{"id":22317,"date":"2016-09-08T21:33:31","date_gmt":"2016-09-09T00:33:31","guid":{"rendered":"https:\/\/spw.fw2web.com.br\/ptbr\/2016\/09\/08\/classificar-corpos-negar-liberdades\/"},"modified":"2024-02-05T17:01:23","modified_gmt":"2024-02-05T20:01:23","slug":"classificar-corpos-negar-liberdades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/classificar-corpos-negar-liberdades\/22317","title":{"rendered":"Classificar corpos, negar liberdades"},"content":{"rendered":"<div class=\"grid-8 author-links\">\n<div class=\"submitted grid-6 alpha\"><span class=\"authors pf-author\"><a href=\"https:\/\/www.opendemocracy.net\/author\/ch%C3%A9-ramsden\">Ch\u00e9 Ramsden<\/a><\/span> <span class=\"timestamp\"><abbr class=\"published\" title=\"2016-09-06T11:47:56+01:00\">6 September 2016<\/abbr><\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"grid-8 alpha omega article-content\">\n<div id=\"contentgrid\" class=\"content entry-content grid-6\">\n<div class=\"entry-summary\">\n<p>A classifica\u00e7\u00e3o \u00e9 um instrumento de opress\u00e3o. Este artigo, que examina o abuso dirigido a Caster Semenya, antecipa o tema do Forum Internacional AWID (8-11 setembro): \u201cIntegridade corporal e liberdades\u201d.<strong><em> <a href=\"https:\/\/opendemocracy.net\/democraciaabierta\/ch-ramsden\/clasificar-cuerpos-negar-libertades\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">Espa\u00f1ol<\/a> <a href=\"https:\/\/opendemocracy.net\/5050\/ch-ramsden\/classifying-bodies-denying-freedoms\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">English<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"entry-content\">\n<p><span class=\"wysiwyg_imageupload image imgupl_floating_none 0\"><a class=\"lightbox-processed\" title=\"\" href=\"https:\/\/cdn.opendemocracy.net\/files\/imagecache\/wysiwyg_imageupload_lightbox_preset\/wysiwyg_imageupload\/557099\/foto%201_12.jpg\" rel=\"lightbox[wysiwyg_imageupload_inline]\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"imagecache wysiwyg_imageupload 0 imagecache imagecache-article_xlarge\" title=\"\" src=\"https:\/\/cdn.opendemocracy.net\/files\/imagecache\/article_xlarge\/wysiwyg_imageupload\/557099\/foto%201_12.jpg\" alt=\"\" width=\"460\" height=\"307\" \/><\/a><br \/>\n<span class=\"image_meta\"><span class=\"image_title\">Museu do apartheid en Johannesburg. Flickr\/Jasonwhat. Alguns direitos reservados. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>Eu era uma adolescente quando ajudei a minha av\u00f3 durante o Natal a levar caixas de bolachas a cada um dos primos maternos que ainda existiam. Pese a que a nossa fam\u00edlia \u00e9 extensa, sempre fomos muitos unido; assim que me surpreendeu que a ultima caixa fosse para uma tia que n\u00e3o conhecia: \u201cQuem \u00e9 a Tia Dawn?\u201d<\/p>\n<p>\u201cA filha da tia Evelyn\u201d. A Tia Evelyn era a irm\u00e3 da minha bisav\u00f3; havia uma velha fotografia de fam\u00edlia na sala de jantar de casa na qual estava Evelyn ainda beb\u00e9.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o sabia que a Tia Evelyn tivesse filhos.\u201d<\/p>\n<p>\u201cCasou-se com um homem branco, assim que eles nunca conheceram o resto da fam\u00edlia\u201d.<\/p>\n<p>Durante os vinte minutos seguintes ouvi a t\u00edpica hist\u00f3rica sul-africana de uma fam\u00edlia dividida pelas classifica\u00e7\u00f5es do apartheid. A minha tia Evelyn conseguiu passar por branca durante toda a sua vida adulta; vivia numa \u00e1rea branca e ocultou os seus antecedentes familiares aos seus vizinhos brancos e aos seus filhos. Entretanto, os seus familiares eram classificados como sendo de \u201ccor\u201d. Ao presenciar o tratamento recebido pela sua irm\u00e3 negra sob o apartheid, incluindo <a href=\"http:\/\/www.sahistory.org.za\/article\/forced-removals-south-africa\">um traumatizante despejo<\/a>, imagino que entre as emo\u00e7\u00f5es que experimentou Evelyn existia sempre o medo a ser descoberta.<\/p>\n<p>Pelos vistos, a minha bisav\u00f3 de pele clara tamb\u00e9m foi aconselhada a casar-se com um homem branco, mas ela apaixonou-se por una homem escuro. As suas duas filhas tinham a pele como a sua m\u00e3e, mas a minha av\u00f3 escura e o seu pai n\u00e3o visitavam os seus parentes brancos para n\u00e3o \u201cenvergonhar\u201d a minha tia Evelyn e o seu vizinho perante os seus vizinhos brancos. Fiquei a saber que Dawn nem sequer sabia da exist\u00eancia de alguns dos outros benefici\u00e1rios das nossas caixas de bolachas at\u00e9 que cumpriu cinquenta anos.<\/p>\n<p>Eu estava at\u00f3nita; quando cheg\u00e1mos ao nosso destino entreguei as bolachas \u00e0 minha nova velha tia branca em silencio, o que n\u00e3o \u00e9 pr\u00f3prio da minha personalidade. No caminho de volta a casa, comecei a pensar na outra realidade da fam\u00edlia de Evelyn. \u201cMas as crian\u00e7as n\u00e3o faziam preguntas? Se sabiam que tinham uma tia e v\u00e1rios primos, n\u00e3o faziam preguntas sobre o teu pai, tu e o resto da fam\u00edlia? N\u00e3o sabiam onde voc\u00eas viviam?\u201d<\/p>\n<p>\u201cVamos ver, muito provavelmente pensavam que a sua m\u00e3e n\u00e3o pertencia a uma fam\u00edlia muito unida\u201d. Mas sim: pertencia \u00e0 <em>nossa<\/em> fam\u00edlia. A minha av\u00f3 resumiu-o assim: \u201cO apartheid foi uma loucura.\u201d<\/p>\n<p><strong>Classifica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Conto esta hist\u00f3ria porque ilustra que a classifica\u00e7\u00e3o tem sentido e n\u00e3o tem sentido ao mesmo tempo. Que a <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pencil_test_%28South_Africa%29\">prova do l\u00e1pis<\/a> seja uma ferramenta legitima do governo \u00e9 ilustrativo de que o sistema de classifica\u00e7\u00e3o \u00e9 algo estranho e irreal. Para muitos sul-africanos, as nossa historias e experi\u00eancias demonstram qu\u00e3o arbitrarias s\u00e3o as fronteiras raciais e, ao mesmo tempo, qu\u00e3o incisivo \u00e9 o corte e qu\u00e3o profundamente \u00e9 o mesmo sentido.<\/p>\n<p>No inicio de setembro estarei no Brasil para acompanhar o <a href=\"http:\/\/www.forum.awid.org\/forum16\/\">13\u00ba Forum Internacional da Associa\u00e7\u00e3o para os Direitos da Mulher e o Desenvolvimento<\/a> (AWID). Um dos temas gerais deste f\u00f3rum \u00e9 a \u201cIntegridade Corporal e Liberdades\u201d e estou cheia de vontade de participar, juntamente com 2000 ativistas feministas e acad\u00e9micas de todo o mundo, em s\u00e9rio debates sobre as nossas identidades e sobre as realidades vividas e experimentadas atrav\u00e9s dos nossos corpos. O corpo continua a ser um centro chave de conflito das lutas feministas, j\u00e1 que s\u00e3o muitas as intersec\u00e7\u00f5es das classifica\u00e7\u00f5es do corpo humano que impactam na nossa liberdade e na nossa exist\u00eancia.<\/p>\n<p>A classifica\u00e7\u00e3o \u00e9 um instrumento de opress\u00e3o; e a opress\u00e3o, obviamente, tem como origem no poder e n\u00e3o em factos. Os sistemas de classifica\u00e7\u00e3o do apartheid, suportados por uma <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Scientific_racism\">biologia e uma moral<\/a> corruptas, recordam-nos que a ra\u00e7a \u00e9 algo que se constr\u00f3i \u2013 uma mentira social. O sistema que usamos para classificar o sexo n\u00e3o \u00e9 diferente: o sexo \u00e9 um <a href=\"http:\/\/www.xysuz.com\/what-is-intersex\/\">espetro<\/a> e, contudo, insistimos numa classifica\u00e7\u00e3o bin\u00e1ria. Nos casos nos que de forma contrariada se aceita o termo \u201cintersexual\u201d, ou uma terceira categoria similar, como uma alternativa \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o homens-mulheres, as pessoas intersexuais continuam a sofrer a nega\u00e7\u00e3o do seu <a href=\"http:\/\/ilga-europe.org\/what-we-do\/our-advocacy-work\/trans-and-intersex\/intersex\/events\/3rd-international-intersex-forum\">direito<\/a> \u00e0 autonomia e \u00e0 determina\u00e7\u00e3o corporal.<\/p>\n<p>De facto, adicionar \u201cintersexual\u201d como terceira op\u00e7\u00e3o classificat\u00f3ria \u2013 em vez de reconhecer um amplio e complicado espetro que socava qualquer no\u00e7\u00e3o de categoria sexual \u2013 refor\u00e7a o sistema que trata de controla e oprimir. N\u00e3o pude deixar de sentir que este era o caso quando observei a intoler\u00e2ncia e o abuso a que foi sujeita Caster Semenya ao ganhar a medalha de ouro ol\u00edmpica nos 800 metros.<\/p>\n<p><span class=\"wysiwyg_imageupload image imgupl_floating_none 0\"><img decoding=\"async\" class=\"imagecache wysiwyg_imageupload 0 imagecache imagecache-article_xlarge\" title=\"\" src=\"https:\/\/cdn.opendemocracy.net\/files\/imagecache\/article_xlarge\/wysiwyg_imageupload\/557099\/foto%202_11.jpg\" alt=\"\" width=\"460\" height=\"278\" \/><br \/>\n<span class=\"image_meta\"><span class=\"image_title\">Caster Semenya celebra a victoria na final dos 800m nos Jogos Ol\u00edmpicos do Rio de Janeiro. Mike Egerton\/PA Images. Todos os direitos reservados. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>Desde que ganhou o ouro no Campeonato do Mundo em 2009, o talento desportivo de Semenya foi objeto de especula\u00e7\u00e3o, sobre se \u00e9 demasiado masculina para que se lhe permita competir com outras mulheres. Jennifer Doyle <a href=\"https:\/\/thesportspectacle.com\/2016\/08\/16\/capturing-semenya\/\">descreve<\/a> como relataram os especialistas com a \u201cemo\u00e7\u00e3o barata de descobrir um estranho intruso sob os seus ombros, o seu penteado, a sua forma de vestir, a sua sexualidade \u2013 a sua masculinidade feminina, negra e estranha.<\/p>\n<p>Em 2009, sem o conhecimento (e por tanto sem o seu consentimento), Semenya <a href=\"http:\/\/www.nytimes.com\/2009\/08\/21\/sports\/21runner.html?scp=1&amp;sq=sex%20test%20runner&amp;st=cse\">foi submetida<\/a> a provas m\u00e9dicas para comprovar a sua \u201celegibilidade\u201d para competir como mulher. Tamb\u00e9m sem o seu consentimento, a Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Federa\u00e7\u00f5es de Atletismo (IAAF) confirmou publicamente que essas provas estavam a ser realizadas. Posteriormente informou-se que Semenya tinha \u201chiperandroginismo\u201d, quer dizer, n\u00edveis de testosterona superiores \u00e0 \u201cmedia\u201d feminina.<\/p>\n<p>A respostas da IAAF foi <a href=\"http:\/\/www.runnersworld.com\/olympics\/why-the-womens-800-will-be-the-most-controversial-race-at-the-olympics\">adotar<\/a> um regulamento sobre o hiperandroginismo, com o objetivo de evitar que as mulheres com altos n\u00edveis de testosterona produzidos no seu corpo de forma natural pudessem participar em competi\u00e7\u00f5es, norma que foi imediatamente <a href=\"http:\/\/www.tas-cas.org\/en\/general-information\/news-detail\/article\/27072015-cas-suspends-the-iaaf-hyperandrogenism-regulations.html\">suspensa<\/a> pelo Tribunal de Arbitragem em 2015, depois da denuncia apresentada pela velocista Dutee Chand. Desta forma, Semenya p\u00f4de competir nos Jogos Ol\u00edmpicos do Rio de Janeiro sem alterar as suas hormonas naturais. Mas as suas adversarias, a IAAF e o Comit\u00e9 Ol\u00edmpico Internacional <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/commentisfree\/2016\/aug\/23\/caster-semenya-olympic-spirit-iaaf-athletes-women\">puseram de novo em duvida<\/a> a legitimidade de que o fizera.<\/p>\n<p>As preguntas sobre o g\u00e9nero de Caster Semenya \u2013 especificamente, as que pretendem reclassificar o g\u00e9nero ou p\u00f4r em d\u00favida a sua condi\u00e7\u00e3o de mulher, &#8212; por inocentes que pare\u00e7am, o que fazem \u00e9 refor\u00e7ar as estruturas de opress\u00e3o. Quando se colocam quest\u00f5es de \u201cequidade\u201d ou \u201clegitimidade\u201d, a feminidade de Semenya termina quase sempre ligada \u00e0 sua cor de pele.<\/p>\n<p><strong>Negrog\u00ednia<\/strong><\/p>\n<p><strong><span class=\"wysiwyg_imageupload image imgupl_floating_none 0\"><a class=\"lightbox-processed\" title=\"\" href=\"https:\/\/cdn.opendemocracy.net\/files\/imagecache\/wysiwyg_imageupload_lightbox_preset\/wysiwyg_imageupload\/557099\/threeathletes_0.jpg\" rel=\"lightbox[wysiwyg_imageupload_inline]\"><img decoding=\"async\" class=\"imagecache wysiwyg_imageupload 0 imagecache imagecache-article_xlarge\" title=\"\" src=\"https:\/\/cdn.opendemocracy.net\/files\/imagecache\/article_xlarge\/wysiwyg_imageupload\/557099\/threeathletes_0.jpg\" alt=\"\" width=\"460\" height=\"302\" \/><\/a> <\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span class=\"wysiwyg_imageupload image imgupl_floating_none 0\"><span class=\"image_meta\"><span class=\"image_title\">Francine Niyonsaba (Burundi), Caster Semenya (Sud\u00e1frica), Margaret Wambui (Kenia).Jae C. Hong \/ PA Images. Todos os direitos reservados. <\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p>Quando os detratores de Semenya se referem a um \u201cproblema\u201d com a sua participa\u00e7\u00e3o em provas femininas, convidam-nos sempre a que olhemos para a sua apar\u00eancia \u2013 recorrendo invariavelmente a preju\u00edzos raciais. Lynsey Sharp, que terminou a prova ol\u00edmpica de 800 metros no Rio em sexto lugar, disse entre l\u00e1grimas, <a href=\"http:\/\/www.telegraph.co.uk\/news\/2016\/08\/21\/lynsey-sharp-criticises-obvious-hypoadrogenous-women-having-bein\/\">durante uma entrevista posterior \u00e0 corrida<\/a>, que \u201co p\u00fablico pode ver o dif\u00edcil que \u00e9\u201d (a cursiva \u00e9 minha) competir com Semenya e as outras medalhistas Francine Niyonsaba y Margaret Wambui. Joana Jozwik, que terminou a corrida em quinto lugar, <a href=\"http:\/\/www.independent.co.uk\/sport\/olympics\/rio-2016-joanna-jozwik-caster-semenya-800m-hyperandrogenism-a7203731.html?cmpid=facebook-post\">insistiu<\/a> em que as medalhistas \u201ctem um n\u00edvel de testosterona muito alto, similar ao n\u00edvel dum homem, e por isso <em>s\u00e3o como s\u00e3o<\/em> e correm como correm\u201d (a cursiva \u00e9 minha).<\/p>\n<p>Jozwik foi ainda mais explicita. \u201cFico contente por ter sido a primeira europeia, e a segunda branca em cruzar a linha de meta\u201d. Noutras palavras, as medalhistas s\u00e3o pretas e r\u00e1pidas (ainda que n\u00e3o tenham batido nenhum record) \u2013 a\u00ed \u00e9 onde est\u00e1 o \u201c<a href=\"http:\/\/www.telegraph.co.uk\/news\/2016\/08\/21\/lynsey-sharp-criticises-obvious-hypoadrogenous-women-having-bein\/\">\u00f3bvio<\/a>\u201d problema de Sharp e Jozwik. Cabe dizer que Jarmilla Kratochv\u00edlov\u00e1, a mulher branca que possui o record mundial de 800 metro, <a href=\"https:\/\/twitter.com\/JJ_Bola\/status\/767343793251254276\">n\u00e3o teve<\/a> que enfrentar-se a especula\u00e7\u00f5es similares sobre a sua condi\u00e7\u00e3o de mulher.<\/p>\n<p>Ao p\u00f4r em causa a elegibilidade das medalhistas para ocupar o seu posto como mulheres, Sharp e Jozwik fizeram gala dum mito racista pelo menos tao antigo como o colonialismo e o tr\u00e1fico transatl\u00e2ntico de escravos: o mito de que as mulheres pretas pertencem a uma categoria f\u00edsica diferente \u00e0 das mulheres brancas e que os seus corpos se adaptam melhor \u00e0 dureza do trabalho f\u00edsico que os das mulheres brancas.<\/p>\n<p>No <a href=\"https:\/\/mediadiversified.org\/2016\/08\/19\/its-not-about-the-genes-stupid\/\">seu artigo<\/a>, \u201cN\u00e3o se trata de genes, estupido\u201d, Ahmed Olayinka Sule examina a recente fascina\u00e7\u00e3o com os genes dos velocistas jamaicanos e a pseudoci\u00eancia racista que o acompanha. Tratasse, segundo ele. De \u201cuma vers\u00e3o moderna do estereotipo do negro selvagem\u201d. O racismo cientifico \u2013 combinado, no caso de Semenya, como sexismo cient\u00edfico \u2013 continua a ser usado para disfar\u00e7ar e justificar a intoler\u00e2ncia nos Jogos Ol\u00edmpicos, 80 anos depois de que Hitler ficasse vermelho de ira ao presencia a vit\u00f3ria de Jesse Owen nos Jogos Ol\u00edmpicos de Berlim.<\/p>\n<p>Contrasta com isto, <a href=\"http:\/\/www.theatlantic.com\/health\/archive\/2016\/08\/caster-semenya-and-the-abnormal-olympic-body\/496724\/\">afirma Olga Khazan<\/a>, que os \u201cp\u00e9s ultra-flex\u00edveis de Michael Phelps\u2026convertem-se em \u201cbarbatanas virtuais\u201d ao nadar e, contudo, o seu \u201ccorpo de peixe\u201d n\u00e3o ativa alarmes nem motiva acusa\u00e7\u00f5es de que n\u00e3o deveria ser-lhe permitido competir com outros homens. Da mesma forma, Jennifer Doyle <a href=\"https:\/\/thesportspectacle.com\/2016\/08\/16\/capturing-semenya\/\">recorda-nos<\/a> que a nadadora Katie Ledecky, que compete nos 1500 metros estilos, \u201cse encontra no limiar dos tempos dos homens\u201d e ainda \u201cque as suas qualidades t\u00e9cnicas sejam muito mais espetaculares que as de Semenya\u201d, a sua condi\u00e7\u00e3o de mulher nunca foi posta em causa.<\/p>\n<p><strong>#CasterN\u00e3oSeToca<\/strong><\/p>\n<p>As acusa\u00e7\u00f5es de classifica\u00e7\u00e3o de g\u00e9nero err\u00f3neas s\u00f3 afetaram mulheres desportistas, especialmente quando vem o Sul Global. \u00c9 surpreendente que mais feministas n\u00e3o tenham levantado a voz contra a injusta vigil\u00e2ncia dos corpos das mulheres, ainda que isto se deva provavelmente a que ditos corpos j\u00e1 sejam afetados pelo racismo.<\/p>\n<p>John Branch <a href=\"http:\/\/www.nytimes.com\/2015\/07\/28\/sports\/international\/dutee-chand-female-sprinter-with-high-male-hormone-level-wins-right-to-compete.html?_r=0\">informa<\/a> que \u201cnos Jogos Ol\u00edmpicos de Londres (2012), quatro atletas femininas, todas elas entre os 18 e 21 anos e procedentes de zonas rurais de pa\u00edses em desenvolvimento, foram apontadas por terem altos n\u00edveis de testosterona natural\u201d. Posteriormente, as quatro mulheres submeteram-se a cirurgias de \u201cfeminiza\u00e7\u00e3o\u201d. Os \u201caltos\u201d n\u00edveis de testosterona de Semenya s\u00e3o um foco de aten\u00e7\u00e3o, mas os homens com n\u00edveis de testosterona mais altos do normal n\u00e3o s\u00e3o objeto de exame.<\/p>\n<p>#CasterN\u00e3oSeToca come\u00e7ou a ser tend\u00eancia nos meios de comunica\u00e7\u00e3o sociais sul-africanos ao aproximarem-se os Jogos Ol\u00edmpicos, como resposta ao renovado interesse em Semenya. Devido aos tratamentos f\u00edsicos invasivos aos que foram submetidas algumas atletas mulheres, o lado f\u00edsico \u2013 n\u00e3o se toca! \u2013 \u00e9 apropriado. A privacidade e a autonomia f\u00edsica de Semenya j\u00e1 foi vulnerada anteriormente, pelo que o hashtag \u00e9 tamb\u00e9m uma firme advert\u00eancia: j\u00e1 chega! Os exames m\u00e9dicos s\u00e3o invasivo, duplamente quando s\u00e3o realizados sem consentimento, e triplamente quando se filtram aos meios de comunica\u00e7\u00e3o e acabam publicados.<\/p>\n<p>Para a cerim\u00f3nia de clausura dos Jogos Ol\u00edmpicos de 2016, cada pa\u00eds enviou um abandeirado ao centro do est\u00e1dio do Maracan\u00e3 no Rio de Janeiro: foram os \u201cher\u00f3is dos jogos\u201d. Semenya foi eleita para levar a bandeira da \u00c1frica do Sul como hero\u00edna do seu pa\u00eds e eu senti-me orgulhos\u00edssima de isso.<\/p>\n<p>A Africa do Sul podia ter optado por van Niekerke, que ganhou uma medalha de ouro e bateu o record do mundo dos 400 metros lisos masculinos, mas a presen\u00e7a de Semenya nesta parte da cerim\u00f3nia demonstrou a unidade e a for\u00e7a da equipa sul-africana. A sua presen\u00e7a na arena ol\u00edmpica nesse momento desafiou aqueles intolerantes que prefeririam que ela n\u00e3o existisse, j\u00e1 seja porque acreditam erroneamente que a homossexualidade \u00e9 algo n\u00e3o africano, j\u00e1 seja porque, tal como a IAAF, a sua desinformada compreens\u00e3o do sexo e do g\u00e9nero se v\u00ea alterada pela combina\u00e7\u00e3o de hormonas perfeitamente natural da atleta. A grande <a href=\"http:\/\/www.theglobeandmail.com\/sports\/olympics\/caster-semenya-controversial-abroad-a-hero-at-home-in-south-africa\/article31480265\/\">popularidade de Semenya<\/a> na \u00c1frica do Sul foi sem duvida a cereja no topo do bolo.<\/p>\n<p>Pode ser que o simbolismo n\u00e3o ofere\u00e7a uma representa\u00e7\u00e3o verdadeira ou inclusive significativa da realidade, mas era importante que isto acontecesse. Serviu como lembran\u00e7a de que a \u00c1frica do Sul n\u00e3o s\u00f3 apoiou Semenya, mas que tamb\u00e9m a elevou \u00e0 categoria de hero\u00edna. Esperamos que Semenya possa viver a vida que nasceu para viver, que possa escolher e amar livremente, e competir livremente a n\u00edvel mundial junto a outros atletas.<\/p>\n<p>O \u00eaxito de Caster Semenya e o apoio que recebeu da \u00c1frica do Sul nos Jogos Ol\u00edmpicos levam-me a mim tamb\u00e9m a apoi\u00e1-la, preparada para o f\u00f3rum <a href=\"http:\/\/www.forum.awid.org\/forum16\/\">AWID<\/a> e disposta a participar nos \u201cfuturos feministas partilhados\u201d. No nosso caminho at\u00e9 \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o do corpo em todas as suas express\u00f5es, negar-se a cumprir com os estreitos e opressivos sistemas de classifica\u00e7\u00e3o \u00e9 um passo essencial no caminho at\u00e9 \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o. O programa da AWID promete ser inclusivo e multidisciplinar e contribuir para a constru\u00e7\u00e3o do poder coletivo dos direitos e da justi\u00e7a \u2013 ver <a href=\"https:\/\/www.opendemocracy.net\/5050\/awid-forum-2016\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p><strong><em>Este artigo foi publicado pela primeira vez na openDemocracy 50.50 como parte da s\u00e9rie<a href=\"https:\/\/opendemocracy.net\/5050\/awid-forum-2016\">: AWID Forum Feminista Futuros<\/a>: construindo o poder coletivo de direitos e justi\u00e7a. Bahia, Brasil 08-11 setembro.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.opendemocracy.net\/democraciaabierta\/ch-ramsden\/classificar-corpos-negar-liberdades\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fonte: openDemocracy<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A classifica\u00e7\u00e3o \u00e9 um instrumento de opress\u00e3o. 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