{"id":22347,"date":"2016-11-17T20:43:25","date_gmt":"2016-11-17T22:43:25","guid":{"rendered":"https:\/\/spw.fw2web.com.br\/ptbr\/2016\/11\/17\/6877-2\/"},"modified":"2024-01-31T15:11:47","modified_gmt":"2024-01-31T18:11:47","slug":"6877-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/6877-2\/22347","title":{"rendered":"Document\u00e1rio &#8220;N\u00d3S TAMB\u00c9M FODEMOS&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p><a href=\"https:\/\/desintegracoes.wordpress.com\/2016\/11\/15\/nos-tambem-fodemos-o-documentario-yes-we-fuck-e-sua-recepcao-no-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Publicado originalmente no blog Desintegra\u00e7\u00f5es<\/em><\/a><\/p>\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 raro, quando eu chego nos lugares em minha cadeira de rodas, as pessoas come\u00e7arem a me encarar, encarar meu corpo, meus gestos. Percebo uma diversidade de olhares, uns mais pesarosos, outros mais ousados, mas todos curiosos. Meu corpo-cadeira-de-rodas causa incomodo e uma esp\u00e9cie m\u00f3rbida de atra\u00e7\u00e3o. Sinto que vivo em uma fronteira muito espec\u00edfica: entre o desejo curioso em meu corpo e a repulsa que desej\u00e1-lo provoca. Interessante \u00e9 tamb\u00e9m experimentar essa a fronteira entre o desejo e a repulsa quando falo publicamente sobre minhas pesquisas sociol\u00f3gicas em torno de pessoas sem defici\u00eancia que 1) se atraem sexualmente por deficientes ou que 2) sentem a necessidade de se transformar em pessoas deficientes<a href=\"https:\/\/desintegracoes.wordpress.com\/2016\/11\/15\/nos-tambem-fodemos-o-documentario-yes-we-fuck-e-sua-recepcao-no-brasil\/#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cComo \u00e9 poss\u00edvel algu\u00e9m desejar sistematicamente corpos deficientes? Como \u00e9 poss\u00edvel algu\u00e9m \u201cnormal\u201d buscar amputar uma perna? Como esses indiv\u00edduos vivem? Essas pessoas realmente existem?\u201d Essas s\u00e3o algumas quest\u00f5es que vem \u00e0 mente das pessoas quando me apresento e ajudam a demonstrar que uma das curiosidades mais pontuais sobre os aspectos da vida das pessoas com defici\u00eancia \u00e9 sobre seu corpo e sua \u2018sexualidade\u2019.<\/p>\n<p>A partir do momento que mostramos interesse afetivo em algu\u00e9m at\u00e9 o ponto em que temos desejo de explorar sexualmente nosso pr\u00f3prio corpo, as pessoas com defici\u00eancia s\u00e3o desacreditadas na sua capacidade de construir rela\u00e7\u00f5es er\u00f3ticas e afetivas. O document\u00e1rio espanhol de 2015 <strong><em>Yes, We Fuck!<\/em><\/strong>, dos diretores Antonio Centeno e Raul de la Morena, faz a importante tarefa de desmitificar a vida sexual das pessoas deficientes, n\u00e3o s\u00f3 mostrando que elas fodem das mais diversas maneiras, mas tamb\u00e9m explorando formas menos padronizadas de nos relacionarmos intimamente com nossos corpos e com os corpos de outras pessoas.<span id=\"more-230\"><\/span><\/p>\n<p><iframe title=\"Teaser Yes, we fuck!\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/113848519?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"800\" height=\"450\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture\"><\/iframe><\/p>\n<p><em><br \/>Yes, We Fuck!<\/em> (Sim, N\u00f3s Fodemos) vem para ser um interessante contraponto pol\u00edtico e cultural para as perguntas que a sociedade constantemente faz para as pessoas deficientes: \u201cmas, afinal, voc\u00eas transam? como?\u201d A resposta positiva e provocante, por se utilizar de um termo que causa espanto aos mais pudicos (foder), foi a aposta da equipe de ativistas pol\u00edticos deficientes espanh\u00f3is para discutir a intersec\u00e7\u00e3o entre defici\u00eancia e sexualidade. Mostrando exatamente o \u2018local de fala\u2019 das pessoas deficientes, isto \u00e9, suas perspectivas e posicionamentos, <em>Yes, We Fuck!<\/em> estreou em circuito mundial ao longo do ano de 2015 e tem ganhado cada vez mais destaque em eventos internacionais e festivais de cinema ao redor do mundo<a href=\"https:\/\/desintegracoes.wordpress.com\/2016\/11\/15\/nos-tambem-fodemos-o-documentario-yes-we-fuck-e-sua-recepcao-no-brasil\/#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-238 alignleft\" src=\"http:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/cartaz-yes.jpg\" alt=\"cartaz-yes\" width=\"212\" height=\"300\" \/>Aos menos acostumados com diferentes possibilidades est\u00e9ticas e corporais, o document\u00e1rio \u00e9 um \u2018choque\u2019. Como pesquisador sociocultural das rela\u00e7\u00f5es entre defici\u00eancia e sexualidade, tive a oportunidade de participar e comentar duas sess\u00f5es do document\u00e1rio <em>Yes, We Fuck!<\/em> aqui no Brasil e o que percebi dos e das espectadoras \u00e9 um momento inicial de incredulidade misturada a doses de \u2018como isso \u00e9 poss\u00edvel?!\u2019. Durante o m\u00eas de setembro, a <strong>Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar)<\/strong> e a <strong>Universidade de Campinas (UNICAMP)<\/strong> promoveram duas sess\u00f5es p\u00fablicas do document\u00e1rio e pude discuti-lo na companhia de duas antrop\u00f3logas que acompanham de perto as movimenta\u00e7\u00f5es sexo-ativistas espanholas: a pesquisadora <strong>Carolina Branco de Castro Ferreira<\/strong> e a pesquisadora espanhola, e uma das colaboradoras do filme, <strong>Andrea Garc\u00eda-Santesmases Fern\u00e1ndez<\/strong> (que estava de passagem pelo Brasil desde meados de 2016)<a href=\"https:\/\/desintegracoes.wordpress.com\/2016\/11\/15\/nos-tambem-fodemos-o-documentario-yes-we-fuck-e-sua-recepcao-no-brasil\/#_edn3\" name=\"_ednref3\">[iii]<\/a>.<\/p>\n<p><em>Yes, We Fuck!<\/em> \u00e9 um composto est\u00e9tico de viv\u00eancias er\u00f3ticas, pornogr\u00e1ficas, afetivas e de cuidado que, em sua maioria, gira em torno da vida sexual e \u00edntima das pessoas deficientes. Parapl\u00e9gicos, tetrapl\u00e9gicos, paralisadas cerebrais, cegas, pessoas com s\u00edndrome de down, enfim, corpos e comportamentos que se enquadram na grande categoria da \u2018defici\u00eancia\u2019 s\u00e3o acompanhados em suas mais \u00edntimas fantasias er\u00f3ticas. Extrapolando a m\u00e1xima feminista de que <strong>o pessoal \u00e9 pol\u00edtico<\/strong>, o document\u00e1rio mostra o cotidiano e negocia\u00e7\u00f5es afetivas que circulam entre as pessoas deficientes, a partir de uma parcela do ativismo deficiente espanhol. As pessoas com <strong>\u2018diversidade funcional<\/strong>\u2018, nome politicamente adotado na Espanha para se referir a \u2018defici\u00eancia\u2019, relatam seus fetiches e mostram como criam rela\u00e7\u00f5es e parcerias entre si e com outras \u2018identidades sexuais\u2019, para poderem fazer o que todos acham inacredit\u00e1vel que fa\u00e7amos: sexo.<\/p>\n<p>O ativismo er\u00f3tico-pornogr\u00e1fico dos diversos funcionais (deficientes), representado em <em>Yes, We Fuck!<\/em>, precisa ser visto e interpretado como extremamente entrela\u00e7ado ao ativismo feminista e <em>queer<\/em><a href=\"https:\/\/desintegracoes.wordpress.com\/2016\/11\/15\/nos-tambem-fodemos-o-documentario-yes-we-fuck-e-sua-recepcao-no-brasil\/#_edn4\" name=\"_ednref4\">[iv]<\/a> de Barcelona. Somos introduzidos ao mundo er\u00f3tico e pervertido da diversidade funcional por duas l\u00e9sbicas, uma delas, inclusive, faz quest\u00e3o de que a chamem de sapat\u00e3o. Ao longo do filme vamos nos deparando com hist\u00f3rias de discrimina\u00e7\u00e3o e marginaliza\u00e7\u00e3o social por quest\u00f5es de sexualidade, g\u00eanero e corporalidade que criam uma identidade entre gays, l\u00e9sbicas, viados, sapat\u00f5es, deficientes e aleijados. Ao mesmo tempo s\u00e3o essas conex\u00f5es que possibilitam o que o filme mostra de melhor: o redimensionamento da discrimina\u00e7\u00e3o sofrida por esses indiv\u00edduos em uma est\u00e9tica cr\u00edtica e comunit\u00e1ria dos padr\u00f5es e normas dos relacionamentos sexuais e afetivos humanos.<\/p>\n<p><strong>SIM, N\u00d3S FODEMOS! E SEU IMPACTO SOBRE AS IDENTIDADES DEFICIENTES NORMATIVAS<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil, nem o ativismo pol\u00edtico das pessoas deficientes e nem as teorias socioculturais sobre defici\u00eancia elegeram historicamente a sexualidade como uma categoria a ser colocada em tens\u00e3o pol\u00edtica nesses circuitos. Mesmo que este contexto esteja mudando, por aqui os ativistas e te\u00f3ricos da defici\u00eancia no Brasil ainda est\u00e3o muito centrados em um modelo biom\u00e9dico de sua interpreta\u00e7\u00e3o. Essa maneira de alocar a defici\u00eancia acaba dando \u00eanfase a uma despolitiza\u00e7\u00e3o do corpo deficiente, pois s\u00f3 o considera uma consequ\u00eancia de falhas org\u00e2nicas, disfun\u00e7\u00f5es. Desse modo, falar de pol\u00edticas sociais para a popula\u00e7\u00e3o com defici\u00eancia brasileira fica circunscrito a quest\u00f5es de acessibilidade no ambiente social para acesso ao mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Na verdade, temos visto no Brasil um apelo cada vez maior \u00e0s ideias de autonomia e independ\u00eancia para pessoas com defici\u00eancia sem refletirmos criticamente sobre elas. Esses apelos acr\u00edticos, no meu modo de interpretar, tem nos levado a um tipo de acessibilidade estrutural e Inclus\u00e3o com vistas a somente colocar mais indiv\u00edduos no mercado de trabalho, sem muitas preocupa\u00e7\u00f5es com quest\u00f5es de perman\u00eancia no servi\u00e7o, horas trabalhadas, aux\u00edlios extras e recursos humanos (como cuidadores e acompanhantes di\u00e1rios).<\/p>\n<p>O corpo deficiente, portanto, acaba sendo uma realidade fantasma. Ao mesmo tempo que muitas pessoas deficientes dizem que seu corpo n\u00e3o \u00e9 impedimento algum, as estruturas sociais n\u00e3o comportam todo e qualquer tipo de corpo em suas din\u00e2micas. \u00c9 por isso que muitas empresas que necessitam seguir a lei de cotas para pessoas com defici\u00eancia escolhem os e as deficientes \u2018menos piores\u2019 para preencherem seus cargos. As pessoas que mesmo com alguma defici\u00eancia f\u00edsica, sensorial ou cognitiva conseguem \u2018se virar sozinhas\u2019, s\u00e3o as preferidas, pois inclusive elas conseguiriam trabalhar em locais com pouca ou nenhuma acessibilidade.<\/p>\n<p>Felizmente alguns de nossos e nossas ativistas deficientes j\u00e1 est\u00e3o ligados nessas mobiliza\u00e7\u00f5es coletivas internacionais e pol\u00edticas em torno do document\u00e1rio e est\u00e3o interessados em come\u00e7ar um movimento semelhante no Brasil. \u00c9 o caso de Ana Rita de Paula\u00a0e Tuca Munhoz que t\u00eam incentivado o debate atrav\u00e9s das redes sociais e encontros presenciais entre os interessados na quest\u00e3o na cidade de S\u00e3o Paulo<a href=\"https:\/\/desintegracoes.wordpress.com\/2016\/11\/15\/nos-tambem-fodemos-o-documentario-yes-we-fuck-e-sua-recepcao-no-brasil\/#_edn5\" name=\"_ednref5\">[v]<\/a>. Por algumas coincid\u00eancias cibern\u00e9ticas, entrei em contato com Munhoz e mostrei a ele um pouco de meu trabalho como ativista e soci\u00f3logo que se interessa exatamente pela interface entre sexualidade e defici\u00eancia. Em uma breve conversa, Tuca Munhoz comentou que falar sobre a sexualidade na defici\u00eancia de uma maneira mais provocante pode fazer o movimento pol\u00edtico de pessoas deficientes no Brasil prestar mais aten\u00e7\u00e3o em quest\u00f5es de cuidado e interdepend\u00eancia como pautas p\u00fablicas e pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Um document\u00e1rio como <em>Yes, We Fuck!<\/em> nos d\u00e1 a chance de extrapolar a ideia de acessibilidade para al\u00e9m das estruturas coletivas de nossa sociedade. O filme alarga as premissas da acessibilidade para o cotidiano \u00edntimo das pessoas com defici\u00eancia, o que possibilita pensar os corpos humanos em espa\u00e7os que n\u00e3o s\u00e3o considerados pol\u00edticos por excel\u00eancia, como o banheiro, a cama, o quarto, a rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia familiar e amorosa. A ideia de \u2018acesso sexual\u2019 contida no filme \u00e9 um \u00f3timo exemplo para politizarmos tanto as estruturas sociais que rodeiam nossos corpos deficientes, como para deflagrar que sentir tes\u00e3o em algu\u00e9m e ser aceito sexualmente s\u00e3o coisas imersas em in\u00fameras rela\u00e7\u00f5es de poder. Nesse ponto, o papel da assist\u00eancia sexual ganha proemin\u00eancia no longa metragem por ser um tipo de rela\u00e7\u00e3o que possibilita a algu\u00e9m deficiente uma pessoa que a auxilie a se masturbar ou a fazer sexo com seu companheiro. Em outras palavras, o papel da assist\u00eancia sexual n\u00e3o \u00e9 prover exatamente o sexo para as pessoas deficientes, mas ser um suporte interpessoal para que rela\u00e7\u00f5es er\u00f3ticas e afetivas possam se concretizar<a href=\"https:\/\/desintegracoes.wordpress.com\/2016\/11\/15\/nos-tambem-fodemos-o-documentario-yes-we-fuck-e-sua-recepcao-no-brasil\/#_edn6\" name=\"_ednref6\">[vi]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>SEXUALIDADE E DEFICI\u00caNCIA: UM BREVE CONTEXTO POL\u00cdTICO<\/strong><\/p>\n<p>Ainda \u00e9 muito comum ouvirmos falar na intera\u00e7\u00e3o entre \u2018sexualidade e defici\u00eancia\u2019 quase que exclusivamente sob um registro biom\u00e9dico. O discurso e investiga\u00e7\u00e3o biom\u00e9dica da sexualidade humana recebe o nome de sexologia. A sexologia, genericamente falando, \u00e9 parte de uma rede de estudos ampla sobre o comportamento humano que parte do pressuposto que os indiv\u00edduos s\u00e3o movidos por necessidades fisiol\u00f3gicas universais como comer, dormir, cagar, mijar e fazer sexo.\u00a0 \u00c9 por isso que historicamente partimos do pressuposto que as pessoas com defici\u00eancia possuem \u2018incapacidades naturais\u2019 para o seu suposto problema com a sexualidade.<\/p>\n<p>Durante muito tempo, como mostrei na postagem passada (<a href=\"https:\/\/desintegracoes.wordpress.com\/2016\/10\/26\/qual-e-teu-problema-a-deficiencia-como-duvida\/\">https:\/\/desintegracoes.wordpress.com\/2016\/10\/26\/qual-e-teu-problema-a-deficiencia-como-duvida\/<\/a> ), a defici\u00eancia foi \u00fanica e exclusivamente interpretada como um problema anat\u00f4mico e fisiol\u00f3gico, o que a relegou aos dom\u00ednios m\u00e9dicos da reabilita\u00e7\u00e3o e da corre\u00e7\u00e3o do corpo \u2018incapaz\u2019. Quando os movimentos de pessoas deficientes come\u00e7aram a se tornar vis\u00edveis na segunda metade do s\u00e9culo XX, essa no\u00e7\u00e3o de que a defici\u00eancia \u00e9 algo natural, algo que sempre se define no corpo do indiv\u00edduo como uma falha\\defeito, foi desestabilizada.<\/p>\n<p>Isso se deve ao fato da milit\u00e2ncia antirracista, dos movimentos feministas e dos movimentos de liberdade sexual terem questionado, ao longo do s\u00e9culo passado, o pr\u00f3prio estatuto natural dos corpos e de pr\u00e1ticas afetivas e er\u00f3ticas centradas em aspectos hier\u00e1rquicos e segregacionistas de g\u00eanero, ra\u00e7a e desejo. Fundamentalmente, essas mobiliza\u00e7\u00f5es mostraram o car\u00e1ter hist\u00f3rico e pol\u00edtico dos n\u00edveis mais \u00edntimos das rela\u00e7\u00f5es humanas. Uma vez que nos atraem coisas que podem estar a nosso alcance, mesmo que em proje\u00e7\u00e3o, o nosso pr\u00f3prio gosto possui condicionantes sociais e culturais que v\u00e3o nos permitir achar algu\u00e9m feio, bonito, interessante, amig\u00e1vel etc. Em suma, relacionar-se er\u00f3tica e afetivamente com algu\u00e9m vai muito al\u00e9m de um suposto \u2018instinto sexual\u2019. Ent\u00e3o, fica a pergunta, como as pessoas deficientes podem ser um \u2018objeto de desejo\u2019 se elas n\u00e3o est\u00e3o em plena \u2018circula\u00e7\u00e3o er\u00f3tica\u2019 no mundo?<\/p>\n<p>Em uma de suas apresenta\u00e7\u00f5es, a pesquisadora Andrea Garc\u00eda-Santesmases Fern\u00e1ndez disse algo que me marcou: que um document\u00e1rio como <em>Yes, We Fuck! <\/em>\u2018n\u00e3o surge do nada\u2019. Isto quer dizer que por mais que a defici\u00eancia entrela\u00e7ada ao sexo e sua pr\u00e1tica teimam em aparecer de forma inacredit\u00e1vel e espetacular no \u2018senso comum\u2019, existem in\u00fameras negocia\u00e7\u00f5es cotidianas sendo feitas por pessoas deficientes h\u00e1 muito tempo com vistas a terem sua sexualidade reconhecida e poss\u00edvel de ser praticada. Dizer \u2018Sim, n\u00f3s fodemos!\u2019, vai muito al\u00e9m do orgasmo moment\u00e2neo; \u00e9 uma nova maneira de se colocar em perspectiva sexo-pol\u00edtica com o mundo; como dizem os espanh\u00f3is: \u00e9 uma nova maneira de imaginar e fantasiar a defici\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong><\/p>\n<p>FOUCAULT, Michel. <strong>Hist\u00f3ria da Sexualidade I: <\/strong>a vontade de saber. S\u00e3o Paulo: Graal, 2005.<\/p>\n<p>GARC\u00cdA-SANTESMASES, Andrea; BRANCO DE CASTRO, Carolina. Fantasmas y fantas\u00edas: controversias sobre la asistencia sexual para personas con diversidad funcional. <strong>Pedagogia i Treball Social<\/strong>.\u00a0Revista de Ci\u00e8ncies Socials Aplicades. Vol. 5, No 1 (2016). Dispon\u00edvel em: &lt; <a href=\"http:\/\/ojs.udg.edu\/index.php\/pedagogia_i_treball_social\/article\/view\/252\/303\">http:\/\/ojs.udg.edu\/index.php\/pedagogia_i_treball_social\/article\/view\/252\/303<\/a> &gt;<\/p>\n<p>GAV\u00c9RIO, Marco Antonio<strong>. <\/strong>Medo de um Planeta Aleijado? \u2013 Notas Para Poss\u00edveis Aleijamentos Da Sexualidade. <strong>\u00c1skesis<\/strong>. v. 4 n. 1, janeiro\/junho \u2013 2015. Dispon\u00edvel em: \u00a0&lt; <a href=\"http:\/\/www.revistaaskesis.ufscar.br\/index.php\/askesis\/article\/view\/29\">http:\/\/www.revistaaskesis.ufscar.br\/index.php\/askesis\/article\/view\/29<\/a><\/p>\n<p>*<em>Agrade\u00e7o imensamente \u00e0 Andrea Garc\u00eda-Santesmases Fern\u00e1ndez pelas sugest\u00f5es feitas em vers\u00e3o pr\u00e9via desse texto.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/desintegracoes.wordpress.com\/2016\/11\/15\/nos-tambem-fodemos-o-documentario-yes-we-fuck-e-sua-recepcao-no-brasil\/#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a> As pessoas que se atraem sexualmente por pessoas deficientes s\u00e3o chamadas de <em>devotees<\/em>. As pessoas sem defici\u00eancia que buscam infligir voluntariamente uma defici\u00eancia em seus corpos s\u00e3o conhecidos como <em>wannabes<\/em>. Em minha atual pesquisa de mestrado fa\u00e7o uma an\u00e1lise de artigos cient\u00edficos que buscam explicar esses comportamentos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/desintegracoes.wordpress.com\/2016\/11\/15\/nos-tambem-fodemos-o-documentario-yes-we-fuck-e-sua-recepcao-no-brasil\/#_ednref2\" name=\"_edn2\">[ii]<\/a> <a href=\"http:\/\/www.yeswefuck.org\/\" rel=\"nofollow\">http:\/\/www.yeswefuck.org\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/desintegracoes.wordpress.com\/2016\/11\/15\/nos-tambem-fodemos-o-documentario-yes-we-fuck-e-sua-recepcao-no-brasil\/#_ednref3\" name=\"_edn3\">[iii]<\/a> Os eventos aconteceram no dia 6 de setembro na UFSCar e no dia 21 na UNICAMP. Na UFSCar, institui\u00e7\u00e3o na qual estou ligado, o debate foi iniciativa do Departamento de Sociologia, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Sociologia e do Grupo de pesquisa sobre Sexualidade e Entretenimento (SEXENT), sob orienta\u00e7\u00e3o do Prof. Dr. Jorge Leite J\u00fanior. Na UNICAMP o debate foi promovido pelo N\u00facleo de Estudos de G\u00eanero PAGU e fez parte do evento: Di\u00e1logos entre defici\u00eancias e quest\u00f5es trans: saberes, direitos e pol\u00edticas e sua programa\u00e7\u00e3o pode ser vista aqui neste link: &lt; <a href=\"http:\/\/www.pagu.unicamp.br\/pt-br\/dialogos-entre-deficiencias-questoes-trans-saberes-direitos-politicas\">http:\/\/www.pagu.unicamp.br\/pt-br\/dialogos-entre-deficiencias-questoes-trans-saberes-direitos-politicas<\/a> &gt;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/desintegracoes.wordpress.com\/2016\/11\/15\/nos-tambem-fodemos-o-documentario-yes-we-fuck-e-sua-recepcao-no-brasil\/#_ednref4\" name=\"_edn4\">[iv]<\/a> para uma introdu\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria de como o ativismo queer se mescla ao ativismo deficiente ver meu artigo GAV\u00c9RIO, 2015.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/desintegracoes.wordpress.com\/2016\/11\/15\/nos-tambem-fodemos-o-documentario-yes-we-fuck-e-sua-recepcao-no-brasil\/#_ednref5\" name=\"_edn5\">[v]<\/a> Recentemente o Memorial da Inclus\u00e3o do estado de S\u00e3o Paulo promoveu um debate com a participa\u00e7\u00e3o de De Paula e Munhoz sobre o movimento <em>Yes, We Fuck<\/em>! em uma mesa chamada<strong> Defici\u00eancia e os direitos reprodutivos e sexuais<\/strong>. A programa\u00e7\u00e3o desse evento est\u00e1 no seguinte endere\u00e7o<strong>: <\/strong><a href=\"http:\/\/www.memorialdainclusao.sp.gov.br\/mesas-redondas-estudos-sobre-a-deficiencia\/\" rel=\"nofollow\">http:\/\/www.memorialdainclusao.sp.gov.br\/mesas-redondas-estudos-sobre-a-deficiencia\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/desintegracoes.wordpress.com\/2016\/11\/15\/nos-tambem-fodemos-o-documentario-yes-we-fuck-e-sua-recepcao-no-brasil\/#_ednref6\" name=\"_edn6\">[vi]<\/a> Existe uma diferen\u00e7a entre assistentes sexuais e terapeutas sexuais. E ainda essas duas categorias se diferenciam das categorias mais amplas de prostitui\u00e7\u00e3o. H\u00e1 um grande debate sobre esse assunto e recomendo a leitura de Garc\u00eda-Santesmases e Branco de Castro (2016) para um panorama dessas diferen\u00e7as. Recentemente o filme hollywoodiano As Sess\u00f5es (dir.: Be Lewin; 2013) representou a vida do poeta e ativista deficiente Mark O\u2019Brien e suas primeiras experi\u00eancias sexuais que aconteceram atrav\u00e9s de uma terapeuta sexual. Basicamente a terapia sexual envolve pr\u00e1ticas sexuais entre o terapeuta e o paciente a fim de tornar este capaz de reconhecer em si, e no outro, maneiras de produzir prazer. Mark O\u2019Brien era severamente deficiente devido \u00e0 poliomielite.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado originalmente no blog Desintegra\u00e7\u00f5es N\u00e3o \u00e9 raro, quando eu chego nos lugares em minha cadeira de rodas, as pessoas come\u00e7arem a me encarar, encarar<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":16478,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[19],"tags":[386,103,107,323],"class_list":{"0":"post-22347","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-noticias-e-analises","8":"tag-deficiencia","9":"tag-direitos-humanos","10":"tag-direitos-sexuais","11":"tag-sexualidades"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.1.1 - 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