{"id":22133,"date":"2015-10-21T18:57:44","date_gmt":"2015-10-21T20:57:44","guid":{"rendered":"https:\/\/spw.fw2web.com.br\/ptbr\/2015\/10\/21\/a-safada-que-abandonou-seu-bebe\/"},"modified":"2024-02-02T14:59:07","modified_gmt":"2024-02-02T17:59:07","slug":"a-safada-que-abandonou-seu-bebe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/a-safada-que-abandonou-seu-bebe\/22133","title":{"rendered":"A \u201csafada\u201d que \u201cabandonou\u201d seu beb\u00ea"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Publicado originalmente no El Pa\u00eds Brasil em 12\/10\/2015. Link: <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/10\/12\/opinion\/1444657013_446672.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/10\/12\/opinion\/1444657013_446672.html<\/a><\/em><\/p>\n\n\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"cuerpo_noticia\">\n<p style=\"text-align: right\"><em>Por Eliane Brum<\/em><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dias, o Brasil elegeu uma nova vil\u00e3 para lan\u00e7ar na fogueira do moralismo. Sandra Maria dos Santos Queiroz, 37 anos, \u00e9 uma nordestina de Vit\u00f3ria da Conquista, na Bahia, que migrou para S\u00e3o Paulo para trabalhar como empregada dom\u00e9stica. No domingo, 4 de outubro, Sandra pariu sozinha, escondida no banheiro anexo ao quarto de empregada, a sua terceira crian\u00e7a. O primeiro, um garoto de 17 anos, \u00e9 criado por parentes na Bahia. A segunda, uma menina de tr\u00eas anos, vive com ela na casa dos patr\u00f5es, no bairro nobre de Higien\u00f3polis. Sandra escondeu a gravidez por nove meses e passou por todas as dores do parto, que tanto atemorizam as mulheres, sem fazer alarde. Cortou ela mesma o cord\u00e3o umbilical. Amamentou a crian\u00e7a, embrulhou-a, colocou-a n\u00e3o em qualquer sacola, mas numa bem chique \u2013 \u201c<em>Au Pied de Cochon<\/em>\u201d, nome de um restaurante tradicional de Paris \u2013, o que diz muito. Deixou-a embaixo de uma \u00e1rvore, diante de um pr\u00e9dio. Escondeu-se e ficou esperando at\u00e9 ter certeza de que o beb\u00ea seria encontrado. Neste momento, outro empregado da vizinhan\u00e7a, o zelador Francisco de Assis Marinho, migrante da Para\u00edba, estranhou a sacola, levantou-a, pelo peso concluiu que era roupa, e deixou-a cair. O beb\u00ea chorou. Francisco chamou a pol\u00edcia, sonhou com adotar a menina, afirmou que sentiu amor imediato pela crian\u00e7a. No drama de Higien\u00f3polis, emergem dos bastidores da cena cotidiana do bairro dois personagens em geral invis\u00edveis: o zelador e a dom\u00e9stica. Ele tornou-se o her\u00f3i. Ela, a m\u00e3e desnaturada.<\/p>\n<p>\u201cSafada\u201d \u00e9 o termo que outro trabalhador das zonas cinzentas, um seguran\u00e7a, escolhe para se referir \u00e0 Sandra, <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/10\/09\/politica\/1444390263_570491.html\">como conta a rep\u00f3rter Camila Moraes, num texto imprescind\u00edvel.<\/a> \u201cPor que voc\u00ea abandonou a crian\u00e7a?\u201d, gritavam jornalistas, quando ela foi detida pela pol\u00edcia. No Brasil, \u201cabandonar\u201d um beb\u00ea \u00e9 crime punido com at\u00e9 tr\u00eas anos de pris\u00e3o, pena que pode aumentar em um ter\u00e7o quando \u00e9 a m\u00e3e ou outro parente pr\u00f3ximo que consuma o ato. Sandra foi flagrada por c\u00e2meras de seguran\u00e7a instaladas para detectar estranhos ao bairro. Ela foi identificada, levada para a delegacia e exposta. Depois, liberada para esperar a senten\u00e7a. O beb\u00ea foi levado a um hospital, j\u00e1 teve alta e pode ser colocado para ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Neste enredo da vida real, Francisco, o zelador, encarna o lado virtuoso do homem que n\u00e3o fecundou, mas quer se tornar pai. E, assim, apaga a aus\u00eancia eloquente do homem pelo qual quase ningu\u00e9m pergunta, aquele que \u00e9 t\u00e3o respons\u00e1vel pela gravidez quanto Sandra. Ela, Sandra, s\u00f3 pode ser transformada em vil\u00e3 por ser v\u00edtima do mito da maternidade.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o Brasil viu crescer um movimento forte, criativo e solid\u00e1rio, de defesa e resgate do parto natural e humanizado, para que a mulher recupere o protagonismo no nascimento das crian\u00e7as, sequestrado pela autoridade m\u00e9dica no pa\u00eds campe\u00e3o mundial de cesarianas. Tamb\u00e9m h\u00e1 um movimento forte e bem mais antigo, nascido junto com os v\u00e1rios feminismos, pela descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto.<\/p>\n<p>No Brasil, o aborto s\u00f3 \u00e9 permitido em tr\u00eas casos: gravidez resultante de estupro, risco de morte para a mulher e gesta\u00e7\u00e3o de feto anencef\u00e1lico, uma anomalia incompat\u00edvel com a vida. Na pr\u00e1tica, o aborto obedece \u00e0 l\u00f3gica do apartheid racial e social que rege o cotidiano do pa\u00eds: \u00e9 acess\u00edvel \u00e0s mulheres que podem pagar por ele em cl\u00ednicas seguras e vetado para as mulheres que n\u00e3o podem pagar por ele, as mais pobres, a maioria delas negras e jovens, que dependem do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Estas se submetem a charlat\u00f5es e a condi\u00e7\u00f5es perigosas, ou apelam para expedientes solit\u00e1rios e desesperados. Muitas morrem na tentativa de interromper a gesta\u00e7\u00e3o de uma crian\u00e7a que n\u00e3o querem ou n\u00e3o podem ter, fazendo do aborto a quinta causa de morte materna no pa\u00eds. A criminaliza\u00e7\u00e3o do aborto \u00e9, na pr\u00e1tica, uma m\u00e1quina estatal de produzir cad\u00e1veres femininos. E tamb\u00e9m \u00f3rf\u00e3os, j\u00e1 que parte destas mulheres t\u00eam outros filhos esperando-as em casa. Pesquisas mostram que a morte da m\u00e3e multiplica as fragilidades e acentua a mis\u00e9ria, condenando a fam\u00edlia que restou.<\/p>\n<p>Defender o protagonismo das mulheres no parto e defender o direito de as mulheres decidirem se querem ou n\u00e3o levar uma gesta\u00e7\u00e3o adiante n\u00e3o \u00e9 uma coisa e outra coisa. \u00c9 a mesma coisa, embora parte das militantes de um movimento e outro n\u00e3o encarem dessa forma. Trata-se do respeito \u00e0 autonomia da mulher sobre o seu corpo, hoje submetido pela autoridade m\u00e9dica, no primeiro caso, pelo Estado, no segundo. E h\u00e1 que se dar um passo a mais se as mulheres contempor\u00e2neas quiserem recuperar o controle sobre si mesmas: \u00e9 preciso lutar ao lado de Sandra \u2013 e de todas as Sandras \u2013 para que ela n\u00e3o seja reduzida a uma p\u00e1ria social.<\/p>\n<p>Para isso, \u00e9 preciso confrontar o mito da maternidade, que esmaga as mulheres h\u00e1 tantos s\u00e9culos. A ideia de que ser m\u00e3e \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o suprema de qualquer mulher e de que nos tornamos mulheres mais completas ao vivermos a experi\u00eancia da maternidade \u00e9 uma armadilha na qual algumas de n\u00f3s caem alegremente. Outras at\u00e9 mesmo se atiram. Ainda hoje, mulheres que n\u00e3o t\u00eam filhos s\u00e3o vistas por muitas de suas contempor\u00e2neas esclarecidas como uma esp\u00e9cie de ser pela metade. Ora hist\u00e9rica, ora frustrada. Para sempre incompleta. No mesmo sentido, \u00e9 preciso combater a ideia de que a maternidade \u00e9 feliz. E feliz mesmo quando \u00e9 triste, o cl\u00e1ssico clich\u00ea do \u201cser m\u00e3e \u00e9 padecer no para\u00edso\u201d. O lugar mitificado dado \u00e0 maternidade por uma s\u00e9rie de raz\u00f5es hist\u00f3ricas reduz mulheres como Sandra a \u201csafadas\u201d, no jarg\u00e3o popular, a criminosas no C\u00f3digo Penal.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m jornalistas agrediram Sandra com a pergunta supostamente leg\u00edtima: \u201cPor que voc\u00ea abandonou a crian\u00e7a?\u201d. Digo supostamente leg\u00edtima porque o verbo \u201cabandonar\u201d j\u00e1 revela um julgamento \u2013 e n\u00e3o um fato. E de imediato produz um estigma, com grande repercuss\u00e3o no imagin\u00e1rio: o da m\u00e3e \u201cabandonadora\u201d. Se foi abandono ou n\u00e3o, s\u00f3 a hist\u00f3ria de Sandra poder\u00e1 mostrar. O fato \u00e9 que ela deixou a crian\u00e7a ao p\u00e9 de uma \u00e1rvore. Com o que sabemos, o mais prov\u00e1vel \u00e9 que ela n\u00e3o abandonou o beb\u00ea. Ela talvez tenha dado a crian\u00e7a. E a mudan\u00e7a do verbo \u2013 de \u201cabandonar\u201d para \u201cdar\u201d \u2013 pode mudar a interpreta\u00e7\u00e3o do movimento feito por Sandra.<\/p>\n<p>Na medida das suas circunst\u00e2ncias, desejando ficar an\u00f4nima por medo de perder o emprego, como ela diria depois, planejou deixar a crian\u00e7a num local vis\u00edvel, para que fosse encontrada o mais rapidamente poss\u00edvel. E certificou-se de que isso aconteceria. Conhecedora dos h\u00e1bitos da vizinhan\u00e7a, Sandra sabia que algu\u00e9m se surpreenderia com a sacola junto a uma \u00e1rvore. Como disse Francisco, o zelador que resgatou o beb\u00ea: \u201cSei que domingo n\u00e3o \u00e9 dia de coleta de lixo. Fiquei curioso (com a sacola)\u201d.<\/p>\n<p>Sandra tamb\u00e9m sabe que domingo n\u00e3o \u00e9 dia de coleta de lixo. E que a sacola despertaria a curiosidade daqueles que precisam zelar pela limpeza diante dos pr\u00e9dios, sob pena de perder seus empregos. Vale lembrar que a cl\u00e1ssica cena de filme de Hollywood, em que a m\u00e3e desesperada deixa o beb\u00ea na porta de uma mans\u00e3o, toca a campainha e esconde-se aos prantos para ter certeza de que seu beb\u00ea ficar\u00e1 em boas m\u00e3os, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel na metr\u00f3pole murada, o territ\u00f3rio de cada um protegido por grades, alarmes e cercas eletrificadas. Sandra fez a vers\u00e3o poss\u00edvel dessa cena, que no cinema desperta tanta compaix\u00e3o e l\u00e1grimas pela mulher, e na vida real apenas f\u00faria e dedos em riste. Deixou a crian\u00e7a no melhor lugar que podia, junto a uma \u00e1rvore. E esperou.<\/p>\n<p>Diante da pergunta de por que abandonou o beb\u00ea, Sandra, tapando o rosto, disse: \u201cPor desespero\u201d. \u00c9 obrigat\u00f3rio escutar essa resposta. \u201cPor desespero.\u201d A profundidade das circunst\u00e2ncias de Sandra n\u00e3o s\u00e3o conhecidas. Mas \u00e9 poss\u00edvel compreender o pouco que se sabe: uma migrante nordestina trabalhando como dom\u00e9stica em S\u00e3o Paulo, com um filho adolescente criado longe dela, outra filha pequena criada na casa dos patr\u00f5es. Como ter um terceiro filho? Neste momento, como o enredo \u00e9 mais do que previs\u00edvel, berram os de sempre, salivando seu \u00f3dio: \u201cMas na hora de fazer gostou, n\u00e9?\u201d. <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/02\/03\/opinion\/1391428140_828590.html\">O gozo da mulher \u00e9 sempre pass\u00edvel de puni\u00e7\u00e3o<\/a>. H\u00e1 sempre uma sem-vergonhice embutida <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2013\/12\/09\/opinion\/1386595765_588331.html\">na sexualidade da mulher.<\/a> Afinal, na moralidade crist\u00e3, o sexo s\u00f3 pode ser justificado pela reprodu\u00e7\u00e3o. E assim, o \u201csafada\u201d usado pelo seguran\u00e7a para se referir \u00e0 Sandra ganha tamb\u00e9m a conota\u00e7\u00e3o sexual, j\u00e1 que ela n\u00e3o quis se tornar m\u00e3e daquela crian\u00e7a, esvaziando o ato sexual de legitimidade moral e transformando-o numa \u201csafadeza\u201d.<\/p>\n<p>Reconhecer a complexidade do ato de Sandra n\u00e3o \u00e9 tirar a responsabilidade de Sandra. Esta seria apenas mais uma viol\u00eancia contra ela. Tratar como \u201cincapaz\u201d ou como \u201clouca\u201d aquela que escolhe n\u00e3o ser m\u00e3e parece ser a \u00fanica justificativa aceit\u00e1vel para a sociedade. \u00c9 isso ou o linchamento moral \u2013 e \u00e0s vezes f\u00edsico. Como se a \u201csafada\u201d s\u00f3 pudesse ser parcialmente redimida ao ser convertida em \u201cdoida\u201d. E como se de \u201csafada\u201d a \u201cdoida\u201d houvesse uma melhora de status. Alternativas que respeitem a autonomia e a dignidade da mulher inexistem neste caso, e isso deveria revoltar homens e mulheres dispostos ao pensamento.<\/p>\n<p>Reconhecer a complexidade do ato de Sandra \u00e9 reconhecer que a maternidade pode n\u00e3o ser a escolha de todas. E pelas mais variadas raz\u00f5es, que deveriam dizer respeito apenas \u00e0quelas que escolhem. Reconhecer a complexidade do ato de Sandra \u00e9, principalmente, reconhecer que a maternidade pode ser aterrorizante mesmo para aquelas que escolhem se tornar m\u00e3es. Nesta \u00e9poca em que tudo pode ser dito de forma testemunhal nas redes sociais, \u00e9 hora de abrir a temporada de relatos confessionais sobre o quanto a gravidez pode provocar pavor mesmo para aquelas mulheres que sonharam com ela e a planejaram e t\u00eam todas as condi\u00e7\u00f5es materiais para criar seus filhos. Uma situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 fundamental lembrar, totalmente distante da realidade de Sandra, que n\u00e3o tinha nenhuma dessas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso dizer, bem alto e com todas as palavras, que para muitas de n\u00f3s, mulheres, a crian\u00e7a crescendo no \u00fatero, alimentando-se de n\u00f3s, \u00e9 um alien. Esta foi tamb\u00e9m a minha <a href=\"http:\/\/revistaepoca.globo.com\/Revista\/Epoca\/0,,EMI120681-15230,00-O+BEBE+ALIEN.html\">sensa\u00e7\u00e3o ao engravidar<\/a> e experimentar a gravidez. A frase mais perfeita sobre o potencial de horror contido na experi\u00eancia da maternidade \u00e9 expressado nessa frase da escritora francesa Colette Audry: \u201cUma nova pessoa que entrou na sua vida sem vir de fora\u201d. Pode ter algo mais aterrorizante do que esse estranho \u00edntimo que invade as suas entranhas desde dentro e cresce sem parar e que um dia ter\u00e1 de sair dali? Eu s\u00f3 mudaria nessa frase a palavra \u201cpessoa\u201d. Minha sensa\u00e7\u00e3o, e a de outras mulheres com quem conversei, \u00e9 de que n\u00e3o temos a certeza de que \u00e9 de fato uma pessoa. Pode ter qualquer forma esse alien\u00edgena. E essa tamb\u00e9m \u00e9 uma expectativa bastante assombradora sobre o momento do parto.<\/p>\n<p>Neste ponto, h\u00e1 outro tabu que precisamos quebrar com urg\u00eancia. A de que a mulher ama seu filho desde sempre e \u00e9 m\u00e3e desde o momento da gesta\u00e7\u00e3o. O ato de engravidar e parir n\u00e3o torna uma mulher tamb\u00e9m uma m\u00e3e, nem torna a crian\u00e7a que nasce um filho. Tanto a m\u00e3e quanto o filho se tornam \u2013 ou n\u00e3o. S\u00e3o dois os nascimentos dessa hist\u00f3ria. S\u00f3 um deles \u00e9 certeza. Se haver\u00e1 o segundo parto, aquele em que nasce uma m\u00e3e e um filho, n\u00e3o se sabe. Lembro-me de que, ao voltar para casa depois do parto, fiquei sozinha no meu quarto com a crian\u00e7a. Eu olhei para ela, ela olhou para mim. N\u00f3s duas choramos. Eu me perguntava: \u201cquem \u00e9 esta?\u201d. At\u00e9 hoje estou buscando a resposta, o que \u00e9 fascinante. Naquela indaga\u00e7\u00e3o empreendi o longo e incompleto caminho que me tornou m\u00e3e \u2013 e que tornou aquela menina minha filha.<\/p>\n<p>No caso de Sandra e de tantas, por uma s\u00e9rie de circunst\u00e2ncias que se d\u00e3o em cada hist\u00f3ria \u2013 sempre \u00fanica, singular e intransfer\u00edvel \u2013, pode haver o ato da gravidez e do parto sem que isso signifique tornar-se m\u00e3e e tornar-se filho. No caso de Sandra e de tantas, poder\u00e1 existir uma outra mulher que se tornar\u00e1 m\u00e3e daquela crian\u00e7a e far\u00e1 dela um filho, sem passar pela gravidez e pelo parto. Ou haver\u00e1 um homem que se tornar\u00e1 m\u00e3e daquela crian\u00e7a e far\u00e1 dela um filho. A maternidade n\u00e3o \u00e9 prerrogativa exclusiva da mulher, nem tem nada a ver com g\u00eanero. \u00c0s vezes, inclusive, \u00e9 coletiva. Tudo o que N\u00c3O precisamos neste momento da hist\u00f3ria, e esse pode ser um alerta importante para muitas militantes, \u00e9 de superm\u00e3es, competindo para ver quem \u00e9 mais extraordin\u00e1ria do que a outra. Superm\u00e3e \u00e9 o superlativo que nos apequena a todas, a come\u00e7ar por aquela que arrota sua compet\u00eancia na maternagem. Quando nos tornamos de fato m\u00e3es, somos todas condenadas apenas \u00e0 imperfei\u00e7\u00e3o do poss\u00edvel.<\/p>\n<p>O aumento do n\u00famero de mulheres no cinema, na literatura e nas artes, assim como no jornalismo, tem impactado no questionamento de mitos como o da maternidade. \u00c9 nesse contexto que se insere um filme muito delicado exibido no Festival do Rio, no in\u00edcio de outubro, que estrear\u00e1 nos cinemas brasileiros em novembro. Em <em>Olmo e A Gaivota<\/em>, um casal de atores do Th\u00e9\u00e2tre du Soleil, Olivia Corsini e Serge Nicola\u00ef, representam a si mesmos na experi\u00eancia da gravidez real da atriz, enquanto \u00e9 encenada a pe\u00e7a <em>A Gaivota<\/em>, do russo Anton Tchekhov. O document\u00e1rio \u00e9 dirigido pela brasileira Petra Costa, do bel\u00edssimo <em>Elena<\/em>, e pela dinamarquesa Lea Glob, com produ\u00e7\u00e3o executiva de Tim Robbins.<\/p>\n<p>(Alerta de spoiler: quem preferir assistir ao filme sem nada saber sobre ele, pule os pr\u00f3ximos tr\u00eas par\u00e1grafos e volte ao texto em seguida.)<\/p>\n<p>Como a gravidez \u00e9 de risco, Olivia precisa deixar a pe\u00e7a e o mundo do teatro, onde ela e Serge viviam muito mais na pele de outros personagens do que na pr\u00f3pria. Olivia ter\u00e1 de fazer algo ainda mais arriscado do que representar a Ark\u00e1dina da pe\u00e7a de Tchekhov, n\u00e3o por acaso uma atriz com medo de envelhecer e perder o lugar. Olivia ter\u00e1 de vestir o pr\u00f3prio corpo invadido por essa criatura desconhecida e voraz. A certo momento, Olivia diz: \u201cTodas as mulheres me dizem que ah, a gravidez, que momento extraordin\u00e1rio, que momento maravilhoso&#8230; S\u00f3 se for depois\u201d. Mais tarde, um dos seus dentes amolece. Uma amiga explica a ela, com naturalidade acachapante, que \u00e9 usual perder dentes durante a gesta\u00e7\u00e3o, \u201cporque o beb\u00ea precisa de c\u00e1lcio\u201d. Olivia fica aterrorizada: \u201cComo se fosse normal perder peda\u00e7os&#8230;\u201d. Ela sente que h\u00e1 um \u201calien\u201d dentro dela, alimentando-se dela, \u201cimpondo as regras do jogo\u201d.<\/p>\n<p>Entre Olivia e Serge, que continua no mundo em que sempre esteve, o corpo habitado na maior parte do tempo apenas por personagens da fic\u00e7\u00e3o, a tens\u00e3o \u00e9 crescente. Numa discuss\u00e3o, Olivia quer saber se a atriz que a substituiu \u00e9 melhor do que ela, porque afinal tamb\u00e9m h\u00e1 isso. Desde que engravidou, ela j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 nem a atriz principal nem a mais jovem, mas aquela que envelhece e que n\u00e3o sabe se haver\u00e1 um lugar para ela depois do parto. Serge diz que est\u00e1 cansado e que cada um deles tem seu pr\u00f3pria cotidiano pesado: \u201cTenho o meu presente, e voc\u00ea tem o seu\u201d. Olivia retruca com um gesto: \u201cStop!\u201d. E continua: \u201cMeu presente \u00e9 seu tamb\u00e9m, mas s\u00f3 eu o carrego\u201d.<\/p>\n<p><em>Olmo e A Gaivota<\/em> \u00e9 um filme precioso. Ao final sabemos o que todas as mulheres intuem ao engravidar. Muito mais do que a sagra\u00e7\u00e3o do feminino, a experi\u00eancia da maternidade \u00e9 o sepultamento da mulher que existia antes. Haver\u00e1 outra, que ainda precisar\u00e1 saber quem \u00e9, mas n\u00e3o aquela. Todo nascimento de um filho \u00e9 tamb\u00e9m o nascimento de uma m\u00e3e \u2013 e a morte de uma das tantas mulheres que somos ao longo de uma vida. Fascinante, sim. Assustador, tamb\u00e9m. O contr\u00e1rio de f\u00e1cil ou de simples.<\/p>\n<p>Olivia tem a ver comigo, Sandra tem a ver comigo. Estamos todas implicadas nesse mito da maternidade que nos esmaga e que lamentavelmente ajudamos a reproduzir. Somos c\u00famplices de nossos algozes hist\u00f3ricos quando chamamos uma mulher como Sandra de \u201csafada\u201d, por ter escolhido n\u00e3o se tornar m\u00e3e da forma desesperada e desesperadora que suas circunst\u00e2ncias lhe permitiram. Nem posso alcan\u00e7ar a solid\u00e3o e o horror de Sandra parindo um beb\u00ea num banheiro, escondida, cortando ela mesma o cord\u00e3o umbilical, amamentando a crian\u00e7a para poder entreg\u00e1-la para ser adotada por quem dela poderia se tornar m\u00e3e.<\/p>\n<p>Para alcan\u00e7armos a dignidade, precisamos dizer o mais dif\u00edcil. O muito mais dif\u00edcil: #SomosTodasSandra. Eu sou.<\/p>\n<p class=\"nota_pie\"><strong>Eliane Brum<\/strong> \u00e9 escritora, rep\u00f3rter e documentarista. Autora dos livros de n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o <em>Coluna Prestes &#8211; o Avesso da Lenda, A Vida Que Ningu\u00e9m v\u00ea, O Olho da Rua, A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos,<\/em> e do romance <em>Uma Duas<\/em>. Site: <strong>desacontecimentos.com<\/strong> Email: <strong>elianebrum.coluna@gmail.com<\/strong> Twitter: <strong>@brumelianebrum<\/strong><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em instigante artigo publicado no site do &#8220;El Pa\u00eds&#8221;, Eliane Brum reflete criticamente acerca do peso da maternidade sobre a vida das mulheres, a partir do caso de trabalhadora dom\u00e9stica de S\u00e3o Paulo que deixou a crian\u00e7a rec\u00e9m-nascida embaixo de uma \u00e1rvore para ser encontrada por algu\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[19],"tags":[60,313,147,272],"class_list":{"0":"post-22133","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-noticias-e-analises","7":"tag-brasil","8":"tag-direito-ao-aborto","9":"tag-genero","10":"tag-violencia"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.1.1 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>A \u201csafada\u201d que \u201cabandonou\u201d seu beb\u00ea - Sexuality Policy Watch [PTBR]<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/a-safada-que-abandonou-seu-bebe\/22133\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A \u201csafada\u201d que \u201cabandonou\u201d seu beb\u00ea - Sexuality Policy Watch [PTBR]\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Em instigante artigo publicado no site do &quot;El Pa\u00eds&quot;, Eliane Brum reflete criticamente acerca do peso da maternidade sobre a vida das mulheres, a partir do caso de trabalhadora dom\u00e9stica de S\u00e3o Paulo que deixou a crian\u00e7a rec\u00e9m-nascida embaixo de uma \u00e1rvore para ser encontrada por algu\u00e9m.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/a-safada-que-abandonou-seu-bebe\/22133\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Sexuality Policy Watch [PTBR]\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2015-10-21T20:57:44+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2024-02-02T17:59:07+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"SPW\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"SPW\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"16 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/a-safada-que-abandonou-seu-bebe\/22133#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/a-safada-que-abandonou-seu-bebe\/22133\"},\"author\":{\"name\":\"SPW\",\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#\/schema\/person\/c19e8f16a900e3afaf000a0630e5ed2c\"},\"headline\":\"A \u201csafada\u201d que \u201cabandonou\u201d seu beb\u00ea\",\"datePublished\":\"2015-10-21T20:57:44+00:00\",\"dateModified\":\"2024-02-02T17:59:07+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/a-safada-que-abandonou-seu-bebe\/22133\"},\"wordCount\":3013,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#organization\"},\"keywords\":[\"Brasil\",\"direito ao aborto\",\"g\u00eanero\",\"viol\u00eancia\"],\"articleSection\":[\"Not\u00edcias e An\u00e1lises\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/a-safada-que-abandonou-seu-bebe\/22133#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/a-safada-que-abandonou-seu-bebe\/22133\",\"url\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/a-safada-que-abandonou-seu-bebe\/22133\",\"name\":\"A \u201csafada\u201d que \u201cabandonou\u201d seu beb\u00ea - Sexuality Policy Watch [PTBR]\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#website\"},\"datePublished\":\"2015-10-21T20:57:44+00:00\",\"dateModified\":\"2024-02-02T17:59:07+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/a-safada-que-abandonou-seu-bebe\/22133#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/a-safada-que-abandonou-seu-bebe\/22133\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/a-safada-que-abandonou-seu-bebe\/22133#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"A \u201csafada\u201d que \u201cabandonou\u201d seu beb\u00ea\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#website\",\"url\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/\",\"name\":\"Sexuality Policy Watch [PTBR]\",\"description\":\"Um f\u00f3rum global composto por pesquisadores e ativistas de uma ampla gama de pa\u00edses e regi\u00f5es do mundo sites\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#organization\",\"name\":\"Sexuality Policy Watch [PTBR]\",\"url\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/logo-site-1.png\",\"contentUrl\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/logo-site-1.png\",\"width\":4628,\"height\":1306,\"caption\":\"Sexuality Policy Watch [PTBR]\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#\/schema\/logo\/image\/\"}},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#\/schema\/person\/c19e8f16a900e3afaf000a0630e5ed2c\",\"name\":\"SPW\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#\/schema\/person\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/5c20e28abc5a0cea3ce1737232d0dbff91638e672b6915ded85a617183e5e3b8?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/5c20e28abc5a0cea3ce1737232d0dbff91638e672b6915ded85a617183e5e3b8?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"SPW\"},\"url\":\"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/author\/sxpolitics\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"A \u201csafada\u201d que \u201cabandonou\u201d seu beb\u00ea - Sexuality Policy Watch [PTBR]","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/a-safada-que-abandonou-seu-bebe\/22133","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"A \u201csafada\u201d que \u201cabandonou\u201d seu beb\u00ea - Sexuality Policy Watch [PTBR]","og_description":"Em instigante artigo publicado no site do \"El Pa\u00eds\", Eliane Brum reflete criticamente acerca do peso da maternidade sobre a vida das mulheres, a partir do caso de trabalhadora dom\u00e9stica de S\u00e3o Paulo que deixou a crian\u00e7a rec\u00e9m-nascida embaixo de uma \u00e1rvore para ser encontrada por algu\u00e9m.","og_url":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/a-safada-que-abandonou-seu-bebe\/22133","og_site_name":"Sexuality Policy Watch [PTBR]","article_published_time":"2015-10-21T20:57:44+00:00","article_modified_time":"2024-02-02T17:59:07+00:00","author":"SPW","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"SPW","Est. tempo de leitura":"16 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/a-safada-que-abandonou-seu-bebe\/22133#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/a-safada-que-abandonou-seu-bebe\/22133"},"author":{"name":"SPW","@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#\/schema\/person\/c19e8f16a900e3afaf000a0630e5ed2c"},"headline":"A \u201csafada\u201d que \u201cabandonou\u201d seu beb\u00ea","datePublished":"2015-10-21T20:57:44+00:00","dateModified":"2024-02-02T17:59:07+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/a-safada-que-abandonou-seu-bebe\/22133"},"wordCount":3013,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#organization"},"keywords":["Brasil","direito ao aborto","g\u00eanero","viol\u00eancia"],"articleSection":["Not\u00edcias e An\u00e1lises"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/a-safada-que-abandonou-seu-bebe\/22133#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/a-safada-que-abandonou-seu-bebe\/22133","url":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/a-safada-que-abandonou-seu-bebe\/22133","name":"A \u201csafada\u201d que \u201cabandonou\u201d seu beb\u00ea - Sexuality Policy Watch [PTBR]","isPartOf":{"@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#website"},"datePublished":"2015-10-21T20:57:44+00:00","dateModified":"2024-02-02T17:59:07+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/a-safada-que-abandonou-seu-bebe\/22133#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/a-safada-que-abandonou-seu-bebe\/22133"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/a-safada-que-abandonou-seu-bebe\/22133#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"A \u201csafada\u201d que \u201cabandonou\u201d seu beb\u00ea"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#website","url":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/","name":"Sexuality Policy Watch [PTBR]","description":"Um f\u00f3rum global composto por pesquisadores e ativistas de uma ampla gama de pa\u00edses e regi\u00f5es do mundo sites","publisher":{"@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#organization","name":"Sexuality Policy Watch [PTBR]","url":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/logo-site-1.png","contentUrl":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/06\/logo-site-1.png","width":4628,"height":1306,"caption":"Sexuality Policy Watch [PTBR]"},"image":{"@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#\/schema\/logo\/image\/"}},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#\/schema\/person\/c19e8f16a900e3afaf000a0630e5ed2c","name":"SPW","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/#\/schema\/person\/image\/","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/5c20e28abc5a0cea3ce1737232d0dbff91638e672b6915ded85a617183e5e3b8?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/5c20e28abc5a0cea3ce1737232d0dbff91638e672b6915ded85a617183e5e3b8?s=96&d=mm&r=g","caption":"SPW"},"url":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/author\/sxpolitics"}]}},"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22133","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22133"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22133\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25761,"href":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22133\/revisions\/25761"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22133"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22133"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22133"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}