep\u00e2ncias entre os direitos de homens e de mulheres.<\/p>\n<p>Os avan\u00e7os normativos, desde a cria\u00e7\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o sobre a Elimina\u00e7\u00e3o de todas as Formas de Discrimina\u00e7\u00e3o Contra as Mulheres (CEDAW na sua sigla em ingl\u00eas) em 1979, demonstraram ser mais formais que efetivos. Adicionalmente, a coer\u00e7\u00e3o f\u00edsica, central na estrutura\u00e7\u00e3o desigual da rela\u00e7\u00e3o entre os sexos, paira como amea\u00e7a permanente. A maior presen\u00e7a das mulheres no espa\u00e7o p\u00fablico vem acompanhada por \u00edndices alarmantes de viol\u00eancia de g\u00eanero. E, apesar de, na virada do s\u00e9culo, os direitos sexuais e reprodutivos terem sido reconhecidos como direitos humanos, a ofensiva conservadora contra a ideologia de g\u00eanero vem ganhando ades\u00e3o crescente e corroendo conquistas.<\/p>\n<p>Outro paradoxo \u00e9 o fato de que, apesar de a visibilidade da presen\u00e7a feminina na vida social ter aumentado de modo exponencial, isso n\u00e3o resultou em ganhos na participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e nem na ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os nas inst\u00e2ncias de poder formal. Apesar de incentivos legais, a participa\u00e7\u00e3o politica feminina em n\u00edvel global conserva-se em n\u00edveis muito baixos (22%).<\/p>\n<p>As conquistas no \u00e2mbito econ\u00f4mico tamb\u00e9m ficaram aqu\u00e9m do desej\u00e1vel. Se, por um lado, as mulheres demonstraram uma incr\u00edvel for\u00e7a de organiza\u00e7\u00e3o, argumenta\u00e7\u00e3o, negocia\u00e7\u00e3o e poder de convencimento, o processo de rearticula\u00e7\u00e3o do sistema econ\u00f4mico mundial tornou problem\u00e1tica a efetiva\u00e7\u00e3o da nova gera\u00e7\u00e3o de direitos sociais consagrada nas confer\u00eancias de Viena, do Cairo e de Pequim.<\/p>\n<p>Os efeitos ben\u00e9ficos da incorpora\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho para a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades entre homens e mulheres tamb\u00e9m parecem ter encontrado seu limite. Persistem desigualdades significativas na remunera\u00e7\u00e3o e no acesso a diferentes tipos de ocupa\u00e7\u00e3o, bem como barreiras intranspon\u00edveis \u00e0 promo\u00e7\u00e3o ao topo das carreiras profissionais. Sobretudo, resiste intocada uma divis\u00e3o in\u00edqua do trabalho dom\u00e9stico entre os sexos que acarreta uma sobrecarga para as mulheres: equipamentos sociais prec\u00e1rios e pol\u00edticas sociais omissas relegam as pr\u00e1ticas de cuidado ao \u00e2mbito familiar, onde elas s\u00e3o as principais respons\u00e1veis pelos afazeres da casa e pelo cuidado das crian\u00e7as, dos doentes e dos idosos. E, embora as mulheres tenham ingressado no mundo p\u00fablico do trabalho, os homens continuam ausentes da esfera invis\u00edvel do trabalho dom\u00e9stico. Essa divis\u00e3o desigual do trabalho dom\u00e9stico e do cuidado, por sua vez, \u00e9 um dos grandes entraves para a entrada e a perman\u00eancia das mulheres no mercado de trabalho, assim como para a possibilidade de participarem ativamente da vida pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Tendo em vista esse cen\u00e1rio de direitos desiguais, no qual se aprofundam desigualdades entre regi\u00f5es e entre as mulheres de diferentes regi\u00f5es, penalizando o Sul global, o presente n\u00famero \u00e9 inteiramente dedicado \u00e0s mulheres e suas lutas na busca por direitos mais equitativos, \u00e0s suas vit\u00f3rias e derrotas: trajet\u00f3ria sinuosa que ora se aproxima, ora se afasta da conquista da igualdade de g\u00eanero. Cen\u00e1rio cambiante e multifacetado que torna dif\u00edcil avaliar o caminho percorrido e o caminho que falta percorrer. Em seu conjunto, a SUR 24 \u0096 primeiro n\u00famero da revista a ser inteiramente escrito por mulheres \u0096 procura fornecer uma vis\u00e3o abrangente, incluindo diagn\u00f3sticos e argumentos sobre discrimina\u00e7\u00f5es ostensivas sofridas pelas mulheres, bem como dar visibilidade \u00e0s discrimina\u00e7\u00f5es silenciadas.<\/p>\n<p>O primeiro bloco de artigos trata de desigualdades de ordem econ\u00f4mica. <a href=\"http:\/\/sur.conectas.org\/direitos-das-mulheres-e-justica-fiscal\/\"><strong>Chiara Capraro<\/strong> <strong>(It\u00e1lia)<\/strong> <\/a>defende que a quest\u00e3o dos impostos \u00e9 central para uma implementa\u00e7\u00e3o plena dos direitos humanos, com grande impacto na justi\u00e7a de g\u00eanero. Uma politica fiscal mais equ\u00e2nime favoreceria notadamente a corre\u00e7\u00e3o de distor\u00e7\u00f5es decorrentes da economia de mercado, que recorre ao trabalho feminino n\u00e3o remunerado para reduzir a provis\u00e3o p\u00fablica de servi\u00e7os. J\u00e1 <a href=\"http:\/\/sur.conectas.org\/expansao-e-exclusoes-do-subsidio-universal-por-filho-na-argentina\/\"><strong>Pilar Arcidi\u00e1cono<\/strong> <strong>(Argentina)<\/strong><\/a> trata do tema das pol\u00edticas redistributivas examinando o caso do programa social argentino \u0093Subs\u00eddio Universal por Filho\u0094, com foco em uma iniciativa de lit\u00edgio para reverter a exclus\u00e3o das m\u00e3es encarceradas que convivem com filhos menores de quatro anos do grupo de poss\u00edveis benefici\u00e1rias.<\/p>\n<p>O trabalho n\u00e3o remunerado exercido pelas mulheres tamb\u00e9m \u00e9 assunto de um sub-grupo de artigos que trata especificamente da quest\u00e3o do cuidado, e de como a divis\u00e3o desigual desse tipo espec\u00edfico de ocupa\u00e7\u00e3o impacta a vida das mulheres e impede a igualdade de g\u00eanero. Segundo <a href=\"http:\/\/sur.conectas.org\/do-boom-do-cuidado-ao-exercicio-de-direitos\/\"><strong>Laura Pautassi (Argentina)<\/strong><\/a>, a crise do cuidado que se tornou explosiva na Am\u00e9rica Latina na ultima d\u00e9cada se deveu, por um lado, \u00e0 transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica e, por outro, ao esgotamento das estrat\u00e9gias familiares que responsabilizavam as mulheres pelo trabalho reprodutivo, evidenciando a aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas e equipamentos sociais para o acolhimento das crian\u00e7as pequenas, dos doentes e dos idosos. Ancorada no princ\u00edpio do reconhecimento do cuidado como um direito humano, prop\u00f5e uma agenda de pol\u00edticas sociais com perspectiva de g\u00eanero. J\u00e1 <a href=\"http:\/\/sur.conectas.org\/os-cuidados-na-migracao-transnacional\/\"><strong>Maria Herm\u00ednia Gonzalvez<\/strong> <strong>(Espanha)<\/strong><\/a> examina a crise do cuidado sob o \u00e2ngulo das migra\u00e7\u00f5es internacionais e mostra como as transforma\u00e7\u00f5es das pol\u00edticas de bem-estar social, no quadro da globaliza\u00e7\u00e3o capitalista, deixaram evidente o papel decisivo das mulheres que migram s\u00f3s, sem fam\u00edlia, nas cadeias globais de cuidado. <a href=\"http:\/\/sur.conectas.org\/o-trabalho-de-cuidado\/\"><strong>Helena Hirata (Brasil\/Jap\u00e3o)<\/strong><\/a>, em sua pesquisa comparativa entre Brasil, Fran\u00e7a e Jap\u00e3o, chega a conclus\u00e3o semelhante. Seu estudo mostra como, em diferentes configura\u00e7\u00f5es societais, os m\u00faltiplos atores do cuidado \u0096 Estado, mercado, fam\u00edlia e filantropia -combinam-se e atuam de maneira desigual e assim\u00e9trica e como a centralidade das mulheres nas mais diferentes modalidades de divis\u00e3o sexual internacional do trabalho evidenciam claramente uma divis\u00e3o racial e \u00e9tnica do trabalho.<\/p>\n<p>Num segundo bloco de artigos, s\u00e3o enfatizadas as mobiliza\u00e7\u00f5es feministas com o objetivo de combater as desigualdades na participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das mulheres.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/sur.conectas.org\/feminismo-no-marrocos-entre-o-local-e-o-global\/\"><strong>Souad Eddouada (Marrocos)<\/strong><\/a> analisa os desafios que representa no Marrocos a implementa\u00e7\u00e3o do Codigo de Fam\u00edlia de 2004, que incorpora as demandas do movimento feminista a partir de uma abordagem secular, dissociada dos princ\u00edpios do isl\u00e3 quanto \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es familiares, tais como casamento, div\u00f3rcio e heran\u00e7a, e sugere uma abordagem alternativa da equidade de g\u00eanero, baseada em preceitos que antecedem a reforma.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/sur.conectas.org\/direitos-das-mulheres-e-movimentos-feministas-no-ira\/\"><strong>Nayereh Tohidi<\/strong> <strong>(Ir\u00e3)<\/strong><\/a> fornece um panorama hist\u00f3rico do movimento feminista no Ir\u00e3 a partir de 1905, iluminando as contradi\u00e7\u00f5es do estatuto dos direitos das mulheres em um pa\u00eds que combina n\u00edvel elevado de escolaridade e baixa fecundidade com participa\u00e7\u00e3o reduzida na for\u00e7a de trabalho e no Parlamento, bem como um cerceamento de costumes baseado na lei isl\u00e2mica da <em>sharia<\/em>. Frisa que, a despeito dos obst\u00e1culos, o movimento de mulheres permanece vivo e atuante.<\/p>\n<p>Uma avalia\u00e7\u00e3o da implementa\u00e7\u00e3o da lei de cotas que a maioria dos pa\u00edses latino-americanos sancionou para garantir uma amplia\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o feminina mostra que a efetividade dos mecanismos variou em fun\u00e7\u00e3o de seu formato e do v\u00ednculo com o sistema eleitoral. Apesar de discretos avan\u00e7os, permanecem s\u00e9rios obst\u00e1culos \u00e0 presen\u00e7a das mulheres na representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. <a href=\"http:\/\/sur.conectas.org\/25-anos-de-aplicacao-de-leis-de-cotas-na-america-latina\/\"><strong>Luc\u00eda Martelotte<\/strong> <strong>(Argentina) <\/strong><\/a>postula que, na atual conjuntura, a reivindica\u00e7\u00e3o por cotas seja preterida em favor da demanda por paridade.<\/p>\n<p>A contribui\u00e7\u00e3o do feminismo negro \u00e9 salientada por <a href=\"http:\/\/sur.conectas.org\/feminismo-negro-para-um-novo-marco-civilizatorio\/\"><strong>Djamila Ribeiro (Brasil)<\/strong><\/a>, que aponta desigualdades dentro do movimento feminista brasileiro, que teria dificuldades em reconhecer as mulheres negras como sujeitos pol\u00edticos. Advoga a import\u00e2ncia de pensar a interseccionalidade de classe, ra\u00e7a e g\u00eanero para a constru\u00e7\u00e3o de um novo marco civilizat\u00f3rio.<\/p>\n<p>A partir da experi\u00eancia do 13\u00ba F\u00f3rum da AWID, realizado em setembro \u00faltimo em Salvador (Brasil), e de uma campanha lan\u00e7ada pela organiza\u00e7\u00e3o nas redes sociais, <a href=\"http:\/\/sur.conectas.org\/construindo-solidariedades-plurais\/\"><strong>Semanur Karaman<\/strong> <strong>(Turquia)<\/strong><\/a> trata da quest\u00e3o da solidariedade transnacional entre mulheres. No artigo, a autora enfatiza que, para que a solidariedade cumpra seu objetivo de aperfei\u00e7oar o feminismo por interm\u00e9dio de um movimento de que re\u00fana movimentos diversificados, ultrapassando barreiras econ\u00f4micas, de g\u00eanero, ra\u00e7a e classe social, \u00e9 necess\u00e1rio que as mulheres envolvidas estejam atentas \u00e0 forma pela qual sua solidariedade \u00e9 concretizada e ao contexto ao qual \u00e9 dirigida.<\/p>\n<p>Dois artigos versam sobre direitos reprodutivos. Segundo <a href=\"http:\/\/sur.conectas.org\/recusa-dos-servicos-de-saude-reprodutiva-por-motivo-de-consciencia-na-america-latina\/\"><strong>Diya Uberoi (\u00cdndia)<\/strong> e <strong>Beatriz Galli (Brasil)<\/strong><\/a>, a regulamenta\u00e7\u00e3o do recurso \u00e0 obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia deveria ponderar os direitos dos provedores de servi\u00e7os m\u00e9dicos de exercer suas convic\u00e7\u00f5es morais e religiosas e os direitos das mulheres \u00e0 sa\u00fade. As autoras mapeiam as politicas de regulamenta\u00e7\u00e3o da obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia na Am\u00e9rica Latina e enfatizam a import\u00e2ncia de garantir normativamente os direitos fundamentais das mulheres. J\u00e1 <a href=\"http:\/\/sur.conectas.org\/controle-da-fertilidade-das-mulheres-em-uganda\/\"><strong>Sylvia Tamale (Uganda)<\/strong><\/a> elenca os obst\u00e1culos de ordem legal, religiosa e costumeira para o acesso \u00e0 contracep\u00e7\u00e3o e a barreira intranspon\u00edvel que encontra a demanda pela legaliza\u00e7\u00e3o do aborto em Uganda, apesar de o pa\u00eds ter ratificado o Protocolo de Maputo em 2010.<\/p>\n<p>Outro bloco re\u00fane an\u00e1lises que dizem respeito a diferentes formas de viol\u00eancia de g\u00eanero. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, argumenta <a href=\"http:\/\/sur.conectas.org\/violencia-contra-mulheres-na-america-latina\/\"><strong>Natalia Gherardi (Argentina)<\/strong><\/a>, consolidou-se no direito internacional uma normatiza\u00e7\u00e3o s\u00f3lida para preven\u00e7\u00e3o, san\u00e7\u00e3o e erradica\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia contra as mulheres (CEDAW 1979, Conven\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m do Par\u00e1 1994). No entanto, afirma, persistem n\u00edveis alarmantes de viol\u00eancia, e s\u00e3o in\u00fameros os desafios para a implementa\u00e7\u00e3o das leis, bem como para seu monitoramento.<\/p>\n<p>No Egito, a intensifica\u00e7\u00e3o das ocorr\u00eancias e do grau de viol\u00eancia dos casos ass\u00e9dio sexual durante protestos levou a mobiliza\u00e7\u00f5es visando sua condena\u00e7\u00e3o e criminaliza\u00e7\u00e3o. Contudo, afirma <a href=\"http:\/\/sur.conectas.org\/as-filhas-do-egito-sao-o-limite\/\"><strong>Mariam Kirollos (Egito)<\/strong><\/a>, se as manifesta\u00e7\u00f5es de janeiro de 2011 na pra\u00e7a Tahir e a queda de Mubarak criaram expectativas otimistas nos ativistas de direitos humanos, que finalmente se concretizaram alguns anos depois, a lei permanece letra morta, e seu impacto na aceita\u00e7\u00e3o p\u00fablica do assedio \u00e9 praticamente nulo.<\/p>\n<p>No Brasil, a lei Maria da Penha, considerada uma vit\u00f3ria exemplar por ter culminado uma campanha que foi o carro-chefe do movimento feminista e por ter contado em sua elabora\u00e7\u00e3o com um cons\u00f3rcio de organiza\u00e7\u00f5es feministas, completa dez anos. <a href=\"http:\/\/sur.conectas.org\/dez-anos-de-lei-maria-da-penha\/\"><strong>Wania Pasinato (Brasil) <\/strong><\/a>faz um balan\u00e7o de sua implementa\u00e7\u00e3o, seus desafios e obst\u00e1culos e se detem na an\u00e1lise de projetos de lei pol\u00eamicos, com potencial de desfigur\u00e1-la.<\/p>\n<p>Finalmente,<a href=\"http:\/\/sur.conectas.org\/violencias-sexuais-nas-ditaduras-da-al-quem-quer-saber\/\"><strong> Mariana Joffily<\/strong> <strong>(Brasil)<\/strong><\/a> tenta entender por que as viol\u00eancias sexuais perpetradas na vig\u00eancia das ditaduras militares no Cone Sul n\u00e3o foram expostas na transi\u00e7\u00e3o para a democracia e conclui que um espa\u00e7o de resignifica\u00e7\u00e3o para essa modalidade de crime somente pode se constituir d\u00e9cadas mais tarde, ap\u00f3s uma s\u00e9rie de conquistas sociais e jur\u00eddicas pela igualdade de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Cientes de que a conquista de direitos pelas mulheres s\u00f3 se faz gra\u00e7as ao envolvimento e engajamento das pr\u00f3prias mulheres, esta edi\u00e7\u00e3o retrata as trajet\u00f3rias de uma s\u00e9rie de indiv\u00edduos que dedicam suas vidas a lutar contra a desigualdade e a fortalecer a luta feminista.<\/p>\n<p><em>Entrevistas<\/em> \u2013 Tr\u00eas destacadas feministas, a italiana Silvia Federici, a brasileira Sonia Correa e a boliviana Maria Galindo, sendo a \u00faltima em parceria com a Revista DR, foram entrevistadas para esta edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Precursora do debate atual sobre a crise do cuidado, <a href=\"http:\/\/sur.conectas.org\/nossa-luta-nao-sera-bem-sucedida-menos-que-reconstruamos-sociedade\/\"><strong>Silvia Federici<\/strong> <strong>(It\u00e1lia)<\/strong><\/a> lembra etapas de sua trajet\u00f3ria intelectual e demonstra otimismo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pr\u00e1ticas das novas gera\u00e7\u00f5es de feministas. Militante incans\u00e1vel, Federici, que foi uma das primeiras a desencadear o debate sobre a centralidade do trabalho dom\u00e9stico para subordina\u00e7\u00e3o das mulheres, quando, no in\u00edcio dos anos 1970, junto com Maria Rosa della Costa e Selma James, lan\u00e7ou o movimento de Sal\u00e1rios para o Trabalho Dom\u00e9stico, com a finalidade de tornar vis\u00edvel esse trabalho de reprodu\u00e7\u00e3o necess\u00e1rio para o funcionamento do capitalismo.<\/p>\n<p>Desempenhando a fun\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia cr\u00edtica do presente n\u00famero, <a href=\"http:\/\/sur.conectas.org\/categoria-mulher-nao-serve-mais-para-luta-feminista\/\"><strong>Sonia Correa (Brasil)<\/strong><\/a>, em contraposi\u00e7\u00e3o ao uso da categoria \u0093mulher\u0094, preconiza a utiliza\u00e7\u00e3o da categoria g\u00eanero, que permite superar o modelo bin\u00e1rio de sexos, descolando o feminismo do corpo da mulher. Coordenadora do Observat\u00f3rio de Pol\u00edticas de Sexualidade, Correa adverte sobre o agravamento da restaura\u00e7\u00e3o conservadora no n\u00edvel global e encara de modo cr\u00edtico o papel dos pa\u00edses emergentes no debate sobre direitos sexuais e reprodutivos.<\/p>\n<p>Para a militante anarcofeminista <a href=\"http:\/\/sur.conectas.org\/homogeneidade-do-feminismo-nos-entedia-e-preciso-criar-aliancas-insolitas\/\"><strong>Maria Galindo (Bol\u00edvia)<\/strong><\/a>, fundadora do movimento <em>Mujeres Creando<\/em> na Bol\u00edvia, a prioridade deve estar na constru\u00e7\u00e3o de um tecido social que permita a a\u00e7\u00e3o das mulheres como sujeitos pol\u00edticos, assim como a\u00e7\u00f5es de \u0093politica concreta\u0094, tais como cooperativas de gest\u00e3o coletiva de poupan\u00e7a. Numa posi\u00e7\u00e3o oposta a Correa, critica o uso da categoria g\u00eanero, que considera parte da agenda neoliberal para enquadrar a luta das mulheres.<\/p>\n<p><em>Perfis <\/em>\u0096 Este n\u00famero traz ainda perfis de cinco jovens mulheres que dedicam sua vida a trazer melhores condi\u00e7\u00f5es de vida a mulheres do Sul global: a militante curda <a href=\"http:\/\/sur.conectas.org\/em-um-contexto-de-vida-ou-morte-nao-violencia-e-privilegio\/\"><strong>Ayla Akat Ata<\/strong><\/a>; a jornalista chinesa <a href=\"http:\/\/sur.conectas.org\/nao-ha-desenvolvimento-sem-participacao-das-mulheres\/\"><strong>Yiping Cai<\/strong><\/a>; a ativista eg\u00edpcia <a href=\"http:\/\/sur.conectas.org\/nao-trocaria-o-que-faco-por-mais-seguranca\/\"><strong>Yara Sallam<\/strong><\/a>; a advogada sul-africana <a href=\"http:\/\/sur.conectas.org\/o-corpo-e-fonte-onde-estao-localizadas-todas-as-lutas\/\"><strong>Sibongile Ndashe<\/strong><\/a>; e a historiadora sul-coreana <a href=\"http:\/\/sur.conectas.org\/quem-vai-acabar-com-guerra-sao-as-mulheres\/\"><strong>Christine Ahn<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p><em>Panorama institucional<\/em> \u0096 Finalmente, com o objetivo de contribuir para o fortalecimento da luta das mulheres, trazemos ainda uma conversa com a consultora <a href=\"http:\/\/sur.conectas.org\/repensando-o-financiamento-para-os-direitos-das-mulheres\/\"><strong>Ellen Sprenger (Pa\u00edses Baixos)<\/strong><\/a> sobre tend\u00eancias internacionais no campo do financiamento a organiza\u00e7\u00f5es de defesa dos direitos das mulheres, onde ela d\u00e1 dicas sobre como mobilizar recursos e construir rela\u00e7\u00f5es s\u00f3lidas com financiadores.<\/p>\n<p><em>Arte<\/em> \u0096 Esta edi\u00e7\u00e3o \u00e9 a primeira da hist\u00f3ria da revista a trazer uma ilustra\u00e7\u00e3o na capa, feita pela artista pl\u00e1stica <a href=\"http:\/\/sur.conectas.org\/mulheres-em-greve\/\"><strong>Catarina Bessell<\/strong> <strong>(Brasil)<\/strong><\/a> sobre uma imagem da greve de mulheres organizada na Pol\u00f4nia em outubro \u00faltimo em protesto ao enrijecimento da legisla\u00e7\u00e3o sobre o aborto no pa\u00eds. A imagem \u00e9 parte de uma s\u00e9rie, feita especialmente para a SUR 24 e que inclui ainda ilustra\u00e7\u00f5es sobre imagens da greve de mulheres ocorrida na Argentina no mesmo m\u00eas, em resposta a um epis\u00f3dio particularmente brutal de viol\u00eancia contra a mulher ocorrido naquele pa\u00eds.<\/p>\n<h3>Agradecimentos<\/h3>\n<p><strong>Maria A.C. Brant<\/strong><br \/><em>Editora Executiva<\/em><\/p>\n<p><strong>Oliver Hudson<\/strong><br \/><em>Editor de Opera\u00e7\u00f5es<\/em><\/p>\n<p>Em primeiro lugar, registramos nossos agradecimentos especiais a <strong>Albertina de Oliveira Costa<\/strong>, editora convidada para este n\u00famero da SUR. Amiga e conselheira de longa data da Revista Sur, Albertina foi convidada a contribuir para esta edi\u00e7\u00e3o por sua reconhecida trajet\u00f3ria como feminista e acad\u00eamica dedicada ao tema da mulher, mas sua compet\u00eancia e dedica\u00e7\u00e3o superaram muito as nossas expectativas. Este n\u00famero n\u00e3o teria sido poss\u00edvel sem ela.<\/p>\n<p>Somos tamb\u00e9m extremamente gratos \u00e0s seguintes pessoas que nos ajudaram nesta edi\u00e7\u00e3o: <strong>Adriana Guimar\u00e3es, Akemi Kamimura, Alana Moraes, Barney Whiteoak, Bruna Angotti, Carmen Hein de Campos, Celina Lagrutta, Courtney Crumpler, Daniel Lopes, Evandro Lisboa Freire, Fernando Campos Leza, Fernando Scire, Glenda Mezarobba, Hildete Pereira de Melo, Ione Koseki, Ivi Oliveira, Lena Lavinas, Jane do Carmo, Jaqueline Pitanguy, Josefina Cicconetti, Karen Lang, Kelly Komatsu Agopyan, Lia Zanotta Machado, Luis Felipe Miguel, Luiza Bodenm\u00fcller, Mait\u00e9 Llanos, Marcela Vieira, Maria Rosa Lombardi, Mariana Giorgetti Valente, Mariana Patr\u00edcio, Murphy McMahon, Nat\u00e1lia de Ara\u00fajo Lima, Pedro Maia Soares, Renato Barreto, Sebasti\u00e1n Porrua Schiess, Sheila de Carvalho, Tatiana Roque, Vivian Calderoni<\/strong> e <strong>Yumi Garcia dos Santos<\/strong>. Gostar\u00edamos de agradecer especialmente a <strong>Jessica Horn<\/strong>, nossa editora convidada para a \u00c1frica.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos deixar de mencionar as organizadoras do 13\u00b0 F\u00f3rum da <strong>AWID<\/strong>, realizado em Salvador (Brasil) em setembro \u00faltimo, por abrir as portas para n\u00f3s e facilitar o contato com as participantes. O evento nos deu ainda mais certeza da urg\u00eancia e relev\u00e2ncia do tema que escolhemos para esta edi\u00e7\u00e3o. Agradecimentos s\u00e3o devidos ainda ao <strong>Bernard and Audre Rapoport<\/strong> <strong>Center for Human Rights and Justice<\/strong>, University of Texas, Austin, pela nossa parceria continuada, e \u00e0 <strong>Revista DR<\/strong>, pela nova parceria.<\/p>\n<p>Somos particularmente gratos, \u00e9 claro, \u00e0s autoras deste n\u00famero, assim como \u00e0 equipe editorial e ao Conselho Executivo da Revista. Em particular, damos as boas vindas a <strong>Maryuri Mora Grisales<\/strong> por seu ingresso na equipe. Tampouco podemos deixar de citar a equipe de Comunica\u00e7\u00e3o da Conectas Direitos Humanos por sua dedica\u00e7\u00e3o a esta edi\u00e7\u00e3o, especialmente <strong>Laura Daud\u00e9n<\/strong>. Como sempre, estamos muito agradecidos pelo apoio e pela orienta\u00e7\u00e3o dados pelos diretores da Conectas \u0096 <strong>Jessica Carvalho Morris<\/strong>, <strong>Juana Kweitel<\/strong> e <strong>Marcos Fuchs<\/strong>.<\/p>\n<p>Finalmente, gostar\u00edamos de fazer uma men\u00e7\u00e3o especial a <strong>Ana Cernov<\/strong>, que coordenou o programa Sul-Sul da Conectas durante a edi\u00e7\u00e3o dos quatro \u00faltimos n\u00fameros da SUR e que deixou a organiza\u00e7\u00e3o na reta final deste n\u00famero. Sentiremos imensa falta de sua compet\u00eancia e dedica\u00e7\u00e3o e, especialmente, de seu carinho para com sua equipe e todos os outros colegas da organiza\u00e7\u00e3o, mas temos certeza de que sua do\u00e7ura e intelig\u00eancia ser\u00e3o apreciadas e deixar\u00e3o marcas onde quer que esteja.<\/p>\n<p><strong>***<\/strong><\/p>\n<p>Esta edi\u00e7\u00e3o da Revista SUR foi poss\u00edvel gra\u00e7as ao apoio da <strong>Funda\u00e7\u00e3o Ford<\/strong>, <strong>Open Society Foundations<\/strong>, <strong>Funda\u00e7\u00e3o Oak<\/strong>, <strong>Sigrid Rausing Trust<\/strong> e <strong>Ag\u00eancia Sueca de Coopera\u00e7\u00e3o Internacional<\/strong> (ou SIDA, na sua sigla ingl\u00eas), bem como de alguns doadores an\u00f4nimos.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, ocorreram mudan\u00e7as dr\u00e1sticas no estatuto social das mulheres. 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