{"id":21900,"date":"2011-09-22T20:09:35","date_gmt":"2011-09-22T23:09:35","guid":{"rendered":"https:\/\/spw.fw2web.com.br\/ptbr\/2011\/09\/22\/recomendamos-13\/"},"modified":"2024-02-05T21:48:07","modified_gmt":"2024-02-06T00:48:07","slug":"recomendamos-13","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sxpolitics.org\/ptbr\/recomendamos\/noticias-e-analises\/recomendamos-13\/21900","title":{"rendered":"A era do p\u00f3s-g\u00eanero?"},"content":{"rendered":"<p><strong>A era do p\u00f3s-g\u00eanero?<\/strong><\/p>\n<p>Por Cynara Menezes &#8211; Carta Capital<br \/>\n<strong><br \/>\nRelatos de quem recusa as defini\u00e7\u00f5es tradicionais de homem-mulher, h\u00e9tero-homo&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>O cartunista Laerte Coutinho, de 60 anos, que em 2009 decidiu passar a se vestir como mulher, usar brincos e pintar as unhas de vermelho, est\u00e1 dentro do banheiro masculino quando entra um velhinho. Ao se deparar com a figura de cabelos grisalhos lisos num corte chanel, saia e salto alto, em p\u00e9 diante do mict\u00f3rio, o homem estaca. \u201cN\u00e3o se preocupe, o senhor n\u00e3o est\u00e1 no banheiro errado\u201d, diz Laerte. E o idoso, resignado: \u201c\u00c9, eu estou \u00e9 na idade errada\u201d.<\/p>\n<p>Laerte j\u00e1 foi chamado de crossdresser, denomina\u00e7\u00e3o utilizada para o homem que gosta de, ocasionalmente, usar roupas femininas como fetiche. Talvez o crossdresser mais famoso da hist\u00f3ria tenha sido o cineasta norte-americano Ed Wood, que vez por outra vestia trajes de mulher. Sentia que lhe acalmavam o esp\u00edrito. Wood, encarnado no cinema pelo ator Johnny Depp no filme hom\u00f4nimo de Tim Burton, em 1994, era casado e, ao que tudo indica, heterossexual. S\u00f3 que o cartunista acha que n\u00e3o \u00e9 crossdresser como Wood porque n\u00e3o tem mais em seu arm\u00e1rio roupas de homem. Nem uma s\u00f3 cueca, nada. \u201cFoi a primeira gaveta que esvaziei\u201d, conta.<\/p>\n<p>Por outro lado, as travestis, brinca Laerte, ficariam indignadas se ele dissesse ser uma, por n\u00e3o ter a -exuber\u00e2ncia que se espera delas. Drag queen ele n\u00e3o \u00e9, porque n\u00e3o se veste como mulher para fazer performances. Usa vestidos e saias todo o tempo, para desenhar, pagar contas no banco ou ir at\u00e9 a esquina. Transexual tamb\u00e9m n\u00e3o, porque n\u00e3o tem interesse em fazer cirurgia de mudan\u00e7a de sexo e nem est\u00e1 insatisfeito com o pr\u00f3prio corpo \u201cbiol\u00f3gico\u201d. Bissexual, sim, com certeza. \u201cNomenclaturas n\u00e3o me interessam. A busca por uma nomenclatura \u00e9 uma tentativa de enquadramento. Sou uma pessoa transg\u00eanera e gosto do termo \u2018p\u00f3s-g\u00eanero\u2019\u201d, explica o cartunista.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que n\u00e3o existe atualmente uma palavra para \u201cenquadrar\u201d Laerte. Tampouco h\u00e1 resposta definitiva para a quest\u00e3o: quantos g\u00eaneros existem na realidade? S\u00f3 homem e mulher parecem n\u00e3o ser mais suficientes. Desde a quinta-feira 15, os australianos ter\u00e3o em seus passaportes a possibilidade de optar, al\u00e9m dos sexos \u201cmasculino\u201d e \u201cfeminino\u201d, por um g\u00eanero \u201cindeterminado\u201d. Cabem a\u00ed todas as possibilidades de defini\u00e7\u00e3o de Laerte, ou qualquer outra que aparecer. A pr\u00f3pria sigla LGBT (L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais e Transg\u00eaneros) j\u00e1 \u00e9 utilizada por alguns grupos como LGBTIQ \u2013 adicionada de \u201cintersex\u201d e \u201cquestioning\u201d (\u201cem d\u00favida\u201d ou \u201cexplorando possibilidades\u201d).<\/p>\n<p>Com a mudan\u00e7a no passaporte, a Austr\u00e1lia na pr\u00e1tica estende para todos os cidad\u00e3os o direito conquistado na Justi\u00e7a em mar\u00e7o do ano passado por Norrie May-Welby. Norrie, que nasceu homem, havia feito cirurgia de sexo para se tornar mulher, mas n\u00e3o se adaptou \u00e0 nova condi\u00e7\u00e3o. Recorreu \u00e0 Justi\u00e7a e se tornou a primeira pessoa do mundo a ser reconhecida como \u201cgenderless\u201d, ou sem g\u00eanero espec\u00edfico. Ap\u00f3s a decis\u00e3o, Norrie May-Welby declarou: \u201cOs conceitos de homem e mulher n\u00e3o cabem em mim, n\u00e3o s\u00e3o a realidade e, se aplicados a mim, s\u00e3o fict\u00edcios\u201d. O sobrenome de Norrie, ali\u00e1s, \u00e9 um trocadilho com \u201cmay well be\u201d, que em ingl\u00eas significa \u201cpode bem ser\u201d.<\/p>\n<p><em>Leda e os Cisnes, atribu\u00eddo a Da Vinci<\/em><\/p>\n<p>Para chegar \u00e0 decis\u00e3o, dois m\u00e9dicos o examinaram e concordaram que Norrie \u00e9 psicol\u00f3gica e fisicamente andr\u00f3gino. May-Welby comemorou a liberta\u00e7\u00e3o da \u201cgaiola do g\u00eanero\u201d e sua hist\u00f3ria detonou uma discuss\u00e3o no pa\u00eds sobre a cria\u00e7\u00e3o de direitos espec\u00edficos para as pessoas sem g\u00eanero. Um problema pr\u00e1tico \u00e9 justamente a identifica\u00e7\u00e3o em documentos oficiais. Para um homem transexual que fez a cirurgia de mudan\u00e7a de sexo, \u00e9 poss\u00edvel em v\u00e1rios pa\u00edses mudar tamb\u00e9m os documentos. Mas o que fazer com os que n\u00e3o desejam ser identificados por g\u00eanero algum? \u201cO caso de Norrie evidenciou a exist\u00eancia de pessoas que n\u00e3o desejam ter um sexo espec\u00edfico\u201d, disse em dezembro John Hatzistergos, procurador-geral de New South Wales, o estado mais populoso da Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>Nascida mulher, a fil\u00f3sofa espanhola Beatriz Preciado, autora do livro Manifiesto Contrasexual, uma provoca\u00e7\u00e3o intelectual que pretende subverter os conceitos de g\u00eanero e sexo \u00e9, ela pr\u00f3pria, um ser h\u00edbrido que recusa qualquer defini\u00e7\u00e3o. Preciado n\u00e3o se considera nem homem nem mulher nem homossexual nem transexual. Perguntada pelo jornal catal\u00e3o La Vanguardia sobre seu g\u00eanero, Beatriz respondeu: \u201cEsta pergunta reflete uma ansiosa obsess\u00e3o ocidental, a de querer reduzir a verdade do sexo a um bin\u00f4mio. Dedico minha vida a dinamitar esse bin\u00f4mio. Afirmo a multiplicidade infinita do sexo\u201d. Segundo a fil\u00f3sofa, a sexualidade humana \u00e9 como os idiomas: pode-se aprender v\u00e1rios.<\/p>\n<p>H\u00e1 psic\u00f3logos que concordam com Beatriz ao defender que uma coisa \u00e9 o g\u00eanero e outra, completamente distinta, a atra\u00e7\u00e3o sexual. Isso \u00e9 o que torna poss\u00edveis os in\u00fameros casos relatados de indiv\u00edduos que fizeram cirurgia de mudan\u00e7a de sexo para se tornarem n\u00e3o heterossexuais, mas homossexuais. Explico: um homem, por exemplo, que se torna mulher n\u00e3o para ter rela\u00e7\u00f5es com homens, como se poderia imaginar, mas com mulheres. Ou seja, que troca de sexo para ser gay.<\/p>\n<p>Aconteceu recentemente na It\u00e1lia: Alessandro Bernaroli, de 40 anos, submeteu-se a uma mudan\u00e7a de sexo e tornou-se Alessandra em 2009, mas ele e a esposa n\u00e3o tinham a inten\u00e7\u00e3o de se separar, queriam permanecer juntos. O mais incr\u00edvel \u00e9 que acabaram alvos de um div\u00f3rcio \u00e0 revelia pela Justi\u00e7a italiana, baseado no fato de o pa\u00eds n\u00e3o permitir legalmente casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Alessandra est\u00e1 recorrendo no tribunal de \u00faltima inst\u00e2ncia e pode ir \u00e0 Corte Europeia de Direitos Humanos se o seu direito de permanecer casada n\u00e3o for reconhecido.<\/p>\n<p><em>Na It\u00e1lia, ao virar Alessandra, Alessandro foi obrigado a se separar da mulher<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas anos, ent\u00e3o aos 81, a escritora Jan Morris, que deixara de ser James atrav\u00e9s de uma cirurgia em 1972, decidiu casar novamente com sua companheira de toda a vida, Elizabeth Tuckniss. Eles tiveram cinco filhos juntos e nunca se separaram de fato, mesmo ap\u00f3s a cirurgia. Por exig\u00eancias legais, por\u00e9m, haviam se divorciado logo depois de James se tornar Jan. James Morris, o primeiro jornalista a anunciar a conquista do Everest, diz, em seus relatos autobiogr\u00e1ficos, que se transformou em Jan, mas nunca se sentiu homossexual, e sim \u201cerroneamente equipado\u201d. Achava que deveria ter nascido mulher e fez a cirurgia para corrigir o equ\u00edvoco divino \u2013 o que n\u00e3o significava que quisesse abrir m\u00e3o do amor de Elizabeth.<\/p>\n<p>\u201cEsses casos comprovam que g\u00eanero e atra\u00e7\u00e3o sexual podem ser coisas<\/p>\n<p><em>Na Austr\u00e1lia, a fam\u00edlia sem g\u00eanero<\/em><\/p>\n<p>separadas. \u00c9 muito complicado, h\u00e1 pessoas que nunca se conformam em ser enquadradas em um g\u00eanero\u201d, diz o psic\u00f3logo Anthony Bogaert, professor do Departamento de Ci\u00eancias Sanit\u00e1rias da Brock- University, no Canad\u00e1. \u201cG\u00eanero \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o complexa. Ser macho ou f\u00eamea, assumir pap\u00e9is mais femininos ou mais masculinos, n\u00e3o vai necessariamente indicar que tipo de pessoa atrair\u00e1 sexualmente um indiv\u00edduo. Homens com caracter\u00edsticas mais -femininas, por exemplo, ou at\u00e9 transexuais, n\u00e3o necessariamente tender\u00e3o a se relacionar com pessoas do mesmo sexo.\u201d<\/p>\n<p>Apesar das diferen\u00e7as que estabelece entre g\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual, Bogaert considera discut\u00edveis experi\u00eancias como a do casal canadense Kattie Witterick e David Stocker, que, revelou-se ao mundo em maio, pretende manter o sexo de seu beb\u00ea, chamado apenas de Storm (tempestade), como um segredo de fam\u00edlia. Isso significa que Storm crescer\u00e1 sem g\u00eanero definido. Acossada por cr\u00edticas de psic\u00f3logos, a m\u00e3e justificou-se dizendo ter tomado a decis\u00e3o por causa da press\u00e3o sofrida por Jazz, seu filho mais velho, um garoto que gosta de usar tran\u00e7as e sempre vestiu roupas de menina, para que \u201cagisse como menino\u201d.<\/p>\n<p>Caso parecido aconteceu h\u00e1 dois anos na Su\u00e9cia com o beb\u00ea \u201cPop\u201d, g\u00eanero n\u00e3o revelado, que aos 2 anos podia escolher se queria usar vestidos femininos ou roupas de garoto. \u201cN\u00f3s queremos que Pop cres\u00e7a o mais livremente poss\u00edvel, queremos evitar que seja for\u00e7ado\/a a assumir um g\u00eanero espec\u00edfico ditado pelo exterior\u201d, explicou a m\u00e3e da crian\u00e7a. \u201c\u00c9 cruel trazer uma crian\u00e7a ao mundo com uma estampa azul ou cor-de-rosa pregada na testa.\u201d<\/p>\n<p>Uma pr\u00e9-escola na Su\u00e9cia, a Egalia, baniu os termos \u201cele ou ela\u201d para se referir aos pequenos alunos, que n\u00e3o s\u00e3o tratados como \u201cmeninos\u201d ou \u201cmeninas\u201d, mas como \u201camiguinhos\u201d. Na brinquedoteca, a cozinha, com suas panelas e outros utens\u00edlios, supostamente \u201cde predile\u00e7\u00e3o\u201d nata das meninas, fica ao lado das pe\u00e7as de Lego e brinquedos de montar, normalmente \u201cpreferidos\u201d pelos meninos, para que as crian\u00e7as n\u00e3o tenham \u201cbarreiras mentais\u201d e se sintam livres para escolher entre as duas brincadeiras. O sistema \u00e9 chamado de \u201ceduca\u00e7\u00e3o neutra em g\u00eanero\u201d, mas j\u00e1 h\u00e1 quem tenha apelidado a ideia de \u201cloucura dos g\u00eaneros\u201d.<\/p>\n<p>Pesquisadora do N\u00facleo de Estudos de G\u00eanero Pagu, da Unicamp, a antrop\u00f3loga Regina Facchini v\u00ea, no entanto, alguns aspectos positivos em n\u00e3o se enfatizarem g\u00eaneros e fortalecer estigmas na educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as. \u201cEm termos individuais, acho imposs\u00edvel criar uma crian\u00e7a sem g\u00eanero. Mas intervir no social, na escola, e n\u00e3o no sujeito, pode ser interessante.\u201d A pesquisadora lembra que, no Brasil, os par\u00e2metros curriculares aconselham fazer o poss\u00edvel para n\u00e3o estabelecer diferen\u00e7as entre g\u00eaneros. At\u00e9 mesmo em coisas pequenas, mas que denotam estere\u00f3tipo, como, por exemplo, dar para os garotos a fun\u00e7\u00e3o \u201cmasculina\u201d de carregar coisas pesadas.<\/p>\n<p>\u201cExistem discuss\u00f5es candentes hoje em dia. Os banheiros das escolas atendem os alunos transexuais? Agora, a identidade de g\u00eanero existe. Desde o momento que a crian\u00e7a botou a cabe\u00e7a para fora, ela vai sendo constru\u00edda, a partir das expectativas criadas em torno dela pelos pais, pela sociedade. Essa \u00e9 uma realidade\u201d, diz a antrop\u00f3loga. \u201cSem d\u00favida, quanto menos a escola enfatizasse g\u00eaneros, menos seria traum\u00e1tico para algumas crian\u00e7as. Assim como tamb\u00e9m seria positivo ensinar que existem v\u00e1rias formas de masculino e feminino que devem ser respeitadas. O que existe na maior parte dos lugares \u00e9 o oposto disso.\u201d<\/p>\n<p>At\u00e9 os 7 anos, o paulista Leo Moreira S\u00e1, ca\u00e7ula de nove irm\u00e3os, brincava com os amigos no quintal, todos meninos, usando um short sem camiseta. No dia que ele conta ser o mais chocante de sua vida, a m\u00e3e vestiu-o com o uniforme da escola, uma sainha com blusa. Ele reclamou: \u201cMas isso \u00e9 roupa de menina\u201d. Ela olhou-o profundamente nos olhos e pronunciou a frase que o marcaria dali por diante: \u201cVoc\u00ea \u00c9 uma menina\u201d.<\/p>\n<p>Foram anos de rebeldia, bullying e inadapta\u00e7\u00e3o escolar at\u00e9 que Leo, ent\u00e3o Lou Moreira, entrou para as Ci\u00eancias Sociais da USP e descobriu na literatura algumas respostas para suas d\u00favidas. Ainda assim, continuava a se sentir inadaptada. Entrou para um grupo ativista de l\u00e9sbicas, mas n\u00e3o se sentia bem aceita por ser considerada \u201cmasculina demais\u201d. O melhor momento para ela ent\u00e3o foi a atua\u00e7\u00e3o, nos anos 1980, como baterista da banda de punk-rock As Mercen\u00e1rias, look andr\u00f3gino, cabelo descolorido curt\u00edssimo e ar desafiador.<\/p>\n<p>Em 1995, Lou era casada com uma garota quando viu na rua a travesti Gabriella Bionda, a Gabi. \u201cPensei: \u2018que mulher linda\u2019\u201d, conta. Gabi olhou para ela e falou: \u201cQue \u2018viadinho\u2019 bonitinho\u201d. Foi o in\u00edcio da rela\u00e7\u00e3o surpreendente entre a l\u00e9sbica e o travesti, que duraria nove anos e tornaria a dupla figurinha carimbada na noite paulistana. O curioso \u00e9 que houve um per\u00edodo que Gabi \u201cmontava\u201d Lou para que esta parecesse mais feminina, mas, nos \u00faltimos anos, ela vem se transformando em Leo. Aos 53 anos, planeja, inclusive, fazer a cirurgia de retirada dos seios e, futuramente, de mudan\u00e7a de sexo.<\/p>\n<p>N\u00e3o que tenha decidido se pretende se relacionar amorosamente com homem, mulher ou outro g\u00eanero. \u201cNo momento, n\u00e3o estou me relacionando com ningu\u00e9m, estou pensando s\u00f3 na cirurgia\u201d, diz Leo, para quem Gabi ainda \u00e9 o amor de sua vida. \u201cA Gabi \u00e9 minha alma g\u00eamea, meu espelho invertido. Estar com aquela mulher com corpo de homem quebrou certos limites da minha sexualidade. Na cama, \u00e9ramos o casal mais vers\u00e1til que se possa imaginar. Hoje, desfruto de um leque muito amplo de possibilidades. Nada est\u00e1 fechado.\u201d<\/p>\n<p>Leo, que toma horm\u00f4nios, criou barba e possui uma apar\u00eancia exterior masculina, rejeita assumir a identidade de homem. N\u00e3o gosta do termo \u201ctransexual\u201d, mas prefere se nomear assim, \u00e0 falta de outro. \u201cAdoraria n\u00e3o precisar assumir g\u00eanero algum\u201d, admite o ator, que integra o grupo de teatro dos S\u00e1tyros, em S\u00e3o Paulo, cujas montagens costumam incluir transexuais e travestis no elenco. \u201cVivi \u00e0 margem durante muitos anos. Agora, ao contr\u00e1rio, essa sensa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o pertencimento ao mundo me faz feliz, sinto-me um ser humano integral, completo. Vou operar para fazer um ajuste, para me sentir mais c\u00f4modo com meu pr\u00f3prio corpo. Mas assumir um g\u00eanero, para qu\u00ea?\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A era do p\u00f3s-g\u00eanero? 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